Confesso o que aconteceu com minha colega naquele verão
Ela mentiu na frente de todo mundo no estacionamento para subir no meu carro. Antes de sair da cidade, já tinha procurado minha mão. E eu também não queria voltar pra casa daquele jeito.
Ela mentiu na frente de todo mundo no estacionamento para subir no meu carro. Antes de sair da cidade, já tinha procurado minha mão. E eu também não queria voltar pra casa daquele jeito.
A brisa noturna, dois baseados acesos e a certeza de que todos dormiam. Só faltava alguém dizer em voz alta o que nós dois pensávamos.
Reconheci ela no topo do morro. Sete anos sem ver, e ela me olhou como se soubesse que naquele sábado eu estaria lá. O que veio depois eu não devia ter deixado acontecer.
Levávamos quatro anos trocando olhares naquele bar. Ela de óculos, eu sem saber o que fazer com tudo o que sentia cada vez que ela me servia.
Rodrigo não a expulsou quando ela foi a última a ficar. Sofía também não quis pedir. Os três sabiam, sem dizer, desde que as portas do salão se fecharam.
Quatro semanas sem vê-lo. Quatro semanas tentando apagar a lembrança de outras mãos. Nessa noite, Abril se tornou alguém que não reconhecia.
Ela desceu as escadas com aquela calça de couro e eu soube que a noite seria complicada. Quando a tive colada às minhas costas na moto, esqueci que era a mulher do meu pai.
Encontrei um brinquedo escondido na gaveta dela e soube que não era só tristeza o que lhe faltava. Era algo que só a própria família dela podia dar.
Eu a espionava da minha janela enquanto ela estendia a roupa na varanda. Aqueles seios enormes, aquele sorriso cúmplice. Ela sabia que eu a olhava e nunca disse nada... até aquela terça-feira.
Fazia meses que eu não saía. Coloquei o vestido preto, fui sozinha ao evento e não imaginei que aquela noite terminaria entre dois homens.
Preparamos o jantar juntos entre beijos furtivos. Ninguém imaginou como aquela noite de filmes terminaria no sofá quando ele descobriu meu costume secreto.
O calor de julho, uma cerveja gelada e as mãos ásperas deles. Aos quarenta e dois, descobri que o desejo não tem idade nem vergonha.
Ele trancou a porta, sentou na mesa e me olhou com uns olhos verdes que não julgavam nada. Eu ainda estava ofegante.
Quando saí do quarto dele convertida em Valentina, o som dos meus saltos no corredor me disse que não havia mais volta.
Quando me inclinei para a janela para descansar um momento, eu os vi na piscina. Nus, se beijando, totalmente alheios ao mundo. Entendi que aquele ano seria muito diferente.
Apoiei a testa na porta para não fazer barulho. As crianças dormiam do outro lado e eu me desfazia sob as mãos do meu marido, mordendo o lábio.