A amiga inocente que conhecia cada canto do albergue
Alejandro Figueroa havia aprendido, com os anos, a ler as pessoas antes que abrissem a boca. Trinta anos atrás do balcão de mármore riscado do albergue La Providencia lhe haviam dado essa capacidade: ver, em exatos três segundos, o que nenhum hóspede queria mostrar.
O albergue ficava em uma daquelas ruas do centro de Medellín que já tinham parado de tentar. Um prédio dos anos 50 com fachada de azulejos cor creme, uma marquise sem letras e uma porta de vidro que já não fechava direito. Alejandro o comprara depois do divórcio, quando liquidou a distribuidora de materiais que herdara do pai e procurou algo que exigisse pouca conversa e nenhum tipo de fé no futuro.
Os quartos tinham janelas que davam para um pátio interno onde sempre havia um lençol esquecido no varal. As paredes eram de bloco sem reboco, pintadas de branco uma vez, e os espelhos estavam fixados em ângulos que ninguém pedia, mas ninguém ignorava. Os lençóis eram brancos de tanto lavar, embora Alejandro já não tivesse certeza se esse branco era limpeza ou simplesmente rendição diante da impossibilidade de continuar tentando.
Não julgava. Essa era sua única virtude honesta. Não lhe importava quem chegava nem com quem, se vinham buscar o que não tinham em casa ou esquecer o que tinham demais. Depois de trinta anos, ele já tinha visto de tudo. Ou era o que ele pensava.
Até aquele sábado de novembro.
***
Rosario García chegou primeiro, como sempre chegavam as que achavam que controlavam a situação: com pressa calculada e o olhar fixo na porta, esperando o efeito que aquilo que vinha atrás iria produzir. Tinha trinta e tantos anos, roupa cara mas discreta, a bolsa de couro atravessada no peito. Pagou em dinheiro sem perguntar o preço. Naquele albergue, isso significava que já sabia quanto era.
— O quatro, por favor — disse.
Alejandro tirou a chave do gancho sem dizer nada. Rosario a pegou e se virou.
E então entrou Clara.
Clara tinha aquele tipo de rosto que a gente associa às fotos da primeira comunhão que as avós emolduram e penduram no corredor principal. Cabelo castanho e liso até os ombros, vestido de linho cor creme, sandálias rasteiras. Sem maquiagem visível, ou com tão pouca que era exatamente o mesmo que nada. Caminhava com os braços ligeiramente colados ao corpo, olhando o saguão com a expressão de quem acabou de entrar num lugar que não esperava encontrar.
Rosario a olhava com uma mistura de ternura e satisfação que Alejandro reconheceu de imediato. O olhar de quem leva alguém para a lama pela primeira vez e já saboreia, antecipadamente, o efeito que isso vai causar.
Essa garota não faz ideia de onde está, pensou Alejandro, enquanto voltava aos seus papéis.
***
Seguiram pelo corredor. Rosario à frente, Clara um passo atrás, os saltos de uma contra as sandálias silenciosas da outra. A cerâmica vermelha brilhava úmida sob a única lâmpada do teto. Cheirava a piso molhado e ao aromatizador de pinho que Alejandro comprava em caixas de doze e que já não disfarçava absolutamente nada.
Rosario parou diante do quarto quatro. Procurou a chave na bolsa.
Clara ergueu o olhar para a porta. Estudou a fechadura enferrujada, o número esmaltado que um dia tivera sido dourado, a mancha de umidade que subia da moldura até o teto como o mapa de um território que ninguém jamais reivindicara.
Soltou um suspiro longo. Não de angústia. De reconhecimento.
Virou-se para Rosario com uma calma que não combinava com nenhuma das histórias que a outra havia ensaiado durante a semana.
— Anda logo — disse, com uma voz que não tinha nem um grama de nervosismo—. Esse quarto esquenta antes da gente nem chegar a abrir a porta. E eu tô com vontade de te comer a boceta antes de ficar com sede.
Rosario piscou. Levou um segundo para processar o que tinha ouvido.
Antes que pudesse responder, Clara virou a cabeça para a recepção.
— Alejandro, quando puder: uma toalha extra e o ventilador de chão. O de perna torta, porque o outro faz barulho demais.
Alejandro deixou a caneta sobre o balcão.
— Já levo — respondeu.
Rosario continuava de pé no corredor, com a chave na mão e a expressão de quem acabou de descobrir que o mapa que trazia não correspondia ao território. Clara já tinha girado o trinco e empurrado a porta.
***
Essa era a parte que Alejandro mais gostava, embora nunca admitisse isso em voz alta. Não o escândalo, não a fofoca: a geometria secreta das pessoas. As que achavam que controlavam a situação e as que realmente a controlavam. Raramente coincidiam na mesma pessoa.
Rosario chegara naquela tarde convencida de que sua função seria guiar, mostrar, abrir portas. Acreditava nisso com tanta firmeza que a certeza aparecia nos movimentos, em como pagou sem perguntar o preço, em como esperou junto à porta com aquele sorriso antecipado que as pessoas têm quando passam semanas planejando uma surpresa.
Clara, ao contrário, havia chegado sabendo exatamente o que ia acontecer.
E essas não eram a mesma coisa.
Alejandro foi até o quarto de serviço, pegou o ventilador de perna torta e a toalha extra. Bateu na porta com os nós dos dedos, dois toques secos. A voz de Clara veio de dentro sem nenhuma hesitação:
— Deixa aí fora, obrigado.
Ele deixou no chão do corredor e voltou ao balcão.
***
Os primeiros minutos foram de silêncio. Esse tipo de silêncio que tem textura própria, como quando o ar de um cômodo muda de temperatura sem que ninguém tenha aberto uma janela.
Depois, a voz de Clara. Baixa. Direta. Sem nenhum fio de dúvida.
— Tira o vestido. Tudo. Não, a lingerie também. Quero ver seus peitos daqui.
Uma pausa. O som seco do tecido caindo sobre o piso de cerâmica. Depois, o mais suave de um sutiã e de uma calcinha deslizando pela pele.
— Senta aí. Não, mais para trás. Encosta na parede. Abre as pernas. Mais. Assim. Quero ver sua boceta enquanto eu te olho.
Alejandro ligou o rádio do balcão por costume. Uma estação de vallenato que ele sempre colocava àquela hora. Deixou de fundo e não aumentou o volume, mas mesmo assim dava para ouvir. Naquele corredor, as paredes eram de bloco oco e tudo vazava, mesmo quando se fingia que não.
— Fica assim. Não se mexe ainda — disse Clara—. E não se toca. Ainda não. Só me olha.
Silêncio. O rangido da cama velha recebendo peso. O roçar de Clara se despindo sem pressa, com a mesma lentidão de quem sabe que está sendo observada e saboreia cada segundo daquele olhar. Botões. Zíper. Tecido caindo. O estalo metálico de uma fivela.
A voz de Clara voltou, um pouco mais baixa dessa vez, com aquela cadência de quem sabe que o outro já está completamente atento.
— Abre os olhos. Me olha. Olha pra mim, não pro chão. Isso. Tá vendo como eu tô molhada? Tudo isso é por você. Passei a semana inteira pensando em como vou te comer.
O silêncio de Rosario durou três segundos. Quatro. O tipo de silêncio que não é ausência de resposta, mas sua forma mais concentrada. Depois, um ofegar entrecortado, quase um gemido.
— Ai, Clara…
— Quieta. Calada. Só responde quando eu perguntar. Alguma vez uma mulher te comeu, Rosario? A verdade. Não se faz de sabida.
— Não — murmurou Rosario, com a voz muito baixa.
— Já me parecia — respondeu Clara, e escapou-lhe uma risada curta, rouca—. Então presta atenção. Porque depois você vai querer que eu faça isso sempre assim.
O peso de Clara se moveu pelo colchão. Um beijo longo, úmido, sem nenhuma pressa. Outro mais abaixo. Mais um. O percurso lento de uma boca por um pescoço, por uma clavícula, pelo osso do esterno. Alejandro ouviu, sem querer ouvir, como Clara chupava os seios de Rosario um por um, com aquela sucção pausada que arranca gemidos involuntários. Rosario respondia em ondas: primeiro um gemido curto, depois um mais longo, depois um “meu Deus” dito contra o travesseiro.
— Mais devagar — disse Clara, embora não estivesse falando com Rosario, mas consigo mesma, marcando o ritmo—. Sem pressa. Assim. Abre um pouco mais pra mim. Me deixa ver direito.
Havia algo naquele tom que Alejandro reconhecia depois de décadas de observação silenciosa. Era o mesmo com que as pessoas falam com quem já cedeu a iniciativa sem saber exatamente quando isso aconteceu: um tom que não pedia, mas estabelecia. Não havia negociação possível porque a negociação já tinha acontecido, provavelmente semanas antes, em alguma noite em que Rosario não percebeu em que exato instante deixou de ser ela quem conduzia o ritmo.
— Vou descer — anunciou Clara, e não era uma pergunta—. Vou te comer a boceta até você me pedir por favor.
Movimento do colchão. Pausa. Depois, o som inconfundível de uma boca lambendo com paciência. Rosario soltou um grito abafado, como se o primeiro contato a tivesse atravessado de cima a baixo, e depois uma sequência de gemidos entrecortados que subiam e desciam de intensidade conforme o ritmo imposto por Clara com a língua.
— Isso — disse Clara, afastando a boca por apenas um instante—. Exatamente assim. Você tá encharcada. Você é deliciosa. Não para de gemer, quero te ouvir.
Voltou a descer. Ouvia-se o estalo úmido da língua trabalhando o clitóris, a sucção firme, o murmúrio de prazer com que Clara a comia sem pressa. Rosario segurava a cabeça dela — isso Alejandro deduziu pelo “assim, assim, não para” dito com a voz quebrada— e Clara respondia cravando os dedos nas ancas dela, obrigando-a a ficar quieta quando a pelve queria fugir do controle.
— Fica quieta — ordenou Clara com a boca ainda colada a ela—. Eu disse pra você se entregar. Eu decido quando você goza.
— Por favor — ofegou Rosario—. Por favor, Clara, por favor.
— Por favor o quê. Diz. Com palavras.
— Por favor… me faz gozar. Por favor.
— Ainda não. Você tá apressada demais. Tem que aprender.
Ouviu-se o rumor do corpo de Clara subindo de novo sobre o de Rosario. Outro beijo, agora na boca, um beijo em que Rosario tinha de provar o próprio sabor na língua da outra. Um gemido de surpresa. Depois a voz de Clara, muito baixa, quase encostada no ouvido:
— Tá sentindo como você tem gosto? É assim que eu te tenho, assim que vou te ter sempre. Agora se vira. De quatro. Bunda pra cima. Agora.
A cama rangeu com o rearranjo. Rosario obedeceu sem falar, com aquela docilidade nova que se instalara em seu corpo sem que ela tivesse dado permissão explícita. Alejandro ouviu o barulho da gaveta do criado-mudo — a que sempre emperrava — e depois o zumbido baixo de alguma coisa elétrica. Rosario soltou uma gargalhada curta, incrédula.
— Você trouxe isso?
— Você achou o quê, bobinha — respondeu Clara, com uma risada mal contida—. Que eu ia vir de mãos vazias?
O zumbido se instalou contra a pele. Rosario soltou um “ah” longo, sustentado, seguido de uma respiração que ia se tornando entrecortada a cada segundo. Clara passava devagar, primeiro pela lombar, depois descendo pelo vinco da bunda, depois exatamente entre as pernas, sem chegar ainda onde Rosario pedia sem palavras.
— Abre mais. Mais. Me mostra tudo. Isso. Que bunda divina você tem, Rosario. Passei semanas querendo mordê-la.
A mordida veio de verdade, numa nádega, depois outra na outra. Rosario soltou um grito baixo e um ofegar quase de riso. Clara cravava as unhas nas ancas dela e ia abrindo a boceta com os dedos enquanto o brinquedo zumbia colado ao clitóris. O estalo de dedos entrando em carne molhada era inconfundível: primeiro um, depois dois, com uma lentidão calculada, medindo cada movimento pelos gemidos.
— Olha como a sua mão some dentro de você — murmurou Clara—. Você é uma cadela. Minha cadela. Diz isso.
— Sou sua cadela — repetiu Rosario, com a voz enterrada no travesseiro.
— Mais alto.
— Sou sua cadela, Clara. Me come, por favor.
Ouviu-se outro movimento na cama e o ajuste de correias: o zumbido mudou de posição e Alejandro entendeu, sem precisar imaginar muito, que Clara tinha colocado o arnês. Um estalo de fivela. Um instante de silêncio. Depois, o gemido longo, longuíssimo, com que Rosario recebeu a primeira estocada.
— Ai, meu Deus — disse Rosario, e a voz lhe tremeu—. Ai, meu Deus, Clara.
— Cala a boca e sente — respondeu Clara, e começou a se mover com um ritmo firme, sem dúvida, um ritmo de quem leva anos fazendo aquilo e sabe exatamente como se fala com o corpo do outro—. Tá gostando? Tá gostando de eu meter assim? Me diz.
— Tô adorando. Tô adorando, não para.
— Não vou parar. Vou te comer até você não conseguir andar.
O som de corpo contra corpo se instalou no corredor, surdo, rítmico, com aquela cadência que só o sexo tem quando deixa para trás a pergunta e se instala na afirmação. Rosario respondia com gemidos que já não tentava esconder. Alejandro aumentou um pouco o volume do rádio, não por pudor, mas por costume, e continuou ouvindo da mesma forma. Clara a segurava pelos cabelos — isso se deduziu pelo “assim, puxa, assim” dito entre dentes— e Rosario respondia pedindo mais forte, mais fundo, sem nenhum constrangimento.
— Vira — ordenou Clara depois de um tempo—. Agora de barriga pra cima. Abre as pernas. Quero olhar sua cara quando você gozar.
A cama voltou a ranger. Alejandro ouviu Clara se reajustar por cima, ouviu o ritmo recomeçar, mais profundo dessa vez, e ouviu Rosario dizer “te amo” num sussurro quebrado que provavelmente não tinha planejado dizer. Clara não respondeu a isso. Continuou comendo ela, com aquele pulso preciso, enquanto o zumbido voltava ao clitóris.
— Agora sim — disse Clara, muito perto do rosto dela—. Agora você goza. Me olha. Não fecha os olhos. Me olha enquanto você goza.
E o ápice veio com a voz de Rosario, já não baixa: um gemido longo, quebrado, que subia em degraus até se desfazer num grito abafado contra o ombro de Clara. O corpo inteiro dela tremia — Alejandro ouviu pelo rangido específico das molas— e Clara não afrouxou, continuou empurrando no mesmo ritmo, prolongando-lhe o orgasmo até que Rosario lhe pediu, com um fio de voz, que parasse.
— Outra — disse Clara.
— Não consigo.
— Outra. Mais uma. Você sabe que consegue.
E conseguia. Alejandro ouviu como ela gozava pela segunda vez, agora com um choro curto que não era tristeza, mas transbordamento, e como Clara a ia deixando descer devagar, com a boca colada ao pescoço, sussurrando coisas que já não chegavam ao corredor.
Depois, um silêncio que durou o bastante para ser seu próprio tipo de resposta.
***
Alejandro foi até a cozinha e preparou um café de que não precisava. Tomou-o de pé, olhando pela janela que dava para o pátio interno, onde o lençol do varal se movia com a lentidão específica do vento das tardes de novembro.
Pensou na primeira vez que tinha visto aquele quarto. O papel de parede rasgado nas bordas, o colchão que ele substituíra três vezes, a janela emperrada que nunca conseguira fazer abrir por completo. Tinha pensado então que era um lugar sem história. Estava errado. Todos os lugares têm história. A questão é quem a está escrevendo em cada momento.
Clara vinha escrevendo a dela havia tempo.
Não necessariamente naquele albergue desde o começo. Mas naquele quarto quatro, com aquela chave específica e o ventilador de perna torta e a toalha extra pedida com a naturalidade de quem pede o café de sempre, sim. Vezes suficientes para conhecer os detalhes. Os pequenos rituais de um lugar que, para o resto do mundo, era completamente anônimo.
Alejandro se perguntou quantos de seus hóspedes chegavam acreditando que era a primeira vez. Quantos se convenciam de que estavam começando algo, revelando algo, descobrindo algo novo em alguém que acreditavam conhecer. E quantos, como Rosario naquela tarde, percebiam tarde demais que o território que achavam que iam conquistar já tinha seu próprio mapa escrito nas paredes.
O rádio mudou do vallenato para um bolero que Alejandro não reconheceu. Deixou do mesmo jeito.
***
Saíram uma hora e quinze depois.
Clara primeiro, com a bolsa no ombro e o cabelo tão arrumado quanto quando entrara. Aquele tipo de ordem que não é descuido, mas resultado: o de alguém que sabe exatamente como se recompor, que conhece o que precisa ajustar antes de voltar à luz do corredor.
Rosario atrás, dois passos mais lenta do que na chegada. Olhava o chão com a expressão específica de quem acabou de entender algo que não estava procurando entender e que, ainda assim, se encaixava em um lugar que até então estivera vazio. Como uma peça que a gente carrega no bolso sem saber para que serve, até que de repente encontra o encaixe exato onde vai. Caminhava com as pernas um pouco mais afastadas do que o habitual, com aquela cautela involuntária de quem ainda está com o corpo quente por dentro.
Clara depositou a chave sobre o balcão.
— Até a próxima, Alejandro.
— Até a próxima — respondeu ele.
Rosario passou sem dizer nada, seguindo Clara até a porta da rua com aquele tipo de silêncio que já não era incômodo, mas necessário. Como se qualquer palavra pudesse quebrar algo ainda frágil, algo que precisava de mais algumas horas para terminar de assumir a forma que lhe correspondia.
Alejandro esperou a porta se fechar. Pegou a chave, pendurou-a no seu gancho e escreveu no caderno o número do quarto e a hora da saída. Nada mais. Não era preciso.
***
No albergue La Providencia, as paredes guardavam o que as pessoas deixavam entre elas. O desejo, a vergonha, a descoberta, a rendição. Tudo era absorvido pelo bloco sem reboco e pelas cerâmicas vermelhas e pelo eterno cheiro de pinho de caixa. Alejandro nunca precisara enunciar essa regra porque nunca precisara explicar nada a ninguém.
O que ele sabia, depois de trinta anos de balcão, era isto: as pessoas chegam achando que vêm fazer alguma coisa. E às vezes é verdade. Mas, outras vezes, chegam porque já fizeram antes, e o único mistério real é quando isso aparece no rosto e quando não.
Clara, naquela tarde de novembro, não tinha absolutamente nada escrito no rosto.
Rosario saiu com o mistério resolvido escrito em cada passo, em como seguia Clara pela calçada sem adiantar-se, naquele silêncio novo que já não era o da antecipação, mas o de alguém que acabou de descobrir que existem formas de amar que a gente não sabia que existiam até experimentá-las sem tempo de se pôr a salvo.
Alejandro pensou que isso também era um tipo de justiça. Não a dos santos nem a dos juízes: a outra. A que se serve sozinha, sem avisar, atrás de uma porta com fechadura enferrujada e um número que já não brilha.

