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Relatos Ardientes

A tempestade que me deixou a sós com minha sogra

Conheci Marina em um congresso de direito imobiliário. Eu havia sido convidado como arquiteto para uma mesa-redonda; ela, como jovem palestrante recém-aprovada em um concurso. Chegou atrasada, entrou com passo firme e não se desculpou. Não precisava. Tinha aquele tipo de autoridade que não levanta a voz, mas se impõe.

Voltamos a nos encontrar em um evento do conselho profissional e, sem planejar, convidei-a para tomar um café. Desde aquela tarde, não paramos mais de nos ver. Logo conheci a família dela em um jantar na casa dos pais, e Marina me avisou antes de entrarmos.

—Meu pai é impenetrável, ninguém parece bom o bastante para ele. Já minha mãe, você vai saber imediatamente se ela gostar de você.

E eu soube. Elena foi gentil desde o primeiro minuto. Observou-me durante todo o jantar, como se quisesse me analisar a fundo, com um sorriso aberto que não julgava.

Meu sogro, por outro lado, mal olhou para mim. Notário à moda antiga, voz grave, ternos escuros e uma fé quase religiosa no próprio critério. Dom Alberto ditava o ritmo de tudo o que acontecia naquela casa. Naquela primeira noite, fez-me três perguntas: onde eu havia estudado, quem era meu pai e onde eu trabalhava. Não gostou de nenhuma resposta. Assentiu em silêncio e, antes da sobremesa, retirou-se para o escritório com um adeus tão discreto que parecia uma sentença.

Desde então, soube que, com ele, tudo seria um exame permanente. Marina nunca o enfrentava abertamente; o vínculo com o pai era forte demais. Elena, porém, tentava compensar. Quando ele se levantava da mesa, oferecia-me uma taça de licor e me contava como havia conhecido Dom Alberto no cartório onde entrara como auxiliar. Sabia muito mais do que aparentava.

Com o passar dos meses, Elena e eu desenvolvemos uma aliança tácita. Um olhar no meio de uma refeição bastava para mudarmos de assunto e impedirmos que meu sogro monopolizasse tudo. Às vezes, ela me telefonava sem que Marina soubesse.

—Só para dizer que você tenha paciência. O importante é você e Marina.

Era como uma partida de xadrez em que Dom Alberto era o rei, Marina, a torre que sempre o protegia, e Elena, a rainha subordinada a ele. Para mim, haviam deixado o cavalo: eu tinha de me mover em diagonais imprevistas para escapar de suas investidas.

***

Em uma tarde de primavera, nós quatro almoçávamos na casa deles. Marina estava exausta por causa de uma substituição no trabalho. Eu, calado, olhava para o prato. Então meu sogro levantou os olhos, tirou os óculos e falou com sua voz seca.

—Fui nomeado reitor do conselho. Quero comemorar. Reservei uma viagem ao Caribe para nós quatro. Uma semana.

—Sério? —perguntou Marina—. Você não gosta de viajar.

—O que não gosto é de mediocridade. Vamos para um resort de luxo.

Assim que chegamos, soube que aquela não seria uma viagem de descanso convencional. O hotel era cinco estrelas, pensado para vender aos europeus uma ideia de paraíso: mármore branco, garçons que não sabiam dizer não, uma praia interminável e um campo de golfe integrado à paisagem.

Dom Alberto entregou-se desde o primeiro minuto a um programa que ele mesmo havia aprovado com a meticulosidade de quem redige o próprio testamento. Café da manhã às nove, visita cultural às onze, piscina à tarde, coquetel às oito. Elena, por outro lado, chegara decidida a romper com sua vida sem graça. Trouxera vestidos coloridos, saias esvoaçantes e até um shortinho que revelava um corpo muito mais bem conservado do que eu imaginava. Pernas longas, bunda firme, uns peitos que se marcavam sob o tecido sem sutiã e uma cintura que nenhuma mulher da idade dela tinha o direito de exibir. Meus olhos escapavam para ela toda vez que se abaixava.

—Eu vim para viver —disse—. Excursões, sol, frutas frescas e, se eu me animar, talvez até parapente.

Meu sogro e Marina haviam trazido seus tacos de golfe. Os olhos dela brilharam ao ver o cartaz de um campeonato feminino amador. A ideia de competir a incendiava como poucas coisas.

—E você, quais são seus planos? —Marina me perguntou, sorrindo como eu não a via sorrir havia meses.

—O mar. Navegar, correr na praia, mergulhar.

***

Na primeira noite, jantamos diante do mar. Dom Alberto já havia conseguido que o maître o chamasse de “Dom Alberto” e, pelo menos, renunciara à gravata. Marina voltava a rir com naturalidade, como antes da hipoteca e da sombra do pai.

No dia seguinte, enquanto pai e filha iam jogar golfe, saí para correr pela areia branca e passei uma hora praticando windsurfe paralelo à costa. Ao voltar, encontrei Elena na piscina para adultos, deitada em uma espreguiçadeira, com óculos escuros e uma piña colada entre os dedos. Conversava com um instrutor de pele morena que gesticulava muito e ria ainda mais.

—Fico feliz de ver você tão à vontade —disse ao me aproximar.

—Recrutaram você como espião?

—Você sabe que estou do seu lado. Se me pedir, ainda esta noite abolimos o patriarcado.

Nós rimos. Havia algo travesso em seu olhar, como se naquele lugar ela enfim pudesse ser quem fora antes de se casar. Ou quem sempre quisera ser.

—E você? Não encontra nada que o atraia? —perguntou, oferecendo-me sua taça.

Eu poderia ter dito que sim, que havia algo bem diante de mim, que passara metade da manhã pensando em como seus mamilos apareciam sob o biquíni molhado, mas fiquei calado.

—Corri e naveguei. Agora vou assistir aos dois no campo.

***

Naquela noite, tive dificuldade para pegar no sono. Saí descalço para a varanda do bangalô e me sentei para olhar o céu. Então a vi caminhando pela margem, os sapatos na mão, a saia longa esvoaçando. Aproximei-me sem que ela me ouvisse.

—Insônia? —perguntei em voz baixa.

Ela se virou devagar. Não pareceu surpresa.

—Oi, Adrián. É que não quero perder isto: o mar, as estrelas, o silêncio.

Caminhamos por algum tempo, deixando pegadas que a maré apagava imediatamente.

—Esta viagem está me devolvendo ao passado —disse, olhando para a água—. Há momentos em que me pergunto quando deixei de viver para mim e comecei a viver para não incomodar os outros.

—Você gostaria de recomeçar?

—Não sei. Alberto construiu uma vida perfeita e Marina o seguiu sem se perguntar o que queria. Você foi o único que entrou nesta família sem ser obrigado.

Sentamo-nos na areia. A lua refletia-se nas ondas. Senti ao lado dela uma química nova, ainda sem nome. Quando voltamos, em silêncio, soube que algo começara a se mover.

***

No café da manhã seguinte, Dom Alberto insistiu que Marina o acompanhasse à final do torneio. Elena tinha reservado uma excursão a uma reserva natural em uma ilha próxima e ficaria sem companhia.

—Você poderia acompanhá-la? —Marina me pediu—. Assim fico tranquila enquanto jogamos.

—Claro. Será um prazer.

—Coitado do Adrián, que viagem o espera —soltou meu sogro, com uma falta de respeito que já nem me incomodava.

Em uma hora, estávamos em um catamarã rumo à ilha. Um grupo de golfinhos nos escoltou, dançando sobre uma água que parecia um espelho de cristal azul. Elena tirou a canga e ficou de biquíni, falando dos animais que queria ver como uma menina em excursão escolar. Eu a admirava: uma mulher empolgada, redescobrindo-se, sem pedir permissão. E com um corpo que se cravava na minha retina cada vez que ela se virava: o triângulo de tecido apertando sua boceta, os peitos empinados forçando a parte de cima, a bunda balançando enquanto caminhava pelo convés.

Atracamos, e um jipe nos levou por uma estrada de terra até uma selva domesticada. Paramos em uma lagoa com uma cachoeira e, sob aquela queda-d’água, molhados e vivos, abraçamo-nos com a confiança de quem finalmente se sente livre. Senti seus peitos apertando-se contra meu peito, o tecido encharcado do biquíni colado à pele e um pau começando a endurecer, sem que eu conseguisse disfarçá-lo contra sua cintura. Ela percebeu. Não disse nada. Apenas baixou os olhos por um segundo e voltou a erguê-los, com as faces coradas.

—Estou me divertindo muito —disse.

—Muito mais interessante do que mergulhar —respondi.

No mirante do topo, com a selva de um lado e o mar do outro, ela se sentou para recuperar o fôlego.

—Você continua sendo uma mulher muito atraente —disse sem pensar.

Ficamos nos olhando por alguns segundos. Aliviamos a tensão com um sorriso.

—Obrigada por me olhar como se eu ainda pudesse atrair alguém —respondeu enfim.

***

O céu escureceu de repente, como se alguém tivesse baixado um interruptor sobre o Caribe. Começou a cair uma garoa quente que, em minutos, transformou-se em tempestade. Uma ligação para o abrigo confirmou o inevitável: a estrada alagada, o porto interditado, o catamarã sem poder zarpar. O resort havia previsto um plano B: cabanas de madeira junto ao embarcadouro.

—É como se a ilha se recusasse a nos devolver —comentou Elena, sem dramatismo.

O grupo se dividiu em casais, e rimos como adolescentes ao descobrir que teríamos de dividir um quarto. A cabana era simples: duas camas, uma lâmpada fraca, uma janela que não fechava direito. Ligamos para Marina e Dom Alberto usando o telefone do guia. Mal perguntaram se estávamos bem.

—É isso que acontece quando a pessoa não joga golfe —riu meu sogro antes de desligar.

Quando deixamos o aparelho de lado, ficamos em silêncio. Eles nem sequer haviam perguntado se precisávamos de alguma coisa.

—Às vezes, quando alguém está ocupado demais sendo o protagonista da própria vida, esquece que os outros também estão vivendo a deles —disse.

Ela abriu a janela. A chuva golpeava as folhas em um ritmo quase musical.

—É curioso —murmurou—. Sinto-me mais livre nesta cabana do que em muitas noites na minha própria casa.

***

Acendemos uma vela. A chama dançava sobre o criado-mudo entre as duas camas, como uma imagem daquilo que flutuava no ar. Propus um jogo para matar o tempo.

—Fazemos perguntas íntimas, coisas que nunca dissemos um ao outro. Quem responder faz a próxima pergunta.

—E se um de nós se recusar?

—Paga uma prenda.

—Não vai ser preciso —disse, com aquele sorriso que misturava inteligência e malícia—. Nós dois vamos dizer a verdade, sem escapatória.

Comecei. Perguntei sobre sua última fantasia, e ela me contou, rindo, de um professor da universidade com quem nunca acontecera nada e de como às vezes imaginava que ele a fodia sobre sua mesa, com a calcinha nos tornozelos. Ela me perguntou se Marina havia sido meu primeiro amor, e falei de uma garota que conheci aos dezoito anos, meu primeiro amor de verdade.

—Você é sensível demais —disse, acariciando meu rosto—. Com Marina, isso não funciona.

Era a minha vez.

—Você é feliz com Alberto?

Ela baixou os olhos por um instante.

—Faz anos que não me faço essa pergunta. Não. Não sou. Acostumei-me a viver em uma gaiola de ouro e já não sei se teria coragem de voar mesmo que a porta se abrisse.

Eu a abracei. Sua confissão despertou em mim uma ternura que eu não sabia onde colocar.

—Quando foi a última vez que você se sentiu desejada? —perguntei.

—Nem me lembro. Alberto sempre me olhou como uma posse, nunca como a mulher por quem se perde o juízo. Faz mais de dois anos que ele não me toca, e, nas últimas vezes, era só para despachar-se em três minutos, sem sequer me despir por completo. —Fez uma pausa—. E você, quando foi a última vez que uma mulher o atraiu tanto a ponto de pensar em traí-la com Marina?

—Agora mesmo —respondi, sem piscar.

***

Ela engoliu em seco, levantou-se e apagou a vela. A cabana ficou escura, iluminada apenas pelos relâmpagos distantes. Aproximou-se sem me tocar. Deixou-me sentir seu hálito, seu perfume, que ainda resistia ao calor dos trópicos.

—Às vezes, conversar é mais íntimo do que se despir —disse, deslizando os dedos pelo meu peito.

Sentou-se na minha cama e me puxou para junto dela. O som da chuva transformou-se em um eco do que estava prestes a acontecer.

—Não deveríamos —murmurou.

—Eu sei.

—Mas também não quero abrir mão de viver isso.

Ela tocou meu rosto, e o polegar roçou meus lábios. Aquele primeiro contato disse mais do que qualquer palavra. Quando nos beijamos, sua língua entrou na minha boca com uma fome contida havia anos, mordendo meu lábio, procurando a minha como se quisesse recuperar todo o tempo perdido. Minhas mãos abriram o vestido dela nas costas, e eu o deixei cair até sua cintura. Ali estavam, enfim: dois peitos maduros, ainda firmes, com os mamilos escuros e duros de puro desejo. Segurei-os, apertei-os e baixei a boca para chupá-los.

—Meu Deus... —gemeu, jogando a cabeça para trás—. Como eu precisava disso, como precisava...

Mordi seus mamilos sem medo, passei a língua ao redor deles, chupei-os um depois do outro até ela se contorcer sobre mim. Empurrei-a de costas na cama e terminei de tirar seu vestido e, com ele, sua calcinha. Elena ficou nua, aberta, com as pernas separadas por instinto e uma moita de pelos escuros aparada, mal cobrindo a boceta inchada. Estava encharcada. A umidade brilhava à luz do último relâmpago.

—Me fode logo —disse com a voz rouca—. Passei a tarde inteira imaginando isso.

—Não, ainda não.

Abri completamente suas pernas e enfiei o rosto entre suas coxas. A primeira lambida fez com que ela gritasse baixinho, como se tivesse levado um choque. Passei a língua inteira por sua boceta, de baixo para cima, chupando seus lábios, procurando o clitóris com a ponta e fazendo círculos lentos. Ela segurou minha cabeça com as duas mãos e começou a se mover contra minha boca.

—Sim, aí, aí, não para... assim, Adrián, assim... ai, como você me come...

Enfiei um dedo, depois dois, enquanto continuava chupando seu clitóris. Senti-a me apertar por dentro, quente, escorrendo, e notei suas coxas tensionarem ao redor do meu rosto. Ela gozou na minha boca depois de alguns minutos, com um grito abafado, empurrando a cintura contra meus lábios como se quisesse montar na minha língua. A chuva encobria qualquer som.

—Não aguento mais —gemeu, puxando meu cabelo para cima—. Vem, enfia seu pau em mim, enfia seu pau agora.

Subi sobre ela. Segurei meu pau com a mão e passei-o pelos lábios de sua boceta, ensopando-o em sua umidade. Ela fechou os olhos e abriu mais as pernas.

—Devagar na primeira vez —sussurrei em seu ouvido—. Quero sentir tudo em você.

Penetrei-a devagar, centímetro por centímetro, e senti sua boceta abraçar meu pau, apertando-me de um jeito que quase me fez gozar na primeira estocada. Ela arqueou as costas e soltou um gemido longo.

—Ahhh... minha Nossa Senhora, como você me preenche... Eu tinha esquecido essa sensação... inteiro, me dê tudo...

Quando entrei completamente, fiquei imóvel por alguns segundos, apoiado nos cotovelos, olhando para ela. Elena estava de olhos abertos, brilhantes, com uma expressão de puro assombro, como se tivesse acabado de descobrir alguma coisa. Comecei a me mover muito devagar, retirando o pau quase inteiro e voltando a enterrá-lo até o fundo, obrigando-a a sentir cada trecho do percurso.

—Assim, assim... não vá rápido... continue assim a noite inteira, se quiser...

Fui aumentando o ritmo pouco a pouco. Segurei uma de suas pernas e a apoiei no ombro para penetrá-la mais fundo, e ela começou a gemer sem nenhum pudor, agarrada aos meus braços, com os cabelos colados à testa pelo suor. Mudamos de posição. Coloquei-a de lado, encaixando sua bunda contra mim, e fodi-a por trás enquanto acariciava seus peitos e o clitóris com a outra mão. Mordi sua nuca, seu ombro, e ela se esfregava no meu pau com a cintura jogada para trás, pedindo mais.

—Mais forte, Adrián, mais forte... faça comigo como ninguém faz há anos...

Coloquei-a de quatro na beira da cama. Vi sua bunda branca, redonda, e sua boceta aberta, vermelha, encharcada de mim. Segurei-a pelos quadris e enfiei meu pau com uma estocada seca que lhe arrancou um grito. Comecei a fodê-la assim, com as palmas apertando sua bunda, vendo o pau entrar e sair brilhando, vendo seus peitos balançarem sob ela, vendo-a empurrar para trás para me receber. Dei-lhe um tapa suave na bunda, e ela soltou uma risada rouca.

—De novo... mais... não seja educado esta noite...

Dei outro, mais forte, e outro, até deixar a marca da minha mão. Ela gozou novamente, apertando meu pau com a boceta em espasmos. Tirei-o bem a tempo, deitei-a de costas, enfiei-o outra vez e fiz amor com ela, olhando-a nos olhos, até não aguentar mais. Perguntei com o olhar, e ela assentiu.

—Dentro. Goze dentro. Faz anos que não sinto um homem gozando dentro de mim.

Gozei dentro dela com duas, três, quatro estocadas finais que a fizeram tremer. Senti o sêmen jorrando, enchendo-a, e ela me abraçou com as pernas e os braços, sem me deixar sair, respirando contra meu pescoço como se até nos separarmos doesse.

Foi uma noite longa, sem vergonha. Fodi-a outra vez duas horas depois, agora com ela por cima, movendo-se devagar e depois depressa, com os peitos balançando diante do meu rosto, e uma terceira vez ao amanhecer, nós dois sonolentos, penetrando-a de lado preguiçosamente enquanto a chuva diminuía lá fora. Quando tudo se acalmou, ela me abraçou pelas costas, e soube que jamais esqueceríamos aquela noite.

***

Acordei com os cabelos de Elena espalhados sobre o travesseiro e a luz entrando pela janela. O mar, já calmo depois da tempestade, não tinha nada a ver com o da véspera. Ela abriu os olhos pouco a pouco e cobriu-se com o lençol, mas logo se lembrou de que já não havia nada que pudesse esconder de mim e o deixou cair.

—Foi real ou sonhei? —murmurou.

—Se quiser, podemos fingir que não aconteceu. Mas eu não me arrependo.

—Nem eu —respondeu—, a menos que, para você, tenha sido apenas aproveitar a tempestade.

Voltei a desejá-la com toda a minha alma. Fiquei duro ao vê-la nua à luz da manhã, com as marcas vermelhas da minha barba no pescoço e nos peitos, e as pernas ainda manchadas de nós dois. Ela percebeu, sorriu e se abaixou sem dizer nada. Tirou meu pau debaixo do lençol e colocou-o na boca sem cerimônia. Lambeu a cabeça, engoliu-o devagar até o fundo, com aqueles olhos escuros me encarando enquanto ele desaparecia em sua garganta, e ficou chupando-o por um longo tempo, com as duas mãos, com a boca, com a língua dançando ao redor. Quando eu ia fazê-la parar, ela se afastou.

—Não, não aqui. Venha.

Montou sobre mim, sentou-se no meu pau e começou a cavalgar devagar, apoiada no meu peito, com aqueles peitos pendendo diante do meu rosto. Ficamos nos olhando o tempo todo. Ela gozou outra vez, apertando-me dentro dela, e eu a enchi pela segunda vez naquela manhã antes que ela desabasse sobre mim, tremendo e rindo baixinho.

Levei café e frutas para ela, e tomamos o café da manhã na cabana, com a fome de quem gastou a noite inteira. Mas seu rosto ficou sombrio.

—Isto precisa ficar aqui —disse calmamente—. O que fomos na noite passada só pode existir nesta ilha, sob a tempestade. Não quero que isso se transforme em uma rachadura na vida de Marina nem na sua.

—E se esta noite mudou alguma coisa e eu não quiser voltar à minha vida de antes?

—É claro que mudou alguma coisa, para nós dois. Mas às vezes basta saber disso. Nem tudo precisa se traduzir em atos.

—Sabe do que eu mais me arrependo? —disse—. De a tempestade não ter durado mais três dias.

Ela sorriu, inclinou-se e apenas roçou os lábios nos meus.

—Obrigada por me lembrar que continuo viva.

—Obrigado por você ter tido coragem, sem idade e sem medo.

***

Ao meio-dia, o carro do hotel nos deixou nos bangalôs justamente quando Marina e Dom Alberto saíam vestidos para jogar golfe, com suas viseiras impecáveis e uma energia radiante que contrastava com nosso cansaço.

—Que alegria vocês já estarem aqui! Está tudo bem? —perguntou Marina, sem sombra de preocupação.

—O dilúvio universal, mas a ilha era linda —disse Elena com um sorriso contido.

—Nós nos classificamos para a final —anunciou meu sogro, quase sem olhar para nós—. Jogamos daqui a uma hora.

Ninguém perguntou se havíamos dormido bem ou passado frio. O mundo deles estava em outro lugar e isso, sem que soubessem, nos arrastava a nos unir ainda mais. Marina despediu-se de mim com um beijo protocolar, e os dois foram embora envolvidos pela euforia.

Ficamos sozinhos. Elena sorriu.

—É como se soubessem que não tivemos tempo de nos despedir de verdade na ilha.

—No seu bangalô ou no meu? —perguntei.

—É assim que eu gosto dos homens, decididos —ressaltou.

Entramos no bangalô dela. Desta vez não havia tempestade do lado de fora; a verdadeira desabou lá dentro. Arrancamos as roupas antes de chegar à cama. Mordi seu pescoço, puxei seu vestido de uma vez, arranquei sua calcinha e me ajoelhei diante dela para voltar a comer sua boceta de pé, enquanto ela se agarrava à minha cabeça e suas pernas tremiam. Gozou assim, mordendo o punho para não gritar. Depois me empurrou contra a parede, ajoelhou-se e chupou meu pau com uma devoção que eu não via havia anos: chupando minhas bolas uma por uma, lambendo-me de cima a baixo, engolindo o pau inteiro até quase me fazer gozar em sua boca.

—Ainda não —disse, levantando-a.

Levei-a para a cama, coloquei-a de bruços, ergui sua bunda com um travesseiro e enfiei meu pau por trás, desta vez sem delicadeza alguma, até o fundo, fodendo-a em plena luz do dia como eu vinha querendo fazer havia horas. Já não havia nela nenhum preconceito. Era uma mistura de prazer e afirmação, dois corpos que se reconheciam como se passassem anos procurando um pelo outro.

—Nunca senti nada assim —disse, completamente entregue ao prazer, com o rosto contra o travesseiro e a bunda bem empinada—. Foda-me mais forte, não pare...

Investi sem parar durante longos minutos, ouvindo o som molhado do pau entrando e saindo, observando sua bunda quicar contra minhas coxas. Molhei um dedo com seu próprio fluxo e passei-o em seu cu, e ela gemeu mais alto, sem se afastar. Enterrei o polegar ali devagar, enquanto continuava fodendo sua boceta, e ela gozou outra vez, tremendo inteira.

—Meu Deus, meu Deus, o que você está fazendo comigo...

Eu não tinha pressa de terminar. Quando estava prestes a gozar, segurava-me e levava-a novamente à beira do orgasmo, decidido a deixar-lhe uma lembrança inesquecível. Coloquei-a de costas e ergui suas duas pernas, apoiando-as nos meus ombros, e assim afundei nela até o fundo, observando-a gemer. Ela subiu sobre mim, soltou os cabelos e ditou seu próprio ritmo, primeiro lento, depois selvagem, cavalgando-me com as mãos no meu peito e os peitos balançando, até que um segundo orgasmo a deixou tremendo sobre mim.

—Não consigo descer completamente —gemeu—. Você me deixa nas alturas todas as vezes.

—A perversão é afrodisíaca —disse, consciente de que comigo acontecia o mesmo.

Deitei-a outra vez e pedi que abrisse a boca. Ela a abriu sem hesitar. Tirei meu pau da boceta e gozei em jatos, parte na língua dela e parte nos seus peitos, vendo-a fechar os olhos e receber tudo, passando depois o dedo pelos mamilos, espalhando o sêmen, lambendo os lábios. Fiquei olhando para ela como se olha para um quadro. A sogra dócil e educada havia desaparecido. Em seu lugar havia uma mulher solta, safada, viva, rindo sob meu corpo, com a boca ainda brilhante.

***

Deitados entre os lençóis, sabendo que um campeonato de dezoito buracos não terminaria tão cedo, conversamos como dois amantes que haviam decidido não abrir mão do que encontraram.

—Talvez não precisemos terminar —disse baixinho.

—Vamos inscrevê-los em todos os torneios de golfe? —brinquei.

—Tenho uma partida de cartas às quintas-feiras. Poderíamos nos encontrar depois.

—E eu poderia organizar uma partida de padel nesse mesmo dia.

Abraçamo-nos, cúmplices de uma travessura que não pretendíamos abandonar. Naquela noite, no jantar de entrega dos prêmios, Elena apareceu com um vestido preto que se movia com a brisa. Estava deslumbrante. Enquanto Marina comentava alguma coisa com o pai, Elena levantou um pé por baixo da mesa e acariciou minha perna, subindo pouco a pouco até roçar meu pau por cima da calça. Ninguém percebeu. Mas seu sorriso deixava claro que nossa história não havia terminado.

Mais tarde, quando os outros se retiraram e me pediram que acompanhasse Elena por mais algum tempo, caminhamos descalços pela praia sob uma lua enorme.

—Em que você está pensando? —perguntei.

—Eu tinha esquecido o que era sentir. Com você foi diferente, novo.

—Para mim também. Estive com outras mulheres antes de Marina, mas com nenhuma senti o que sinto com você.

—Aconteça o que acontecer quando voltarmos a Sevilha —disse, apoiando a mão na minha—, valeu a pena.

O murmúrio do mar nos envolveu, como se o mundo inteiro tivesse se reduzido àquela margem. Abrigamo-nos atrás de alguns barcos encalhados na areia, sem ninguém por perto. Colei-a contra o casco de madeira, levantei seu vestido até a cintura e baixei sua calcinha pelas coxas. Ela estava molhada outra vez. Agarrou-se à borda do barco, empinou a bunda para trás e olhou para mim por cima do ombro.

—Rápido, aqui, agora —sussurrou—. Antes que apareça alguém.

Tirei meu pau, encostei-o na entrada de sua boceta e enfiei-o de uma só vez. Elena mordeu a mão para não gritar. Fodi-a de pé, contra o barco, com a areia sob os pés e a lua acima de nós, investindo sem lhe dar um segundo de trégua. Eu segurava seus quadris e puxava-a para trás cada vez que a penetrava, sentindo seus gemidos abafados escaparem por entre os dedos.

—Assim, assim, até o fundo... encha-me outra vez, não me deixe ir embora sem sentir...

Passei uma mão pela frente, abri seu decote e segurei um peito, e com a outra procurei seu clitóris e o esfreguei com dois dedos enquanto continuava investindo. Ela gozou agarrada ao barco, apertando meu pau em espasmos, com o rosto escondido no braço. Aguentei mais algumas estocadas e gozei dentro dela pela terceira vez naquele dia, esvaziando tudo o que ainda me restava, sentindo meu sêmen escorrer por dentro dela e começar a descer por sua coxa.

Ficamos assim por alguns segundos, respirando, ainda unidos. Beijei sua nuca, suas costas, seu ombro. Ela se virou devagar, ainda com o vestido levantado, e me beijou na boca sem pressa alguma. A noite caribenha terminou de apagar a última fronteira entre o que deveríamos ser e o que já éramos.

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