Minha confissão sobre a noite do aeroporto
Fui ao aeroporto com um vestido vermelho apertado demais e um segredo entre as pernas. Naquela noite, o vermelho entrou na nossa pele, na nossa boca, em tudo.
Fui ao aeroporto com um vestido vermelho apertado demais e um segredo entre as pernas. Naquela noite, o vermelho entrou na nossa pele, na nossa boca, em tudo.
Ela apareceu sem avisar no início do semestre e, desde o primeiro dia, me encarou sem vergonha. Não sei quando comecei a precisar que ela fizesse isso.
Se tivessem nos dito naquela manhã que acabaríamos num quarto com espelho no teto, nenhum de nós teria acreditado.
Ela mentiu na frente de todo mundo no estacionamento para subir no meu carro. Antes de sair da cidade, já tinha procurado minha mão. E eu também não queria voltar pra casa daquele jeito.
Andei doze quilômetros com os saltos quebrados e as meias ensanguentadas, decidida a confessar algo que jamais deveria ter sentido.
Reconheci ela no topo do morro. Sete anos sem ver, e ela me olhou como se soubesse que naquele sábado eu estaria lá. O que veio depois eu não devia ter deixado acontecer.
Estava concentrado na partida, com o microfone aberto, e os amigos do outro lado. Eu entrei descalça, sem que ele me ouvisse, e me ajoelhei.
Quatro semanas sem vê-lo. Quatro semanas tentando apagar a lembrança de outras mãos. Nessa noite, Abril se tornou alguém que não reconhecia.
Quando desliguei o motor naquela estrada sem saída, ela já tinha afivelado o cinto e aberto o botão da calça. E não trocamos uma única palavra.
Depois que meu pai e meu irmão terminaram comigo, minha mãe se aproximou da cama com um sorriso que eu não conhecia. Naquela noite tudo mudou.