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Relatos Ardientes

Uma desconhecida me desejou como minha namorada já não sabe

Faz tempo que aprendi a escutar meu corpo.

Não daquele jeito desconfortável em que a gente se olha no espelho em busca de defeitos, mas com uma atenção mais silenciosa, mais íntima. Como quem aprende a habitar a casa em que vai morar por muito tempo. Sou miudinha, de pele morna, com curvas que não se impõem, mas que despertam rápido quando alguém as toca. Tenho o cabelo escuro até os ombros e, segundo me disseram, meus olhos ficam diferentes quando desejo alguma coisa.

Tenho namorada.

Moramos juntas há quase um ano e eu a amo. Amo como se amam as coisas seguras, os bons hábitos, as presenças que a gente toma como certas. Sofia é mais alta do que eu, mais firme, mais serena em tudo o que faz. Quando me abraça à noite, sinto o peso do peito dela contra minhas costas e respiro melhor. Gosto de espiá-la quando dorme e ela não sabe que estou olhando.

Mas meu corpo funciona em outro ritmo.

O desejo não me visita: mora comigo. Anda comigo até o escritório, vai comigo comprar pão, entra comigo no banho. Há tardes em que estou lavando a louça e, de repente, percebo que minha respiração mudou sem pedir licença, porque imaginei as mãos dela na minha cintura, os dedos entrando entre minhas pernas por baixo do vestido, me abrindo devagar enquanto ela me encosta na bancada. Há noites em que me deito ao lado dela e o simples calor da coxa dela contra a minha basta para eu ficar molhada, para eu começar a apertar as coxas discretamente em busca de alívio.

Então eu a procuro.

Quase sempre eu a procuro.

Passo a mão pelas costas dela com cuidado, sentindo a firmeza sob a pele. Meus dedos sobem pela cintura, pelo ventre, chegam devagar até a lateral do peito. Beijo o pescoço dela e sinto o pulso batendo sob meus lábios. Me encosto nela, aperto um seio macio por cima da camiseta, deixo minha mão descer até o púbis dela esperando que algo no corpo dela me responda.

Às vezes responde.

Na maioria das vezes, não.

As mãos dela prendem as minhas. Me detêm. Não é uma rejeição violenta. Não há dureza. Mas há um limite que eu não consigo atravessar.

—Agora não —ela sussurra.

Agora não.

Sempre agora não.

E meu corpo fica preso naquele instante pela metade. O sangue ainda quente, a respiração ainda pesada, o sexo ainda molhado e sem lugar para onde ir.

Aprendi a terminar sozinha o que começo.

Espero ela dormir. Espero a respiração dela ficar regular, profunda, aquele som suave que indica que ela não vai acordar mais. Então me mexo devagar, com cuidado para não agitar o colchão. Levo a mão até o ventre, enfio os dedos por baixo da calcinha e encontro tudo encharcado, os lábios inchados, o clitóris duro me esperando. Fecho os olhos e cerro os dentes.

Penso em mãos que não param.

Penso em lábios que não hesitam, em uma língua que mergulha entre minhas pernas e só sai quando eu gozo.

Penso em um olhar que não desvia quando me vê aberta.

Meus dedos giram sobre o clitóris, devagar no começo, depois mais rápido, enquanto com a outra mão aperto um seio e belisco o mamilo até doer só um pouco. Enfio dois dedos dentro e os curvo, buscando aquele ponto que me faz arquear as costas. Estou tão molhada que dá para ouvir, e tenho medo de Sofia acordar, mas não consigo parar. As pernas se tensionam, as costas se erguem um pouco do colchão, minha respiração falha na garganta. Mordo o lábio para não gemer e gozo em silêncio, apertando os dedos contra as paredes do sexo, sentindo como pulsa, como se contrai, como escorre todo o calor acumulado durante dias.

E quando acaba, quando o tremor se dissolve e tudo volta à calma, o que fica não é alívio.

É vazio.

Porque o desejo não é só físico. É ser vista. É ser escolhida. É sentir o peso real do corpo de outra pessoa contra o meu, outra boca me sugando, outros dedos me abrindo, não uma sombra que invento no escuro enquanto a mulher que amo dorme me dando as costas.

Meu corpo sabe disso.

Ele lembra.

Ele precisa.

***

No sábado de manhã, acordei antes dela. Sofia ainda dormia, perfeitamente imóvel, alheia ao barulho que eu carregava por dentro. Levantei com cuidado. Cada roçar do tecido contra minha pele parecia mais intenso que o normal, a calcinha me incomodava na virilha ainda sensível, os mamilos marcavam sob a camiseta como se o corpo tivesse ficado ligado desde a noite anterior, que não terminou de todo.

Sentei no sofá da sala e tentei me distrair. Não consegui. Cruzei as pernas e senti a pressão leve entre as coxas, o calor concentrado lá embaixo pedindo atenção. Soltei o ar devagar. Fechei os olhos por um instante.

Minha mão descansou sobre o joelho.

Não fiz nada no começo. Só deixei ali, sentindo o calor do meu próprio corpo, ouvindo minha respiração mudar de leve. Depois os dedos se moveram, sem pressa, percorrendo a pele por cima do tecido, subindo pela coxa até roçar o volume morno do meu púbis por cima da calça. E meu corpo respondeu como se estivesse esperando havia horas por esse gesto pequeno. As costas afundaram no sofá. As pernas se abriram um pouco, sem que eu decidisse.

Enfiei a mão pela cintura da calça. Os dedos encontraram a calcinha já molhada. Desci mais, afastei o tecido e me toquei direto, dois dedos deslizando entre os lábios inchados, sentindo o sexo escorrer só com aquilo. Imaginei uma mão mais firme que a minha. Uma mão mais segura. Uma mão que não hesitasse em entrar inteira, que me preenchesse com três dedos, que me abrisse as pernas sem pedir licença.

Minha respiração ficou mais pesada. Comecei a mover o punho devagar, os dedos entrando e saindo, o polegar buscando o clitóris. Mordi o lábio.

E então ouvi Sofia se mexer no quarto.

Parecia uma porra de golpe. Tirei a mão e limpei na calça, sentindo o cheiro de mim nos dedos. A respiração demorou a baixar; o corpo, muito mais. Quando ela saiu do quarto, sorriu para mim do corredor e tudo voltou a ser normal.

Para ela.

Eu ainda estava acesa, com o sexo pulsando sob a roupa, com os seios duros contra o tecido, com a boca seca.

Eu não sabia que naquela mesma noite outra pessoa ia me lembrar disso.

***

Cheguei ao bar antes da hora que tinha anotado.

Não porque eu quisesse. Porque o corpo não aguentava mais.

Era um lugar pequeno, íntimo, com luzes amarelas que suavizavam cada silhueta. Cheirava a perfume, álcool e pele morna, aquela mistura que só aparece em certos sábados à noite. Sentei na mesa que o garçom me indicou, cruzei as pernas devagar e senti, de novo, o leve atrito das minhas coxas sob o vestido. Sem calcinha. Tinha tirado antes de sair de casa, e agora a umidade corria pela parte interna da coxa sempre que eu me mexia.

Pedi uma bebida qualquer. Não vim pela bebida.

Vim por algo que ainda não tinha nome.

No começo, só observei. Corpos se movendo sem pressa. Mãos que se roçavam como por acidente. Olhares que duravam mais do que o necessário.

E então a vi.

Ela estava sentada a duas mesas da minha. Tinha o corpo relaxado, mas a simples presença dela ocupava o canto inteiro. O cabelo escuro caía sobre um ombro. Os dedos envolviam o copo com uma calma que não parecia casual. Não foi o corpo dela que me prendeu.

Foi o jeito de olhar.

Ela estava observando. Não o lugar. As pessoas. Avaliando.

Quando os olhos dela encontraram os meus, ela não desviou.

Meu corpo reagiu antes de mim. Não foi uma decisão, foi um reflexo. Senti o calor subir do ventre até o peito. A respiração mudou. As pernas se tensionaram sob a mesa, e o sexo começou a pulsar, a molhar mais, como se soubesse antes da minha cabeça o que ia acontecer.

Ela também não desviou o olhar.

Não sei quanto tempo passou. Segundos. Minutos. Não importava. Em um momento, ela se levantou.

Vi quando ela se aproximou com passos tranquilos, seguros, cada movimento medido. Parou diante da minha mesa, perto o bastante para que eu sentisse o perfume dela.

—Está ocupado? —perguntou.

A voz era baixa, grave. Meu corpo a sentiu antes da minha cabeça. Senti os mamilos se apertarem sob o vestido.

—Não —respondi.

Ela se sentou à minha frente e cruzou as pernas. O joelho ficou a centímetros do meu. Perto demais. O suficiente.

O silêncio entre nós não era incômodo. O olhar dela desceu pelo meu corpo devagar. Não com pressa. Não com vergonha. Sentindo cada centímetro que percorria, demorando-se nos seios, na forma como o vestido colava no meu ventre, na barra apoiada nas minhas coxas. Minha pele reagiu como se aquele olhar fosse contato físico. Minha respiração se aprofundou. Senti um fio quente descer pela coxa por baixo do tecido.

—Sou Mariana —disse por fim.

—Camila.

Meu nome soou diferente quando eu o disse diante dela.

Os dedos de Mariana se moveram sobre a mesa, aproximando-se dos meus sem tocar. Ainda não. Mas a presença dela bastava para o sexo se contrair já antecipando o contato.

—Você está tensa —sussurrou.

Não era uma pergunta. Era uma constatação. E ela tinha razão.

O pé dela roçou o meu sob a mesa. Um toque mínimo. O efeito foi imediato: um arrepio me desceu pelas costas e as coxas se tensionaram sem pedir licença. Ela não retirou o pé. Deixou ali, presente. Depois subiu devagar, a ponta do sapato deslizando pelo meu tornozelo, pela panturrilha, até apoiar no meu joelho. E continuou. O joelho se meteu entre minhas pernas por baixo da mesa e abriu minhas coxas com uma pressão suave, como se tivesse todo o direito.

O olhar dela amoleceu quando percebeu que eu não fechava as pernas.

Ao contrário. Me abri um pouco mais.

E então ela moveu a mão. Os dedos pousaram sobre os meus. O contato era quente. Firme. Não era como me tocar sozinha. Não era imaginação. Era alguém que existia e estava ali, decidindo me tocar.

O polegar dela se moveu devagar sobre minha pele. Um gesto pequeno. Meu corpo respondeu por inteiro: o calor se concentrando entre as pernas, a respiração ficando mais pesada, o tronco se inclinando um pouco na direção dela sem que eu decidisse. Debaixo da mesa, o joelho dela pressionava exatamente onde eu precisava, e sem querer comecei a me apoiar um pouco contra ela, buscando atrito.

Ela percebeu. Sorriu de lado.

—Vem comigo —sussurrou.

Não disse que sim. Não precisou. Levantei e a segui, sentindo o fio quente descer entre as coxas a cada passo.

***

Saímos do bar sem falar muito. Não havia nada a dizer. O ar frio da noite bateu na minha pele como um contraste imediato depois do calor lá dentro. Caminhei ao lado de Mariana, consciente de cada centímetro que nos separava. Nossos braços se tocavam às vezes, contatos que pareciam acidentais, mas que nenhuma das duas evitava. Cada roçada me jogava uma descarga curta pela coluna até se instalar no sexo, que continuava escorrendo sob o vestido.

O prédio ficava a poucos metros. Elegante, silencioso. Mariana abriu a porta e me deixou entrar primeiro. Aquele gesto, tão pequeno, me fez me sentir observada de outro jeito, como se cada movimento meu tivesse peso. Senti os olhos dela cravados na minha bunda enquanto eu entrava.

Entramos no elevador. O espaço era pequeno, fechado, íntimo.

As portas se fecharam atrás de nós com um som suave, e o silêncio ficou mais denso. Sentia o calor dela ao meu lado. A respiração tranquila. Ela ainda não me tocava. Mas estava perto o bastante para o meu corpo pedir isso por ela.

Virei o rosto só um pouco. Ela estava me olhando.

A mão dela se moveu primeiro. Os dedos roçaram meu braço com uma lentidão feita para me dar tempo de me afastar. Não me afastei. Minha pele se arrepiou sob o contato. Os dedos seguiram o caminho, subiram devagar até meu ombro, desceram pela clavícula e depois, sem nenhuma pressa, a mão inteira se apoiou sobre meu seio por cima do vestido. Apertou de leve, sentindo o peso, sentindo o mamilo duro contra a palma.

Soltei um suspiro.

—Você é toda uma garotinha molhada, não é? —murmurou perto do meu ouvido, com a voz ainda mais baixa.

A outra mão desceu pela minha cintura e encontrou a barra do vestido. Os dedos entraram por baixo com uma calma insuportável. Subiram pela parte interna da coxa, encontraram o fio úmido que corria pela minha pele e ali pararam por um segundo, saboreando aquilo.

—Sem calcinha —disse. Sorriu.— Veio preparada.

Apoiei a nuca na parede do elevador. Os dedos continuaram subindo até encontrar o sexo, e quando ela me tocou direto, quando dois dedos deslizaram pelos lábios abertos e encharcados, gemi baixo. Não consegui segurar. Um dedo entrou só um pouco, experimentando, sentindo como eu me contraía em volta. Saiu. Voltou a entrar. O polegar procurou o clitóris e começou a se mover em círculos lentos.

—Ainda não —ela sussurrou contra meu pescoço, e tirou os dedos justamente quando eu começava a mover os quadris contra a mão dela.

Levou os dedos à boca. Sugou devagar, me olhando nos olhos.

O elevador parou.

Quando as portas se abriram, nenhuma das duas se moveu de imediato. Mariana saiu primeiro e, ao fazer isso, a mão dela encontrou a minha. Entrelaçou os dedos nos meus, testando minha resposta.

Não soltei.

***

O apartamento dela estava morno, em penumbra. A luz era apenas o suficiente para ver o rosto dela, os olhos, a forma como me observava. Ela fechou a porta, e o clique da tranca marcou um ponto sem volta.

Ela se aproximou devagar.

Senti o calor do corpo dela diante do meu. O peito subia e descia com mais força do que eu queria. A mão dela subiu até minha face, e os dedos percorreram minha pele com suavidade, como se estivessem aprendendo o caminho.

Não havia pressa.

O olhar dela desceu até meus lábios. Meu corpo se inclinou um pouco na direção dela, sem que eu decidisse.

A outra mão encontrou minha cintura, e dessa vez a pressão foi mais firme. Ela me puxou devagar, apagando o espaço que restava entre nós. Pude sentir a respiração dela sobre minha boca, morna, próxima. Minhas mãos subiram pelo corpo dela quase sem que eu escolhesse. Senti o tecido sob meus dedos, a firmeza das costas, o calor real que eu não podia imaginar nem reproduzir sozinha.

Os lábios dela roçaram os meus primeiro.

Minha resposta foi imediata. Me aproximei mais. O beijo ficou mais profundo, mais lento, mais consciente. A língua dela entrou na minha boca sem pedir, procurando a minha, e eu a recebi como se estivesse esperando havia meses. A mão na minha cintura se firmou, me sustentando. Meu corpo colou no dela sem reservas, sentindo cada ponto de contato, e notei como a coxa dela se metia entre as minhas e pressionava exatamente onde meu sexo pulsava.

O calor entre nós crescia a cada segundo.

Os lábios dela deixaram os meus só para percorrer meu maxilar, meu pescoço, deixando um rastro quente que me obrigou a fechar os olhos. Minha respiração ficou irregular. Minhas mãos se agarraram às costas dela, sentindo como o corpo dela respondia ao meu.

As mãos dela me despiram do vestido pelos ombros. O tecido caiu sozinho até a cintura e os seios ficaram à mostra. Ela se afastou um segundo para me olhar. Não disse nada. A boca dela desceu devagar e chupou um mamilo, primeiro suave, só a borda dos lábios, depois com mais vontade, mordendo de leve, puxando com os dentes até me fazer gemer. O outro seio ela agarrou com a mão, apertou, beliscou o mamilo com o polegar e o indicador no mesmo ritmo em que sugava o outro.

Me arqueei contra ela. Agarrei a cabeça dela e a puxei contra meu peito.

—Mariana… —escapou de mim.

Ela me levou de costas até a parede. Minhas costas encontraram a superfície fria, e o corpo dela me esmagou contra ela. Com o joelho, abriu minhas pernas de novo, e dessa vez a coxa entrou inteira, apertando meu sexo nu sob o vestido erguido. Comecei a mover os quadris contra ela sem conseguir evitar, me esfregando, sentindo o tecido da calça dela encharcar.

—Assim —sussurrou no meu ouvido, com a voz rouca—. Vai montando em mim. Me mostra o quanto você precisa.

Ela subiu uma mão pelo meu ventre nu, apertou um seio, depois me segurou pela garganta com firmeza suave e me obrigou a olhá-la enquanto eu continuava me esfregando contra a coxa dela. Meu rosto ardia. Eu sabia que estava deixando uma mancha escura no tecido e não me importava. Ela me olhava sem desviar os olhos. Era isso que eu precisava. Que ela me visse.

Desceu a mão até a barra do vestido e o ergueu por completo. Os dedos voltaram ao sexo, desta vez sem barreiras, e me abriram os lábios com uma calma que me fez tremer. Dois dedos se afundaram dentro, até o fundo, e eu me arqueei contra a parede com um gemido longo que não consegui conter.

—Você está uma bagunça, Camila —disse, com a boca colada à minha—. Toda molhada. Toda minha.

Os dedos começaram a se mover. Dentro, fora, curvando-se, procurando. Encontraram aquele ponto que me fazia apertar a bunda contra a parede e ali ficaram, pressionando, enquanto o polegar trabalhava o clitóris em círculos. Eu cravava as unhas nos ombros dela, mordia o lábio dela, ofegava contra a boca dela.

—Olha para mim —ela mandou.

Olhei. Os olhos escuros, fixos, absorvendo cada gesto meu. Cada tremor. Cada gemido.

—Vou gozar —eu disse, quase sem voz.

—Eu sei —respondeu, sem acelerar o ritmo—. Goza. Goza para mim.

Enfiou um terceiro dedo. Senti como me abria, como me preenchia, como meu sexo se colava aos dedos e não deixava eles saírem. O polegar acelerou sobre o clitóris. Minhas pernas tremiam. Minhas costas raspavam contra a parede. E então gozei, forte, com um gemido que não consegui morder, apertando os dedos dela com as paredes internas, sentindo como cada contração arrancava mais calor de dentro de mim. Ela não parou. Continuou movendo a mão até o fim, até eu ficar caída contra ela, ofegante no ombro dela.

Os dedos saíram devagar. Senti o vazio, o fio quente escorrendo pela coxa. Ela os ergueu, brilhantes, e passou nos meus lábios.

—Chupa —disse.

Abri a boca. Tomei os dedos inteiros, sugando-os, me sentindo na língua. Os olhos dela queimavam em mim.

—Ainda não terminei com você —murmurou.

Ela me pegou pela mão e me levou até o quarto. Me sentou na beira da cama, se ajoelhou entre minhas pernas e as abriu. O vestido amassava na minha cintura. Ela me olhou de baixo, com os lábios roçando a parte interna da minha coxa, subindo devagar, deixando beijos que viravam pequenas mordidas até chegar ao sexo.

A primeira lambida me sacudiu inteira. A língua desceu de baixo para cima, longa e firme, me recolhendo sem pressa. Depois se concentrou no clitóris, girando ao redor com a ponta, pressionando, sugando entre os lábios. Eu me joguei para trás na cama, agarrando o cobertor, movendo os quadris contra a boca dela.

—Não se mexe —ela disse, me segurando pelas coxas, cravando os dedos na carne para me manter quieta.

Ela me lambeu mais devagar, me torturando. A língua entrava e saía, parava sobre o clitóris, sugava com força, se afastava. Eu erguia a cabeça e a via entre minhas pernas, com a boca brilhante, os olhos cravados nos meus. Nunca ninguém tinha me olhado assim enquanto me comia. Nunca.

Enfiou um dedo enquanto continuava sugando. Depois outro. Curvou-os lá dentro, apertando aquele ponto, enquanto a língua se movia cada vez mais rápido sobre o clitóris. Eu comecei a gemer mais alto, a dizer coisas que eu não reconhecia como minhas.

—Assim, continua assim, não para, por favor não para…

Ela não parou. O segundo gozo me atingiu mais forte do que o primeiro. Senti o corpo inteiro se tensionar, o sexo apertar os dedos dela, um jato quente sair sem que eu conseguisse controlar, encharcando o rosto e a mão dela. Ela não se afastou. Ao contrário. Sugou com mais força, engoliu o que pôde, ficou ali até eu parar de tremer.

Quando levantou a cabeça, tinha a boca e o queixo brilhando. Sorriu.

—Nunca tinham feito você gozar assim, não é? —perguntou, subindo pelo meu corpo, apoiando o cotovelo ao lado da minha cabeça.

Balancei a cabeça, sem forças para falar. Ela me beijou, e eu me senti na boca dela, salgada e espessa. Abracei-a. Apertei-a contra mim.

Depois ela me virou na cama, de bruços. Levantou meus quadris até me colocar de quatro. Senti o corpo dela atrás do meu, as mãos abrindo minhas nádegas, a língua descendo pela coluna, entre as nádegas, encontrando de novo o sexo por trás e se enfiando outra vez. Me estremeci. Empurrei minha bunda contra a cara dela. Pedi mais.

Uma vez alguém me perguntou o que era estar viva. Não soube responder. Agora eu sabia.

Estar viva era isso. Outra mulher me abrir as pernas, me chupar por trás, me enfiar os dedos até o fundo enquanto eu mordia o travesseiro para não gritar. Estar viva era o suor grudando meu cabelo na nuca, a voz de Mariana me dizendo coisas safadas no ouvido quando ela se deitava sobre mim, o corpo dela me esmagando contra o colchão enquanto os dedos continuavam dentro, enquanto ela sussurrava que eu era uma garotinha quente, uma gulosa, que adorava como eu me apertava, como eu a molhava.

Ela me fez gozar pela terceira vez assim, de bruços, com a mão enfiada e a boca colada ao meu ouvido. E depois me virou de novo, abriu minhas pernas, sentou sobre minha perna com as dela abertas e começou a se esfregar contra minha coxa. Eu a olhava de baixo, com o sexo ainda pulsando, e agarrei um seio dela por baixo da camisa. Tinha se desprendido sozinho. O corpo dela era firme, mais cheio em cima, com os mamilos escuros e eriçados.

—Agora você —eu disse.

Me sentei um pouco e a comi. Chupei os seios dela um por um, primeiro suave, depois mordendo os mamilos como ela tinha mordido os meus. Ela se movia contra minha perna, ofegante, agarrada ao meu cabelo. Desci a mão e a encontrei encharcada sob a calça, que se abrira sozinha. Enfiei dois dedos. Estava quente, apertada, já tremendo.

Empurrei-a sobre a cama e me ajoelhei entre as pernas dela. Tirei a calça inteira. Nunca tinha estado com outra mulher que não fosse Sofia, e ainda assim minha boca foi direto ao sexo de Mariana como se conhecesse de cor o caminho. Lambi de baixo até o clitóris, longa e devagar, como ela tinha feito comigo. Ouvi ela gemer meu nome e senti algo se encaixar dentro de mim.

Chupei o clitóris dela, enfiei a língua dentro, passei os dedos pelos lábios inchados. Ela agarrava meu cabelo, apertava minha cabeça contra o sexo dela, pedia mais. Enfiei dois dedos e os curvei como ela tinha feito comigo. Ela arqueou o corpo. Apertou meus dedos com força. E gozou na minha boca, com um gemido rouco, longo, empurrando os quadris contra meu rosto enquanto eu continuava sugando até o fim.

Depois ela me arrastou para junto dela, me acomodou por cima, e ficamos com as pernas cruzadas, cada uma com a coxa apertada contra o sexo da outra. Começamos a nos mover ao mesmo tempo, nos esfregando, nos olhando, ofegantes perto demais. Ela me segurava pelos quadris e me guiava, marcando o ritmo. Eu apoiava as mãos no peito dela. Os sexos se chocavam, se molhavam um no outro, se esfregavam com um som úmido que enchia o quarto.

—Olha para mim, Camila —ela disse—. Olha para mim enquanto goza comigo.

Olhei. Não desviei os olhos nem por um segundo. Nos movemos cada vez mais rápido, cada vez mais forte, até sentir o orgasmo subir de novo de dentro de mim, o corpo inteiro se apertando, o dela também ficando tenso sob o meu. Gozamos juntas, olhando uma para a outra, com as bocas entreabertas, os corpos tremendo e encharcados.

Me deixei cair sobre ela. O peito dela subia e descia sob o meu. As mãos dela percorriam minhas costas devagar, sem pressa, como se ainda não quisesse me soltar.

Nenhuma de nós falou.

Porque meu corpo, pela primeira vez em muito tempo, já não estava esperando.

Estava sendo visto.

Estava sendo tocado.

Estava sendo desejado.

Estava sendo fodido, como sempre quis, até o fundo, até o osso, até esquecer como se dizia “agora não”.

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