Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

Minha mãe aceitou quitar a dívida comigo

A luz do corredor era amarelada e doentia, como sempre àquela hora. O agente avançava devagar, as botas batendo no concreto, com um pacote pequeno debaixo do braço. Papel pardo, fita da prisão, nada chamativo. Mas ele o carregava com uma cautela que não vinha de nenhum regulamento.

Parou diante da cela 31-C.

—Sandoval. Você tem correspondência.

O homem do beliche de baixo ergueu o olhar sem pressa. Quarenta e tantos, cabelo curto grisalho, uma cicatriz fina dividindo a sobrancelha direita. Não disse nada. Aproximou-se das grades e estendeu a mão. Assinou um rabisco ilegível, pegou o pacote e voltou a se sentar com ele no colo.

—O que é isso? —riu o outro preso de cima, um sujeito magro com tatuagens que lhe subiam pelo pescoço—. Sua mulher manda lembranças?

Sandoval não respondeu. Olhou para o embrulho por um longo tempo. Depois fechou os olhos.

***

O sol entrava de lado pelas persianas meio baixadas, riscando o balcão com linhas douradas que cheiravam a poeira e cerveja velha. O bar se chamava «La Rompiente», embora ninguém mais lembrasse por quê. Um nome que soava a verão e que agora só evocava o que o mar tinha levado: clientes, dinheiro, vontade de continuar.

Nuria abria às oito e meia. Camiseta preta, shorts jeans, tênis brancos gastos, o cabelo loiro preso num rabo de cavalo que balançava toda vez que ela se inclinava para limpar uma mesa. Aos quarenta e dois anos, tinha esse tipo de presença que não pede licença: um corpo que ocupava o espaço sem tentar, uma bunda firme e redonda que esticava o tecido dos shorts, seios pesados que se moviam livres sob a camiseta, a videira de espinhos tatuada aparecendo no quadril direito acima do tecido, e um olhar acostumado a não se surpreender com nada.

Toño, o pescador, pedia seu café com conhaque sem dar bom-dia. Ginés, o aposentado, arrumava as peças de dominó com a paciência de quem não tem pressa nem outra coisa. Quando algum deles ficava olhando um segundo a mais para onde não devia, ela levantava uma sobrancelha.

—Os olhos pra cima, Toño. O café não está ali.

Bruno saiu da cozinha com uma caixa de garrafas. Vinte anos, suor na testa, a camiseta cinza colada ao corpo. Tinha o físico de quem carrega peso desde antes de poder escolher: ombros largos, mãos grandes. Passou por trás do balcão e roçou sem querer o quadril da mãe ao cruzar.

—Tem que trocar o gás da cerveja —murmurou.

—Eu sei. Tira as mesas antes que o ferro queime.

Às onze e meia entrou Damián. Fazia semanas que aparecia na mesma hora, sempre na mesa do fundo, junto à janela que dava para o calçadão deserto. Tirou o chapéu cinza com um gesto lento, quase cerimonial. Cabeça raspada, terno escuro impecável, camisa branca com o primeiro botão aberto. O cheiro de sândalo e cigarro caro chegava antes dele.

—O de sempre, Damián? —perguntou Nuria com o bloquinho, embora já soubesse de cor.

—Bom dia. Sim, por favor. Um uísque com gelo. E… você tem um minuto?

Algo na voz dele a deixou em alerta. Não era ameaça. Era calma. Calma demais. Serviu o copo e, ao deixá-lo, os dedos dele roçaram os dela. Frios. Deliberados.

—O bar continua de pé —disse Damián em voz baixa—. Isso é bom. Porque as dívidas não esperam, e esse povoado tem muitos ouvidos e pouca discrição.

Ela não respondeu. Voltou ao balcão sentindo o olhar nas costas. Não era o olhar de um homem olhando para uma mulher. Era mais paciente que isso. Mais calculado. Vinte e dois mil euros. Aquela era a dívida. E parecia que todo mundo sabia.

***

Nessa noite o bar encheu tarde, daquela clientela que aparece quando o sol já se foi e o álcool está trabalhando há horas. Bruno tinha saído para buscar gelo no quiosque porque o freezer resolvera morrer justo quando mais precisava. Nuria ficou sozinha atrás do balcão, com uma blusa fina de alças que o calor grudava no corpo, deixando adivinhar os mamilos sob o tecido, e uns shorts que lhe marcavam os quadris e lhe dividiam o sexo ao meio por baixo.

Três caras da mesa do fundo vinham olhando para ela fazia um tempo. O mais parrudo —barba por fazer, corrente de ouro sobre o peito— ergueu a mão.

—Ei, linda. Outra rodada.

Ela levou as cervejas sem pressa. Ao se inclinar, o da barba esticou o braço e roçou o quadril dela com os dedos, devagar, testando, subindo até a barra do short como se medisse o terreno para enfiar a mão mais fundo.

—Tira a mão —disse ela, baixa mas firme.

—Calma. Só estamos conversando.

—Não. Vocês estavam conversando. Agora não.

Foi então que ouviu a cadeira arrastando. Devagar. Deliberado. Damián atravessou o local, não em direção aos três homens, mas ao balcão, como se fosse pedir outra bebida. Mas, ao passar pela mesa, parou. Deixou o chapéu sobre uma cadeira livre e olhou para o da barba. Só isso.

—Fiquei observando vocês a noite toda —disse, quase amável—. Vocês são muito previsíveis. Cada um faz o que o do lado espera. Três homens que precisam de plateia para se sentir seguros. É triste, mas não é problema meu. Meu problema é que vocês estragaram minha bebida.

Houve um silêncio. O da barba abriu a boca, mas algo naquela calma —que não era provocação, e sim perigo— o deteve. Os três deixaram algumas notas amassadas e saíram se empurrando, com risadas que não convenciam ninguém.

Nuria soltou o ar. Pegou a garrafa de uísque e serviu dois copos.

—Por que você falou isso para eles? O de previsíveis.

—Porque era verdade. E a verdade incomoda mais do que qualquer ameaça. Uma ameaça eles podem devolver. Que alguém os veja de verdade… isso eles não sabem lidar. —Deu um gole—. As dívidas do bar. Quanto falta?

—Quem te disse que há dívidas?

—Ninguém. Mas faz três semanas que você olha o caderno de contas toda vez que acha que ninguém está vendo.

Ela não respondeu. A porta dos fundos se abriu e Bruno entrou com duas bolsas de gelo e a camiseta encharcada. Parou ao vê-los.

—Tudo bem?

—Sim —disse Nuria.

Damián se levantou, pôs o chapéu com aquele gesto lento, pagou mais do que devia e saiu.

***

Quatro noites depois, com o bar já fechado e Bruno mandado para casa, Nuria se sentou diante de Damián na mesa do fundo. Obrigou-se a não vacilar.

—Vinte e dois mil euros —disse—. Não queria saber quanto devo? Pois é isso. Na segunda-feira, se não entrar dinheiro, fechamos. Não existe plano B.

Damián deixou o copo sobre a mesa com cuidado. Tirou o chapéu e o colocou de boca para cima na cadeira ao lado, devagar, como quem limpa terreno para algo que vai precisar de espaço.

—Uma noite —disse—. Filmada. Você e o rapaz. —Outra pausa, mais curta—. Transando de verdade. Tudo. Boca, sexo, cu. Sem cortes.

O silêncio que se seguiu não foi de surpresa. Foi daquele tipo que o cérebro rejeita antes de processar. Nuria piscou. Olhou para a mesa. Olhou para o copo. Depois olhou para ele como se ele tivesse acabado de entrar na sala.

—Repete isso.

Ele não repetiu. Deixou-a no vazio.

—Você está me pedindo para transar com meu filho diante de uma câmera? —A voz saiu plana, no mesmo tom com que ela olhava as contas—. Para eu chupar o pau do meu filho por dinheiro?

—Não é chantagem. É uma transação. Vocês decidem. Dizem não e amanhã seguem com as contas e o fechamento. Dizem sim e na segunda o bar continua aberto. Eu dirijo. Posições, ritmos, onde goza e onde não goza. Se eu decidir em algum momento, participarei. Vou meter meu pau também. Mas o contrato especifica tudo: limites, palavras de segurança, confidencialidade. Nada sai daquele quarto.

—E o Bruno? Só de pensar nisso já me dá nojo.

—Você diz a ele, ou eu digo. Mas ele precisa concordar, sem coação. —Uma pausa—. Embora nós dois saibamos que ele faria qualquer coisa para não ver você perder isso.

Nuria fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, havia algo frio por trás: não rendição, mas cálculo. O mesmo com o qual vinha olhando as contas havia semanas.

—Pense —disse Damián, levantando-se e ajustando a aba do chapéu—. Não é uma oferta que se repete.

***

Bruno soube antes de ela contar. Damián tinha ligado para ele. Entrou no bar vazio com passos rápidos de quem se contém.

—É verdade ou não?

—Você não está entendendo errado nada —disse Nuria, apoiando as mãos no balcão.

Ele derrubou uma cadeira. Não a atirou contra nada; só precisava que algo se movesse, que o corpo fizesse alguma coisa com o que não cabia dentro dele.

—Você é minha mãe!

A palavra caiu no local vazio e ficou ali, enorme.

—Eu sei —repetiu ela, mais baixo—. Há quanto tempo estamos com os números no vermelho, com o banco ligando, com os fornecedores sem atender o telefone? Tenho quarenta e dois anos, um bar com vinte e dois mil de dívida e nenhuma qualificação além de servir copos. Me diga que outra coisa eu posso procurar.

—Qualquer coisa! Mas não isso!

—Eu já procurei. Essa é a única saída que existe.

Bruno se sentou na cadeira caída, como se já não tivesse forças. O bar estava em silêncio. Lá fora, o mar.

—E você consegue? —disse por fim, sem olhá-la—. Sério. Você consegue fazer isso? Eu entrar em você? Você gozar com seu filho dentro?

—Não sei.

Ele ergueu o olhar, procurando no rosto dela um motivo para continuar negando. Não encontrou, ou encontrou e aquilo já não bastava. Foi ao balcão, serviu um copo até a boca e bebeu de uma vez.

—Diz que sim —falou. E saiu pela porta dos fundos sem pegar a jaqueta.

***

No fim de semana seguinte, no depósito dos fundos, tinham empurrado as caixas para a parede para abrir espaço. No centro do concreto, um colchão com lençóis brancos novos que ainda cheiravam a plástico. Não havia nada romântico no conjunto. Era um cenário. Funcional. Frio.

Damián montava a câmera no tripé sem pressa, os difusores suavizando as bordas das luzes.

—Eu dirijo. Vocês obedecem. Se algo não agradar, dizem «corta» e paramos. Uma única tomada. Eu edito, ninguém mais toca. Vocês já assinaram.

Ligou a gravação. Um bip curto. A luz vermelha piscou.

—Cheguem mais perto —disse, com aquela voz serena que mandava pela forma de pedir.

O metro e meio que os separava era o mais longo que tinham cruzado na vida. Nuria deu o primeiro passo. Afastou o cabelo da testa de Bruno com os dedos, um gesto que já tinha feito mil vezes e que agora pesava de outro jeito.

—Lábios —indicou Damián—. Sem pressa.

O primeiro beijo foi só um roçar, lábios secos, trêmulos. Outro, mais longo. Ela passou a mão pela nuca dele e o puxou. Línguas se tocando devagar, cautelosas, como quem testa algo que sabe que depois não poderá desaprovar. A respiração se acelerava apesar de tudo, o corpo fazendo o que o corpo faz quando o empurram numa direção mesmo que a cabeça puxe para a contrária. A língua de Nuria acabou dentro da boca do filho, empurrando, e ele respondeu com um gemido baixo que vibrou no peito.

—Agora a roupa —disse a voz atrás da câmera—. Devagar. Mesmo que não pareça natural, finjam.

Nuria baixou as alças da blusa e a deixou cair. O sutiã preto foi pelo mesmo caminho: os seios pesados ficaram livres, os mamilos escuros endurecidos no ar fresco, a videira de espinhos tatuada descendo pelo quadril. Bruno tirou a camiseta, o abdômen marcado pelo trabalho, os ombros largos. As peças ficaram no chão, cinza contra branco, como duas bandeiras rendidas.

Damián tinha lhe dado antes dois comprimidos azuis e um copo d’água. «Para o corpo acompanhar», dissera. E o corpo de Bruno acompanhava: o volume sob o jeans se endurecia sem permissão, traindo-o, marcando a forma dura e curva do pau contra o tecido.

—As calças. Você primeiro, Nuria.

O jeans caiu, a roupa de baixo caiu. A calcinha preta enroscou um instante no tornozelo antes de ir ao chão. Ficaram nus sob as luzes, a pele brilhando de suor, o colchão branco no meio como um altar improvisado. O sexo de Nuria, depilado quase por completo salvo uma faixa loira, já brilhava úmido entre as coxas: o corpo, filho da puta traidor, molhando diante do próprio filho. Bruno tinha o pau duro, grosso, apontando para o teto, um fio transparente pendendo da ponta.

—Ajoelhe —ordenou Damián—. Com a boca. Devagar.

Nuria se ajoelhou sobre o concreto frio. Bruno mantinha o olhar fixo na parede, a mandíbula tão fechada que os músculos do pescoço se marcavam como cordas. Ele não olhava para ela. Não podia. Ela fechou os olhos, aproximou o rosto e o tomou devagar, primeiro com a mão trêmula —fechando os dedos ao redor do tronco quente, sentindo-o pulsar—, depois com a boca. Passou a língua pela glande, saboreando o líquido salgado da ponta, e abriu os lábios para envolver tudo. Desceu devagar, engolindo-o até o pau tocar o fundo da garganta, e subiu de novo deixando um rastro de saliva brilhante por todo o comprimento.

O som era obsceno no depósito silencioso: úmido, sugador, com pequenos gemidos quando precisava de ar. A mão subia e descia coordenada com a boca, a outra acariciava os testículos apertados. Ela mesma se surpreendeu ao se descobrir chupando com uma técnica que surgia sozinha, a língua rodopiando por baixo da glande, as bochechas afundando cada vez que sugava forte. Bruno soltou um gemido abafado e baixou enfim o olhar. Ver o pau entrando e saindo entre os lábios da própria mãe quase o derrubou.

—São essas malditas pílulas —murmurou Bruno, com a voz quebrada—. Não é… não é por…

Não terminou a frase. Não precisava. Ela o tirou da boca com um ploc úmido, sem parar de bombeá-lo com a mão, e lambeu seus testículos um por um, subindo pela veia grossa que percorria o pau até enfiá-lo de novo até o fundo. Um fio de saliva lhe pendia do queixo.

—Chupa direito —disse Damián atrás da câmera, com aquela voz de metrônomo—. Quero ver a língua. Olha nos olhos dele.

Nuria obedeceu. Ergueu o olhar para o filho com o pau enterrado na boca, e Bruno fechou os olhos e jogou a cabeça para trás porque não conseguia sustentar aquele olhar.

—Agora você, garoto. Deita ela. Come a buceta. Deixa bem molhada antes de meter.

Bruno a pegou pelos ombros e a jogou sobre o colchão. Ela abriu as pernas sem protestar, com as coxas tremendo. Ele se acomodou entre os joelhos dela, respirou fundo uma vez e baixou a boca até a boceta da mãe. A primeira lambida foi longa e plana, de baixo para cima, recolhendo todo o fluxo. Nuria arqueou as costas com um gemido que não conseguiu conter. Bruno separou os lábios rosados com os polegares, deixou o clitóris inchado exposto e o capturou com os lábios, sugando devagar, desenhando círculos com a língua.

—Ai, porra… ai, filho da puta…

Escapou, e assim que disse tampou a boca com o dorso da mão, envergonhada. Mas Bruno já estava fora de si. Enfiou dois dedos ao mesmo tempo, curvando-os para cima, enquanto continuava chupando o clitóris com fome. A boceta de Nuria fazia barulhos úmidos, obscenos, cada vez que ele tirava e enfiava os dedos de novo. Ela movia os quadris contra o rosto dele, sem conseguir evitar, cavalgando a boca do próprio filho.

—No colchão —disse Damián—. Você por cima.

Bruno se deixou cair de costas, o pau vibrando contra o ventre, brilhante com a saliva que lhe tinha escorrido antes. Nuria montou nele, um joelho de cada lado dos quadris. Pegou o pau do filho com a mão, centralizou-o na entrada encharcada e esfregou a cabeça para cima e para baixo entre os lábios abertos da boceta, espalhando o líquido pela glande. A fricção foi lenta no começo, deliberada, até ela se deixar cair devagar e recebê-lo inteiro. Os dois soltaram um gemido longo e quebrado: ela, de uma plenitude brutal, misturada a algo que não queria nomear; ele, de um prazer que já não dava mais para disfarçar. O pau desapareceu inteiro dentro da boceta da mãe, até os testículos.

—Mãe… —sussurrou Bruno, quase inaudível, com uma mão trêmula no quadril dela.

—Não fala nada. Por favor.

Ela começou a se mover. Subia até o pau quase escapar e se deixava cair de uma vez, se empalando inteira. Cima, baixo, os seios balançando pesados sobre o peito do filho, os mamilos duros roçando a pele dele, o suor correndo pelas costas. Bruno agarrou os quadris dela e começou a socá-la por baixo, encontrando o ritmo, chocando-se contra ela a cada descida. A boceta de Nuria se apertava ao redor do pau a cada penetração, cada vez mais molhada, cada vez mais quente, até o som do choque das peles se tornar constante, chapinhado.

—Assim, mãe, assim, porra —ofegou ele, já esquecido da vergonha—. Monta em mim.

Ela cavalgava com a cabeça jogada para trás, mordendo o lábio para não gritar. Sentia o pau do filho chegar ao fundo a cada descida, a glande grossa bater de novo e de novo num lugar que fazia anos que ninguém tocava. O clitóris roçava a base a cada movimento, e ela percebia o primeiro orgasmo começando a se construir nas entranhas, subindo pela coluna. E então, justamente quando o ritmo se tornava frenético, Damián saiu do tripé.

Ele se despiu com aquela precisão meticulosa de sempre, dobrando cada peça. O torso magro, mas firme, uma cicatriz velha cortando-lhe o flanco. O pau longo e curvado já apontava para cima, com as veias marcadas.

—Lembram da cláusula? Onde dizia que eu podia participar se quisesse. Chegou a hora.

Nuria congelou, os olhos arregalados, o pau de Bruno ainda cravado dentro. Mas Bruno não parou. Não podia. As mãos grandes se fincaram nos quadris dela, puxando-a para baixo, empalando-a em cada investida. Damián se aproximou por trás, afastou as nádegas com as duas mãos, cuspiu generosamente entre elas e usou o polegar para besuntar o ânus apertado dela. Depois cuspiu também no próprio pau, lubrificou-o com a mão de cima a baixo e pressionou a glande contra o olhinho. Nuria soltou um gemido de dor pura quando a ponta começou a abri-la.

—Relaxa. Respira. Não luta.

A primeira tentativa escorregou. A segunda entrou só um pouco: a glande fez o clique e desapareceu dentro. Damián empurrou devagar, centímetro por centímetro, e Nuria jogou a cabeça para trás, a boca aberta num grito silencioso enquanto o cu se abria ao redor do pau dele. Quando ele entrou por completo, os três ficaram imóveis por um segundo. Enfiada pelos dois, as paredes internas se roçando através da fina separação de carne, Nuria ofegava com lágrimas correndo pelo rosto. Sentia os dois paus dentro de si, quentes, pulsantes, o de Bruno na boceta e o de Damián no cu, e uma sensação de estar estourada por dentro que era dor e era outra coisa ao mesmo tempo.

—Se mexe, garoto —ordenou Damián—. Quero sentir nos dois lugares.

Então começaram a se mover, primeiro sem coordenação, depois encontrando um compasso sinistro: quando um saía, o outro entrava até o fundo. Bruno a socava por baixo, afundando inteiro na boceta encharcada; Damián a penetrava por trás com estocadas longas e controladas, segurando-a pela cintura para que ela não escapasse. O cu de Nuria abria e fechava ao redor do pau de Damián, a boceta mordia o tronco de Bruno a cada descida. O som era brutal no depósito; pele contra pele, grunhidos baixos, respirações sincronizadas sem querer, o chapinhar úmido do sexo de três corpos.

—Porra, porra, porra —ofegava Nuria, já sem conseguir calar—. Vocês vão me partir…

—Aguenta, linda —murmurou Damián no ouvido dela, sem mudar o ritmo—. Já falta pouco.

O orgasmo a pegou de surpresa. Sentiu o choque começar no clitóris pressionado contra a base do pau do filho, subir pelo ventre e explodir. A boceta se fechou em espasmos ao redor de Bruno, o cu se apertou ao redor de Damián, e ela gritou pela primeira vez naquela noite, um grito rouco e longo que saiu do fundo do peito. Gozou molhando o pau do próprio filho, o fluxo quente escorrendo pelos testículos de Bruno até o colchão.

—Ela tá gozando, a vadia —disse Damián com a respiração curta, quase em admiração—. Com o pau do filho dentro. Olha pra ela.

Bruno foi o seguinte a se quebrar. Sentir a mãe gozando em cima dele, apertando seu pau como um punho quente, foi demais. As investidas dele ficaram erráticas, mais profundas, mais brutas, e ele gozou dentro dela com um gemido longo, o corpo convulsionando. Os jatos de porra encheram a boceta da mãe, tantos que começaram a transbordar pelas bordas enquanto ele ainda estava dentro. Nuria sentiu cada chicotada quente se chocando contra o fundo e voltou a estremecer em outro pequeno espasmo residual.

Damián aguentou mais alguns minutos, socando o cu destruído dela num ritmo constante, com o pau brilhante de saliva e suor. Quando sentiu que estava chegando, saiu no último instante, masturbou-se duas vezes com a mão ossuda —uma, duas vezes somente— e terminou nas costas de Nuria, os jatos grossos e brancos caindo entre as escápulas, descendo pela coluna, roçando a videira de espinhos como se a marcasse, encharcando os cachos loiros da nuca.

Os três ficaram imóveis. Nuria desabou para a frente, peso morto sobre o peito do filho. O pau de Bruno saiu da boceta com um som úmido, e um fio espesso de porra começou a escorrer por sua coxa. Damián se aproximou da câmera e a desligou com um clique. A luz vermelha enfim desapareceu.

—Ninguém poderá negar que vocês ganharam esse dinheiro —disse, se vestindo com a mesma precisão de sempre—. A dívida está quitada.

A porta do depósito se fechou suavemente. Nuria e Bruno ficaram no colchão manchado, ofegantes, destruídos, pegajosos de suor e porra. Não se olharam. Não falaram. Só respiraram.

***

Sandoval rompeu o último pedaço de fita com o polegar. O papel pardo se abriu como uma pele velha. Dentro, um envelope branco, um CD em capa transparente e quatro fotos Polaroid presas com um elástico.

Passou-as uma a uma sem piscar. Uma mulher loira de costas, a videira de espinhos tatuada no quadril, montada sobre um rapaz que a segurava pelos quadris, o pau do rapaz visível entrando nela. Os três juntos, os corpos suados, os rostos contorcidos, dois paus enfiados nela ao mesmo tempo. A última: ela sozinha, desabada, com os olhos abertos e vazios, a porra escorrendo pelas costas, olhando para lugar nenhum.

A mão tremeu só um pouco. Tirou a carta do envelope. Letra caprichada, preta, sem assinatura no começo.

«Você não me conhece, mas eu conheço você. Há dois anos, fugindo de um assalto malfeito, você atropelou uma mulher e um rapaz. Morreram na hora. Ela era minha esposa. Ele, meu filho. Você os roubou de mim em um segundo.

Agora eu roubei os seus de você. Sua mulher e seu filho já não são só seus. Eu os tive. Eu os filmei. Gozei dentro dela enquanto seu filho também estava dentro. Quando você sair —se sair—, poderá ver o vídeo. Ou não. Depende de você. Mas essas fotos já são suas para sempre. Damián.»

Sandoval dobrou a carta e a enfiou no bolso da camisa. Olhou o CD por um longo tempo, como se pesasse mais que o papel, e o deixou sobre o beliche.

—E aí, Sandoval? —riu o magrelo de cima, sem abrir os olhos—. Te mandam pornô caseiro?

Sandoval não respondeu. Deitou-se de barriga para cima, as mãos atrás da cabeça, e olhou para o teto manchado de umidade. Fechou os olhos. Em algum lugar distante, um bar de praia continuava fechado para reforma. E uma dívida que nunca tinha sido só de dinheiro acabara de ser quitada da única forma que Damián sabia cobrar.

Ver todos os contos de Tabu

Avalie este conto

Comentários(7)

Mari_RJ

meu deus que história!!! adorei demais

ContosNaMadruga

Por favor faz a continuação, esse final me deixou louco querendo mais

AlmaInquieta

Essa tensão que aparece já no começo é impressionante. A situação é pesada mas a escrita torna tudo muito envolvente, nao fica forçado em nenhum momento.

Leitor_Curioso

A Nuria aparece em outros contos? Ela parece ter muito mais história pra contar

Gustavo

Que noite essa hein kkkkk deu pra imaginar muito bem

DeviaEstarDormindo

Era pra eu tar dormindo ja faz duas horas... mas esse conto me prendeu até o final. Valeu a madrugada kk

MarcosRN

novo aqui e o primeiro que li foi esse — comecei muito bem kkk vou acompanhar mais

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.