Para sobreviver, tive que me tornar mulher
Quando abriu a bolsa, encontrou um sutiã cor de vinho e um bilhete: «Familiarize-se com as sensações. Amanhã começamos de verdade». Não havia volta.
Quando abriu a bolsa, encontrou um sutiã cor de vinho e um bilhete: «Familiarize-se com as sensações. Amanhã começamos de verdade». Não havia volta.
Poucas vezes mando fotos: é perigoso. Mas aquele garoto me passou confiança, e entre meias pretas e mensagens de madrugada virei a protagonista da sua melhor fantasia.
Naquela madrugada, vesti a saia, as meias e os saltos que escondia no armário. Eu não sabia que, do outro lado do corredor, alguém estava olhando.
Eu me depilava por inteiro, usava meias e cinta-liga escondido. Nunca imaginei que um congresso da empresa terminaria comigo entregue a outro homem.
Amarrada no sofá dela, com o vestido de princesa e o rosto pintado, ouvi baterem na porta. E entendi que naquela noite eu deixaria de ser só dela.
Deixei-as junto à máquina de lavar como mais uma peça qualquer, mas assim que as levei ao nariz soube que aquela mulher tinha planejado tudo desde o começo.
Diante da tela, com um pano entre os dentes para não gritar, obedeci a cada ordem de um homem que eu nunca tinha visto. E faria isso de novo.
Ele me pediu pela tela e eu obedeci: abrir a janela, deixar a roupa cair e deixar que aqueles homens me olhassem sem pudor.
Nessa manhã não havia ninguém em casa para me ouvir. Só o espelho, meus saltos e a voz de um homem que vivia dentro da minha cabeça.
Tudo começou por uma foto no celular. Dez dias depois, eu não consigo acordar sem pensar no momento do dia em que vou me tocar de novo.
Chove, não tem ninguém em casa e a série que coloquei para dormir acabou virando outra coisa. Então me lembrei de onde guardava meu brinquedo vermelho.
Eram dez da manhã, eu estava sozinha em casa e só conseguia pensar nas mãos dele. Hoje, enfim, estaríamos a sós e eu precisava acalmar o que ele despertava em mim.
Passei o dia inteiro com a calcinha úmida só de pensar no que me esperava em casa. A caixa continuava fechada sobre a cama, e eu já não aguentava mais.
Ninguém sabe o que eu faço no escuro, com a porta fechada e a gaveta de baixo aberta. Nessa noite, decidi, pela primeira vez, deixar uma prova de tudo.
Eu sabia a hora exata em que ela voltaria. Deixei a porta entreaberta, apaguei a luz e esperei ouvir seus passos no corredor para começar.
Apago a luminária, fecho os olhos e deixo a voz dela do outro lado da parede marcar o ritmo da minha mão. Ela já não é minha, mas eu ainda gozo pensando nela.
Eu usava lingerie escondido havia anos. Numa semana longe de casa, resolvi descobrir como era fazer isso de verdade, na cama de um desconhecido.
Imaginou-se na escuridão, com o jaleco aberto e mãos desconhecidas a percorrendo sem pedir licença. E, pela primeira vez, não quis que parassem.
Eu tinha terminado todo o trabalho, não havia ninguém no andar e o calor me deixava inquieta. Naquela tarde, decidi brincar com fogo sobre a mesa.
Nunca tinha me atrevido a me ver enquanto me tocava. Naquela tarde, coloquei o celular em frente à cama, respirei fundo e aprendi algo novo sobre meu desejo.