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Relatos Ardientes

O que ouvi atrás da porta da minha mãe

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Minha mãe, Elena, nunca foi do tipo que fazia silêncio sobre sexo. Quando se divorciou do meu pai, quatro anos atrás, a primeira coisa que fez foi declarar, com uma taça de vinho na mão e me olhando diretamente nos olhos, que pretendia recuperar o tempo perdido. Naquele momento eu não soube muito bem o que ela queria dizer com isso. Com os meses, entendi perfeitamente.

Marcos tinha trinta e oito anos. Minha mãe, quarenta e oito. Ele era daqueles homens que entram numa sala e ocupam o espaço sem fazer nada de especial: braços largos, olhar direto, poucas palavras. Os dois se conheceram num evento de trabalho ao qual minha mãe foi mais por obrigação do que por vontade, e em três meses ele já tinha uma chave do apartamento.

Ele dormia lá a cada duas ou três semanas, sempre que a agenda dele permitia. Nessas manhãs, eu chegava à cozinha e ela estava diferente: mais lenta, com um sorriso tranquilo que não pedia nenhum tipo de justificativa. Me servia café sem perguntar se eu queria, e isso só podia significar que tinha dormido bem e que tinham fodido ela do jeito que ela gostava.

***

Aquela semana em particular tinha sido de um jantar longo. Uns amigos da minha mãe vieram para casa na segunda-feira à noite, vinho tinto e conversa até depois da meia-noite. Marcos ficou para dormir porque não fazia sentido fazer o trajeto tão tarde.

Eu adormeci à uma e meia.

O despertador me arrancou do sono às cinco e quinze. Eu tinha que pegar o turno da manhã às sete, e o ônibus levava quarenta minutos, então a margem era apertada. Levantei com os olhos ainda semicerrados, procurei as meias às cegas e saí para o corredor.

A casa estava em silêncio. Ou quase.

***

Ao passar em frente à porta do quarto da minha mãe, ouvi a voz de Marcos. Baixa, rouca, o tipo de voz que alguém usa quando não quer acordar ninguém, mas também não está com muita vontade de ficar em silêncio.

—Você não vai levantar? —ele dizia.

Houve uma pausa curta. Depois a voz da minha mãe, mais suave, mais para dentro.

—Espera. Deixa eu ver se alguém já levantou.

Meu coração deu um salto. Encostei na parede, convencida de que ela abriria a porta a qualquer momento e me encontraria ali parada como uma idiota. Mas a porta não se abriu.

—Já acordou alguém —disse minha mãe, e no tom havia uma satisfação muito específica que não tinha nada a ver comigo.

Marcos riu. Um som curto, cúmplice.

—Como é que você não vai ficar dura —ele respondeu— se tudo o que você está vestindo me levanta nessa hora?

Fiquei paralisada.

Não estavam falando de mim. Não tinham falado de mim em momento nenhum. Eu era o último pensamento deles às cinco e meia da manhã.

O que eu devia ter feito era continuar andando. Ir até o banheiro, tomar um banho, fazer tudo o que tinha que fazer antes das sete. Mas os pés não me obedeceram. Fiquei ali, de pé no corredor escuro, com o coração na garganta e os ouvidos abertos de um jeito que me dava vergonha até de admitir para mim mesma.

—Olha como eu acordei —murmurou minha mãe—. Toca. Toca o cu, vê como está.

Não houve resposta em palavras. Houve um som diferente: o deslocamento dos corpos na cama, os lençóis se mexendo de um lado para o outro, e depois um gemido grave, contido.

—Porra, Elena —disse Marcos—. Você está encharcada.

—Viu? —respondeu ela, e a voz saiu com aquele fio que eu não conhecia nela—. É assim que eu acordo quando você dorme aqui. Com a buceta molhada desde antes de abrir os olhos.

Apoiei as costas na parede do corredor. Os azulejos frios ficaram nítidos até mesmo através das meias. Fechei os olhos por um segundo, como se isso mudasse alguma coisa, e os abri de novo quando a voz de Marcos ficou mais clara.

—Quer que eu deixe você pingando? Quer que eu meta até o fundo com os dedos primeiro?

—Sim —respondeu minha mãe, sem rodeios—. Enfia. Os três. E não para quando eu pedir.

O que veio depois foi difícil de ignorar. O som foi concreto, úmido, obsceno: o vai e vem dos dedos de Marcos entrando e saindo da buceta da minha mãe num ritmo lento e deliberado. A respiração dela ficou mais pesada, mais entrecortada. Eu reconstruía a cena com uma precisão que me perturbava: os dedos grossos afundados nela, a palma pressionando o clitóris, minha mãe com as pernas abertas escancaradas sob os lençóis.

—Aí —ela dizia—. Aí, sem mexer a mão. Só pressão. Aperta aí dentro, contra a parede, isso.

—Aqui? —murmurou ele.

—Aí. Bem aí. Meu Deus, Marcos, não se mexe.

Eu devia ir embora. Vou me atrasar para o trabalho. Isso não diz respeito a mim.

Nenhum desses pensamentos me tirou do lugar. Pelo contrário: me surpreendi apertando as coxas uma contra a outra, com uma umidade morna se instalando entre as pernas que eu não quis reconhecer.

A respiração da minha mãe foi subindo de tom aos poucos. Marcos disse alguma coisa muito baixinho que eu não consegui decifrar direito, mas depois ouvi com clareza:

—Que gostosa você fica, porra. Como chupam meus dedos por dentro. Quer que eu te lamba antes?

—Lambe —respondeu minha mãe, num fio de voz—. Enfia a cara aí embaixo e não sai até eu mandar.

Houve um movimento de lençóis, uma mudança do peso dele sobre a cama, e depois o som que reconheci sem precisar ver: a língua de Marcos trabalhando entre as pernas da minha mãe, lenta, insistente, com aquela cadência úmida que se ouve através de qualquer porta fechada do mundo.

Minha mãe soltou um gemido longo, meio contido contra o travesseiro.

—Assim —sussurrou—. A língua lisa, aí, não a ponta. Chupa meu clitóris, Marcos, chupa inteiro, com a boca toda.

Fechei os olhos por um instante. Pensei que, se eu não olhasse para a porta, era como se ela não estivesse ali. Era uma lógica absurda e eu sabia disso, mas precisava de algum tipo de distância entre o que eu estava fazendo e o que eu pensava de mim mesma. Enquanto isso, os sons continuavam: a boca dele colada na buceta dela, ela dando instruções com aquela calma impossível, a respiração se desmanchando em suspiros cada vez mais curtos.

—Mais? —perguntou Marcos, saindo por um segundo, com a voz espessa.

—Mais. Sem parar. E enfia dois dedos enquanto me lambe.

O ritmo mudou. Mais fundo, mais constante. O barulho dos dedos e da sucção da boca ao mesmo tempo, e minha mãe pedindo coisas específicas entre uma respiração e outra, como quem dirige uma peça que conhece de cor.

—Vou gozar se você continuar assim —avisou ela, muito baixo—. Para. Para, não quero gozar na sua boca ainda.

Marcos soltou uma risada rouca, com a boca ainda colada nela.

—Então eu meto logo —disse—. Porque faz um tempo que você está me pedindo isso sem abrir a boca.

—O que está esperando? —respondeu minha mãe, e havia humor na voz dela, mas também uma impaciência muito real—. Mete logo. Estou pronta desde antes de você abrir os olhos.

Houve um rearranjo de corpos. Eu imaginei —não consegui evitar imaginar— Marcos subindo sobre ela, segurando a rola com a mão e esfregando-a duas ou três vezes nos lábios da buceta antes de empurrar. E então o som veio: o gemido baixo, gutural, que escapou da minha mãe quando ele a entrou inteira num só impulso.

—Porra —disse Marcos entre os dentes—. Como você aperta.

—Toda —ela arfou—. Mete toda até o fundo. Assim. Fica parado um segundo, deixa eu sentir.

O silêncio que veio depois tinha textura. Eu ouvia a respiração dos dois, sincronizada de um jeito quase obsceno, e minha mãe soltando o ar devagar, como se estivesse se acomodando ao redor da rola que tinha dentro de si.

—Assim? —perguntou ele depois de alguns segundos, começando a se mover.

—Mais devagar —murmurou ela—. Hoje eu quero que dure. Tira quase toda e enfia de novo. Assim. Isso. De novo.

Quarenta e oito anos e ela pedia a rola com essa serenidade.

Havia algo estranho e desconcertante em ficar ali ouvindo minha mãe pedir o que queria com aquela calma absoluta. Sem vergonha. Sem rodeios. Como alguém que sabe exatamente como gosta de ser fodida e decidiu de uma vez que já tinha dado bastante tempo para não pedir isso em voz alta.

O ritmo foi mudando aos poucos. Marcos começou devagar, quase torturando-a, tirando-a quase toda e voltando a afundá-la até o fundo com uma cadência que minha mãe marcava com a respiração. O som do quadril dele batendo contra a bunda dela, a cama se movendo num vai e vem controlado, a buceta da minha mãe chafurdando ao redor da rola cada vez mais encharcada.

—Me vira —disse ela num momento—. Me põe de quatro. Quero sentir mais fundo.

Houve um movimento rápido, um roçar de lençóis, e então o som mudou de qualidade. Mais seco, mais rítmico, com a pancada do corpo dele contra a bunda dela marcando um compasso que não deixava dúvidas.

—Assim —meu mãe arfou—. Puxa meu cabelo. Isso. Forte. Me fode assim, não se reprime.

Marcos soltou um grunhido rouco. A cama começou a bater bem devagar contra a parede, uma pancada seca e regular que ele tentava controlar sem conseguir por completo.

—Morde o travesseiro se for gritar —disse ela entre arfadas, e havia humor na voz, mas também outra coisa—. Porque a Valeria não é surda.

Valeria.

Eu. Eles estavam me chamando pelo nome.

O rubor me subiu às orelhas de repente. Quase me atrevi a andar, a fazer algum ruído que avisasse que o corredor não estava tão vazio quanto eles pensavam. Mas não fiz isso. Fiquei onde estava, com as costas coladas à parede e a mão —percebi— apertada contra a parte baixa do ventre, por cima da calça do pijama. A vergonha instalou em mim um calor no peito junto com alguma coisa que eu não queria nomear: algo espesso e incômodo entre as pernas que não tinha lugar lógico naquela situação.

O ritmo no quarto acelerou. As batidas ficaram mais curtas, mais urgentes. Marcos já não controlava o som: ouvia-se o choque da pelve dele contra a bunda da minha mãe com uma regularidade brutal, e ela respondia com arfadas que se quebravam no meio, mordendo o que quer que fosse para não gritar.

—Vou gozar —ele disse com a voz tensa—. Elena, vou gozar.

—Por dentro não —respondeu ela depressa, com uma clareza surpreendente—. Tira e goza na minha bunda. Nas costas. Onde quiser, mas tira.

—Espera. Espera, ainda não. Aguenta um segundo. Quero que você goze primeiro.

Ele diminuiu o ritmo por um instante, e depois voltou a acelerar. Ouvi o som inconfundível da mão dele indo por fora, procurando o clitóris dela enquanto continuava a socá-la por trás. Minha mãe soltou um suspiro agudo, muito curto, e depois um gemido longo que se afogou contra o travesseiro.

—Assim —disse entre os dentes—. Não para. Não para agora. Não para, não para, não pa…

A voz dela quebrou no meio. Houve alguns segundos que foram longos de um jeito desproporcional: a respiração cortada, o corpo se tensionando, um tremor que se transmitia até pelo som da cama. E então, quase sem som, algo que reconheci pelo silêncio que veio depois: aquele tipo de silêncio que não é vazio, mas saturado, que tem textura, que ocupa o espaço de um jeito diferente de todos os silêncios anteriores daquela manhã. Minha mãe tinha acabado de gozar ao redor da rola de Marcos, e eu tinha ouvido tudo.

Marcos rosnou, e o ritmo se quebrou. Ouviu-se o som da rola saindo da buceta encharcada, dois ou três puxões rápidos da mão dele sobre si mesmo, e depois um gemido grave, quase doloroso, e o silêncio mole que vem depois de uma gozada sobre a pele.

—Aí —disse minha mãe bem baixinho, com uma satisfação divertida—. Na bunda. Perfeito.

***

Meu despertador tocou naquele momento, vindo do meu quarto. Três pulsos curtos e um longo, o mesmo toque de sempre.

—Ela já está levantando —disse minha mãe, e a voz saiu diferente. Mais rouca, mais baixa—. Termina de se limpar.

Marcos respondeu com algo muito baixo que fez ela soltar uma risada breve e involuntária. Houve mais alguns segundos de movimento e depois outro silêncio. Este, diferente do anterior.

—Fica aí um instante assim —murmurou ela—. Ainda não se mexe. Deixa eu respirar.

Eu já tinha desaparecido do corredor. Escorreguei de volta para o meu quarto, fechei a porta com cuidado atrás de mim e fiquei sentada na beira da cama por três ou quatro minutos, acho, olhando a parede da frente sem ver nada em particular, com a calcinha úmida colada ao corpo de um jeito que eu não soube processar.

Depois me levantei, fui até a porta, abri com um barulho deliberado e fui para o banheiro arrastando os pés, como alguém que acabou de acordar.

***

Quando saí do banho, minha mãe estava no corredor com uma toalha amarrada na cintura e uma regata tão fina que a luz da manhã atravessava um pouco o tecido. Estava com o cabelo solto e aquela expressão de quem tinha dormido muito bem, embora eu soubesse perfeitamente que ela não tinha dormido absolutamente nada.

—Bom dia —disse ela, com um sorriso tão tranquilo que me desmontou.

—Bom dia —respondi.

Ela foi em direção ao banheiro sem pressa. A camiseta era branca e, com a luz do corredor, os mamilos dela marcavam sob o tecido, ainda duros, de um jeito que, em qualquer outra situação, eu não teria notado assim.

Mas é claro. Claro que eu notei.

Marcos apareceu cinco minutos depois na cozinha, com o cabelo bagunçado e cara de quem tinha dormido bem. Me cumprimentou com um aceno de cabeça e encheu um copo de água direto da torneira. Nenhum dos dois disse nada. Era aquela hora da manhã em que ninguém tem vontade de construir frases completas.

Tomei café da manhã sozinha enquanto minha mãe tomava um banho longo. Tomei meu café em pé, olhando pela janela o amanhecer cinza de outono, pensando no que tinha ouvido sem querer e em tudo o que eu não tinha querido parar de ouvir.

Minha mãe tinha quarenta e oito anos. Sabia o que queria. Pedia com uma precisão tranquila, sem se desculpar por isso, sem baixar a voz mais do que o estritamente necessário. Dizia a um homem dez anos mais novo exatamente onde pôr os dedos, com que ritmo foder ela e onde gozar, e não estava nem aí se isso combinava ou não com a imagem que eu tinha dela desde pequena.

Pensei que queria, um dia, chegar àquela idade com a mesma clareza.

Deixei a xícara na pia e saí para trabalhar antes que qualquer um dos dois saísse do quarto.

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