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Relatos Ardientes

Ela freou o carro e me desejou como nunca outra mulher

Ilustração do conto erótico: Ela freou o carro e me desejou como nunca outra mulher

Mariana tinha um jeito de pôr a mão na minha coxa que não deixava espaço para mal-entendidos. Estávamos há quase uma hora na estrada, o Audi cinza devorando quilômetros de asfalto vazio, e seus dedos tinham ido subindo centímetro a centímetro desde o joelho. Ela não dizia nada. Só me olhava de lado, com aquele meio sorriso que eu conhecia de memória, e voltava a fixar os olhos na estrada como se não estivesse me incendiando por dentro.

— Você vai fazer a gente sair da rota — eu disse, tentando soar tranquila.

— Então para.

Para. Como se fosse tão fácil. Como se eu não estivesse me contendo a noite inteira.

A blusa fina que eu tinha vestido mal me cobria, e toda vez que o sol entrava pela janela ela aproveitava para espiar o renda do sutiã. Eu sabia disso. Por isso a tinha colocado. A respiração dela ficava mais pesada a cada olhar, e o ar dentro do carro ia se carregando de uma coisa densa, elétrica, que não ia dar para ignorar por muito mais tempo.

Não aguentamos.

À beira da estrada, abria-se uma saída de terra que entrava entre os pinheiros. Virei sem pensar, avancei alguns metros até a rodovia desaparecer no espelho e freie bruscamente. O motor desligou e o silêncio da mata nos engoliu por inteiro, quebrado apenas pela nossa respiração acelerada.

Virei-me para ela. O vestido tinha subido pelas coxas, me deixando ver mais pele do que eu conseguia suportar, e sua perna nua estava tão perto que senti o calor antes mesmo de tocá-la. Não precisou dizer nada. Puxei a alavanca e reclinei meu banco, e Mariana entendeu o convite na hora.

Ela se montou em mim com uma agilidade que me arrancou uma risada nervosa, o vestido subindo ainda mais enquanto suas mãos percorriam meu torso com uma fome que ela nem fazia questão de disfarçar. Meu peito reagia sob seus dedos. Cada carícia deixava uma marca quente na minha pele, e tudo o que eu podia fazer era suspirar contra seu pescoço e me deixar levar.

Seus dedos se enfiaram sob minha blusa e foram erguendo-a devagar, deixando o ar fresco da mata roçar minha pele nua. Com uma mistura de urgência e paciência, ela a tirou pela cabeça, e quando viu o sutiã de renda, os olhos dela se acenderam. Brincou com as bordas do tecido, mas não o abriu: apenas o puxou o suficiente para libertar meus seios.

Quis levar as mãos às costas para soltar os fechos, mas ela me impediu.

— Deixa — murmurou.

Não insisti. Que ela faça o que quiser. Cada toque acendia uma faísca maior que a anterior, e o silêncio da mata tornava tudo mais íntimo, como se o mundo inteiro tivesse se apagado para nos deixar sozinhas.

Minhas mãos foram diretas às suas coxas, subindo, entrando sob o vestido até encontrar o calor úmido entre suas pernas. Ela arquejou e se inclinou para mim, buscando minha boca com desespero. O beijo foi longo, molhado, nossas línguas seguindo o mesmo ritmo frenético com que nossas mãos se exploravam. Através do tecido da sua calcinha eu sentia o quanto ela me desejava, e isso só me deixava mais ansiosa.

Mariana terminou de subir meu sutiã e desceu a boca pelo meu pescoço, deixando um rastro de beijos úmidos até chegar aos meus seios. A língua dela contornou um dos meus mamilos antes de prendê-lo entre os lábios, e o gemido que me escapou encheu o carro inteiro. Agarrei-me ao banco. Meus quadris se erguiam sozinhos, empurrados por uma urgência que me queimava por dentro.

— Você me deixa muito excitada — murmurou contra minha pele, a voz rouca e carregada.

Ela voltou ao meu peito e o sugou com uma mistura de suavidade e fome que me fez tremer. Eu estava ansiosa, à beira, e meus dedos encontraram o elástico da sua calcinha e o puxaram para baixo. A umidade que descobri me arrancou um suspiro.

— Você está encharcada — sussurrei.

Ela sorriu, mordeu o lábio e abriu um pouco as pernas para me deixar entrar com os dedos. Arqueou-se imediatamente, as mãos agarradas ao encosto, enquanto eu aumentava o ritmo e sentia seu corpo responder a cada movimento. O som da respiração ofegante dela me deixava louca.

— Isso... assim... não para — pediu, entre súplica e ordem.

Seus quadris buscavam meus dedos, sua pele queimava sob minhas mãos, e seus gemidos enchiam o habitáculo até fazer os vidros vibrarem. O ar tinha ficado espesso, carregado com seu perfume floral misturado ao suor dos dois corpos. Quando seus olhos escurecidos se cravaram nos meus, como se eu fosse a única coisa que existisse no mundo, soube que mais nada importava.

Inclinei-me e desci. Lambi seu pescoço devagar, saboreando o sal da pele, e continuei descendo, deixando um rastro molhado pelo centro do peito e do ventre. Ela enroscou os dedos no meu cabelo e me guiou, gemendo a cada centímetro que eu percorria. Escorreguei até ficar entre suas pernas, apoiei a boca em seu sexo e a beijei como se fosse a única coisa que me importasse provar naquela noite.

***

O cheiro da excitação dela me atingiu primeiro, intenso, uma mistura de sal e algo doce que me embaralhou os sentidos. Seus lábios estavam inchados, encharcados, brilhando sob a pouca luz que se infiltrava entre as copas dos pinheiros. Abri-os devagar com os dedos e deixei minha língua subir até encontrar o ponto exato onde ela se elevava, ansiosa, pulsante.

— Mais... não para — gemeu, a voz quebrada enquanto seu corpo tremia sob minha boca.

Meus dedos voltaram a entrar nela enquanto a língua trabalhava sem descanso. Ela estava tão molhada, tão no limite, que cada movimento a deixava um pouco mais perto da beira. Seus quadris se moviam sozinhos, buscando atrito, e suas unhas se cravavam no couro do banco.

— Olha para mim — pedi, erguendo o olhar para encontrar os dela.

Queria que ela visse o que eu estava lhe fazendo. Quando abriu as pálpebras, as pupilas dilatadas de desejo, e nossos olhares se cruzaram, um gemido fundo lhe escapou do peito. Não existia mais nada: só Mariana, eu e o prazer que dividíamos naquele carro perdido entre as árvores.

Então ela se deixou ir. O corpo inteiro se contraiu, cada músculo se apertou, e o orgasmo a atravessou em ondas que a fizeram arquear-se contra o encosto. Ela me segurou pelo cabelo, me puxou contra si e gritou até ficar sem ar, um grito de pura libertação que ricocheteou nos vidros embaçados.

Segurei-a enquanto os tremores iam cessando e subi para beijá-la, um beijo suave, cheio de ternura, ainda carregado com tudo o que tínhamos acabado de compartilhar. Ela sorriu contra meus lábios, acariciou meu rosto com a ponta dos dedos e, por um segundo, nenhuma das duas disse nada. Sentia cada parte do meu corpo viva, vibrando com a mesma energia.

— A gente não vai parar aqui, né? — perguntou com a respiração ainda agitada.

Balancei a cabeça. Eu não tinha nenhuma intenção de parar.

Com uma lentidão torturante, Mariana deslizou uma das alças do meu sutiã pelo ombro. Antes de o abaixar por completo, aproximou o rosto do tecido e respirou fundo, como se quisesse guardar meu cheiro, e a mistura de ternura e possessividade com que o fez me levou a morder o lábio. Eu tinha deixado assim de propósito, pensei, para ela poder cheirá-lo.

— Você é tão gostosa, meu bem — murmurou antes de pressionar os lábios contra meu ombro nu.

Seus beijos eram lentos, úmidos. Ela baixou a outra alça e a peça acabou no assoalho do carro. Meu peito nu ficou exposto ao olhar faminto dela, e me estremeci quando sua boca encontrou um mamilo, contornando-o com a língua antes de prendê-lo entre os lábios. O ar dentro do Audi parecia espesso, carregado de algo primitivo, e meu corpo reagia a cada estímulo encharcando o tecido da minha calcinha.

— Você não imagina o quanto isso me excita — disse entre beijos, enquanto uma mão descia pelo meu ventre em busca da borda da minha calcinha.

Ela me baixou a roupa íntima com um gesto firme, juntando minhas pernas para tirá-la, e um gemido suave me escapou quando o tecido molhado roçou minha pele. Passou os dedos por cima do meu sexo, ainda sobre o algodão, desenhando círculos lentos que arrancavam de mim mais sons do que eu conseguia conter. Depois afastou o tecido e me tocou diretamente, sem barreiras.

A sensação foi tão intensa que minha visão ficou turva. Meus quadris começaram a se mover sozinhos, buscando mais contato, e ela não perdeu tempo: os dedos dela giravam com uma precisão que só ela conhecia, aumentando a pressão aos poucos, levando-me ao limite.

— Olha para mim — ordenou.

E quando nossos olhos se encontraram, vi aquela faísca de desejo puro, aquela certeza de que naquele momento eu era dela por inteiro. Ela baixou a cabeça e substituiu os dedos pela boca, e a língua sobre meu clitóris me fez expelir todo o ar dos pulmões de uma vez.

— Isso... assim... não para — ofeguei.

Meu corpo se sacudia a cada movimento. Uma onda de calor subiu do ventre e me arrastou para um clímax tão forte que lágrimas me escaparam. Não de tristeza. De puro prazer. Gritei contra o teto do carro, as pernas tremendo sem controle, e me agarrei a ela para não me desfazer por inteiro.

— Isso, meu amor — murmurou, as palavras vibrando contra minha pele enquanto continuava a me acariciar até o último tremor.

Ela não parou de me beijar. Seus lábios percorreram minhas coxas, sua língua seguiu cada dobra como se quisesse se assegurar de que cada parte de mim sentisse o mesmo. O prazer não cedia, vinha em ondas, cada uma mais profunda que a anterior, até que meu corpo não aguentou mais e minhas pernas quase cederam.

Quando finalmente subiu, me abraçou e me beijou fundo, um beijo mais doce, mas ainda carregado de desejo. Agarrei-me a ela com a respiração entrecortada, os sentidos sobrecarregados, certa de nunca ter sentido algo tão real.

— Você é minha, Renata... sempre vai ser — sussurrou.

E embora eu soubesse que mais cedo ou mais tarde a realidade ia nos alcançar, naquele momento eu não me importava com nada além do corpo dela colado ao meu. O banco do passageiro cheirava a nós duas, a desejo saciado e a algo que ainda ardia no ar, uma promessa de mais viagens e mais noites como esta, de mais cantos onde nos perdermos uma na outra.

A mistura de suor, perfume e pele era o testemunho do que tínhamos acabado de compartilhar. A mata, o carro, o desejo que continuava pulsando entre nós tornavam aquele momento algo impossível de esquecer. Liguei o motor sem vontade de voltar à estrada, sabendo que aquilo não era o fim de nada, mas apenas o começo.

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