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Relatos Ardientes

A chefe madura que chamou o zelador à noite

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Sandra tinha trinta e oito anos, um cargo de coordenadora administrativa em uma empresa de distribuição industrial e o hábito de chegar ao trabalho antes de todo mundo. Cabelo castanho-escuro até os ombros, cintura fina e quadris que a calça justa das quartas-feiras não disfarçava. Seus funcionários a respeitavam. Alguns a temiam um pouco. Nenhum deles lhe faria essa acusação.

Nessa manhã, ela chegou com o vestido azul-marinho e o humor apertado. Diego, seu marido de quarenta e dois anos, havia saído cedo sem tomar café e sem dizer para onde ia. Arquiteto autônomo, com poucos projetos e muito silêncio. Já fazia meses assim: presente no apartamento, mas ausente em tudo o resto. Na cama, principalmente. Fazia quase quatro meses que ele não a tocava. Quatro meses em que Sandra se acostumara a enfiar dois dedos sob os lençóis de madrugada, mordendo o travesseiro para não acordá-lo, e terminar sozinha, com a respiração entrecortada e uma umidade morna entre as coxas que ninguém iria provar.

Ela cumprimentou as secretárias com um «bom dia» que não convidava conversa e se trancou em sua sala de vidro com o primeiro café do dia e os relatórios pendentes.

Seu Augusto já estava no corredor principal quando ela chegou. Cinquenta e sete anos, uniforme cinza, a barriga discreta de quem come o que tem e não reclama. Estava na empresa havia mais de doze anos. Chegava pontual, fazia seu trabalho em silêncio e nunca dava desculpas. Também fazia dois anos que olhava para a bunda de Sandra do jeito que os homens olham quando sabem que não vão dizer nada: de soslaio, rápido, guardando cada detalhe para algum lugar que não tinha nome.

Ele era fascinado por tudo nela: o tom firme com que dava ordens, a maneira como cruzava os braços e apertava os seios contra o tecido do vestido, o movimento preciso dos quadris quando caminhava pelo corredor. Muitas noites chegava em casa, deitava ao lado da mulher — que dormia sempre de costas — e se masturbava no banheiro pensando em Sandra. Na voz dela. Na forma como o olhava quando mandava que fizesse alguma coisa, diretamente, sem hesitar. Ele gozava na pia imaginando aquela boca de batom dizendo seu nome, e depois lavava a mão e voltava para a cama com o pau ainda sensível e a cabeça cheia dela.

Às onze da manhã, Sandra saiu de sua sala com uma pasta e cara fechada. O corredor central tinha marcas de barro fresco, provavelmente do entregador que tinha entrado sem limpar os sapatos. Viu Seu Augusto ao fundo empurrando o carrinho de limpeza.

Ela o chamou com uma voz alta e clara, suficiente para que todos na área aberta ouvissem:

— Seu Augusto. Aqui. Agora mesmo.

Ele se aproximou rapidamente, deixando o carrinho de lado. A secretária da contabilidade parou de digitar. O mensageiro que esperava ao lado da copiadora olhou para o outro lado.

— O senhor me explica isto? — Sandra apontou para o chão com o dedo, quase tocando a mancha —. Eu disse ontem que o corredor principal precisava estar impecável. Isso lhe parece impecável?

— Eu limpo agora mesmo, senhora Sandra.

— Isso eu já ouvi ontem. — A voz dela subiu um tom —. Se o senhor não consegue manter o nível que eu exijo, vou ter de falar com o gerente para arrumar alguém que consiga. Estamos entendidos?

— Sim, senhora. Desculpe.

Sandra deu meia-volta e se afastou. Seu Augusto se abaixou e começou a esfregar de cabeça baixa, sem dizer nada. Por dentro, algo queimava. Não era raiva. Nunca fora exatamente raiva. Ele ficou duro só de ouvi-la falar assim com ele, e precisou permanecer agachado esfregando por dez minutos até que a ereção baixasse o bastante para conseguir se levantar sem marcar na calça.

***

Às sete e quinze da noite, a empresa estava vazia.

Sandra ainda estava em sua sala, terminando o relatório mensal. As luzes da área comum estavam no mínimo e do corredor vinha o zumbido distante do aspirador de pó. Ela desligou a tela do computador, esticou as costas e ficou parada por um momento.

Ela tinha sido dura naquela manhã. Mais do que o necessário. Seu Augusto sempre cumpria, nunca reclamava, nunca se defendia, mesmo quando a culpa não era dele. E ela o humilhara diante de quatro pessoas porque precisava descarregar algo que não tinha nada a ver com ele.

Pegou o telefone interno e discou o ramal da manutenção.

— Seu Augusto? Pode vir um momento à minha sala, por favor?

Ele chegou dois minutos depois. Uniforme cinza, mãos limpas, olhar baixo. Parou diante da mesa com as mãos juntas.

— Boa noite, senhora Sandra.

— Sente-se, por favor.

Ele piscou, como se a cadeira fosse um objeto que não lhe cabia usar.

— Hoje de manhã eu exagerei — disse ela —. O senhor faz bem o seu trabalho e eu falei com o senhor de um jeito que não foi correto. Queria pedir desculpas.

Seu Augusto ergueu o olhar por um segundo e o baixou em seguida.

— Não se preocupe, senhora. A senhora está sob muita pressão.

— Isso não é desculpa.

Silêncio. A sala em penumbra, as persianas entreabertas com o corredor escuro do outro lado.

— Tem algo que eu possa fazer pelo senhor? Para compensar.

Seu Augusto a encarou por mais tempo do que o habitual. As mãos calejadas repousavam sobre os joelhos. Quando falou, fez isso devagar, como quem tira algo que há tempo demais estava guardado em um lugar desconfortável.

— Minha mulher não me toca há anos. Diz que estou gordo, que me acha velho. Meus filhos já não precisam mais de mim para nada. Eu chego em casa e sou o cara que paga as contas e com quem ninguém fala. Aqui pelo menos... — fez uma pausa longa — aqui pelo menos a senhora me olha quando fala comigo. Mesmo que seja para me repreender.

Sandra não disse nada.

— Peço desculpas — continuou ele —. Não era o que a senhora queria ouvir. Vou me retirar.

— Não se levante ainda.

Nesse momento, o celular vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem de Diego: «Hoje à noite vou sair com o pessoal do escritório. Não me espere acordada. Beijos.» Sem ligar. Sem perguntar como tinha sido o dia.

Sandra o deixou virado para baixo sobre a mesa.

— Feche as persianas — disse.

Seu Augusto não se moveu de imediato.

— Senhora Sandra?

— As persianas. Por favor.

Ele se levantou devagar e foi fechando as lâminas uma a uma até o escritório ficar completamente isolado. A única luz era a luminária da mesa. Agora estavam sozinhos, e o silêncio tinha outra textura.

Sandra também se levantou. O vestido azul-marinho se ajustou às curvas com o movimento. Aproximou-se dele até ficar a menos de um metro.

— O senhor me deseja — disse em voz baixa. Não era uma pergunta.

Seu Augusto não respondeu. Não precisava. Ele estava duro havia dez minutos e ela podia ver o volume marcado sob a calça cinza do uniforme.

Ela pegou as mãos calejadas dele e as colocou em sua cintura. Depois as desceu devagar até que ele lhe agarrasse a bunda com as duas mãos por cima do vestido.

— Quantas vezes o senhor imaginou isto? — perguntou ela, muito perto da boca dele.

— Todas, senhora. Todas as noites.

— Me mostre.

***

Seu Augusto não a beijou primeiro na boca. Ele a beijou no pescoço, logo abaixo da orelha, e Sandra sentiu o arranhar da barba de dois dias contra a pele. Desceu a boca pela clavícula, pelo decote do vestido, enquanto as mãos apertavam as nádegas dela com uma força contida que vinha se acumulando havia dois anos.

— Devagar — murmurou ela.

— Como a senhora quiser.

Ele procurou o zíper do vestido nas costas e o desceu centímetro por centímetro. Os dedos grossos tremiam um pouco. Quando o tecido cedeu e o vestido caiu no chão formando uma poça azul aos pés dela, Sandra ficou diante dele de sutiã preto de renda e calcinha combinando. Seu Augusto engoliu em seco de um modo audível.

— Meu Deus — disse, e a voz saiu rouca.

Ele desabotoou o sutiã com mais desajeito do que gostaria. Quando os seios de Sandra ficaram à mostra, brancos e cheios, com os mamilos já duros e escuros pelo frio do ar-condicionado, ele soltou um gemido baixo e se abaixou para chupá-los sem pedir permissão.

Sandra agarrou os ombros dele. A língua quente de Seu Augusto contornava o mamilo, mordiscava com cuidado, sugava inteiro até fazê-la arquear as costas. Ele passava de um seio ao outro sem pressa, deixando a pele brilhante de saliva, e com as mãos apertava os dois ao mesmo tempo, afundando os dedos na carne.

— Como a senhora é linda — murmurou contra a pele —. Que seios bonitos. Me perdoe, senhora, mas faz dois anos que eu penso nisso.

— Cala a boca e continua.

Sandra agarrou a cabeça dele e a prensou contra o peito. Sentia a umidade se acumulando entre as pernas, encharcando a calcinha preta que ainda usava. Percebeu também o volume duro da calça do uniforme pressionando sua coxa, e desceu uma mão para apertá-lo por cima do tecido.

Seu Augusto gemeu com a boca ainda cheia de seio.

Ela o empurrou suavemente para trás até ele entender. Ele se pôs de joelhos diante dela sobre o carpete, no uniforme cinza de zelador, enquanto Sandra se apoiava na beirada da mesa, de salto e calcinha. Com os dedos trêmulos de desejo, ele enganchou os polegares na cintura da calcinha e a puxou até os tornozelos. Ela pisou nela e a afastou com um movimento do pé.

Seu Augusto ficou quieto um segundo, olhando para a boceta depilada e brilhante, com os lábios já inchados e afastados. Olhou para ela de baixo com uma expressão de agradecimento quase dolorosa.

— Abra as pernas, senhora Sandra. Por favor.

Ela obedeceu. Colocou um salto sobre o apoio de braço da cadeira e lhe mostrou tudo. Seu Augusto se aproximou devagar e deu uma primeira lambida longa, plana, de baixo para cima, recolhendo toda a umidade que vinha escorrendo desde que ele fechara as persianas.

— Ah — ela soltou, agarrando-se à beirada da mesa.

Ele a comeu sem pressa. A língua percorreu os lábios de cima a baixo, entrou entre eles, encontrou a entrada da boceta e a penetrou algumas vezes antes de subir até o clitóris. Quando chegou ali, ficou. Começou a lamber em círculos lentos, depois com a ponta, depois sugando inteiro com os lábios fechados ao redor.

Sandra enroscou os dedos no cabelo grisalho dele e pressionou a face dele contra sua boceta.

— Aí. Aí, não sai daí.

Seu Augusto obedecia como havia doze anos obedecendo a ela no corredor. Ele comia sua boceta com a mesma disciplina paciente com que esfregava o chão. Entrou com dois dedos grossos e calejados sem parar de chupar o clitóris, e os curvou para cima, procurando o ponto por dentro. Quando o encontrou, Sandra soltou um gemido que escapou da garganta sem que conseguisse controlar.

— Meu Deus, Augusto. Assim. Exatamente assim.

O nome sem o «seu» o fez fechar os olhos. Ele acelerou os dedos, aumentou a pressão da língua e continuou sem parar, mesmo sentindo Sandra puxar seu cabelo até doer. Ela deixou de respirar por um segundo inteiro e depois gozou com um tremor que subiu das coxas ao peito, apertando-lhe o rosto entre as duas pernas, montando a boca dele sem controle enquanto as contrações percorriam sua boceta em torno dos dedos dele.

— Ah, porra, porra, porra... — arfou, sem reconhecer a própria voz.

Seu Augusto não a soltou até que ela mesma afastou a cabeça dele. Ele se ergueu devagar, com a boca e o queixo brilhando dela, e a olhou com uma mistura de reverência e fome que Sandra também não lembrava de ter visto em Diego.

— Agora o senhor — disse ela, com a voz ainda entrecortada.

Ela desabotoou o cinto, abriu o zíper e puxou a calça dele até os tornozelos junto com a cueca branca de algodão. O pau de Seu Augusto saltou para fora, maior do que ela imaginara nas poucas vezes em que, sem querer, se perguntara: grosso, escuro, com a ponta já úmida do líquido que vinha pingando durante todo o tempo.

Sandra sorriu devagar.

— Nossa, Seu Augusto. Isso eu não tinha previsto.

— Me desculpe, senhora.

— Não peça desculpas por isso.

Ela se pôs de joelhos diante dele no carpete. Agarrou o pau com a mão direita — precisou envolver tudo para conseguir fechar os dedos — e o masturbou lentamente algumas vezes. Depois se inclinou e passou a língua pela ponta, recolhendo o líquido pré-ejaculatório, saboreando-o.

Seu Augusto soltou um rosnado e apoiou uma mão na mesa para não perder o equilíbrio.

Ela foi colocando-o na boca aos poucos. Primeiro só a ponta, chupando com os lábios apertados e a língua girando ao redor. Depois mais fundo, engolindo a metade, enquanto com a mão trabalhava a base. A boca se enchia daquele pau grosso que ela passara dois anos imaginando sem perceber.

— Senhora — arfou ele —. Senhora Sandra, por Deus...

Ela o tirou com um som úmido e o olhou de baixo, os olhos brilhando.

— Sandra. Nada de senhora. Agora, Sandra.

— Sandra — repetiu ele, obediente, como se fosse difícil pronunciar sem o título na frente.

Ela o engoliu de novo, mais fundo dessa vez, até a ponta bater no fundo da garganta e arrancar uma ânsia curta que lhe fez saltar lágrimas. Não parou. Começou a ir e vir, chupando-o inteiro, com as duas mãos agora, uma na base e a outra massageando os ovos por baixo.

Seu Augusto tinha uma mão tremendo sobre a cabeça dela, sem apertar, sem se atrever a marcar o ritmo. Gemeu baixinho, abafado, com a boca fechada, e às vezes o nome dela escapava num sussurro quebrado.

Sandra sentiu que ele começava a inchar um pouco mais dentro da boca e o tirou a tempo, com um beijo final na ponta.

— Ainda não — disse —. Ainda não quero que goze.

Ela se ergueu, deu meia-volta e se apoiou na mesa com as mãos à frente, arqueando as costas para oferecer a bunda. O vestido azul jazia no chão, ela ainda usava os saltos, e na penumbra sua pele branca brilhava sob a luz da luminária.

— Agora me fode — disse, sem se virar —. Forte.

Seu Augusto não precisou de mais instruções. Ficou atrás dela, agarrou o quadril com a mão esquerda e com a direita guiou o pau até a entrada da boceta encharcada. Roçou uma vez, duas, passando a ponta de cima a baixo entre os lábios, e então empurrou.

Entrou de uma só vez até o fundo, com um gemido gutural que lhe saiu do peito.

Sandra soltou um grito curto, apertou os dedos contra a madeira da mesa e abaixou a cabeça. Ele ficou parado por um momento, dentro dela até o fim, respirando forte, dando tempo para que se acostumasse à grossura.

— Mexa-se — ela arfou —. Mexa-se agora.

Ele começou a fodê-la devagar, com investidas longas e profundas. Cada vez que a puxava quase inteira para fora e voltava a metê-la de uma vez, o som úmido do choque enchia o escritório vazio. A mesa começou a ranger sob as mãos de Sandra. Ela se deixou foder assim por um tempo, com a bochecha apoiada na pasta do relatório mensal, olhando de lado para o próprio celular virado para baixo.

— Mais forte — disse —. Mais forte, porra.

Seu Augusto obedeceu. Aumentou o ritmo, agarrou as duas ancas dela com as mãos e começou a enfiá-la com investidas duras que a empurravam contra a mesa. A carne da bunda de Sandra quicava contra as virilhas dele a cada golpe. Ela largou os papéis e se agarrou à borda do móvel com as duas mãos.

— Ah, isso, assim, isso...

Ele a segurou pelo cabelo, sem puxar, apenas enredando os dedos, e continuou a golpeá-la por trás. Sandra sentia aquele pau grosso abrindo-a por completo, entrando até o fundo a cada vez, o prazer se acumulando mais uma vez em seu ventre. Lembrou-se por um segundo de Diego, do último sexo apressado e sem vontade meses atrás, e essa lembrança fez com que empinasse mais a bunda para recebê-lo melhor.

— Não pare — arfou —. Não pare, não pare.

Seu Augusto não parou. Colocou uma mão por diante, entre as pernas dela, e com o dedo do meio procurou o clitóris, começando a esfregá-lo em círculos rápidos enquanto continuava a penetrá-la por trás no mesmo ritmo. Sandra abriu a boca em um gemido mudo e sentiu o segundo orgasmo se aproximar, mais forte que o primeiro, mais longo, implacável.

— Augusto — gritou, sem se importar com a voz —. Augusto, eu vou gozar, eu vou gozar...

Ela gozou apertando a boceta em torno do pau dele, com espasmos que sacudiram todo o seu corpo. Seu Augusto sentiu as contrações ao redor do pênis e não aguentou mais. Agarrou os quadris dela com as duas mãos, deu mais três investidas profundas e frenéticas e, na quarta, afundou até o fundo e ficou ali, tremendo.

— Sandra — rosnou —. Sandra, ah, porra...

Ela sentiu o jato quente dentro. Notou o pau se sacudindo dentro da boceta, enchendo-a de porras espessas enquanto ele apertava suas ancas até deixar marcas. Seu Augusto se descarregou inteiro dentro dela, gemendo o nome dela em voz baixa, quase rezando.

Ficaram assim por um longo momento. Ele curvado sobre as costas dela, apoiando a testa entre as omoplatas, respirando forte. Ela com a bochecha na pasta, sentindo a porra quente começar a escorrer por dentro da coxa quando ele finalmente retirou o pau.

***

Depois, o silêncio era diferente. Mais pesado, de outra textura.

Seu Augusto se vestiu devagar, sem falar. Sandra também, recolhendo a calcinha do chão e sentindo o calor pegajoso dele ainda descendo pela parte interna das coxas. Quando abotoava o vestido, ele a olhou com uma expressão difícil de decifrar: gratidão, algo parecido com orgulho, algo parecido com tristeza, tudo junto.

— Isso não pode se repetir — disse ela.

Ele assentiu.

— Eu sei, senhora Sandra.

O «senhora» tinha voltado. Os dois perceberam, e nenhum dos dois disse nada a respeito.

— Não diga nada. Para ninguém.

— Claro que não.

Ele saiu fechando a porta com cuidado. Sandra abriu as persianas, pegou a bolsa e apagou a luminária.

***

Ela chegou ao apartamento quase às dez e meia.

Ao abrir a porta, foi recebida pelo cheiro de alho refogado e de algo que havia ficado morno no forno. Diego dormia no sofá, com o controle remoto na mão. Sobre a mesa havia um prato coberto com papel-alumínio e um copo limpo. Ele tinha cozinhado para ela.

Sandra ficou parada no batente por um momento que pareceu longo.

Foi até o banheiro sem acender as luzes da sala. Tirou a roupa e entrou no chuveiro com a água bem quente. Encostou a testa nos azulejos frios enquanto o vapor enchia o espaço. Lavou-se entre as pernas com a mão aberta, sentindo o sêmen de Seu Augusto se dissolver e ir pelo ralo junto com a água ensaboada.

O arrependimento não veio de uma vez. Veio devagar, como vêm as coisas que pretendem ficar. A imagem de Seu Augusto olhando para ela com aquela reverência, o peso de algo proibido que já acontecera sem possibilidade de desfazer, e Diego dormindo no sofá com o jantar pronto.

Mesmo assim eu fiz, pensou. E ele estava aqui, me esperando.

Quando saiu do banho, foi até o sofá e cobriu os ombros de Diego com a manta do encosto. Ele murmurou alguma coisa sem acordar completamente.

Sandra se deitou em silêncio e ficou olhando para o teto por muito tempo.

A escuridão era completa. O único som era a respiração lenta de seu marido do outro lado do corredor, alheia a tudo o que acontecera naquela noite.

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