O amanhecer em que ele despertou na cama da tia
A luz cinzenta do amanhecer mal se infiltrava pela fresta das cortinas quando Bruno abriu os olhos. Levou alguns segundos para se situar. A cama não era a dele, os lençóis também não, e o peso morno contra o seu lado tampouco era familiar. Era o corpo da tia Camila, ainda dormindo, com a cabeça apoiada no ombro dele e uma mecha de cabelo caindo sobre a bochecha.
Ele a olhou sem se mexer, quase sem respirar. A respiração dela era calma, profunda, como se o que aconteceu horas antes não tivesse deixado nem um nó no corpo. Bruno, ao contrário, carregava a noite inteira atravessada no peito. A pele ainda cheirava a ela, a suor velho, a sêmen seco entre as coxas, ao perfume adocicado misturado com o cheiro cru de buceta usada. A cabeça lhe girava com imagens que ainda não tinha conseguido organizar: a sala cheia de copos, os amigos, o momento em que sua tia o olhara de um jeito diferente, e depois isso, os dois na cama de casal quando o resto tinha ido dormir.
Ele se inclinou e beijou a testa dela. Não houve plano; o gesto saiu antes da dúvida. Ela suspirou baixinho sem abrir os olhos. Bruno beijou a têmpora dela, depois a bochecha, depois procurou a boca. Os primeiros beijos foram suaves, quase tímidos, como se pedissem permissão. Mas a boca de Camila respondeu antes da voz, e de repente os beijos deixaram de ser inocentes. A língua dela entrou devagar, buscando a dele, e Bruno sentiu o pau começar a endurecer de novo sob o lençol, inchando contra o quadril da tia.
— Bom dia — murmurou ela, ainda com os olhos semicerrados.
— Bom dia, tia.
Camila riu baixinho, uma risada rouca, cansada. Passou a mão pelo cabelo dele e o encarou de perto, os olhos castanhos buscando algo nos dele. O que viu deve tê-la tranquilizado, porque o puxou mais para perto e o beijou de novo, agora com calma, abrindo a boca só um pouco, deixando-o entrar. A mão dela desceu por baixo do lençol e agarrou o pau dele sem cerimônia, fechando os dedos em torno do tronco duro e quente.
— Olha só — sussurrou contra a boca dele—. Ainda está com vontade.
— Não sei se vou ter vontade de outra coisa por meses.
Ela riu baixinho e começou a masturbá-lo devagar, com a mão frouxa, subindo e descendo a pele do prepúcio sobre a glande inchada, a palma deslizando fácil por causa do que tinha ficado pegajoso no tronco. Bruno gemeu contra o pescoço dela. Camila mordeu o lóbulo da orelha dele.
— Então aproveita, sobrinho. Porque o teu prazo vai acabar.
Ela não estava arrependida.
Foi isso que Bruno entendeu naquele instante, e bastou. Ele se ajeitou sobre ela com cuidado, apoiando-se nos antebraços para não esmagá-la, e beijou o pescoço dela, abaixo da orelha, na clavícula. Puxou o lençol de uma vez e buscou os seios com a boca. Para a idade dela, estavam firmes, com os mamilos escuros e grandes, já duros do atrito. Bruno chupou um inteiro, prendendo-o na boca, brincando com a língua contra a ponta até Camila arquear as costas. Depois passou ao outro, mordendo-o de leve, puxando-o com os lábios.
— Assim, meu amor — ofegou ela, enterrando os dedos no cabelo dele—. Chupa bem, que eu estava com eles dormidos.
Desceu mais. Lambeu-lhe o ventre, o umbigo, a pele morna entre os quadris. Quando chegou ao púbis, parou um instante, olhando. A buceta da tia estava inchada, entreaberta, com os lábios internos vermelhos e brilhantes, ainda escorrendo restos do sêmen alheio da noite anterior. O cheiro bateu forte no rosto dele: de fêmea usada, de leite fermentado, de puro sexo. Em vez de causar nojo, deixou-o ainda mais duro. Ele se abaixou e passou a língua inteira, de baixo para cima, chupando tudo o que encontrou.
— Ai, Bruno — gemeu Camila, erguendo os quadris contra o rosto dele—. Você não precisa fazer isso, filho, depois de todos…
— Cala a boca, tia.
Ele abriu as coxas dela com as duas mãos, cravou os dedos nas nádegas e enterrou o rosto sem pudor. Comeu a buceta devagar, tomando tempo para percorrer cada dobra, para enfiar a língua dentro, para senti-la se contrair contra a boca dele. Procurou o clitóris inchado e o prendeu entre os lábios, sugando-o em puxões curtos enquanto enfiava dois dedos dentro dela e os curvava. Camila fechou as coxas em volta da cabeça dele, os calcanhares cravando-se no colchão.
— Deus, deus, deus — repetia num fiapo de voz—. Não para, não para, sobrinho, não para.
Bruno cravou os dedos mais rápido, sacudindo-os, procurando aquele ponto esponjoso lá dentro que a fazia se contorcer. Quando encontrou, pressionou com força e, ao mesmo tempo, castigou o clitóris com a língua. Camila se sacudiu inteira, um tremor longo subiu da sola dos pés até o pescoço, e ela gozou na boca dele com um gemido gutural que se afogou quando mordeu o dorso da própria mão. Ele não a soltou. Continuou sugando, tirando as últimas ondas, até senti-la amolecer e empurrar a cabeça dele para afastá-lo.
— Chega, chega — ofegou ela, rindo sem ar—. Você vai me matar.
Bruno subiu pelo corpo dela, lambendo-lhe o ventre, e quando chegou ao rosto a beijou com a boca ainda cheia dela. Camila não se afastou; ao contrário, chupou a língua dele, limpando-se do próprio gosto. Levantou os quadris e agarrou o pau dele com a mão para guiá-lo. Bruno empurrou devagar e entrou de uma vez, até o fundo, encarando-a o tempo todo. Camila soltou um suspiro longo, os dedos cravando-se na lombar dele, as pernas se abrindo para acomodá-lo melhor.
— Que pau gostoso você tem, sobrinho — murmurou no ouvido dele—. Me fode devagar, que eu quero te sentir bem.
Começou com investidas suaves, quase lentas. Não queria acabar rápido. Queria senti-la, gravar cada detalhe: como ela apertava a mandíbula ao ser atingida no fundo, como arqueava o pescoço quando ele beijava o mamilo, como fechava os olhos por segundos e os abria de repente para encará-lo. A buceta dela o apertava quente e escorregadia, escorrendo pelas coxas, fazendo um som úmido cada vez que ele saía e voltava a se enterrar.
— Você está tremendo — sussurrou ela.
— É que ainda não consigo acreditar.
Camila sorriu, e aquele sorriso o desmontou mais do que qualquer movimento. Envolveu a cintura dele com as pernas e o apertou, obrigando-o a se aprofundar ainda mais.
— Acredite. Você está dentro da sua tia. E eu não vou me mexer até você me encher.
***
O ritmo subiu aos poucos. Bruno acelerou, ela o acompanhou, os dois respirando mais forte. As estocadas começaram a soar úmidas, pele contra pele, o colchão se mexendo levemente por baixo. Camila cravou as unhas nos ombros dele, mordeu o pescoço dele, rosnou coisas no ouvido que ele jamais imaginaria escutar daquela mulher que servia pudim para ele no Natal.
— Mais forte, porra. Me fode como ontem à noite. Como se eu não fosse tua tia.
Bruno segurou os pulsos dela e os cravou contra o travesseiro, acima da cabeça, e começou a metê-la de verdade. O som do púbis batendo no dela encheu o quarto. Camila abria a boca em gemidos curtos, roucos, cada vez que ele chegava ao fundo. Por um momento ele pensou que ia gozar cedo demais, e então Camila, como se lesse a mente dele, o empurrou pelos ombros com suavidade.
— Espera. Eu por cima.
Bruno se jogou de costas no colchão, o pau apontando para o teto, brilhante de gozo. Camila se acomodou sobre ele, as pernas de cada lado dos quadris dele, e segurou o pau com a mão para alinhá-lo à entrada. Desceu devagar, milímetro por milímetro, com um gemido longo que o fez fechar os olhos. Quando o teve inteiro dentro, ficou imóvel por um segundo, apertando-o por dentro, deixando-o sentir cada contração.
— Ai, sobrinho. Como você encaixa bem.
Começou a se mover em círculos lentos, as mãos apoiadas no peito dele, o cabelo caindo para a frente. Depois largou os círculos e começou a subir e descer, primeiro com calma, depois mais rápido, a carne da bunda batendo nas coxas de Bruno a cada descida.
Bruno a olhou de baixo e pensou no absurdo de tudo aquilo. As vezes em que a tinha visto em almoços de família, na mesa de Natal, servindo café para o pai dele, rindo com a mãe dele. E agora estava ali, em cima dele, cavalgando-o com o pescoço jogado para trás, os seios firmes se movendo a cada subida, os músculos do ventre se contraindo, a buceta engolindo o pau inteiro uma e outra vez. Era a mesma mulher e era outra completamente diferente.
Ele pôs as mãos nos quadris dela para ajudar a marcar o ritmo. Depois subiu as mãos até os seios e os apertou, beliscando os mamilos com os dedos. Camila gemeu mais alto e acelerou, as contrações internas apertando-se em torno dele em ondas. Curvou-se para a frente, apoiando as mãos dos lados da cabeça de Bruno, e aproximou um seio da boca dele.
— Chupa, sobrinho. Chupa enquanto eu te monto.
Bruno prendeu o mamilo entre os lábios e sugou forte enquanto ela moía os quadris contra ele. Agarrou a bunda dela com as duas mãos, abrindo-a, e passou um dedo no outro buraco, molhado do caldo que escorria da buceta. Camila ofegou e empurrou o traseiro para trás, oferecendo-o.
— Enfia aí também. Um dedo. Devagar.
Bruno enfiou o dedo médio até a junta, sentindo como o ânus se contraía apertado ao redor. Camila soltou um gemido gutural e começou a cavalgar mais rápido, os dois buracos preenchidos, o corpo inteiro tremendo sobre ele. Beijou a boca dele com fome, chupando-lhe a língua, e no beijo aumentou o ritmo até o brutal. Bruno não aguentou. Empurrou para cima uma última vez, enterrou-se até as bolas e jorrou dentro dela com um gemido que se afogou na boca dela. Sentiu a primeira onda sair disparada contra o fundo da buceta da tia, e depois duas, três, quatro golfadas quentes que ele jamais conseguia acreditar que ainda tivesse dentro. Camila ficou imóvel, sentindo-o pulsar, e depois continuou se movendo devagar, ordenhando-o até a última gota, prolongando o final.
Quando terminou de se esvaziar, retirou o dedo do cu dela com cuidado e ela se largou contra o peito dele, o pau ainda dentro, a respiração entrecortada. Bruno passou a mão pela costa suada dela, sentindo-a vibrar.
— Deita sobre mim, de costas — pediu ele quando recuperou o fôlego—. Quero fazer você gozar de novo.
Camila o olhou comovida. Levantou-se com cuidado e, ao fazer isso, um jato grosso de sêmen escorreu pela coxa dela. Não limpou. Virou-se e se recostou contra o peito dele, as costas contra o ventre dele, a cabeça no ombro dele, as coxas abertas sobre as dele. Bruno passou um braço por ela e baixou a mão entre as pernas dela. Encontrou-a inchada, escorregadia, pingando o que ele mesmo havia deixado dentro. Enfiou dois dedos, tirou-os pintados de branco e com a ponta começou a untar o clitóris. Passou a desenhar círculos lentos, lubrificados, usando o próprio leite como lubrificante. Com a outra mão, guiou-se de novo para dentro dela, ainda semiereto, ainda sensível, o pau deslizando fácil naquela buceta quente e escorregadia.
Camila suspirou longo e colocou a mão sobre a dele, mostrando o ritmo exato de que precisava. Mais rápido no clitóris, mais pressão, círculos apertados à esquerda do capuz.
— Aí, sobrinho. Bem aí. Não muda.
Bruno empurrou por baixo, devagar, com investidas curtas que mal moviam os quadris, enquanto continuava mexendo os dedos exatamente onde ela pedia. Ela jogou a cabeça para trás no ombro dele, os olhos fechados, os lábios entreabertos, o peito subindo e descendo cada vez mais rápido. Ele beijou o pescoço dela, mordeu o lóbulo, falou ao ouvido com a voz rouca.
— Vai, tia. Goza de novo. Goza com o meu leite dentro. Se entrega.
— Continua, continua, continua…
Demorou um pouco mais do que ele esperava, mas veio. Camila se tensionou inteira, ergueu as costas do peito dele, arqueou os quadris contra a mão dele, e as contrações internas começaram a apertá-lo em ondas curtas e rítmicas. O gemido subiu do fundo do peito dela, longo, rouco, quase um choro de prazer. Os quadris se moveram sozinhos, em espasmos, contra a mão e o sexo dele ao mesmo tempo, empurrando para fora um filete morno que molhou os dedos de Bruno, a virilha, as bolas. E então ela ficou mole, ofegante, a mão de Bruno ainda entre as pernas dela, a mão dela ainda sobre a dele, o pau ainda dentro mesmo já começando a amolecer.
— Não se mexe — murmurou ela—. Fica aí mais um pouco. Dentro. Assim.
Bruno a abraçou por diante e ficou imóvel, sentindo como as últimas contrações dela apertavam o pau dele cada vez mais mole, até desaparecerem por completo.
***
Ficaram assim um tempo, sem falar. Pela janela já entrava luz amarela, não cinza. Em algum lugar do jardim, um pássaro cantava. Camila virou a cabeça e beijou a bochecha dele, depois se afastou com cuidado — o pau dele saiu dela com um som úmido, seguido por outro fio de sêmen que escorreu pela coxa até o lençol — e se deitou de lado, olhando-o de frente. Bruno ainda respirava forte. Ele roçou o braço dela com a mão, sem saber o que fazer nem o que dizer.
— Obrigada, sobrinho — disse ele por fim, com a voz rouca—. Não sei bem como dizer isso. Mas obrigada por… isso. Você me fez sentir viva. Como se mais nada importasse por um instante.
Camila o encarou por alguns segundos antes de responder. Arrumou uma mecha atrás da orelha dele com um gesto mais maternal do que ela mesma devia perceber.
— Obrigada a você, sobrinho — disse devagar—. Você me fez sentir desejada de um jeito diferente. Não como com os outros. Mais perto. Eu realmente gostei.
Houve um silêncio longo. Confortável, não incômodo. Só as duas respirações e o pássaro lá fora.
— E agora? — perguntou ele. Não era ansiedade. Era curiosidade de verdade.
Ela se ergueu um pouco sobre o cotovelo. Tinha aquele rosto sereno que assumia quando resolvia os pequenos problemas da família: sem drama, sem promessas grandes, sem culpa para arrastar.
— O que aconteceu, aconteceu — disse—. Com os teus amigos também foi assim: um momento que aconteceu. Ninguém planejou e ninguém saiu ferido. Não há planos para repetir. Mas também não vou te dizer que nunca mais. A vida é assim. O importante é que a gente não se machuque. Você e eu somos família, isso não muda. Isso não apaga nada; acrescenta algo. Algo nosso.
Bruno assentiu devagar, deixando as palavras assentarem. Sentiu um alívio estranho: não havia expectativas impossíveis, não havia uma conversa pendente. Só a lembrança, que os dois iam guardar em silêncio. Sabia que, além daquela manhã, não havia nada. Ela era casada, ele tinha a própria vida na universidade e os amigos que agora compartilhavam um segredo incômodo com os dois. Mas a gratidão mútua o deixava cheio, não vazio.
— Sim, eu entendo — disse, sorrindo de leve—. Ficou perfeito assim.
— Perfeito é demais. Mas ficou bom. Muito bom.
Camila riu outra vez, aquela risada baixa, e beijou a testa dele como se quisesse encerrar o momento.
***
Camila se levantou primeiro. Alongou-se nua no meio do quarto, sem pudor, o corpo recortado contra a luz amarela da janela. Bruno a olhou um segundo a mais do que devia, memorizando: o cabelo ondulado despenteado, a curva da cintura, os seios que ainda reagiam ao frio, as marcas tênues que a noite tinha deixado no pescoço e nas coxas, o fio de sêmen que ainda brilhava por dentro da coxa.
— Hora de você ir, sobrinho — disse ela com um sorriso prático, agachando-se para buscar o robe no chão—. Se você não chegar logo, seus pais vão começar a perguntar onde você dormiu. Vou preparar um café para a estrada.
Bruno se vestiu em silêncio. O short e a camiseta da noite anterior estavam amassados, ainda com cheiro de álcool e pele alheia. Desceu atrás dela até a cozinha. Camila pôs a água para aquecer, pegou o café instantâneo, serviu numa caneca com tampa. Todo o ritual saía mecânico, como se já tivesse feito aquilo mil vezes. Entregou a caneca sem cerimônia.
— Se cuida.
— Você também, tia.
Se abraçaram na porta. Foi um abraço longo. O beijo na bochecha durou um segundo a mais do que o necessário, e foi só isso. Bruno saiu para a varanda, pegou a bicicleta e começou a pedalar de volta para casa. O sol já estava alto. O ar fresco batia no rosto dele e o mantinha acordado. Pensou no que ela lhe dissera. O que aconteceu, aconteceu. Provavelmente não ia acontecer de novo. E, no entanto, ele não sentia que estava perdendo nada. Sentia, pela primeira vez em muito tempo, paz.
***
Camila fechou a porta com um clique suave e se apoiou por um instante nela, o robe aberto sobre a pele ainda sensível, a buceta pulsando e pingando sêmen entre as coxas. A casa estava em silêncio, o relógio marcava quase nove. Sobre a mesa de centro da sala ainda estavam os copinhos de tequila vazios, os guardanapos amassados, as garrafas de cerveja no chão. O ar cheirava a sexo, a suor, a álcool evaporado, a buceta e a leite. Tudo parecia normal à primeira vista, mas ela sabia exatamente o que havia acontecido em cada canto.
Começou a arrumar com movimentos quase rituais. As garrafas para a reciclagem. Os copinhos para a pia, a água levando os restos de limão e sal. As migalhas da mesa com um pano úmido. Quando chegou ao sofá grande, parou. Havia uma mancha sutil de umidade na almofada do meio, e outras duas menores e amareladas — sêmen já seco — no encosto. A dela, a de todos. Aí as lembranças a atingiram como flashes rápidos: a boca de Tomás no pescoço dela enquanto arrancava o vestido; os dedos de Andrés enfiados na buceta até as juntas, mexendo-os rápido até fazê-la gozar sobre o assoalho; Pablo a fodendo por trás, agarrando-a pelo cabelo, o pau entrando até o fundo enquanto ela se segurava no encosto do sofá; ela montada em um enquanto os outros dois se aproximavam do rosto dela com os paus na mão, e ela abrindo a boca para chupá-los em turnos, deixando a língua para fora; os gemidos abafados; o calor; os três gozando quase ao mesmo tempo, um dentro, dois fora, o leite caindo nos seios dela, no rosto, no cabelo.
E depois Bruno, na porta, com cara de susto e desejo em partes iguais, o pau marcado de adolescente contra o short, e ela decidindo ali mesmo, sem pensar, incluí-lo. Chamá-lo com o dedo. Sentá-lo no sofá. Puxar o short dele para baixo e chupar o pau até ele ficar de olhos virados, com os outros três olhando do sofá, aplaudindo baixinho. E depois levá-lo para cima, sozinha, para o fechamento em privado.
Apoiou-se por um momento no encosto do sofá e se perguntou o que sentia. A resposta veio clara, sem drama: não havia arrependimento. Havia prazer, muito. Uma liberação que ela não sentia tão completa havia anos. Com os rapazes tinha sido selvagem, animal, quatro corpos jovens usando-a como bem entendiam e ela se deixando usar e os usando de volta. Com o sobrinho tinha sido diferente: terno, cuidadoso, quase amoroso na crueza. Tinha cruzado uma linha sem retorno, e sabia disso. Mas, em vez de pânico, sentia uma paz estranha, a do corpo bem fodido e sem contas pendentes.
Não ia repetir. Não planejava voltar a convidar ninguém, nem procurar Bruno na escuridão. A vida real estava voltando: o marido retornaria em alguns dias, a rotina seria retomada, aquele capítulo ficaria selado.
Mas também não ia negar se acontecesse.
Confiava nos rapazes. Tomás, Andrés, Pablo e Bruno eram jovens, mas não eram idiotas. Sabiam o que estava em jogo. E ela sabia lidar com segredos. Fazia isso a vida inteira.
Terminou de arrumar a sala. Abriu as janelas para que o ar fresco levasse os últimos cheiros. Subiu para o quarto, trocou os lençóis da cama grande — os de baixo tinham duas manchas grandes de sêmen e fluido, secas e pegajosas —, tomou um banho com calma, deixou que a água quente lavasse os últimos vestígios físicos, sentindo como o que Bruno havia deixado dentro dela se esvaziava, um fio espesso que escorreu pela coxa até desaparecer pelo ralo. Vestiu roupa confortável: jeans, blusa leve, o cabelo preso no rabo de cavalo de sempre.
Desceu à cozinha, preparou café só para si e se sentou à mesa de jantar com a caneca fumegante. Olhou o jardim pela janela: a piscina brilhando, as cadeiras em volta da mesa onde tudo havia começado. Sorriu para si mesma, um gesto pequeno, quase nostálgico. A vida continuava. O marido ia voltar, o casamento seguiria seu curso previsível, as infidelidades esporádicas continuariam sendo sua válvula de escape secreta. Mas aquela noite tinha sido diferente. Maior. Mais dela.
Tomou um gole de café, olhou o relógio e se levantou. Tinha um dia normal pela frente. E isso, de alguma forma, era exatamente o que ela precisava.