O amigo que me espiava no rio da cidade
Eu já estava acostumada a ser observada, mas naquela tarde, sozinha na cachoeira, decidi que desta vez não ia me cobrir quando o descobrisse escondido entre as árvores.
Eu já estava acostumada a ser observada, mas naquela tarde, sozinha na cachoeira, decidi que desta vez não ia me cobrir quando o descobrisse escondido entre as árvores.
Eu a olhava havia anos de um jeito errado. Nessa noite, depois de pegá-la com outro, ela entrou no meu carro sem saber que eu também escondia um segredo.
Tínhamos combinado de trocar umas fotos. O que nenhum dos dois disse em voz alta era que esse reencontro já estava esperando há meses para acontecer.
Eu vinha imaginando isso havia meses e não ousava admitir. Numa tarde qualquer, uma conversa bastou para tudo sair do controle.
Ela era quinze anos mais velha que eu, tinha um conversível vermelho e uma ideia muito clara do que queria naquela noite. Eu só precisava obedecer e aproveitar.
Cada vez que se acariciava, de seu corpo brotavam estrelas líquidas e flores novas. Nessa noite, os éons se cumpriam e ela estava prestes a arder como jamais.
Vim a Buenos Aires para juntar uns pesos para minha família. Nunca imaginei que a casa mais bonita do bairro mudaria minha vida do jeito que mudou.
Eu o cumprimentava havia quinze anos na praia sem imaginar o que aquele homem via todas as noites, pelo vidro do banheiro, enquanto eu pensava estar sozinha.
Naquela tarde, a massagem me deixou em brasa. Nunca imaginei que acabaria de quatro diante de um desconhecido na minha própria sala — nem quem me surpreenderia ali.
Eu vinha evitando ela há semanas, convencido de que o nosso caso tinha acabado. Então o telefone tocou e a voz dela bastou para eu saber que eu ia cair de novo.
Eu estava suada e ofegante quando a voz dele me alcançou pelas costas. Ele não queria me convidar para jantar: queria comprar a noite inteira — e eu quis me deixar comprar.
Aos dezoito entrei em Medicina com a maior nota do país. Aos vinte e quatro ainda não sabia o que era gozar. Esta é minha história.
Ela entrou nua na cama, só de calcinha, e sussurrou no meu ouvido: não se vire, não diga nada, só me escute. Então começou a me contar sobre aquela noite.
Quando ela enfiou a mão sob a minha mesa, eu soube que naquela manhã não resolveria uma só incidência. Só conseguia pensar nela e no que acabara de me deixar.
Ele repetia que estava errado, que não devia me tocar. Mas a mão dele já buscava minha cintura e os dois sabíamos que nada ia nos deter nesses cinco dias.
Ela tinha idade para ser minha mãe e era esposa de um homem que nem a olhava. Eu só queria voltar àquela cozinha toda tarde.
Tinha dezenove anos e uma tesão impossível de esconder. Ele percebeu assim que me abriu a porta do apartamento, e já não deu para disfarçar o que nós dois queríamos.
Estávamos há três anos respeitando uma única regra entre sócios. Naquela noite fria, com o vestido verde dela e a sala escura, soubemos que íamos quebrá-la.
Era a mulher do pai dele, mas naquela madrugada, sentada na areia e colada ao peito dele, deixei de saber onde terminava o carinho e começava outra coisa.
Aceitei subir a um quarto com doze colchões no chão, sem imaginar que naquela manhã eu não sairia de lá com apenas um homem marcado na pele.