A travesti nova que o patrão quis experimentar naquela noite
Ele me pediu que subisse e me arrumasse só para ele. Naquela noite, eu finalmente ia conquistar o respeito de todas as garotas da casa.
Ele me pediu que subisse e me arrumasse só para ele. Naquela noite, eu finalmente ia conquistar o respeito de todas as garotas da casa.
Sentei no banco do copiloto só por curiosidade, mas naquela noite entendi que algumas decisões se tomam sem pensar demais.
Quando percebi que não estava com a carteira nem o telefone, o táxi já tinha ido longe demais. E o motorista começou a me olhar diferente pelo retrovisor.
Escolhi a sessão mais vazia para ficar sozinho com meu cansaço, até que ela cruzou a sala e sentou duas poltronas à minha direita com um sorriso que prometia problemas.
Ele abriu a porta só de jeans e eu soube que não íamos ver filme nenhum. Olhei para ele de cima a baixo e a boca se encheu de água.
Eu tinha quarenta e um anos e passava meses fingindo que nada acontecia cada vez que ele me olhava. Nessa madrugada, parei de fingir.
Ele parou o carro em frente ao prédio com as mãos trêmulas. Ela o esperava atrás da janela, e ambos sabiam que aquela taça de vinho era só o começo.
De dia era o ajudante perfeito do atelier; de noite experimentava renda diante do espelho. Uma única foto bastou para que alguém descobrisse quem ele era de verdade.
A amizade com aquele velho bruto e bondoso se torceu numa tarde de vinho, num povoado perdido, quando ele me disse ao ouvido o que pensava fazer comigo.
Sempre fui o garoto bonitinho, magrinho, de olhos verdes. Até atravessar a porta de uma academia e alguém me olhar como ninguém nunca tinha olhado.
Ela subiu na escadinha na minha frente, sem nada por baixo da camisola, e eu soube que daquela casa eu não sairia sendo o mesmo de antes.
Me depilei toda, coloquei a peruca loira e atravessei a província com a mochila cheia de ilusões. O que eu não levava era o coração blindado, e esse foi meu erro.
Passei semanas pensando nela toda noite, até que aquele jantar terminou no banco do carro, com a mão dela buscando o que eu mal conseguia esconder.
Cada noite, um carro diferente chegava à casa em frente e as luzes se apagavam, todas menos uma. Numa madrugada, me aproximei da janela e não consegui mais parar de olhar.
Quando comecei a provocar Diego dentro da barraca, Camila estava com os olhos fechados. Mas a mão dela já se mexia sob o saco de dormir, e eu soube que ela não estava dormindo coisa nenhuma.
Eu estava há cinco anos em seca e meu marido acabou de me propor um trisal em que ele participaria vestido de mulher. O mais louco: eu já sabia quem convidar.
Naquela tarde, a mãe dele não estava em casa e ele tinha uma surpresa preparada. Eu ainda não sabia que aqueles minutos iam despertar em mim um gosto que nunca larguei.
Eu vinha cruzando com ela na garagem havia semanas, com aquele sorriso. No dia em que ela se apertou contra mim no elevador, soube que aquilo não ficaria num simples oi entre vizinhos.
Eu só queria respirar longe da fumaça e das piadas. Jamais imaginei que, do banco traseiro do meu próprio carro, veria o que aquele desconhecido ousou fazer com minha mulher.
Entrei naquele gabinete cinza pronta para implorar por um papel. Saí sabendo que, naquela noite, quem imploraria seria ele, de joelhos e na própria casa.