O dia em que meu pai quis me fazer homem
Vinte anos, virgem e trancado entre histórias em quadrinhos. Meu pai achava que uma viagem ao campo me transformaria em homem. Não imaginava quem estaria me esperando lá.
Vinte anos, virgem e trancado entre histórias em quadrinhos. Meu pai achava que uma viagem ao campo me transformaria em homem. Não imaginava quem estaria me esperando lá.
A porta do quarto estava entreaberta. Espiei pela fresta sem pensar e o que vi me pregou ao chão: meu pai não era quem eu pensava.
O treinador me olhou do outro lado da mesa e sorriu. Meu pai apertou minha nuca e sussurrou: «Filho, vamos fazer o que for preciso para você entrar no time».
Achei que o pior da viagem seria dividir quarto com meus pais em clima de lua de mel. Não imaginava que, no escuro, seria eu quem não conseguiria ficar quieto.
Pensei que ela riria de mim, que diria que eu estava louco. Mas quando a levei pelo pulso até a porta entreaberta, minha irmã já não conseguiu desviar o olhar.
Toda a minha vida fui hetero. Até que uma tarde meu filho atravessou a sala e eu não consegui desviar os olhos da virilha dele. Naquela noite, soube que não conseguiria mais parar.
O que aconteceu naquela noite entre Lorena e mim nunca deveria ter sido descoberto. Mas o grito do outro lado da parede confirmou que era tarde demais.
Saí do banho enrolado numa toalha, sabendo que meu pai estava sozinho. Naquela noite, eu queria ver até onde ele se atrevia sem bebida no meio.
Quando desci descalço para a cozinha naquela manhã e vi meu pai sentado de cueca, soube que algo ia se quebrar antes da primeira xícara de café.
Entrei por um croissant às quatro da madrugada e os vi de pé, ombro com ombro, junto à mesa do forno. Meu pai não me ouviu chegar.