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Relatos Ardientes

A tabacaria casada que esperava minha moto todas as tardes

Meu nome é Andrés, tenho quarenta e nove anos e estou casado há quase vinte. Não sou um homem interessante. Instalo equipamentos de climatização por todo Toledo, volto para casa, janto com minha mulher, vemos uma série e no dia seguinte começo tudo de novo. Minha vida se parece com a de muita gente da minha idade.

Minha mulher, Marta, e eu moramos no mesmo bairro há mais de uma década. Não diria que meu casamento seja infeliz: nos damos bem e quase nunca discutimos. Mas, com os anos, a paixão do começo vira costume, e o costume acaba se parecendo demais com a rotina. Faz meses que não fodemos, e as poucas vezes em que tentamos é um procedimento rápido, com a luz apagada e sem nos olharmos.

Fumo desde jovem, embora cada vez menos. Compro o cigarro no mesmo estanco, na calle de la Plata, a duas quadras de casa. É um local pequeno onde, há um ano, sempre atende a mesma mulher. Durante muito tempo, para mim, não foi mais do que isso: o lugar onde eu comprava tabaco.

Mas há momentos que começam como algo normal e, sem você perceber, terminam mudando tudo. No meu caso, começou numa tarde qualquer, quando entrei e Lucía me olhou de um jeito um pouco diferente das outras vezes.

Durante bastante tempo, Lucía foi simplesmente a mulher do estanco. Morena, de olhos grandes cor de mel e um sorriso fácil que distribuía para quase todos. Devia ter uns quarenta e dois anos. Era daquelas mulheres que chamam atenção sem fazer esforço, sempre com uma blusa leve que deixava adivinhar uns peitos grandes e pesados atrás do balcão, e uma bunda redonda que marcava toda vez que ela se abaixava para procurar algo nas gavetas de baixo.

No começo nossas conversas não passavam do óbvio.

—Um maço de Ducados?

—Sim, obrigado.

Umas frases sobre o tempo e pouco mais. Mas você vê a mesma pessoa tantas vezes que acaba trocando mais palavras do que imaginava. Assim fui sabendo que ela era casada, que tinha um filho de dezesseis anos e que moravam perto dali.

A primeira vez que conversamos de verdade foi numa tarde em que ela entrou com uma cara ruim, como se tivesse dormido pouco. Pedi o cigarro e, quase sem pensar, falei:

—Parece que hoje você não está num dia muito bom.

Ela ergueu o olhar, hesitando, e depois soltou um suspiro.

—Discuti com meu marido hoje de manhã —disse baixando a voz—. Bom… na verdade estamos discutindo há semanas. Ele bebe demais. E cada vez chega mais tarde. Tem noites em que eu não sei onde ele está até depois da meia-noite.

Ela não dizia isso com raiva, e sim com aquele cansaço que fica na gente quando um problema se repete vezes demais.

—Às vezes penso que vamos acabar nos separando —murmurou.

Foi a primeira vez que ela me contou algo pessoal. A partir daí, a relação deixou de ser de cliente e atendente.

***

E então aconteceu a história da moto.

Numa tarde, estacionei bem em frente à porta porque não havia lugar mais perto. Comprei o de sempre e saí. Não tinham passado nem trinta segundos quando ouvi a porta se abrir atrás de mim.

—Essa moto é sua? —perguntou.

Virei-me e a vi no batente, olhando para ela com uma mistura de curiosidade e entusiasmo.

—É. Gostou?

—Muito. Sempre gostei… mas nunca subi em uma.

Ela se aproximou e passou a mão no banco. E foi então que percebi que Lucía não falava comigo como falava com os outros. Havia algo diferente no olhar dela.

A partir daquele dia, sempre que eu chegava de moto, ela parecia notar antes mesmo de eu entrar. Numa tarde, eu mal havia desligado o motor quando ela saiu para a calçada.

—Sabia que era você. Reconheço esse barulho de longe. —Ela se inclinou sobre o tanque, com a camiseta colada ao corpo pelo calor, marcando os mamilos duros através do tecido fino, e eu não consegui evitar de reparar nos seios dela pendendo na minha frente—. Não vai ser a mesma coisa olhar do que montar —acrescentou com um meio sorriso.

Aquelas cenas começaram a se repetir. Quando a rua estava tranquila, Lucía arranjava qualquer desculpa para sair, e sempre acabávamos conversando junto à moto. E sempre, cedo ou tarde, o assunto acabava sendo o marido dela.

—Ontem ele chegou tarde de novo —disse certa tarde, apoiada no banco—. Quando bebe, fica insuportável. Às vezes sinto que moramos na mesma casa, mas nada mais. Nem me toca. Faz meses que não me toca. —Ela me olhou suavizando a voz—. Você é tão gostoso de conversar. Um dia desses você tem que me dar uma volta de moto. Promete?

Ela disse isso como quem faz uma brincadeira. Mas não parecia exatamente uma brincadeira.

—Prometo —respondi quase por obrigação.

***

Durante vários dias aquela frase ficou rodando na minha cabeça. Os dois éramos casados e, embora entre nós tivesse surgido uma cumplicidade estranha, nenhum dos dois tinha feito nada impróprio. Até aquela tarde.

Cheguei mais tarde que o habitual. O sol já baixava e a rua estava quase vazia. Vi Lucía lá dentro, atendendo uma senhora idosa. Quando a mulher foi embora, ela olhou para o relógio na parede.

—Hoje vou fechar um pouco mais cedo. Não tem ninguém… e me dá vontade de sair um pouco.

Paguei e saí para a calçada. Uns dois minutos depois a porta de ferro baixou até a metade e Lucía trancou. Estava com a bolsa no ombro e o cabelo desalinhado pelo calor do dia. Ficou olhando para a moto.

—Você lembra do que eu te disse? Sempre tive vontade de subir numa moto grande. —Ela me encarou diretamente, com uma mistura de timidez e decisão—. Você me dá uma volta?

Não era uma proposta escandalosa. Só uma volta. Mas os dois sabíamos que não era tão simples assim. Não era a moto. Era o fato de ela ter fechado mais cedo. Era o jeito como me olhava.

—E seu marido? —perguntei.

—Não chega muito tarde… você sabe.

Pensei em Marta, em casa, vendo a série. Nada daquilo era grave. Mas também não era inocente. Abri o banco e tirei o capacete da Marta.

—Está bem.

Lucía sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Colocou o capacete e, antes de subir, perguntou:

—Onde eu me seguro?

Quando ela apoiou as mãos na minha cintura, tive a sensação de que aquele passeio ia mudar mais coisas do que imaginávamos.

***

Saí devagar. A essa hora havia pouco trânsito, então peguei as ruas tranquilas que saem do bairro. Em poucos minutos Lucía se aproximou um pouco mais das minhas costas.

—Agora entendo por que você gosta —disse perto do meu ouvido.

Conduzi sem pressa e subi pelas ladeiras estreitas que levam ao Mirador del Valle, do outro lado do rio. A cidade começava a acender suas luzes e o ar que subia do Tajo refrescava depois do calor. Em cada curva, o corpo dela se inclinava com o meu, os seios pressionados contra minhas costas, e numa reta ela tirou as mãos da minha cintura e as colocou direto na minha entreperna. Apertou meu pau por cima do jeans enquanto eu acelerava, e senti a pica ficar dura contra o tecido.

Quando chegamos, estacionei perto da borda da praça. Lucía tirou o capacete devagar. Em frente, o centro histórico de Toledo se recortava contra o céu escuro: a catedral e o Alcázar iluminados sobre a colina, e lá embaixo o Tajo abraçando tudo.

—Meu Deus… —disse, apoiando os cotovelos no muro de pedra. O vento mexia seu cabelo, e durante alguns segundos nenhum dos dois falou—. Faz anos que eu não vinha aqui. Antes eu vinha com meu marido, quando saíamos mais. —Ela se virou para mim—. Acho que fazia muito tempo que eu não fazia algo só porque eu tinha vontade. E a culpa é sua. Você aparece com essa moto, fica puxando conversa como se a gente se conhecesse a vida toda… e no fim eu fujo do trabalho com você como uma colegial.

Ela ficou muito perto. Durante um segundo, nenhum dos dois se moveu. Os dois éramos casados, os dois tínhamos uma vida fora daquele momento, e mesmo assim estávamos ali, sozinhos no mirante, olhando um para o outro de um jeito que já não tinha nada a ver com uma atendente e um cliente.

—A gente devia voltar —disse, embora não soasse convencida. E não se moveu.

Então ela se inclinou para frente e me deu um beijo rápido, quase um roçar. Fiquei imóvel por uma fração de segundo. Mas, antes que eu pudesse pensar, a puxei pela cintura e correspondi ao beijo. Dessa vez já não foi tímido. As mãos dela buscaram meu pescoço e o beijo se tornou longo, intenso, com língua, enquanto eu descia as mãos até a bunda dela e apertava com as duas mãos. Ela soltou um gemido curto dentro da minha boca.

Nos separamos quase ao mesmo tempo, como se de repente lembrássemos onde estávamos.

—Desculpa, Lucía… —falei baixinho—. Não sei o que deu em mim.

Ela sustentou meu olhar. Não parecia brava. Muito pelo contrário. Aproximou-se de novo, passou os braços pelo meu pescoço e me beijou outra vez, com muito mais decisão. Senti seu corpo se apertando contra mim, sem nenhuma dúvida, roçando o ventre contra a ereção que eu já não conseguia esconder. Quando enfim se afastou, respirava rápido.

—Você me deixa louca faz tempo —murmurou—. Estou encharcada, Andrés. Mete a mão na minha calça se não acredita.

E os dois soubemos que aquilo tinha deixado de ser um simples passeio de moto.

***

—Aqui não —sussurrei—. Tem gente demais.

Ela não respondeu com palavras. Desceu a mão até minha entreperna e apertou meu pau duro por cima do tecido, sem nenhuma vergonha, medindo-o com a palma aberta.

—Porra, você tem um pau enorme. Eu quero ele dentro. Então me tira daqui, Andrés. Agora.

Descemos as ladeiras evitando as ruas iluminadas. Eu conhecia um beco afastado da rota turística, onde as paredes de pedra bloqueavam a luz dos postes e o chão de paralelepípedo abafava qualquer ruído. Parei a moto contra a parede e, antes que ela tirasse o capacete, eu já a tinha encostado no muro.

Beijei-a com vontade enquanto minhas mãos subiam por baixo da blusa. A pele dela queimava. Ela não usava sutiã; meus dedos encontraram seus peitos pesados e uns mamilos duros como pedra, que pareciam querer atravessar o tecido. Belisquei os dois ao mesmo tempo, puxando um pouco, e ela arqueou as costas contra a pedra, engolindo um gemido no meu pescoço. Levantei a blusa até o pescoço e me abaixei para chupá-los. Coloquei um seio inteiro na boca, lambendo a auréola em círculos, mordiscando o mamilo, enquanto com a outra mão continuava apertando o outro. A ponta ficou ainda mais dura contra a minha língua.

—Não fala… —ofegou—. Faz semanas que eu molhava a calcinha só de te ver descendo da moto. Chupa, sim, olha como eles ficam…

Chupei os seios dela bastante tempo, indo de um ao outro, até ficarem brilhando de saliva. Desci uma mão pelo ventre e desabotoei o jeans. Enfiei a mão por dentro da calcinha. Ela estava encharcada, a calcinha ensopada, grudada na buceta. Os pelos do púbis estavam molhados. Toquei o clitóris com o polegar, em círculos lentos, e ela deu um sobressalto cravando as unhas nos meus ombros.

—Assim… mais devagar no começo —pediu.

Baixei o jeans e a calcinha até a metade da coxa para ter melhor acesso. Enfiei um dedo no cuzinho. Estava ardendo, apertado, escorrendo. Movi devagar, curvando-o para cima, procurando aquele ponto áspero por dentro, enquanto o polegar continuava contornando o clitóris inchado. Lucía se contorcia contra o muro, os quadris se mexendo sozinhos, procurando mais fundo.

—Enfia outro. Dois. Os que você quiser —sussurrou.

Introduzi o segundo. Mexia os dois juntos, entrando e saindo num ritmo constante, os nós dos dedos batendo contra seus lábios molhados. No silêncio do beco, ouvia-se o som úmido, pornográfico, dos meus dedos entrando e saindo da buceta dela. Ela apertava as coxas em volta da minha mão, prendendo-a, e sua respiração ficou irregular.

—Mais rápido… não para, não para, assim, filho da puta, assim… —gemeu contra meu pescoço, tampando ela mesma a boca com a outra mão para não gritar.

Acelerei. Minha mão ficou encharcada até o pulso. Sentia como o interior dela se contraía cada vez mais, como as paredes da buceta apertavam meus dedos como se não quisessem soltá-los. Cravei o polegar no clitóris com mais força e curvei os dedos dentro até o ponto que a deixava louca. De repente, o corpo todo dela se tensionou, arqueou as costas contra a pedra e abafou um gemido longo contra meu ombro enquanto gozava em espasmos sobre minha mão. Senti a buceta pulsando, apertando e soltando, enquanto um jato quente de fluxo escorria pelos meus dedos até a palma. Ela levou vários segundos para relaxar, pendurada no meu pescoço, tremendo, com as pernas bambas.

—Faz anos que eu não gozava assim —sussurrou, ainda ofegante—. Faz anos, Andrés, porra. Agora é a sua vez.

Sem me dar tempo, ela me virou contra o muro trocando de lugar comigo e se agachou de joelhos atrás do volume da moto, escondida de qualquer olhar que aparecesse na boca do beco. Ouvi o zíper abrir. A mão quente dela me procurou dentro da cueca e tirou meu pau duro e pingando. Ela ficou olhando por um segundo, pesou-o na mão e sorriu.

—Que pica você tem escondida, desgraçado.

E, sem mais, enfiou tudo na boca de uma vez, até o fundo, até sentir a ponta batendo na garganta. Engasgou brevemente, recuou e voltou a me engolir. A língua dela dançava na glande toda vez que subia até a ponta, chupando forte, e a mão apertava a base e torcia de leve no ritmo da boca. Tive que me segurar no guidão da moto para não cair de joelhos.

Ela me olhava de baixo, com o cabelo caindo no rosto e os olhos cheios de desejo, a boca cheia do meu pau esticando seus lábios. Com a outra mão, enfiou os dedos entre as pernas, ainda com o jeans pelos muslos, e começou a se tocar enquanto me chupava. Cada ruído distante me deixava a mil; o risco de alguém passar pela esquina e nos ver —uma mulher de joelhos num beco mamando a pica de um desconhecido ainda de capacete— tornava tudo mil vezes mais intenso.

Ela tirou por um momento para recuperar o ar, cuspiu na glande e esfregou o pau com a mão de cima a baixo, me encarando fixo.

—Goza na minha boca. Quero que você goze na minha boca, Andrés. Quero engolir tudo.

Ela o enfiou de novo e agora se movia frenética, mão e boca coordenadas, chupando com as bochechas fundas, a língua pressionada contra a parte de baixo da glande.

—Para, ou eu gozo já —avisei entre os dentes. Ela não parou. Pelo contrário, sugou com mais força e afundou meu pau na garganta até o nariz encostar no púbis. O orgasmo me atingiu de repente, brutal. Comecei a despejar jatos de sêmen na boca dela, um atrás do outro, e senti a deglutição, a garganta apertando a ponta a cada gole. Ela não perdeu uma gota. Quando enfim o tirou, ainda com a língua limpou as últimas gotas do buraquinho.

Levantou-se devagar, limpando o canto da boca com o dorso da mão e com um sorriso safado. Me beijou, compartilhando o sabor salgado na língua, e sussurrou:

—Isso é só o aperitivo. Da próxima vez você me mete até o fundo. Pela frente, por trás, onde quiser. Não sei quando nem onde, mas você vai me foder um dia desses.

Ela subiu a calcinha e o jeans, ajeitou a blusa e, com um dedo, recolheu uma gota de sêmen que havia ficado no queixo e chupou devagar, me olhando.

***

Levei-a até uma ruela a duas quadras de sua casa. Ela desceu rápido e me entregou o capacete quase sem me olhar.

—Obrigada por… tudo. A gente se vê —disse, com aquele sorriso curto que usava com os clientes.

Vi-a dobrar a esquina até desaparecer. Dei partida de novo, sem pressa, como se nada tivesse acontecido. O vento da noite secava meu suor, mas não apagava o cheiro dela: perfume misturado com o tabaco que ficava preso na roupa o dia todo, e aquele cheiro de buceta molhada que ainda estava grudado nos meus dedos.

Quando parei em frente de casa, a luz da sala estava acesa. Entrei com a mesma chave de sempre. Marta levantou os olhos do sofá.

—Você chegou tarde —disse, sem reprovação.

—Dêi uma volta longa. Tive vontade de espairecer.

Fui ao banheiro, lavei o rosto com água fria e esfreguei os dedos com sabonete até pararem de cheirar a buceta. Passei um pouco de perfume para disfarçar o cheiro dela. No espelho, eu continuava o mesmo Andrés de sempre, o marido de quase vinte anos. Mas os olhos estavam diferentes. Mais vivos. E mais culpados.

Voltei para a sala e me sentei ao lado de Marta. Ela encostou a cabeça no meu ombro e eu a abracei por instinto, como todas as noites. E enquanto a série passava ao fundo, pensei em Lucía no dia seguinte, em como ela me olharia quando eu entrasse para comprar cigarro, nessa promessa pairando entre nós como uma bomba-relógio. E soube que não seria capaz de não cumpri-la.

***

Fiquei na esquina até o barulho da moto desaparecer por completo. Levei uma mão ao pescoço, onde ainda sentia a mordida de Andrés, e a outra ao ventre, onde o calor ainda pulsava. Minhas calcinhas estavam encharcadas, grudadas na buceta, e cada passo me lembrava o que eu tinha acabado de fazer. Sentia o sêmen dele ainda na garganta, aquele gosto salgado que não saía.

Lucía, o que você está fazendo?, me perguntei quase rindo de nervoso. Não era riso de arrependimento, mas de vertigem, daquela sensação de estar viva que eu não sentia fazia anos.

Caminhei as duas quadras até meu prédio olhando para o chão. O bairro estava tranquilo, ninguém prestando atenção no meu cabelo bagunçado nem no sorriso que eu não conseguia tirar do rosto. O corredor estava escuro: meu filho dormia, e meu marido não chegaria até tarde, como quase todas as noites. Melhor assim. Hoje eu não queria vê-lo chegar cheirando a álcool.

No banheiro, me olhei no espelho: os olhos mais brilhantes, os lábios inchados de tanto beijar e chupar. Baixei o jeans e a calcinha até os tornozelos. O tecido estava escurecido de umidade, com um fio de lubrificação grudado. Cheirei os dedos: cheiravam a ele, ao pau dele, e cheirei a calcinha, cheirava a mim. Fiquei um momento assim, meio nua diante do espelho, tocando meus peitos ainda sensíveis, com os mamilos marcados e vermelhos de tanto que ele os tinha chupado.

Entrei na cama sem apagar a luz, nua da cintura para baixo, lembrando cada detalhe: como as mãos dele cheiravam a sabonete e gasolina, e não a cerveja velha; como ele tinha me olhado no mirante, com uma fome limpa; como tinha me enfiado os dedos até o fundo naquele beco; como tinha enfiado o pau na minha boca até a garganta e eu tinha gostado de me engasgar com ele. Pela primeira vez em anos, eu me sentira desejada de verdade, fodida de verdade.

A buceta ainda pulsava, sensível, inchada, pedindo mais. Enfiei a mão sob os lençóis e abri os lábios com dois dedos. Eu estava escorrendo de novo. Comecei a esfregar o clitóris devagar, imaginando que era a língua de Andrés me lambendo ali. Com a outra mão, enfiei dois dedos na buceta e os movi como ele tinha movido os dele, curvando-os para cima, enquanto continuava com o polegar no clitóris. Imaginei o pau dele, aquela grossura quente que tinha ficado na minha boca, entrando e saindo de mim, me empurrando contra o muro. Gozei rápido, abafando o gemido no travesseiro, mordendo-o para não acordar o menino, e fiquei quieta, com o coração nos ouvidos e a mão ainda dentro.

***

As horas passaram. O relógio marcou duas. Eu estava naquele limbo entre o sono e a vigília quando ouvi a chave falhando na fechadura: uma, duas, três vezes. Depois um golpe surdo na madeira e um palavrão arrastado.

Era ele. Rubén, meu marido.

Sentei-me na cama, o coração disparando. Não era a primeira vez que ele chegava assim, mas naquela noite me pareceu diferente; ou talvez fosse eu, mais alerta, mais exposta. A porta se abriu com um rangido. Passos pesados, um tropeço, as chaves caindo no chão. Prendi a respiração: se o menino acordasse, tudo seria pior.

Rubén apareceu no vão da porta, recortado contra a luz do corredor. Cheirava a cerveja, tabaco preto, suor de bar. A camisa por fora da calça, o cabelo desalinhado, os olhos vidrados.

—Já está na cama? —balbuciou, apoiando-se na soleira—. Que madrugadora.

Acendi o abajur. Ali estava o de sempre: a barba por fazer, as olheiras, aquela expressão entre agressiva e perdida que ele fazia quando bebia.

—São duas e meia, Rubén. O menino tem aula amanhã.

Ele soltou uma risada curta, sem graça.

—O menino, o menino… sempre o menino. E eu? Eu não conto?

Ele se deixou cair na beirada da cama. Eu me afastei um pouco, por instinto, e ele percebeu.

—Hoje me chamaram pra beber lá na casa do Emilio. Não dava pra recusar. Mas você nunca sai comigo. Anda estranha ultimamente —disse semicerrando os olhos—. Mais contente. Arrumou um namorado ou o quê?

Senti um frio no estômago. Por um segundo pensei que ele soubesse. Que sentisse cheiro de outro homem em mim, na cama. Mas não, era só a paranoia do bêbado.

—Não seja idiota —respondi com voz neutra—. Estou cansada. O estanco abre cedo.

Ele me olhou por um longo instante e depois soltou uma risada rouca.

—Claro, o estanco. Lá enfiada o dia todo, vendendo cigarro pra velhos e motoqueiros de merda.

As palavras caíram como um soco, mas apertei os punhos sob o lençol e não disse nada. Ele se levantou cambaleando, foi ao banheiro, voltou tirando a camisa.

—Vem aqui —disse, jogando-se de barriga para cima—. Faz uma massagem. Estou morto.

Olhei para ele. O corpo que um dia me parecera forte agora era mole, inchado pela cerveja e pelo tempo. A barriga pendendo sobre o cinto. Senti uma onda de nojo misturada com pena. Pensei no pau duro de Andrés dentro da minha boca havia apenas duas horas, e na última vez em que Rubén tinha conseguido ficar duro comigo; eu nem me lembrava quando.

—Não estou com vontade, Rubén. Dorme.

Ele resmungou, virou de costas para mim e, pouco depois, começou a roncar.

***

Fiquei acordada por muito tempo ainda, olhando para o teto. O cheiro de álcool enchia o quarto. Pensei em Andrés, em como ele tinha me olhado no beco, em como apertara meus seios contra a pedra, no som úmido dos dedos dele entrando em mim, em como, pela primeira vez em anos, alguém tinha me desejado de verdade, não por costume nem por obrigação.

E enquanto Rubén roncava ao meu lado, deslizei a mão outra vez sob os lençóis. Levantei a camisola até a cintura, com cuidado para não mexer no colchão, e abri as pernas devagar. Eu ainda estava molhada da última vez. Comecei a me tocar em silêncio, imaginando que era Andrés quem descia pelo meu ventre, quem me abria os lábios com os dedos, quem me enfiava dois, três dedos grossos até o fundo. Enfiei os meus, imitando-o, curvando-os para cima como ele tinha feito. Com a outra mão, belisquei um mamilo por baixo da camisola, puxando forte, como ele o havia mordido.

Imaginei montando nele, na moto, ou no chão do estanco depois de baixar a porta, ou de joelhos chupando-o de novo, o pau enchendo minha boca, o sêmen quente escorrendo pelo queixo e pelos seios. Imaginei pedindo por trás, algo que Rubén nunca tinha feito comigo, o pau de Andrés me forçando a bunda devagar até me encher inteira. Meus dedos se moviam sozinhos agora, rápido, e eu apertava as coxas contra minha própria mão para abafar o som úmido.

Gozei mordendo o lábio até me machucar, engolindo o gemido no travesseiro, sentindo a buceta apertar meus dedos como antes tinha apertado os dele. Tirei-os molhados e os levei à boca sem pensar, chupando-os como se fossem dele.

Depois fiquei imóvel, respirando fundo, com as coxas pegajosas. Amanhã eu abriria o estanco como sempre. E quando Andrés entrasse pedindo seus Ducados, eu sorriria daquele jeito que só ele entenderia. Porque eu já sabia com certeza: eu não ia parar. Não podia. Mesmo com Rubén dormindo ao lado, mesmo com o menino no quarto ao lado, mesmo que o bairro inteiro viesse a saber um dia.

Eu queria mais. Queria o pau dele dentro, inteiro, até o fundo. Queria que ele me fodesse no depósito, contra o balcão, com a porta de ferro meio fechada. Queria tudo. E, pela primeira vez em muito tempo, não me importava o preço.

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