A sessão de fotos que nunca chegou a começar
Aceitei o convite com a lingerie guardada na bolsa. Não imaginei que a câmera não existia e que o plano real era eu.
Aceitei o convite com a lingerie guardada na bolsa. Não imaginei que a câmera não existia e que o plano real era eu.
Ele fechou a porta do banheiro, se viu no espelho com a blusa curta e a renda úmida, e soube que naquela noite não haveria volta.
Eu usava lingerie sob a roupa havia semanas, mas naquela noite, sozinha em casa, decidi me tornar por completo a mulher que ele queria ver.
Diante do espelho, com a luz baixa e a música suave, descobri que a melhor companhia daquela noite era a minha: minhas mãos, meu vibrador e uma vontade que não parava de crescer.
Nunca gostei de bichos de pelúcia como presente. Até o fim de semana em que fiquei sozinha em casa e entendi para que servia de verdade o que meu ex me deixou.
Sabia que estava sozinha no apartamento. Por isso, quando desceu a caixa preta que as amigas lhe deram, já não pensava nos apontamentos sobre a escrivaninha.
Comecei com espelhos no chão e terminei descobrindo minha vizinha nua da minha varanda. Cada vislumbre fugaz virava droga.
Faz meses que Esteban deixou de existir. Acordo todas as manhãs envolta em seda rosa, pronta para servir à mulher que reescreveu toda a minha mente.
Eu estava há dias excitada e sem um minuto a sós. Nessa sexta, reservei um quarto, tirei o vibrador da caixa e decidi que a noite era minha.
Eu esperava mentiras na noite em que o confrontei. Não esperava ficar molhada imaginando-o de joelhos, transformando-se no que sempre quis ser.
Quando saí do banheiro com o plug ainda dentro e o corpo depilado, soube que aquele dia inteiro pertencia a ela e às regras dela.
Começamos falando por mensagens. Acabamos nos vendo nuas sob a mesma lua vermelha, cada uma em sua cidade, cada uma com a respiração do outro lado da tela.
O namorado dela brincava no celular a um metro de distância enquanto ela entreabria a cortina do provador e, toda vez que se despia, conferia com o olhar que eu ainda estava ali.
Quando ele se virou naquela loja de cidadezinha, pensei que fosse uma mulher. Usava jeans branco, unhas pintadas e um segredo que eu só descobriria quando ficássemos encalhados na estrada.
Quando abriu a bolsa, encontrou um sutiã cor de vinho e um bilhete: «Familiarize-se com as sensações. Amanhã começamos de verdade». Não havia volta.
Poucas vezes mando fotos: é perigoso. Mas aquele garoto me passou confiança, e entre meias pretas e mensagens de madrugada virei protagonista da fantasia dele.
Naquela madrugada, vesti a saia, as meias e os saltos que escondia no armário. Eu não sabia que, do outro lado do corredor, alguém estava olhando.
Eu me depilava por completo, usava meias e cinta-liga escondido. Nunca imaginei que um congresso da empresa acabaria comigo entregue a outro homem.
Amarrada no sofá dela, com o vestido de princesa e o rosto pintado, ouvi baterem na porta. E entendi que naquela noite eu deixaria de ser só dela.
Levei a calcinha para casa como se fosse só mais uma peça, mas assim que a aproximei do nariz soube que aquela mulher tinha planejado tudo desde o início.