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Relatos Ardientes

O dia em que meu pai quis me fazer homem

Meu nome é Esteban e sou o que muita gente chamaria de um esquisito. Vinte anos, virgem, trancado num sótão que cheirava a papel velho e a quadrinhos empilhados até o teto. Se meus lençóis falassem, não teriam palavras para descrever as noites que passei tentando acalmar aquela ansiedade que queimava por dentro e que nunca terminava de ir embora.

Meus irmãos e meu pai não sabiam de nada, e eu duvidava que soubessem algum dia. O escândalo que se armaria se eu confessasse o que realmente me agradava teria sido impossível de conter. Meu pai, Gustavo, era um militar aposentado que ainda vestia o uniforme como uma segunda pele, uma armadura contra um mundo que já não entendia. Seu olhar era um campo minado e eu aprendi muito cedo a não pisar nele.

Uma noite tudo mudou. Desci em silêncio para a cozinha, atraído pelo vazio da madrugada, e os encontrei discutindo. Encostei-me à parede e virei uma sombra.

— Deixa ele em paz, Gustavo. Esteban não faz mal a ninguém — implorou a voz doce e cansada da minha mãe, Adriana.

— Não, Adriana, não! Ele é um inútil. Um imprestável — rugiu meu pai, carregado de desprezo. Cada palavra era um chicote—. Passa os dias trancado. Isso não é um homem.

— Você não precisa ser tão duro. Talvez só esteja faltando que ele queime umas etapas.

— Etapas que já deveria ter queimado. Basta. Amanhã mesmo eu o levo. Vou dar um jeito nele, mesmo que tenha que quebrá-lo para conseguir isso.

Um suor frio me encharcou as costas. Minhas mãos tremiam. Subi para o meu quarto encolhido, me perguntando que tipo de loucura meu pai planejava. Um internato? Uma fazenda de trabalho? A noite foi um suplício sem sono.

Ao amanhecer, um silêncio espesso preenchia a casa. Desci decidido a encarar meu destino com uma coragem que eu não sentia.

— Esteban — a voz do meu pai ecoou como um disparo seco—. Precisamos conversar.

— Tudo bem, pai — murmurei, afundando numa cadeira da sala de jantar.

— Me espere no meu escritório — ordenou, sem tirar os olhos do jornal, tomando um gole lento de café.

O ar do seu escritório cheirava a couro velho, tabaco e poeira. As estantes estavam cheias de manuais e condecorações. Meus olhos pousaram nas fotos emolduradas: um jovem Gustavo, de torso nu em alguma praia, um físico escultural que parecia saído de uma revista. Uma onda de calor subiu pelo meu pescoço e eu desviei o olhar, envergonhado de mim mesmo.

Ele entrou e se sentou pesadamente à minha frente. Me examinou de cima a baixo, dos sapatos até o cabelo desalinhado.

— Olha pra você, rapaz. Você é tão magro que, se eu mandar você carregar um balde d’água, desaba. E pálido, quase invisível — seu comentário me fez encolher, porque era verdade—. Olha pra mim quando eu falo com você!

Levantei a cabeça devagar. Seus olhos, de um cinza de aço, me atravessaram.

— Veste alguma coisa decente e sobe no carro. Vamos fazer de você um homem.

Engoli em seco. No meu quarto, me vesti em pânico: uma calça social folgada, uma camisa xadrez e uma gravata borboleta. Eu era a imagem viva do esquisito patético. Ao descer, minha mãe me abraçou. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. Ela não disse nada, apenas tampou a boca com a mão e fugiu pelo corredor. Aquele gesto me partiu o coração.

A viagem na velha caminhonete foi um silêncio opressivo. Saímos dos subúrbios, depois da cidade, e nos embrenhamos em campos e planícies áridas. O medo era um nó apertado na minha garganta.

— Para de se tocar à noite — disse ele de repente, sem me olhar—. Olha só o que isso fez com você. Virou uma ruína.

Meu rosto pegou fogo. Ele sabia. Conhecia meus segredos mais íntimos, as noites de prazer furtivo no escuro.

— Você precisa estar com alguém, como um homem de verdade — continuou, e suas palavras bateram no ar rarefeito do carro.

***

Finalmente paramos numa fazenda ampla e poeirenta, com vários barracões de madeira desgastada. De um deles vinha em ondas uma música sertaneja. Não parecia um lugar abandonado.

Ao descer do carro, notei, com uma fixação vergonhosa, o volume pronunciado sob a calça militar justa do meu pai. Uma revelação tão incômoda quanto excitante, e eu me odiei por reparar nela.

Ele falou com dois homens robustos na entrada, que não paravam de me observar com sorrisos zombeteiros. Um deles fez um sinal e abriram a porta de onde vinha a música.

O interior era uma baforada de fumaça de cigarro, cerveja barata e suor. Era um bordel rudimentar, cheio de homens e mulheres do campo, nenhum perto da minha idade. Meu pai pediu duas doses, se aproximou e pousou o braço, pesado como uma bigorna, sobre meus ombros. Virou-me para uma pequena plataforma.

— Escolhe — ordenou, sua voz um zumbido baixo no meu ouvido.

Em fila havia várias mulheres que me percorriam com uma fome descarada. Uma mordeu o lábio. Outra ajustou o decote. Nenhuma me despertava nada. Só vergonha e pânico. Baixei o olhar e, sem querer, voltei a me fixar na virilha do meu pai, onde o tecido militar parecia prestes a ceder.

Os segundos se arrastaram. Ele começou a enumerar nomes e “atributos” de cada mulher com a crueza de um leiloeiro. A humilhação era um líquido ardente nas minhas veias. Algumas risadas se espalharam pelo lugar. Minhas pálpebras esquentaram, as lágrimas ameaçando transbordar. Então meu pai também soltou uma gargalhada rouca.

— Filho da desgraça! — exclamou, me apertando com mais força contra o corpo—. Só desta vez, vou deixar você experimentar primeiro o Tito.

A confusão foi total. Tito?

Do meio do povo se aproximou um dos homens com quem ele tinha falado na porta. Era maduro, uns quarenta e cinco anos, com barba por fazer e uma camisa xadrez que mal continha seu torso largo e peludo. Seus olhos, pequenos e astutos, me examinaram de cima a baixo, e um sorriso lento se desenhou no seu rosto.

Foi aí que entendi tudo. Uma enxurrada de sensações me atingiu: surpresa, vergonha e um desejo proibido e latejante que surgiu das entranhas mais profundas de mim. Meu pai não só sabia, como aceitava, da maneira mais deturpada possível.

***

Tito pegou minha mão com uma firmeza que não admitia resistência. Sua pele era áspera e quente. Me levou quase arrastado por um corredor e abriu a porta de um quarto pequeno. O ar cheirava a água sanitária barata, sexo e madeira encerada. Uma lâmpada nua pendia do teto, projetando sombras longas.

Sem dizer uma palavra, começou a se despir. Cada botão da sua camisa revelava mais do seu pelo escuro e espesso. Eu estava paralisado, mas meu corpo reagia me traindo. Senti o sexo pulsar e endurecer contra a calça justa. O medo se misturava com uma excitação brutal e nova. Ver aquele homem, saber que meu pai tinha armado tudo, era um coquetel explosivo.

Ele se aproximou e suas mãos grandes e rudes começaram a abrir minha camisa. Seu hálito cheirava a tabaco e uísque.

— Seu velho diz que você precisa que te ensinem — murmurou, com uma voz rouca e baixa—. Que você tem uma ferramenta escondida, mas não sabe usar.

Sua mão encontrou o zíper da minha calça e o desceu. O ar frio bateu na minha pele exposta. Seus olhos se arregalaram ao ver o que eu tinha, e uma surpresa genuína cruzou seu rosto.

— Caralho, rapaz — assobiou, envolvendo-me com os dedos num aperto experiente que me fez ofegar. Não era a mão trêmula e conhecida das minhas noites sozinho. Aquilo era diferente. Real. Avassalador.

Ele me empurrou suavemente para a cama desfeita. O colchão rangeu sob meu peso. Tito se posicionou sobre mim, seu peso masculino e quente me ancorando à realidade. Sua barba áspera roçou meu pescoço, e seu cheiro, de trabalho duro e de homem, invadiu meus sentidos.

— Seu pai quer que você seja homem — disse contra a minha pele, enquanto suas mãos exploravam meu torso magro—. Mas, aqui e agora, só importa o que você quer sentir.

E o que eu queria, pela primeira vez na vida, eu tinha muito claro.

Tito se ajoelhou entre minhas pernas. O mundo se reduziu à sua boca. Primeiro foi só a ponta da língua, um toque úmido e quente. Um estremecimento violento me percorreu a coluna como uma descarga elétrica. Foi como apertar um interruptor: meu corpo, antes indeciso, assumiu o controle e endureceu por completo. Senti como se todo o sangue tivesse fugido para aquele único ponto.

Ele me segurou com as duas mãos, com a concentração de quem saboreia algo há muito esperado. Depois abriu a boca e começou a me engolir inteiro, com uma paciência e uma habilidade que me deixaram sem fôlego. Chupava, sugava, girava a língua. Perdi o controle. Minhas mãos se enroscaram no seu cabelo grosso e, sem pensar, comecei a me mover. Era uma sensação incrível, úmida, quente e constante. Ele fazia sons guturais e cada vibração vinha direto para mim.

Não aguentei mais. Com um impulso que eu nem sabia que tinha, empurrei-o para a cama. Ele caiu de costas com um rosnado e ficou ali, de barriga para cima, com as pernas grossas e peludas erguidas e abertas, se oferecendo por completo.

Sem hesitar, me joguei sobre ele com a língua. O gosto era salgado, terroso, masculino. Beijei-o, lambi-o, explorei-o com uma fúria que me surpreendia. Tito gemeu e arqueou o corpo.

— Deus do céu, rapaz! Você faz melhor que seu pai.

Ouvir essas palavras foi como jogar gasolina num incêndio. Saber que meu pai tinha estado ali antes, que eu podia estar superando-o em alguma coisa, era um afrodisíaco poderoso. Continuei devorando-o até que nós dois estávamos ofegantes.

Depois posicionei meu sexo, inchado e pulsando, contra a entrada dele. Basta uma pressão leve e a cabeça afundou. Tito se estremeceu com um grito abafado.

— Assim! Assim que eu gosto!

A sensação era indescritível, como afundar num forno macio e apertado, uma pressão quente e viva que me envolvia. Era tão diferente de qualquer coisa que minha mão ou minha imaginação pudessem recriar. Comecei a empurrar devagar, milímetro por milímetro, sentindo seu interior se adaptar a mim. Ele gemia sem parar.

— Você me enche inteiro! Você é uma fera!

Quando finalmente cheguei até o fundo, nós dois estávamos cobertos de suor. Então começamos a nos mover de verdade. Não foi só sexo: foi uma revelação, um ritual de domínio e entrega. Durante o que pareceram horas, o mundo desapareceu. Só existiam seus gemidos, o choque da nossa pele e a sensação abrasadora do seu interior. Terminei com um rugido, uma explosão que me deixou vazio e trêmulo.

***

Saí do quarto com o cabelo desalinhado, as pernas de gelatina e a roupa vestida às pressas. Ao atravessar a porta, dei de cara com meu pai. Ele estava sentado numa cadeira, bem à frente. Tinha ficado ali, ouvindo tudo. No seu rosto, pela primeira vez na minha vida, não vi desprezo nem decepção. Vi algo parecido com aprovação. Talvez até, quem sabe, um lampejo de inveja.

— Pai, eu sou um homem! — gritei, erguendo os braços num gesto triunfal que me nasceu das entranhas.

— E faz melhor do que você — acrescentou Tito da soleira da porta, ainda nu e brilhante de suor.

Meu pai soltou uma gargalhada rouca e genuína, mas seus olhos, fixos em mim, diziam outra coisa. Havia uma urgência ardente neles. Sem mais, empurrou Tito de volta para o quarto e bateu a porta com força. Fiquei no corredor malcheiroso, ouvindo os engasgos de Tito se misturarem aos rosnados graves do meu pai. Não tinha sido um sonho. Tinha sido real. Eu, o esquisito virgem, tinha acabado de ficar com um homem. E tinha ido bem.

A viagem de volta foi um silêncio eletrizante. Meu pai dirigia concentrado na estrada vazia, cercada por milharais que sussurravam ao entardecer. Até que, de repente, freou em seco no meio do nada.

— Desce — ordenou, com a voz neutra.

Meu coração deu um salto. Obedeci, com as pernas ainda tremendo. Ele também desceu, contornou a frente do veículo e parou diante de mim. Na penumbra, seu rosto era uma máscara de sombras.

— Não consigo parar de pensar — disse, mais baixo que o normal— que talvez você tenha uma maior que a minha.

A declaração me deixou sem ar. Era algo tão estranho, tão íntimo, que eu não soube o que responder.

— Mostra pra mim.

Com mãos que mal obedeciam, abri a calça. Ele olhou por um longo segundo e depois, sem dizer nada, voltou a entrar no carro e arrancou. Algo tinha se quebrado para sempre entre nós, e algo novo, perigoso e tentador tinha acabado de nascer. Nessa noite, pela primeira vez, eu não fui o esquisito trancado no sótão. Fui um homem que sabia, enfim, o que queria. E não pretendia voltar a esconder isso.

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