Confissão: eu fui a stripper que acabou transando com toda a despedida
Entrei no quarto vestida de mímica, com uma gabardine sobre a lingerie e a certeza de que aquela noite faria algo de que nunca me arrependeria.
Entrei no quarto vestida de mímica, com uma gabardine sobre a lingerie e a certeza de que aquela noite faria algo de que nunca me arrependeria.
Havia semanas que eu ouvia minhas amigas dizerem que precisava me soltar. Naquele sábado, depois do segundo vinho, decidi que seria eu quem ditaria o ritmo.
Todos na clínica achavam que ele era louco. No corredor escuro, ele me agarrou pelo braço e disse que eu era a rainha de que o reino dele precisava.
Abri a caixa na frente dele porque lá dentro vinha a desculpa perfeita. O que eu não esperava era que o vizinho se atrevesse tanto — nem que eu deixasse.
Ele andava meses imaginando as mãos dele, o perfume, a voz. Nunca pensou que uma tempestade bastaria para fazê-los parar de fingir que não se desejavam.
Aquele pau que a tinha feito tremer no sábado pertencia ao homem que na segunda assinaria suas avaliações. E nenhum dos dois pensava em parar.
Nunca conheci meu avô, mas a última vontade dele me amarrou a uma mulher que eu não esperava e a uma casa onde tudo acabou mudando.
Acordei com o cheiro de café e soube que aqueles dois dias trancado com ela, enquanto chovia lá fora, ficariam gravados em mim para sempre.
Quando ela me disse que fazia anos que não sentia prazer no sexo, o normal teria sido me despedir. Em vez disso, levei a mão à perna dela e ela não a afastou.
Daniel dormia no banco da frente enquanto, a um metro dali, o tio e a namorada compartilhavam a cama estreita do caminhão. E Noelia já não queria dormir.
Sempre o evitei por ser calado e estranho. Até que um empurrão no metrô me fez descobrir o que ele escondia sob aquela roupa enorme, e eu nunca mais consegui pensar em outra coisa.
Quando ele ficou para praticar algumas posturas, notei o jeito como me olhava. Eu estava há meses sem um parceiro e meu corpo decidiu por mim muito antes da minha cabeça.
A gente se cruzava por acaso havia trinta anos. Naquela tarde chuvosa, na fila da farmácia, ela me olhou de um jeito diferente. E eu também.
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Subi para ver por que a moça do quarto do fundo gritava. Não imaginei que ela fosse soltar a toalha e me pedir que olhasse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
O frio quase a matou na montanha. Quando acordou, estava enrolada numa manta diante do fogo, e o homem que a salvou a olhava como se ela fosse a única coisa viva a quilômetros.
Passei doze meses carregando refletores e odiando minha vida. Nessa madrugada, ao lado da fonte, uma desconhecida pediu que eu a fotografasse como ninguém jamais ousou.
Ela passava anos sovando pão com os olhos no chão, até que numa tarde de verão ficou a sós com o homem que a olhava de outro jeito.
Nunca tinha entrado num sex shop, ela me disse. Entramos juntos numa cabine e, entre gemidos na tela, ela me pediu algo que eu jamais imaginei ouvir da sua boca.
Mateo acabava de expulsar a mulher do restaurante quando bateram na porta do escritório. Era a garçonete tatuada, e ela não vinha falar das contas do dia.