A noite em que deixei de olhar para meu pai como uma filha
No verão em que completei dezenove anos, minha mãe nos deixou. Não houve briga, nem portas batendo, nem lágrimas no café da manhã. Simplesmente, certa manhã ela já não estava: tinha ido embora com um homem que mal conhecíamos, para começar outra vida na Itália, longe da casa que havia dividido conosco durante toda a minha infância.
Meu pai a amava demais para conseguir se refazer. Passou os meses seguintes numa espécie de luto silencioso, sem procurar ninguém, sem querer sequer ouvir o nome de outra mulher. Eu o via se sentar toda noite na mesma poltrona, com o olhar perdido num ponto do teto, e entendi que ele ainda a esperava, mesmo que ela nunca fosse voltar.
O que nenhum dos dois tinha previsto era o problema que eu representava. Durante aquele ano eu cresci, deixei para trás os últimos traços de menina e, mês a mês, meu rosto foi se tornando o da minha mãe. A mesma boca, as mesmas maçãs do rosto, o mesmo jeito de sorrir. Toda vez que meu pai me olhava, não via só a mim: via a ela.
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A primeira vez que alguma coisa mudou entre nós foi por acidente. Meu pai tinha saído com um velho amigo e voltou depois da meia-noite, com o passo trôpego e o hálito carregado de uísque. Levei-o até o quarto segurando-o pelo braço, tirei seus sapatos e a camisa e o ajudei a se deitar na cama que ainda cheirava ao perfume da minha mãe.
Quando me inclinei sobre ele para ajeitar o travesseiro, suas mãos me procuraram na penumbra. Não me procuravam a mim, é claro. No delírio de bêbado, murmurou o nome dela e acariciou meu seio com uma ternura que não era para sua filha. Fiquei imóvel, sem ousar respirar, sentindo o calor dos dedos dele através do tecido. Instantes depois ele adormeceu, e eu saí do quarto com o coração batendo contra as costelas.
Na manhã seguinte ele não se lembrava de nada. Me serviu café como em qualquer outro dia, perguntou se eu tinha dormido bem, e eu respondi que sim enquanto uma parte de mim se perguntava por que eu não conseguia esquecer o toque daquelas mãos.
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Desde então comecei a notar coisas. O jeito como seus olhos pousavam em mim quando achava que eu não via, e como se desviavam de repente assim que eu virava o rosto, como se eu o tivesse surpreendido fazendo algo proibido. Longe de me incomodar, aquele olhar me alimentava. Significava que eu importava para ele, que eu existia além da lembrança da minha mãe.
Será que algum dia eu encontraria um homem que me desejasse como ele a tinha desejado?
E então aconteceu algo que me assustou pela naturalidade com que me pareceu: comecei a ter ciúmes. Ciúmes da minha própria mãe, que tinha ido embora sem merecer e que, ainda assim, continuava ocupando todo o coração dele. Cada vez que ele a mencionava com aquela voz quebrada, eu a odiava um pouco mais e prometia em silêncio que seria capaz de apagá-la.
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Uma tarde eu o encontrei sentado na poltrona da sala, lendo. Sem pensar muito, sentei no colo dele como quando era pequena. Mas já não era mais uma criança, e ele percebeu antes de mim. Senti o pênis dele endurecer contra meu corpo, rápido, inevitável, uma reação que nenhum dos dois podia fingir que não existia.
Joguei a cabeça para trás, com as bochechas ardendo, e o encarei. Um gemido baixo me escapou, quase um suspiro, e aquele som o trouxe de volta à realidade num golpe. As mãos dele me afastaram com brusquidão. Levantou-se, atravessou a sala sem dizer palavra e se trancou no quarto. Ouvi o clique da fechadura e soube que o tinha assustado.
Se eu quisesse chegar até ele, teria de ser mais paciente. Mais sutil.
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Troquei de estratégia. Comecei a deixar pequenos sinais, distraídos, inocentes à primeira vista. Esquecia uma calcinha usada na borda da pia. Às vezes deixava a porta do banheiro entreaberta justamente quando saía do banho, e demorava a me enxugar em frente ao espelho, com as pernas só um pouco afastadas, fingindo não ouvir os passos dele no corredor.
Quando a porta se abria, em vez de me cobrir e virar as costas com vergonha, eu me voltava devagar para ele, deixando que visse tudo o que eu tinha a lhe oferecer. Durava só um segundo, o bastante para a imagem ficar gravada antes de ele murmurar um pedido de desculpas e recuar.
Não sei quanto tempo passou até perceber que meus esforços davam resultado. Na vez seguinte em que “esqueci” uma calcinha, memorizei o lugar exato onde a tinha deixado. Quando voltei horas depois, ela não estava lá. Encontrei-a movida, em outro canto, e senti uma fisgada de vitória. Ele a tinha tocado, a tinha tido nas mãos. Só a ideia de que a tivesse aproximado do rosto para respirar meu cheiro me fez estremecer da cabeça aos pés.
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A partir daí aproveitei cada oportunidade de tocá-lo. Eu voltava da academia com uma legging justa e um top de lycra que marcavam meu corpo, ainda com a pele quente do esforço, e o cumprimentava jogando os braços em volta do pescoço dele. Apertava meu peito contra o dele o suficiente para que sentisse a firmeza dos meus seios, a dureza dos meus mamilos através do tecido fino.
No começo meu pai se mostrava rígido, desconfortável, como um homem tentando não escorregar na beira de um abismo. Mas a resistência dele foi se desgastando semana após semana. Chegou um ponto em que parecia esperar meu cumprimento, e suas mãos, em vez de me soltarem, me apertavam contra ele com uma força que o denunciava.
Comecei a usar minissaias em casa. Passávamos cada vez mais tardes juntos, sentados na sala vendo qualquer coisa na televisão, falando de nada. E nada era mais fácil do que me acomodar no sofá e deixar a saia subir, devagar, até deixar à mostra a linha da minha lingerie. Eu o olhava de canto e sabia, pela tensão da mandíbula dele, que ele gostava do que via.
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E chegou o dia do meu vigésimo aniversário.
— O que fazemos hoje à noite? — ele me perguntou de manhã.
— Sair para jantar e tomar alguma coisa em algum lugar — eu disse. — É meu aniversário, eu decido.
Naquela noite, enquanto eu me arrumava, ele bateu na porta do meu quarto para perguntar se eu já estava pronta. Por um segundo pensei em abrir como estava, com a lingerie branca de renda e a cinta-liga, só isso. Mas ainda não era o momento. Eu não podia colocá-lo diante da imagem da própria filha semidespida e esperar que ele não saísse correndo de novo.
— Quase — respondi, pondo a cabeça para fora.
Terminei de me vestir com uma saia curta e justa sobre a lingerie, e uma blusa branca tão fina que deixava adivinhar a renda por baixo. Quando saí para o corredor, ouvi ele pigarrear. Será que ele estava tão nervoso quanto eu?
— Minha filha se tornou uma mulher linda — disse ele, e a voz tremeu de leve na última palavra.
***
Jantamos num restaurante tranquilo e depois fomos a um bar onde o pessoal dançava. Eu o arrastei para a pista quase à força. Ele resistia, dizia que já estava velho demais para essas coisas, mas no fim cedeu. Era meu aniversário, afinal.
Lamentei estar de saia tão justa; do contrário teria conseguido prender uma das coxas dele entre as minhas e me esfregar nele no ritmo da música. O desejo me escorria pelas pernas, e eu via isso refletido, sem disfarce, no rosto do meu pai.
Me aproximei do ouvido dele e sussurrei:
— Papai, eu consigo sentir o quanto você está duro contra mim. É maravilhoso.
Ele me afastou com um empurrão. Virou-se sem me olhar e voltou para o bar.
— Não faça mais isso — disse baixinho, quase suplicando. — Comporte-se.
Meia hora depois, voltávamos para casa em silêncio.
***
No hall de entrada, o olhar dele caiu de novo sobre minha virilha justo quando o meu buscava o volume evidente na calça dele. Nenhum dos dois desviou os olhos desta vez.
— Boa noite, papai — murmurei.
Me aproximei e o abracei, deslizando a coxa direita dele entre as minhas. Não sei quem deu o primeiro passo. De repente nossas bocas se encontraram, abertas, desajeitadas de desejo contido. Deixei minha língua entrar na boca dele e bebi seu hálito quente e entrecortado enquanto nossos corpos se esfregavam um no outro na penumbra do corredor.
Me afastei e dei um passo atrás, ofegante. Uma mancha úmida crescia no tecido da calça dele. Eu o tinha levado ao limite. E ainda assim soube, olhando em seus olhos, que ainda não era o momento. Ele não estava pronto para dar o passo final, e eu não queria estragar tudo por pressa.
Eu tinha esperado tanto. Podia esperar mais um pouco. Meu pai não me escaparia mais.
Vi ele entrar no quarto deixando a porta aberta. Eu deixei a minha do mesmo jeito. Quase dois minutos depois ouvi a respiração acelerada dele, o som inconfundível de um homem se dando prazer do outro lado do corredor. Então me despi e me masturbei sem fazer silêncio, deixando que meus gemidos chegassem até ele, para que soubesse o que eu também estava fazendo. Adormeci quase na hora, satisfeita como nunca.
***
Na manhã seguinte nos encontramos no café da manhã e nenhum dos dois disse uma palavra. Nos olhamos por cima das xícaras, e naquele silêncio havia mais do que em qualquer conversa.
À tarde, coloquei uma calcinha minúscula e uma camiseta sem nada por baixo. Meu pai me olhou sem palavras, os olhos me percorrendo como se quisessem me devorar. É difícil explicar o quanto eu gostei de me expor a esse olhar, sem pudor, sabendo exatamente o efeito que provocava. A consciência de ser sua filha acendia algo ardente e sombrio dentro de mim.
Ele se sentou numa cadeira da sala de jantar e, pela primeira vez, foi ele quem deu a ordem.
— Vem. Senta no colo do teu papai.
Meu coração deu um salto. Pela primeira vez ele tomava a iniciativa, pela primeira vez me pedia alguma coisa. Sentei-me montada nele e comecei a esfregar minha vulva na coxa dele, devagar, olhando em seus olhos.
— Sua menina é muito má, papai — gemi. — Não consigo evitar estar sempre tão molhada.
— Não — confirmou ele com a voz rouca. — Não consegue evitar. — E, depois de uma pausa, acrescentou: — De qualquer forma, agora tanto faz. Você deixaria seu papai te lamber aí?
— O papai pode fazer o que quiser comigo — respondi.
***
Ele me tomou pela mão e me levou ao quarto dele, à cama que tinha dividido com a minha mãe. Parou em pé na minha frente, e o sexo dele já estava completamente ereto, esticando o tecido. Vê-lo assim, tão perto, depois de tantos meses de espera, me deixou sem fôlego. Bastava estender a mão.
— Quero te sentir em todo lugar — sussurrei.
Ele tirou a roupa por completo e se sentou na beirada da cama. Eu me despi com a mesma pressa, ficando só com as meias e a cinta-liga, e o fiz deitar de costas. Subi sobre ele com as coxas abertas, agarrei seu sexo duro como pedra e o conduzi entre minhas pernas trêmulas.
A ponta roçou meu clitóris e parou bem na entrada, exatamente onde eu precisava. Senti o corpo inteiro pedindo mais, ansiando por uma penetração profunda. Desci devagar e o recebi inteiro, até ele desaparecer por completo dentro de mim, e nós dois gememos ao mesmo tempo.
Eu tinha o controle. Subia e descia, girava os quadris, me retorcia sobre ele marcando um ritmo cada vez mais exigente. Sentia o sexo dele abrindo caminho dentro de mim, batendo fundo, enquanto meu corpo se balançava sustentado apenas pelas mãos fortes dele agarradas à minha cintura. Os dedos dele buscaram a curva das minhas nádegas e ficaram ali, pressionando, reivindicando cada centímetro de mim.
— Sou boa o bastante para você, papai? — ofeguei.
Vi isso nos olhos dele antes de sentir. Ele estava à beira, prestes a gozar dentro de mim.
— Papai... papai... — gritei, sem conseguir me conter.
Senti ele se esvaziar dentro de mim e uma corrente elétrica me percorreu da nuca aos calcanhares. No meio do orgasmo, percebi que finalmente era uma mulher inteira. Finalmente era dele, e a certeza de que sempre seria me arrastou para um segundo espasmo, mais violento que o primeiro.
— Meu querido papai, como eu te desejava — murmurei contra o peito dele. — Agora eu sou sua.
Não fui só eu que chorei lágrimas de felicidade transbordante. Os olhos dele, muito abertos e úmidos, também brilhavam.
— Minha filha — balbuciava ele, repetidas vezes, acariciando meu cabelo. — Eu te amo. Sei que é proibido. E, ainda assim, eu te amo.