A madrasta de quem eu não deveria gostar tanto
Eu estava esperando na sala havia quarenta minutos quando ouvi os passos dela no andar de cima. Quarenta minutos olhando para o teto, pensando em coisas que eu não deveria estar pensando sobre a mulher com quem meu pai tinha se casado há menos de um ano. Uma mulher que era três anos mais nova do que eu e que, desde que tinha chegado em casa naquela semana, fazia com que cada cômodo ficasse pequeno demais para ela.
Valeria desceu as escadas como quem sabe perfeitamente o efeito que causa. Calça de couro preta justíssima, jaqueta combinando, uma blusa branca com os dois primeiros botões abertos. Tinha prendido o cabelo para um lado, deixando cair uma mecha escura sobre a bochecha esquerda. Ela me olhou com uma mistura de orgulho e nervosismo que nem tentou disfarçar.
— Demais? — perguntou antes de chegar ao último degrau.
Nem um pouco. Perfeitamente insuportável.
— Visual clássico de motoca — eu disse, com toda a naturalidade que consegui reunir.
Ela apontou meu conjunto com o queixo: jeans escuros, jaqueta de couro com reforços nos cotovelos e nas costas, botas de couro pretas.
— Coordenados sem querer — observou.
— Sem querer — repeti.
Ela mordeu o lábio. Eu desviei o olhar.
***
A moto estava coberta por uma lona havia semanas na garagem. Quando a descobri e a Triumph Speed Triple preta fosca surgiu sob a luz do fluorescente, Valeria recuou um passo sem querer. O aspecto não era nada tranquilizador: baixa, compacta, com aquela geometria agressiva que faz as motos parecerem prontas para saltar.
— É enorme — disse ela.
— Pelo que pesa, não.
— E isso deveria me tranquilizar?
Liguei o motor. O ronco encheu a garagem e Valeria se enrijeceu visivelmente. Os pelos dos braços se arrepiaram, eu percebi de onde estava. Ela quase disse alguma coisa, mas segurou quando me viu olhando para ela.
— Fica tranquila. Vou devagar — eu disse, e lhe ofereci o capacete.
Esperei que ela subisse atrás de mim. Fez isso devagar, com cuidado, como quem sobe em algo de que não termina de confiar.
***
O primeiro quilômetro ela fez sem me tocar além do estritamente necessário. Eu sentia as coxas dela roçando nas minhas por fora e as mãos apoiadas com cautela nos meus quadris, como se tentasse manter a maior distância possível entre nossos corpos. Depois veio a primeira curva forte da descida rumo ao centro.
— Marcos! — gritou, enquanto se agarrava às minhas costas com tudo o que tinha.
E ali ficou.
Os braços dela ao redor do meu tronco, o peito contra minhas costas, o queixo quase apoiado no meu ombro. Eu podia sentir cada respiração acelerada quando a moto se inclinava, e toda vez que eu acelerava numa reta, ela apertava mais. Não era só medo. Ou, se era, vinha misturado com outra coisa que nenhum dos dois queria nomear.
— Você disse que ia devagar! — protestou em algum ponto da descida.
— Isso é devagar — respondi.
Percebi que ela soltava uma risada involuntária contra a minha nuca, quente e curta, e isso foi o suficiente. A partir dali ela parou de protestar. As vibrações do motor entre as pernas dela, o vento constante, a sensação de que o asfalto passava bem debaixo de nós. Quando cruzamos o primeiro semáforo da cidade e eu parei, ela ainda estava agarrada a mim com a mesma intensidade. Senti perfeitamente como ela apertava a xana contra o banco cada vez que o motor vibrava em ponto morto, e como os dedos dela afundavam um pouco mais abaixo do meu umbigo cada vez que eu acelerava.
— Ainda está aí? — perguntei.
— Tô aqui — respondeu. E na voz dela havia algo diferente de antes. Algo mais rouco, mais baixo, algo de mulher que já não está pensando exatamente no trânsito.
Estacionamos junto ao calçadão quando o sol já estava caindo sobre a água. Valeria desceu da moto com as pernas um pouco trêmulas e se apoiou um instante no banco antes de dar o primeiro passo.
— Como ficou? — perguntei enquanto ela tirava o capacete e sacudia o cabelo.
— Não sei como explicar. No começo eu queria que você me descesse. Depois eu não queria que parasse nunca — disse, ainda com a respiração um pouco acelerada.
— Com todo mundo acontece a mesma coisa na primeira vez.
— E com você? Também foi assim?
Eu a encarei. O sol poente batia no rosto dela de um ângulo que tornava quase impossível não olhar por um segundo a mais.
— Comigo foi com outras coisas — eu disse.
Ela não perguntou que coisas. Mas também não desviou o olhar.
***
Caminhamos pelo calçadão sem destino nenhum em especial. Eu já estava há um tempo em dúvida se pegava no braço dela ou se simplesmente caminhava ao lado quando resolvi o assunto oferecendo o meu. Ela passou a mão pelo meu cotovelo e apoiou os dedos com suavidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não era. E os dois sabíamos disso perfeitamente.
O porto estava cheio de gente naquela noite. Casais, grupos de amigos, famílias com crianças correndo entre as mesas das varandas. Ninguém nos olhou de forma estranha. De fora, éramos simplesmente duas pessoas dando um passeio. Era curioso como era fácil parecer algo que não se era.
— Há quantos anos você vem aqui? — perguntou Valeria.
— Minha vida inteira. Minha mãe era daqui.
— Eu sei. Seu pai me contou.
Houve um silêncio que nenhum dos dois quis quebrar. Era aquele tipo de silêncio confortável que acontece entre pessoas que acabam de descobrir que se entendem melhor do que esperavam.
Foi então que Tobías apareceu.
Quase dois metros de brutamontes de cabeça raspada, abrindo caminho entre o povo do passeio junto da namorada, uma japonesa chamada Emiko, que chegava no ombro dele e sorria com uma calma que ele não tinha nem de longe.
— Marcos! Você chegou ontem e já tá passeando de braço dado com essa lindeza! — berrou de longe.
Valeria ficou tensa. Eu notei no jeito como apertou meu braço um segundo antes de soltá-lo e dar um passo para o lado.
— Vai com calma, Tobías. Ela é Valeria, uma amiga — eu disse.
— Claro, claro! Uma amiga! — repetiu com uma piscadela que não disfarçava absolutamente nada.
— Com licença? — disse Valeria num tom que eu reconheci na hora. O tom de alguém prestes a esclarecer algo que não convinha esclarecer.
— Tobías, chega — interveio Emiko com uma suavidade que cortou o clima melhor do que qualquer reprimenda em voz alta.
— É que eu sou assim — concedeu ele, passando o braço por cima do ombro de Valeria com uma familiaridade que a incomodou visivelmente —. Prazer, Valeria.
Ela se afastou com elegância, sem fazer cena.
— Igualmente.
Os quatro caminhamos juntos por alguns minutos. Tobías perguntou sobre a viagem, os planos, a moto. Emiko e Valeria trocaram frases curtas e precisas, como duas pessoas que se calibram mutuamente antes de decidir se vale a pena continuar. Depois se despediram para seguir o passeio e ficamos sozinhos de novo.
— Então “uma amiga”? — disse Valeria quando os perdemos de vista, retomando meu braço.
— O que você queria que eu dissesse? “Não, Tobías, ela é minha madrasta, mas é mais nova do que você e do que eu”?
Ela soltou uma risada curta e limpa.
— Ponto pra você. Mas me deve uma.
— O que eu te devo por não ter esclarecido você mesma quando teve a chance?
Ela não respondeu. Mas o sorriso que tentou esconder disse tudo.
***
Nós a encontramos dez minutos depois. Uma mulher alta, loira, com aquele tipo de beleza que faz olhar duas vezes e que claramente tinha plena consciência disso há muito tempo.
— Marcos? — disse ela, atravessando a rua sem esperar.
— Lorena.
O abraço foi longo. Longo demais, do meu ponto de vista e, ao que parecia, também do de Valeria, que ficou um passo atrás sem dizer nada, de braços cruzados e uma expressão que não chegava a ser neutra.
— Quanto tempo! Você está igualzinho — exclamou Lorena, me olhando de cima a baixo —. E essa? Sua nova conquista?
— Valeria. Uma amiga.
Lorena a examinou com aquele olhar rápido e preciso que certas pessoas têm.
— Que sorte a sua, garota. Com esse aqui tem que ter cuidado, ele tem muita fama — disse, com um sorriso que não chegava totalmente aos olhos.
— Vou levar isso em conta — respondeu Valeria com uma tranquilidade que me surpreendeu.
Lorena seguiu o caminho dela. Esperei alguns segundos antes de falar.
— Eram outras circunstâncias.
— Você não precisa me explicar nada, Marcos.
— Não estou explicando. Só estou dizendo.
Ela assentiu sem acrescentar mais nada. E eu soube que ela tinha entendido exatamente como era, sem enfeite nenhum.
***
Jantamos num lugar pequeno de frente para a água, sem reserva, na única mesa livre que restava junto à janela. Nenhum dos dois estava a fim de decidir nada complicado, então pediram o menu do dia e deixaram a noite seguir o próprio ritmo.
— Por que você não conta pro seu pai que as coisas não vão bem? — perguntou Valeria quando já estávamos na segunda taça.
Eu a encarei.
— Como você sabe que não vão bem?
— Eu ouvi você no telefone hoje de manhã. Não foi de propósito, eu estava passando pelo corredor.
Não me incomodou. Com alguém que tinha ouvido sem fingir que não tinha ouvido, era difícil se incomodar.
— Porque ele já tem coisa demais pra lidar. E porque eu mesmo não sei muito bem o que contar pra ele — eu disse.
— O que aconteceu?
— O de sempre. Duas pessoas que acham que estão indo na mesma direção até que um dia descobrem que não.
Valeria girou a taça entre os dedos, olhando para o vinho como se procurasse alguma coisa dentro dele.
— Eu pensei a mesma coisa no meu relacionamento anterior. Quatro anos achando que a gente estava construindo algo juntos e um dia percebi que eu tinha construído sozinha.
— E então apareceu meu pai?
— E então apareceu seu pai — repetiu, sem evasivas, sem desculpas —. Eu não procurei. Essas coisas não se procuram, Marcos.
— Eu sei.
— Sabe? — A pergunta soou diferente de como soaria em outra boca. Não era uma cobrança. Era uma pergunta de verdade.
Eu a olhei nos olhos. Havia algo incômodo e completamente honesto naquela pergunta, no jeito como ela a fez sem desviar o olhar nem por um segundo.
— Sei — repeti.
O silêncio que se seguiu foi diferente dos outros daquela noite. Mais carregado. Mais consciente de si mesmo.
***
Na volta pra casa, o trajeto foi completamente diferente do de ida. Valeria subiu atrás de mim sem hesitar desta vez, sem aquele momento de tensão contida na garagem. Ela não esperou a moto inclinar para me abraçar. Os braços dela envolveram minha cintura desde a primeira aceleração e, durante todo o caminho de volta, senti o calor do corpo dela contra o meu, a bochecha apoiada nas minhas costas, os dedos entrelaçados sobre o meu estômago. Mais de uma vez notei esses dedos descendo uns dois centímetros a mais do que deviam, roçando o cinto, ficando ali, sem disfarçar mais nada.
Eu não disse nada.
Ela também não.
Estacionei na garagem e desliguei o motor. O silêncio veio de golpe, como sempre depois do barulho constante. Nenhum dos dois se moveu durante vários segundos.
— Obrigada — disse Valeria em voz baixa, sem me soltar ainda.
— Pelo quê?
— Por esta noite. Por tudo.
Ela desceu da moto. Eu também. Estávamos os dois de pé na garagem, com a única luz do fluorescente em cima da gente, o cheiro de óleo e couro no ar, o motor ainda quente ao nosso lado.
— Valeria — eu disse.
— Eu sei — respondeu antes que eu pudesse continuar.
E, ainda assim, ela não se moveu. E eu também não.
Foi ela quem deu o passo. Um movimento pequeno, quase imperceptível, mas suficiente para que a distância entre nós desaparecesse de vez. Levantei a mão e afastei a mecha que caía sobre sua bochecha, e quando meus dedos roçaram a pele dela senti que os dois tínhamos cruzado uma linha da qual nenhum dos dois pretendia voltar atrás.
O beijo começou devagar. Não tinha nada de urgente nem de impulsivo, muito pelo contrário. Era o tipo de beijo que se dá quando os dois sabem exatamente o que estão fazendo e decidiram fazer assim mesmo. As mãos dela subiram pelos meus lados até se agarrar à parte de trás da minha jaqueta, e eu a puxei mais para mim até não sobrar espaço entre nossos corpos. Enfiei a língua sem pedir permissão e ela abriu a boca com um gemido baixo, surdo, respondendo com a dela como se estivesse esperando há semanas por aquela língua exata. Apertei a bunda dela por cima do couro e ela arfou dentro da minha boca.
— Isso é loucura — murmurou contra minha boca.
— Eu sei.
— Seu pai...
— Não está.
— Marcos...
— Valeria.
Outro silêncio. Depois os lábios dela voltaram aos meus, dessa vez sem pausa. Mordi o lábio inferior dela e ela procurou minha mão e a levou direto para o seio esquerdo, ainda por cima da blusa. Apertei, e senti o mamilo duro se cravando contra a minha palma através do tecido.
— Leva pra cima — arfou —. Agora.
***
Subimos para o andar de cima sem acender as luzes do corredor. Os dedos dela entrelaçados nos meus, os dois se movendo em silêncio como se o ruído pudesse quebrar alguma coisa frágil. Entramos no quarto e ela se virou para me encarar antes que eu fechasse a porta.
— Se amanhã você me disser que foi um erro, eu entendo — disse.
— Amanhã é amanhã.
Desabotoei a jaqueta de couro dela com calma, passando os dedos por cada fecho sem pressa. Ela fez o mesmo com a minha. Quando as duas caíram no chão, a blusa branca era a única coisa entre minhas mãos e a pele dela, e eu a afastei também, deixando as alças escorregarem dos ombros com a mesma lentidão deliberada. Por baixo ela usava um sutiã preto de renda que mal cobria metade dos seios, e os mamilos já marcavam duros contra o tecido. Passei o polegar por cima de um deles e ela fechou os olhos.
— Tira isso de mim — sussurrou.
Abri o sutiã com um puxão e os seios caíram livres, redondos, maiores do que o corte da blusa deixava adivinhar, com os mamilos escuros e eretos apontando para cima. Inclinei-me e chupei um deles enquanto apertava o outro com a mão. Valeria soltou um gemido longo, de boca aberta, e cravou os dedos na minha nuca para eu não parar. Mordi de leve o mamilo, puxei com os dentes, e ela arqueou as costas contra a minha boca.
— Porra, Marcos... mais...
Mudei de seio e fiz o mesmo no outro. Passei a língua em volta do mamilo sem tocá-lo e, quando finalmente o cobri inteiro com a boca e chupei com força, ela soltou um palavrão entre os dentes e apertou minha cabeça contra o peito dela. Desci a mão pela barriga dela, desabotoei o botão da calça de couro e enfiei a mão por dentro sem ainda baixar a roupa. A calcinha era da mesma renda preta do sutiã, e estava encharcada. Passei os dedos por cima do tecido molhado e senti os quadris dela se moverem sozinhos me procurando.
— Você está escorrendo — murmurei no ouvido dela.
— Tô assim desde a porra da moto — respondeu, sem filtro, com a voz rouca —. Me come logo, por favor.
Joguei-a na cama e tirei a calça de couro com certa dificuldade, o que fez os dois soltarmos uma risada baixa e involuntária que quebrou a tensão da melhor maneira possível.
— É difícil de vestir e difícil de tirar — admitiu.
— Mas valeu a pena — eu disse.
Isso a fez se calar de repente e me olhar com uma expressão que eu não soube classificar com precisão: uma mistura de algo que podia ser vergonha e algo que definitivamente não era. Rasguei a calcinha pela lateral, sem cerimônia, e a joguei no chão. Ela ficou completamente nua, com as pernas ligeiramente afastadas e a xana depilada brilhando de molhada sob a pouca luz que entrava pela janela.
Ajoelhei na beira da cama, agarrei as coxas dela e as abri mais. Ela deixou, apoiando a nuca no travesseiro, me olhando de cima com os lábios entreabertos.
— Não faz isso — arfou quando entendeu o que eu ia fazer.
— Por quê?
— Porque eu vou gozar em dois segundos.
— Melhor.
Passei a língua inteira pela xana, de baixo para cima, devagar, fechando enfim sobre o clitóris. Valeria arqueou os quadris contra a minha boca e soltou um gemido longo, obsceno, que encheu o quarto inteiro. Tinha gosto de sal e de mulher excitada, e estava tão molhada que meu queixo ficou encharcado no primeiro lambida. Separei os lábios dela com dois dedos e chupei o clitóris diretamente, sem rodeios, desenhando círculos com a ponta da língua.
— Porra, porra, porra! — arfou, apertando minha cabeça contra ela com as duas mãos —. Isso, aí, não para...
Enfiei um dedo enquanto continuava chupando o clitóris, e senti a xana se fechar ao redor dele, quente e apertada. Enfiei um segundo dedo e os curvei para cima, procurando aquele ponto por dentro, e quando encontrei ela deu um sobressalto com o quadril todo.
— Aí! Aí, aí, aí! — soltou quase gritando, tapando a boca de repente com a outra mão.
Acelerei. Chupava e lambia e bombeava com os dedos no mesmo ritmo, sentindo-a tremer, sentindo as coxas dela se fecharem ao redor da minha cabeça. Ela gozou antes que eu tivesse tempo de me afastar. Gozou com um gemido abafado, mordendo o dorso da mão para não acordar ninguém, com os quadris subindo e descendo contra a minha boca, com a xana se contraindo ao redor dos meus dedos. Continuei lambendo o clitóris até o último espasmo, até que ela me afastou de leve com a mão livre porque já não aguentava mais.
— Vem aqui — sussurrou —. Vem aqui agora.
Subi na cama e tirei o que restava da minha roupa enquanto ela me olhava com os olhos semicerrados e a respiração ainda descontrolada. Quando viu meu pau, mordeu o lábio, sentou-se sobre um cotovelo e o agarrou com a mão.
— Vem — repetiu, e me puxou de leve para o rosto dela.
Ajoelhei, montado sobre o peito dela, e ela colocou a cabeça do pau na boca sem aviso prévio. Fechei os olhos. Ela começou devagar, chupando só a glande, com a língua girando ao redor, até ir engolindo mais, pouco a pouco, até eu senti-la chegar ao fundo da garganta. Ela mesma marcava o ritmo com a mão na base, apertando-me, subindo e descendo a boca molhada por todo o pau.
— Porra, Valeria... — consegui dizer.
Ela me olhou de baixo, com os olhos brilhando e os lábios esticados ao redor da minha rola, e aquela imagem sozinha quase acabou comigo. Tirou da boca, lambendo tudo desde os ovos até a ponta, enfiou de novo e acelerou. Coloquei a mão na nuca dela sem apertar, só acompanhando o movimento, e ela gemeu com o pau ainda dentro. O som, a vibração, me fizeram cerrar os dentes.
— Para — arfou eu —. Para ou eu gozo agora.
Ela tirou da boca com um estalo úmido e sorriu, limpando o canto da boca com o polegar.
— E qual é o problema?
— O problema é que eu quero te foder antes.
— Então me fode — disse, deitando de novo e abrindo as pernas —. Me fode agora, não me faz esperar mais.
Me coloquei entre as coxas dela e passei a ponta do pau pela xana molhada, de cima a baixo, roçando o clitóris com a glande. Ela fechou os olhos e arqueou as costas, me procurando.
— Enfia — implorou —. Marcos, por favor, enfia logo.
Empurrei devagar, afundando de uma vez até o fundo. Nós dois gememos ao mesmo tempo. Ela estava tão apertada, tão molhada, tão quente, que tive que ficar parado um segundo para não gozar no primeiro impulso. Valeria cravou as unhas nas minhas costas e procurou minha boca.
— Se mexe — arfou contra meus lábios —. Me fode forte, não se controla.
Comecei a me mover. Devagar no começo, saindo quase inteiro e voltando a afundar inteiro, sentindo a xana dela se abrir e se fechar ao meu redor a cada estocada. Ela envolveu meus quadris com as pernas e me trouxe mais para dentro, apertando-me com os calcanhares.
— Mais rápido — pediu —. Mais rápido, porra, mais...
Agarrei-a por baixo das coxas, levantei as pernas dela e acelerei. Cada golpe fazia a cama chiar suavemente e os seios dela quicarem, e ela ia soltando um gemido pequeno a cada investida, entrecortado, cada vez mais agudo. Olhei para o rosto dela enquanto a comia: os olhos fechados, a boca aberta, o cabelo preto espalhado sobre o travesseiro, a garganta exposta.
— Olha pra mim — eu disse.
Ela abriu os olhos.
— Olha pra mim enquanto eu te fodo.
— Porra... — sussurrou, aguentando meu olhar —. Porra, Marcos, não para...
Retirei-me. Ela soltou um pequeno ruído de protesto que foi cortado quando a virei e a coloquei de joelhos, com o rosto contra o travesseiro e o cu levantado. Ajoelhei atrás dela, pus uma mão no quadril e, com a outra, me guiei de novo para dentro dela, até o fundo, de uma só vez.
— Aaaah, porra! — gemeu contra o travesseiro, mordendo-o para não gritar.
Daí em diante eu a fodi mais forte. Cada estocada fazia a bunda dela tremer contra meus quadris, e eu via as costas arqueadas, o cabelo desgrenhado, meu pau entrando e saindo brilhante dos sucos dela. Dei um tapa na nádega direita e ela soltou um gemido abafado.
— De novo — pediu com a voz partida.
Dei outro tapa, mais forte. Ficou marcada a palma rosada na pele. Bati na outra nádega e ela arqueou ainda mais as costas, empurrando o rabo contra mim, querendo mais.
— Assim, assim, assim — arfava entre os dentes —. Me fode assim, não para...
Levei a mão por baixo até encontrar o clitóris e comecei a esfregá-lo com dois dedos enquanto continuava a estocar por trás. Foi demais. Em poucos segundos senti a xana se apertar brutalmente ao redor do meu pau, senti o corpo todo dela começar a tremer, senti o gemido ficar preso na garganta.
— Tô gozando... tô gozando... tô gozando de novo... — balbuciou.
Ela gozou com um arfado longo e surdo, com a bunda apertada contra meus quadris e a xana me espremendo por dentro. Aguentei como pude, cerrando os dentes, me obrigando a não gozar ainda.
Deixei-a se recuperar por um segundo. Ela se largou de lado, ofegante, suada, com o cabelo grudado na testa. Olhou para mim de baixo e sorriu com um sorriso cansado e completamente entregue.
— Vem — disse, puxando meu braço —. Deita.
Deitei de barriga para cima. Ela subiu em cima, agarrou o pau com a mão e foi encaixando devagar, sentando sobre ele centímetro por centímetro, com os olhos fechados e a boca aberta. Quando o teve inteiro dentro, ficou quieta por alguns segundos, com as mãos apoiadas no meu peito, respirando fundo.
— Porra, como isso me deixa cheia — sussurrou.
Começou a se mexer. No começo devagar, subindo e descendo com os quadris, procurando o ritmo. Eu agarrei os seios dela com as duas mãos, apertando, brincando com os mamilos entre os dedos. Ela mordia o lábio e me olhava de cima, cavalgando cada vez mais rápido, e eu via os seios dela quicando na minha frente, o ventre liso se contraindo, a pele brilhante de suor.
— Assim você gosta, não é? — arfou, apoiando as mãos no meu peito e aumentando o ritmo —. Me ver em cima te fodendo...
— É — eu disse, olhando para ela.
Ela agarrou meus pulsos e os colocou sobre os seios de novo, me obrigando a apertar mais forte.
— Fala.
— É, porra, assim eu gosto.
Dei um tapa na bunda dela e ela gemeu e acelerou ainda mais. Ela se inclinou para a frente, apoiando as palmas ao lado da minha cabeça, e dessa posição eu a fodi por baixo, estocando com os quadris enquanto ela ondulava por cima. Mordi o mamilo que ficava na altura da minha boca e ela soltou um gemido longo.
— Vou gozar — avisei, cerrando os dentes.
— Dentro não — arfou ela —. Dentro não, Marcos, goza nas tetas, na boca, onde quiser, mas dentro não.
Segurei os últimos segundos. Ela saiu de cima de mim no último instante, ajoelhou-se ao meu lado e agarrou meu pau com a mão, me masturbando rápido, com a língua de fora, apontando para a boca aberta e os seios. Gozei com um arfado estrangulado. Jatos grossos e quentes caíram entre os seios dela, na garganta, um lhe acertou o queixo e outro direto na língua. Ela fechou os olhos e continuou me masturbando até a última gota, espremendo meu pau devagar, e então, sem parar de me olhar, passou a língua pelos lábios e engoliu o que tinha caído em sua boca.
— Porra... — consegui dizer.
Ela riu com uma risada baixa, rouca, satisfeita. Limpou o sêmen do peito com dois dedos e os levou à boca sem desviar o olhar.
Quando terminamos, ficamos os dois quietos na escuridão, ouvindo o silêncio da casa e o rumor distante do porto que vinha pela janela entreaberta. A cabeça dela apoiada no meu peito, minha mão no cabelo desgrenhado dela, ainda com a pele pegajosa e o cheiro de sexo tomando conta do quarto inteiro.
— Arrependida? — perguntei por fim.
Ela demorou um segundo para responder.
— Me pergunta amanhã — disse. Mas estava sorrindo quando falou. E isso já era mais do que suficiente para aquela noite.