O presente que minha tia me deixou na noite de Natal
Dançamos até a casa ficar em silêncio. Quando ela abriu a porta do meu quarto e disse que precisava de um favor, soube que aquele Natal mudaria tudo.
Dançamos até a casa ficar em silêncio. Quando ela abriu a porta do meu quarto e disse que precisava de um favor, soube que aquele Natal mudaria tudo.
Bati na porta sabendo que, desta vez, tinha ido longe demais, e que a mulher que abriria não aceitaria desculpas: só obediência.
Nessa noite, quando todos dormiam, minha tia largou a taça na areia, tirou as sandálias e me disse que a água era melhor sem nada por cima.
Era julho, eu estava falida e desesperada. Atravessei o jardim da minha irmã em busca de ajuda; meu sobrinho me esperava junto à piscina com um sorriso que não soube interpretar a tempo.
Ela trancou a porta do armazém e guardou as chaves no avental. Só então entendi que aquela tarde não terminaria com um sermão.
Cada vez que eu vadiava, pagava com urtigas, chicotadas e suas botas enlameadas. E o pior era que uma parte de mim já esperava pelo próximo castigo.
Naquela noite, escondido na sombra do corredor, meu marido entendeu que me oferecer a outro homem tinha um preço: ver como outro me dava o que ele já não sabia mais dar.
Marcos o apresentou como o filho de um primo, de visita por alguns dias. Mas Elena não demorou a notar a forma como o rapaz a olhava quando ninguém mais prestava atenção.
Ela tirou o sapato dentro do carro, deslizou o pé até minha virilha e sussurrou: “Sua primeira vez vai ser me obedecendo? Melhor pra nós dois.”
Muita gente me pergunta de onde vem meu fetiche por luvas de borracha. Quase ninguém conhece a resposta. Começou numa sexta-feira, no quarto da minha tia, com a porta trancada.
Minha irmã estava no exterior e coube a mim ir à formatura. Quando meu sobrinho cobrou o presente na frente dos amigos, eu soube que aquela noite não terminaria como começou.
Quando ela desceu descalça pelo corredor com aquele robe transparente, eu soube que nenhum dos dois ia fingir que nada tinha acontecido.
Nadia levava anos sozinha, treinando para não pensar. O sobrinho era o único que a via como mulher, e naquela tarde de ressaca os dois pararam de fingir.
Meu tio dirigia furioso, perdido pela enésima vez, e ela aproveitava cada buraco e cada solavanco para me enlouquecer sem ele notar nada.
Ela se debruçou na grade para ver o carro do meu tio desaparecer, e eu me aproximei descalço por trás. Eu a observava assim havia anos. Naquela manhã, parei só de olhar.
Ela usava um biquíni preto minúsculo, dois triângulos amarrados por cordões, e me olhou por cima do ombro como se já soubesse o que ia acontecer entre nós.
Fazia meses que eu não tocava em ninguém quando comecei a olhar minha tia de outro jeito. Ela rezava toda noite; eu só pensava em como dobrá-la sem culpa.
Quando ela torceu o tornozelo, minha tia não procurou outra cadeira: sentou-se diretamente no meu colo, diante de toda a família, e começou a se mexer devagar.
Todas as tardes, ao voltar da faculdade, guardava as roupas masculinas na gaveta de baixo, como quem esconde provas de um crime. E descia a escada de saltos.
Escondidos entre as árvores, ouviram-nos gemer, e ao voltar à mesa a mulher sussurrou ao filho uma ideia que ele jamais imaginou ousar cumprir.