Espiei meus filhos naquela noite e já não consegui parar
Naquela noite eu não conseguia dormir. A casa estava em silêncio, aquele silêncio espesso da madrugada em que qualquer ruído vira um estrondo. Levantei descalça para beber um copo d’água e, ao cruzar o corredor acarpetado, ouvi uns gemidos abafados vindos do quarto de Marcos.
Meu primeiro pensamento foi o mais inocente: de novo vendo filmes com o volume alto. Fui me aproximando para pedir que ele baixasse o som, mais por hábito do que por incômodo. A porta estava entreaberta e o corredor, escuro, me escondia por completo.
Quase desmaiei quando olhei lá dentro.
Marcos não estava sozinho. A irmã dele, Lucía, estava com ele, os dois sobre a cama, sem uma única peça de roupa. Fiquei pregada na sombra, incapaz de me mover, incapaz de respirar.
Vi Lucía passar a língua pelo sexo do irmão até endurecê-lo e, depois, ela se deitou de costas enquanto ele se enfiava entre suas coxas e a penetrava com um movimento lento e firme.
As pernas da minha filha subiram e se fecharam sobre o corpo de Marcos, puxando-o para si. Ele começou a meter devagar, marcando um ritmo que os dois pareciam conhecer de memória.
Eu deveria ter gritado. Deveria ter entrado, separá-los, exigir explicações. Em vez disso, fiquei ali, na penumbra, com as costas coladas à parede e o coração na garganta.
Parecia tão natural vê-los assim, como se fizessem aquilo desde sempre. E, ao mesmo tempo, a ideia de que fossem irmãos me atordoava, remexia alguma coisa dentro de mim que eu não soube nomear de imediato.
Baixei uma mão sem pensar e encontrei meu clitóris, pulsando sob o tecido da camisola, inchado, traidor. Afastei os dedos como se tivesse me queimado.
Me afastei da porta e voltei para o meu quarto quase correndo, com uma mistura de raiva e de algo muito mais vergonhoso. Porque, no fundo, por baixo da irritação, havia um desejo que eu não ousava confessar nem para mim mesma.
Eu desejava ser eu. Eu desejava estar no lugar de Lucía.
***
Esse pensamento me acendeu de um jeito que eu não sentia havia anos. Fechei a porta do meu quarto, tirei a camisola e me deitei na cama, nua, com a respiração acelerada.
Abri a gaveta da mesinha e peguei o vibrador. Tinha colocado pilhas novas naquela mesma semana, quase como se uma parte de mim tivesse pressentido que iria precisar dele.
Deslizei-o devagar pelo meu corpo, descendo pelo ventre. O espelho do armário me devolvia a própria imagem: as coxas abertas, a pele em chamas, tudo úmido e pronto antes mesmo de o aparelho me tocar onde eu mais pedia.
A imagem de Lucía sendo penetrada pelo irmão girava na minha cabeça. E, em vez de me assustar, me deixava com ciúmes. Ciúmes da minha própria filha. Ciúmes de não estar naquela cama.
Fechei os olhos e movi o vibrador de cima para baixo, uma e outra vez, deixando o zumbido se misturar aos meus gemidos. De baixo para cima, de cima para baixo. O prazer subia em ondas.
Meus gemidos ficaram mais altos do que eu pretendia. O clímax estava ali, prestes a explodir.
Então abri os olhos. Senti, antes de vê-la, que havia outra pessoa no quarto.
Lucía estava de pé junto à porta, me observando. Usava uma camisola curta, levantada até a cintura, e com uma mão se esfregava entre as pernas sem nenhum disfarce.
Parei o vibrador e me cobri com a mão, o calor da vergonha subindo ao meu rosto.
—Mãe, por favor, continua — disse ela em voz baixa —. Te ver assim me excita demais.
Engoli em seco, sem palavras.
—Eu te vi no espelho — continuou, se aproximando —. Vi que você estava nos olhando antes, a Marcos e a mim. E sei que você também gostou.
Não pude negar. Não fazia sentido negar.
***
Lucía deixou a camisola cair no chão e se deitou ao meu lado na cama, com uma naturalidade que me desarmava por completo. Seu corpo jovem e morno roçou no meu.
—Você ainda nos quer, mãe? — perguntou, e havia na voz dela uma mistura de brincadeira e de necessidade real.
—Claro que sim, filha — respondi com a voz falhada —. Vocês são a minha vida toda.
Ela se inclinou e me beijou nos lábios. Não foi um beijo de filha. Foi profundo, lento, apaixonado, a língua dela procurando a minha e explorando minha boca sem nenhuma pressa. Me deixei levar, atônita com a intensidade daquela paixão.
—Amor, não deveríamos — murmurei contra seus lábios —. Eu sou sua mãe.
Mas minha voz mal transmitia convicção, e nós duas sabíamos disso.
A mão dela desceu pelo meu ventre até encontrar a umidade entre as minhas pernas. Os dedos percorreram a carne escorregadia, tateando, procurando, até deslizarem devagar para dentro.
De repente, ela se afastou e desceu pelo meu corpo. Sem hesitar um instante, enterrou a cabeça entre minhas coxas e pousou a boca exatamente onde eu mais ansiava.
Sua língua subiu até o clitóris e o lambeu desde a base, com uma precisão que me arrancou um grito. Havia tanto tempo que uma boca não estava ali que o prazer me pareceu quase insuportável.
Nunca senti nada parecido. Arfei, gemi, agarrei os lençóis enquanto toda aquela região se acendia desde o mais fundo do meu corpo. O orgasmo me atropelou sem aviso, longo e violento.
—Mãe — sussurrou Lucía, levantando a cabeça —, quero que a gente se acaricie ao mesmo tempo. As duas. Por favor.
Ela virou na cama e se deitou de costas. Passei a língua pelo seu ventre, descendo devagar até chegar entre as pernas dela, devolvendo exatamente o que ela tinha me dado.
Bastaram poucas carícias no clitóris para que ela explodisse, arqueando as costas e agarrando meu cabelo com as duas mãos.
***
Olhei para trás e vi um sexo ereto a poucos centímetros do meu rosto. Inclinei a cabeça um pouco mais e encontrei o sorriso de Marcos.
Ele estava de pé, em silêncio, atrás de mim, nu, nos observando sabe-se lá há quanto tempo, com a ponta úmida e o corpo tenso de desejo.
Sorri para ele. Depois me incline, abri a boca e respirei contra ele antes de tomá-lo. Passei a língua pela ponta e o levei inteiro, devagar.
Comecei a me mover, minha boca subindo e descendo com um ritmo cada vez mais decidido. Marcos suspirou e desceu uma mão para me acariciar o cabelo. Este é o corpo do meu filho, pensei, e a ideia me acendeu ainda mais.
Não demorou muito. Senti a primeira descarga no fundo da garganta, quente e abundante. Quando o tirei da boca para olhá-lo, ainda pulsando, uma segunda onda me salpicou o rosto, o cabelo, os seios nus.
Fiquei fascinada, vendo como ele continuava gozando, sem acreditar no que estava vivendo na minha própria cama.
***
Meus filhos começaram a se beijar de novo diante de mim. Observei suas línguas se procurando, as mãos de Lucía percorrendo o peito do irmão, os dois se reacendendo um ao outro sem esforço.
Ela tomou o sexo de Marcos e o guiou outra vez até a própria boca. Aos poucos, voltou a endurecê-lo, até deixá-lo duro como pedra, pronto de novo.
Então Lucía me fez deitar de costas e começou a me beijar os lábios com a mesma paixão de antes, enquanto Marcos se colocava entre minhas pernas e esfregava a ponta contra mim.
Meu corpo respondeu imediatamente à dupla estimulação: a boca da minha filha sobre a minha e meu filho prestes a entrar. Eu estava completamente perdida, e já não queria que ninguém me resgatasse.
Suspirei quando ele se deslizou dentro de mim. Senti suas mãos firmes segurando meus quadris, me puxando para ele, se enterrando até o fundo em um único movimento.
As coxas dele batiam contra as minhas a cada vaivém. Ele movia os quadris em círculos, de cima para baixo, de um lado para o outro, como se quisesse conhecer cada canto meu.
Enrolei as pernas ao redor das costas dele e o apertei contra o meu corpo, levando-o até o limite. Marcos explodiu no mais fundo de mim, exatamente no mesmo lugar de onde um dia, há uma vida inteira, eu o havia trazido ao mundo.
***
Os três ficamos deitados sobre a cama desfeita, enredados, nos beijando e nos acariciando devagar, recuperando o fôlego entre risadas suaves e silêncios cúmplices.
—Filhos — eu disse afinal, com a voz ainda trêmula —, hoje vocês fizeram a sua mãe muito feliz.
Lucía apoiou a cabeça no meu ombro. Marcos beijou minha têmpora.
Não vamos voltar a ser uma família normal, pensei. E descobri que isso não me importava nem um pouco.
—Não quero impedir nada do que vocês fazem entre vocês — acrescentei, acariciando o cabelo dos dois —. E espero que, quando quiserem, se sintam livres para fazer isso também comigo. Esta casa guarda segredos, e este será o melhor de todos.