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Relatos Ardientes

A noite em que Valeria soube que a desejava

A primeira vez que Valeria viu Sofía foi na casa de Claudia, num jantar de aniversário ao qual tinha ido sem muita vontade. Já fazia semanas que trabalhava até a exaustão, aquele tipo de semanas que terminam com a pessoa sentada no sofá sem sequer ter tirado o casaco. Mas Claudia era sua amiga desde o colégio, e ela não faltaria por nada neste mundo.

Sofía chegou atrasada, como se soubesse que assim o impacto seria maior. Entrou pela porta da sala com uma garrafa de vinho tinto e um sorriso que não pedia licença para ocupar espaço. Tinha o cabelo castanho até os ombros, levemente úmido pela chuva lá fora, e usava uma blusa cor de bordô que se ajustava na medida certa, marcando os peitos sem sutiã por baixo, os mamilos desenhando-se apenas contra o tecido molhado. Valeria, que estava no outro extremo da sala conversando com alguém que mal ouvia, sentiu algo que não soube identificar de imediato: um puxão baixo no ventre, uma pulsação úmida entre as pernas que fazia anos que não sentia por ninguém.

Essa garota existe há anos e eu não sabia.

Não era só a aparência física dela, embora isso também a afetasse mais do que gostaria de admitir. Havia algo na maneira como Sofía escutava quem falava com ela: inclinando levemente a cabeça, sem desviar os olhos da pessoa, como se naquele momento não existisse mais nada no mundo. Quando alguém a fazia rir, ela não reprimia nada. Ria com o corpo todo, jogando a cabeça para trás, e o riso lhe enchia os olhos.

Valeria passou a maior parte daquela noite olhando-a de longe, imaginando sem querer como seria aquela boca aberta contra a sua, como soaria aquele riso transformado em gemido. E quando Sofía olhou para ela, direto nos olhos, do outro lado da mesa, Valeria sentiu a temperatura da sala subir vários graus e a calcinha umedecer sem permissão. Sofía não desviou o olhar de imediato. Só o sustentou por um momento, com a mesma calma com que fazia tudo, antes de voltar à conversa.

Valeria precisou de duas taças de vinho para recuperar o fio do que alguém estava lhe contando. Naquela noite, na sua cama, enfiou a mão entre as pernas pensando na boca de Sofía e gozou mordendo o travesseiro.

***

Durante as semanas seguintes, Claudia organizou vários encontros em grupo. Sofía sempre aparecia. Valeria começou a reconhecer os hábitos dela sem se propor: o café com leite que pedia sempre na primeira rodada, a maneira como apoiava o queixo na mão quando algo lhe parecia interessante, como desviava o olhar para cima quando buscava a palavra exata.

Começaram a trocar mensagens. No início por coisas práticas — combinar horários, compartilhar recomendações de livros —, mas as mensagens foram se alongando. Ficaram mais íntimas, mais frequentes, mais pessoais. Valeria se pegou esperando a vibração do celular com uma antecipação que não era própria de amizade.

Uma tarde, Sofía lhe mandou uma foto do livro que estava lendo, tirada do sofá onde estava. Na imagem, além da capa, viam-se os dedos de Sofía sobre a lombada: unhas curtas, sem esmalte, uma pequena cicatriz no indicador cuja origem Valeria nunca tinha perguntado. Salvou a foto sem entender muito bem por quê, e naquela noite, no chuveiro, passou os dedos pelo cu imaginando aqueles dedos alheios entrando nela, aquelas unhas curtas afundando lá dentro sem machucá-la.

Isso não é o que eu acho que é, pensou. Repetiu isso várias vezes nos dias seguintes, como se a repetição pudesse convencê-la.

Não pôde.

Demorou mais uma semana para admitir a si mesma que o que sentia por Sofía não era algo que pudesse ignorar sem esforço. Não era a primeira vez que notava uma mulher, mas era a primeira vez que essa atração era tão clara, tão específica, tão persistente. Sempre que se lembrava de como Sofía a havia olhado naquele jantar — com uma mistura de curiosidade e algo mais que ela não sabia nomear —, sentia um nó no peito que não era desagradável. Era exatamente o contrário. Os mamilos lhe endureciam sob a roupa, o estômago se contraía, e entre as pernas começava a arder algo que já não dava para disfarçar.

***

A primeira vez que ficaram realmente a sós foi numa sexta-feira à tarde, no apartamento de Sofía. Haviam combinado de ver um filme que nenhuma das duas acompanhou de verdade. Sofía tinha apagado as luzes do teto e só restava o abajur no canto, de luz quente e baixa, que banhava o ambiente numa penumbra tranquila.

Em algum momento, sem que nenhuma tivesse planejado, os ombros das duas se tocaram. Nenhuma se afastou.

Valeria sentia o calor do braço de Sofía contra o seu. O tecido fino da camisa. A forma como a respiração dela parecia ter ficado um pouco mais lenta, um pouco mais deliberada.

—Você não está vendo o filme —disse Sofía, sem se mexer.

—Você também não —respondeu Valeria.

Houve um silêncio que durou exatamente o tempo que alguém leva para tomar uma decisão sem volta. Então Sofía virou a cabeça e a olhou. Os olhos dela eram escuros naquela luz, e neles Valeria encontrou algo que não tinha visto antes daquele jeito: uma pergunta cuja resposta ela já sabia.

O primeiro beijo foi suave, quase tentativo. O segundo já não foi. Sofía segurou seu rosto com as duas mãos e enfiou a língua na sua boca sem pedir licença, e Valeria sentiu as pernas amolecerem contra o sofá. Rebateu o beijo mordendo o lábio dela, chupando a língua, e quando Sofía passou a mão pela coxa por baixo da saia, Valeria abriu as pernas para ela sem pensar.

***

Sofía cheirava a algo doce e limpo, e quando Valeria enterrou o rosto no pescoço dela para respirá-la, sentiu que estava esperando aquele instante muito antes de saber que o esperava. As mãos de Sofía lhe percorreram as costas com calma, sem urgência, até se infiltrarem por baixo da blusa e subirem pela pele nua até encontrar os seios. Beliscou os mamilos por cima do sutiã e Valeria deixou escapar um gemido rouco contra o pescoço dela.

—Você está bem? —perguntou Sofía perto do ouvido, em voz baixa, enquanto continuava a brincar com os mamilos dela.

—Mais do que bem —ofegou Valeria—. Não para, por favor.

Sofía riu baixinho e mordeu o lóbulo da orelha dela.

—Ainda nem comecei.

Levou-a pela mão até o quarto sem parar de beijá-la, trombando no batente da porta, as duas rindo entre beijos. A blusa de Sofía caiu no chão sem drama. Valeria a olhou: a pele dela era pálida sob a luz quente do abajur, suave nos ombros, com uma delicadeza que contrastava com a firmeza do modo como ocupava o mundo. Tinha os peitos menores do que Valeria imaginara, redondos e firmes, com os mamilos rosados e já duros de puro desejo. Valeria baixou a cabeça e meteu um deles na boca sem perguntar, chupando fundo, e Sofía jogou a cabeça para trás soltando um gemido longo que chegou direto ao cu de Valeria.

Sofía arrancou a camisa dela com menos paciência. Desabotoou o sutiã de um puxão e voltou a chupar seus peitos, alternando entre um mamilo e outro, enquanto apalpava sua bunda por cima da saia. Olharam-se por um momento sem dizer nada, respirando forte. Depois Sofía a empurrou sobre a cama e se jogou em cima, coxa entre as pernas de Valeria, apertando-lhe o cu com o joelho por cima da calcinha já encharcada.

—Você está ensopada —disse ela no ouvido, com a voz rouca—. Dá para notar daqui.

—A culpa é sua —retrucou Valeria, movendo os quadris contra a coxa dela, buscando fricção.

—Ótimo —Sofía mordeu seu pescoço—. Então eu assumo.

***

Valeria tomou seu tempo. Não havia nada urgente naquela noite, nenhuma pressa para chegar a lugar nenhum. Queria conhecer cada centímetro, cada reação, cada ponto onde a pele de Sofía mudava de temperatura. Vira-a de bruços, a colocou de barriga para cima e lhe arrancou a saia junto com a calcinha num só puxão. Sofía ficou completamente nua sob ela, com as pernas apenas separadas, com uma moita de pelos castanhos e bem aparados entre as coxas e o cu já brilhando de umidade.

Valeria ficou olhando por um segundo. Depois beijou-lhe a clavícula. A curva do ombro. O espaço entre os seios. Quando passou a língua pelo mamilo, Sofía aspirou o ar com força e apertou os dedos na nuca de Valeria, sem puxar, só para manter o contato. Valeria repetiu o movimento, desta vez com mais calma, chupando o mamilo fundo até levá-lo inteiro à boca, mordiscando-o de leve com os dentes até Sofía se arquear debaixo dela.

Foi descendo. O abdômen de Sofía se retesou sob seus lábios. Depois o umbigo, o início do ventre, a cintura. Sofía tinha uma pequena pinta de nascença no quadril esquerdo que Valeria beijou também, porque estava ali e porque queria.

O lado interno das coxas era a parte mais macia de todo o corpo dela. Valeria as beijou com cuidado, alternando de um lado para o outro, indo e voltando, enquanto segurava os quadris dela com as duas mãos. Passou a língua bem perto do cu, sem tocar, e Sofía gemeu frustrada e empurrou sua cabeça para baixo.

—Por favor —disse Sofía, e era a primeira vez que Valeria a ouvia pedir algo assim—. Chupa pra mim. Não aguento mais.

Valeria abriu os lábios do cu de Sofía com os polegares, bem devagar, e passou a língua inteira de baixo para cima, terminando com um beijo longo sobre o clitóris. Sofía deixou escapar um som baixo e curto, quase involuntário, um "ah" gutural que saiu da garganta. Valeria ouviu aquele som e decidiu que queria ouvi-lo muitas vezes mais.

Começou a chupá-la de verdade. Fez círculos com a ponta da língua no clitóris, depois o prendeu entre os lábios e o sugou com cuidado, enquanto enfiava dois dedos até o fundo. O cu de Sofía estava quente e apertado ao redor dos dedos dela, molhado a ponto de encharcá-los por completo. Valeria começou a mover os dedos num ritmo firme, curvando-os para cima, procurando aquela área áspera que fazia Sofía se contorcer na cama.

—Aí, aí, aí —ofegava Sofía, agarrando o cabelo dela com as duas mãos, pressionando sua cabeça contra o próprio cu sem deixá-la respirar—. Não para, caralho, não para.

Valeria não parou. Chupava o clitóris com língua e lábios enquanto a comia com os dedos, ouvindo a respiração de Sofía acelerar, os músculos das coxas tremerem ao lado do rosto dela, o cu se apertar cada vez mais em torno dos dedos. Sofía não demorou muito. Quando gozou, fez isso com o corpo inteiro, arqueada, os olhos fechados e os lábios apertados num grito abafado, pressionando a cabeça de Valeria contra o cu enquanto o orgasmo a sacudia em ondas. Valeria sentiu o cu de Sofía contrair ritmicamente sobre seus dedos, encharcando-os ainda mais, e não parou de chupar o clitóris até Sofía a empurrar suavemente para trás porque já não suportava a sensibilidade.

Valeria subiu lentamente até ficar ao lado dela, com a boca e o queixo brilhando do cu de Sofía. Sofía abriu os olhos, ainda brilhantes, e a olhou por um momento antes de rir de leve. Pegou seu rosto e a beijou fundo, chupando o próprio sabor dos lábios de Valeria sem nenhum pudor.

—O quê? —perguntou Valeria.

—Nada —disse Sofía—. Só que fazia muito tempo que eu não me sentia tão presente em algum lugar. Agora é a sua vez.

Ela a virou e se pôs em cima dela, ainda respirando forte. Abriu-lhe as pernas com o joelho e baixou sua calcinha com os dentes, mordendo a pele da coxa ao passar. Valeria estava tão molhada que, quando Sofía passou dois dedos pela fenda do cu, eles entraram até o fim sem resistência.

—Olha como você está —disse Sofía, tirando os dedos brilhando de umidade e levando-os à boca para chupá-los—. Deliciosa.

Valeria gemeu só de vê-la fazer aquilo. Sofía se acomodou entre suas pernas e começou a lamber seu cu com uma paciência que Valeria não havia pedido, mas que agradeceu com o corpo inteiro. Chupava o clitóris com a ponta da língua, depois o prendia inteiro na boca, depois descia e enfiava a língua dentro, fodendo-a com a boca até Valeria agarrar o cabelo dela sem perceber e pedir mais. Sofía a deixava louca de propósito, afastando-se quando estava prestes a gozar, soprando no clitóris inchado, mordendo a parte interna da coxa, até Valeria implorar.

—Por favor, Sofía, faz eu gozar.

Sofía sorriu contra o cu dela e enfiou três dedos de uma vez enquanto chupava o clitóris sem parar. Valeria gozou poucos segundos depois, com os quadris se erguendo da cama, apertando o cu ao redor dos dedos de Sofía, gemendo o nome dela em voz alta. O orgasmo a sacudiu por um tempo longo, em ondas, e Sofía continuou chupando devagar até o último tremor.

Valeria entendeu exatamente o que ela queria dizer quando Sofía se deitou ao seu lado, a abraçou por trás e sussurrou no ouvido: "faz muito tempo".

***

Depois vieram outras noites. Aprenderam a geografia uma da outra com aquela minúcia que só é possível quando existe desejo real, quando não há pressa de acabar. Valeria descobriu que Sofía ria quando a beijavam perto demais da orelha, que depois do orgasmo precisava de alguns minutos em silêncio antes de falar, que tinha o hábito de procurar a mão da outra enquanto dormia sem perceber que fazia isso. Descobriu também que Sofía adorava que lhe chupassem os peitos enquanto gozava, que às vezes pedia para enfiar os dedos no cu enquanto chupavam seu cu, que, se fizessem direito, ela podia gozar três ou quatro vezes seguidas sem parar.

Sofía aprendeu que Valeria gostava de começar devagar e terminar com intensidade, que precisava sentir o peso de alguém sobre ela para se acalmar depois, que se lhe dissessem o nome em voz baixa, no momento certo, algo nela se rendia por completo. Aprendeu que Valeria chegava forte ao gozo se lhe chupassem os mamilos ao mesmo tempo em que a lambiam, que gostava de ouvir palavras sujas enquanto a comiam com os dedos, que a enlouquecia sentir o cu de Sofía contra o seu até as duas gozarem ao mesmo tempo, tesourando-se devagar com o abajur aceso para poderem ver os rostos uma da outra.

Encontraram um ritmo. Uma forma de estar juntas que não precisava ser explicada.

***

Num domingo de manhã, enquanto Sofía dormia e a luz entrava oblíqua pela persiana desenhando linhas no chão, Valeria ficou olhando o teto e se permitiu pela primeira vez a pergunta que vinha adiando havia semanas.

Por que se supõe que isso está errado?

Pensou em tudo o que lhe haviam ensinado ao longo da vida sobre como as coisas deviam ser. No que esperavam dela. Nas conversas que teve e nas que nunca teve sobre o desejo, sobre quem tinha direito a senti-lo e de que maneira. Nas vezes em que notara algo parecido com isso por alguma outra garota e o enterrara sem examinar, sem dar um nome, sem saber o que fazer com aquilo.

Ao seu lado, Sofía respirava com tranquilidade, ainda nua sob o lençol, com uma marca vermelha de mordida no ombro que Valeria deixara horas antes. A mão dela, aberta sobre o travesseiro, estava a poucos centímetros da de Valeria.

Não havia nada naquele quarto que sugerisse que algo estivesse errado. Só duas pessoas que tinham se encontrado na sala de uma amiga, que se reconheceram sem saber ainda, que haviam decidido não olhar para o outro lado quando o desejo lhes apontou na mesma direção.

Valeria estendeu a mão e entrelaçou os dedos com os de Sofía. Esta abriu os olhos lentamente, ainda sonolenta, e a olhou com uma expressão que não precisava de tradução.

—Bom dia —disse Sofía, com a voz rouca de quem acaba de acordar.

—Bom dia —respondeu Valeria.

E lá fora chovia, e o quarto estava quente, e nenhuma das duas precisou dizer mais nada.

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