Aquela noite na barraca eu nunca contei a ninguém
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Quando entrou no chuveiro, não disse nada. Só encostou os seios em minhas costas e sussurrou que me deixasse ir. Minha mulher estava a milhares de quilômetros, com outro.
Naquela tarde, eu não buscava amor nem explicações; buscava dois corpos diferentes no mesmo quarto de motel e a certeza de que ninguém jamais saberia o que aconteceu ali.
Passei anos imaginando isso vendo vídeos às escondidas. Numa tarde, uma mensagem em uma página de encontros, e um desconhecido entrou no meu carro pronto para mudar tudo.
Eu o massageei depois da praia, sem pensar. Senti a ereção sob a sunga e soube que aquele verão não terminaria como os outros.
Naquela tarde, enquanto minha cunhada me contava em detalhes tudo o que meu irmão fazia com ela na cama, senti um calor entre as pernas que não sabia justificar.
Subi os quatro andares com o coração disparado. Queria um brinquedo, mas saí com algo mais: o olhar da garota atrás dos óculos gravado para aquela noite.
Uma noite, depois de cervejas demais, eu disse sim. O que veio depois me obrigou a repensar tudo o que eu achava saber sobre mim.
Subi para o segundo andar do ônibus achando que dormiria as sete horas seguidas. Trinta minutos depois, um rosto surgiu entre os assentos e me perguntou para onde eu ia.
Quando o biquíni dela escorregou na beira da água e os homens da praia começaram a olhar, ela não o ajeitou. Só passou a andar mais devagar.
Anos depois, ainda me lembro da calcinha ao vento, da mão entre as pernas e do beijo que ela me mandou da calçada antes de desaparecer. Nunca dissemos uma só palavra.
Saí do banheiro sem roupa e ele estava ali, no corredor, tão nu quanto eu. Nos encaramos sem conseguir nos mexer. Esse segundo bastou para mudar tudo.
Pablo e Laura chegavam ao resort pensando em tênis. Oito adultos, um terraço com vista para o mar e uma taça de vinho a mais mudaram todos os planos.
Andrés sabia exatamente o que fazia com as mãos. Cheguei com dor nas costas e saí com algo sem nome, em que ainda penso quando adormeço.
Sandra tirou a calcinha no banheiro do bar e a colocou na minha mão. Úmida, quente. Naquele instante, soube que não haveria volta.
Fui devolver a ela os quinhentos pesos que enfiou na minha pasta. Não esperava encontrá-la chorando, nem ficar até as seis da manhã.
Eu já fazia tempo que queria fazer isso: escolher um homem em um lugar público e levá-lo para a cama. Naquela tarde no café, enfim tomei coragem.
Quando apertei a campainha com o cachorro ao meu lado, não imaginei que aquela estranha de olhar esquivo me levaria até o quarto ainda naquela tarde.
Carmen me olhou do outro lado da cozinha e, sem dizer nada, fechou a distância entre nós. A filha dela estava a cinco metros. Isso só tornava mais difícil resistir.
Na noite em que vi aquela garota sair do quarto da irmã Graciela, eu devia ter seguido andando. Em vez disso, fiquei. E isso mudou tudo.