A noite em que Camila deixou de ser só minha amiga
Quando Camila colocou o segundo tequila na minha mão, soube que algo ia se quebrar naquela noite. Não imaginei que seria tudo o que eu achava saber sobre nós duas.
Quando Camila colocou o segundo tequila na minha mão, soube que algo ia se quebrar naquela noite. Não imaginei que seria tudo o que eu achava saber sobre nós duas.
Quando as luzes apagaram no 22º andar e eu soube que ficaríamos horas a sós com ele, não imaginei até onde ele seria capaz de ir.
Dei de cara com um turista na orla e ele me deixou um número com uma proposta impossível de ignorar. Naquela mesma tarde, liguei.
A primeira vez foi um acidente. Depois, toda noite em que ele recebia uma visita, eu levava a poltrona para a janela e deixava a mão descer sozinha.
Meu marido não precisa me tocar primeiro. Precisa ver como os outros me olham sem permissão, como travam quando eu passo. Depois ele vem, e o desejo já não cabe na cama.
Andrés fechou a porta com chave embora soubesse que não havia ninguém no andar. Quando voltou a ficar na minha frente, já não era meu chefe, e sim outra coisa.
Achei que a festa tinha acabado quando fechei a porta. Mas ela continuava descalça no meu sofá, com a taça no joelho e outra caixa nas mãos.
Quando abri a porta e a vi ali, descalça e com o rímel borrado, soube que ela não tinha vindo para conversar. Veio recuperar o que tinha deixado para trás.
Baixei a mão sem pensar, com o celular na outra e a foto dela ocupando a tela. Nunca tinha desejado uma mulher daquele jeito, e ela nem sabia que eu existia.
Me arrumei como nunca para vê-lo: minissaia, salto, peruca. O que eu não esperava era que a irmã dele aparecesse e adivinhasse, num só olhar, tudo o que escondíamos.
Há meses a gente flertava pelo chat interno. Quando propus fechar o escritório num sábado, não achei que você viria. Você veio, tremendo, mas veio.
Conheci-a entre pixels e promessas à distância. Ela nunca soube que, toda noite, sozinha no meu quarto do hotel de frente para o mar, eu a imaginava ao meu lado.
Três da manhã. Uma camisola curta. Nada por baixo. E a sensação de que cada poste do parque era um olho curioso esperando que eu desse mais um passo.
Estávamos sozinhas diante do espelho. Eu arrumando o batom; ela me olhando com uma intensidade que já não era amizade. E então se aproximou.
Aceitei dançar numa despedida de solteiro porque precisava de dinheiro. O que eu não esperava era que quatro caras me oferecessem o dobro por algo a mais.
O telefone tocou justo quando ele entrou pela porta. Era meu namorado. Eu não podia desligar. E meu ex não ia esperar eu acabar a ligação.
Quando ela me disse que a mãe foi uma idiota por ter me deixado, eu ainda achava que era um elogio inofensivo. Cinco minutos depois eu a estava beijando.
Achei que só íamos subir ao pinhal para comer tortilha e beber vinho tinto. Não imaginei que aquela tarde minha prima me pediria que eu a tocasse entre as árvores.
Meu namorado me apresentou como amiga diante de toda a família. O tio percebeu e me passou um papel com o número dele e uma palavra: «depois».
Naquele domingo de outubro descemos da missa encharcadas pela chuva. Entramos na cozinha dela para nos secar. E ali, contra a parede, eu a beijei como tinha passado a vida inteira querendo beijá-la.