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Relatos Ardientes

O que aconteceu entre minha mãe e eu naquela semana

Para a festa de fim de curso, ninguém reservou um salão. A comemoração foi na casa de Rodrigo, que morava sozinho desde que os pais se mudaram para o norte. Vinte pessoas, música no último volume, garrafas de rum barato e algo mais que pairava no ar e cheirava a terra molhada. Eu tinha dezenove anos e acabara de passar em todas as provas finais do primeiro ano da universidade. Sentia-me invencível e cansado ao mesmo tempo.

Bebi pouco. Não foi moralismo nem medo, mas sim porque nunca gostei de perder o controle. Fiquei perto da janela conversando com Marcos e Paula, os únicos amigos que compartilhavam aquela mesma e estranha sobriedade. Em algum momento alguém passou com uma bandeja de brownies e eu comi dois sem pensar. Meia hora depois, o teto começou a girar e as vozes chegavam abafadas, como vindas do fundo de uma piscina. Não foi agradável. Foi puro desconcerto, uma sensação de intruso dentro do meu próprio corpo.

No dia seguinte veio o castigo. Uma diarreia que não respeitava horários nem distâncias. Durou três dias. Pensei em contar para minha mãe, que era enfermeira e levava vinte anos vendo corpos quebrarem e se recuperarem, mas a vergonha pesava mais do que o mal-estar. Esperei.

No quarto dia tudo travou. O corpo foi de um extremo ao outro sem aviso: constipação total, uma dor surda que me esmagava por dentro a cada movimento. Aguentei mais três dias antes de me render.

—Por que você não me disse antes? —me perguntou minha mãe quando contei sobre os brownies e os dias que tinham passado.

Não respondi. Ela também não esperava resposta.

O médico era um homem de modos eficientes e poucas palavras. Exame completo, análises, temperatura. Escutou a história sem levantar os olhos da tela do computador. “Flora intestinal alterada”, decretou. “Probióticos e sete dias de enema medicado”. Olhou para mim pela primeira vez desde que entrei no consultório. “Você tem alguém que possa administrá-lo?”

Minha mãe levantou a mão sem hesitar.

No caminho de volta para casa, no carro, tentei negociar. Disse que podia fazer sozinho, que não era necessário ela se envolver, que eu preferia o incômodo à humilhação. Ela dirigiu em silêncio até estacionar na garagem e desligar o motor.

—Sou enfermeira —disse—. Já apliquei centenas. E você está doente.

—Tenho dezenove anos, não sou criança.

—Exato. Então pare de se comportar como uma e aceite o tratamento.

Nessa tarde ela preparou o quarto com a mesma calma com que organizava as coisas para seus pacientes particulares. Tirou a maca dobrável do armário do corredor, cobriu-a com um lençol clínico e um lençol limpo. Penduróu a bolsa do enema no gancho do abajur de chão. Tinha aumentado o aquecimento. O quarto cheirava a lavanda e a algo asséptico que me lembrava consultórios médicos.

—Tire a roupa —disse sem desviar os olhos do que estava preparando.

Fiquei quieto por um segundo a mais.

—Toda a roupa —repetiu, com aquela voz que não deixava espaço para discussão.

Fazia anos que minha mãe não me via sem roupa. Não desde a infância. Tirei a roupa devagar, olhando para o chão, e quando terminei fiquei parado no meio do quarto sem saber onde pôr as mãos. Ela se virou e me olhou sem drama, com os olhos da profissional que havia sido a vida toda. Seus olhos desceram por um instante, percorreram meu pau pendendo mole contra a coxa, meus ovos apertados pelo frio, e seguiram adiante como se estivesse catalogando material clínico.

—Deite de costas e leve os joelhos ao peito.

Deitei na maca. O lençol estava frio e o papel do lençol clínico rangeu sob meu peso. Dobre as pernas e as segurei com as mãos, exatamente como ela tinha indicado. Fiquei completamente aberto, a bunda exposta para ela, o cu apertado à vista, os ovos pendendo entre as coxas afastadas. O ar roçou entre minhas pernas e senti a pele do ânus se contrair por reflexo.

—Você se barbeou —observou, com a voz neutra.

—Muita gente faz isso —respondi, sentindo-me vermelho até as orelhas.

—Eu sei. Não há nada pelo que pedir desculpas. —Os olhos dela percorreram meu púbis depilado, a base do meu pau, os testículos sem pelos, e depois voltaram ao que ela tinha nas mãos—. Pode ser que você tenha uma ereção durante o procedimento. É uma resposta reflexa. Não se envergonhe.

A simples menção fez exatamente o que eu não queria que fizesse. Não imediatamente, mas o medo de que acontecesse foi suficiente para que começasse a acontecer. Senti a primeira pulsação quente na base, o sangue subindo, o pau se desgrudando devagar da coxa. Pense em outra coisa. Qualquer coisa. Tentei pensar nas provas do semestre seguinte, no relatório de estatística que eu ainda tinha pendente. Não adiantou. A cada segundo que passava naquela posição, aberto como um sapo sobre a maca, eu ficava mais duro, até que ficou apontando para o teto, a glande inchada e brilhante, pulsando contra meu umbigo.

Senti o toque primeiro como algo frio e macio. Vaselina. Os dedos dela traçaram um círculo lento ao redor do ânus, sem pressa, sem incômodo. Untaram, pressionaram de leve, deslizaram pelo períneo até roçar a base dos ovos e voltaram para cima. Era um gesto clínico. Eu sabia disso. E, ainda assim, a sensação foi como água quente subindo pela minha coluna. O cu se abria e fechava sozinho sob a ponta do dedo dela, procurando algo que eu não sabia nomear.

—Respire —disse.

Um dedo entrou com cuidado. Devagar, com pausas, deixando o músculo ceder por conta própria. Senti o anel abrir, resistir por um segundo, ceder de repente e engolir o dedo até a articulação. Girou suavemente lá dentro, apalpando as paredes mornas. Procurou algo para cima, em direção ao meu ventre, e quando encontrou, um relâmpago me atravessou da base da coluna até a mandíbula. Fiquei sem ar. O pau deu um salto sobre a barriga e uma gota grossa de líquido pré-semelhante escorreu pela glande até o umbigo.

—A próstata —explicou, com a mesma voz com que teria dito “o fígado” ou “o coração”. —É preciso verificar se não há inflamação.

O dedo apertou de novo aquela noz interna, uma massagem pequena, circular, insistente. Cada pressão mandava uma fisgada até a ponta da pica. Outro jato de líquido transparente desceu pelo eixo e molhou meu púbis. Eu tentava não gemer, cerrava os dentes, mas o ar saía em rajadas curtas pelo nariz.

Meu pau estava completamente ereto, duro como uma barra, tão teso que doía. Descansava sobre minha barriga e pulsava com o pulso acelerado que eu tinha havia vários minutos. A glande arroxeada, brilhante de fluido, marcava uma mancha úmida na pele. Não havia como esconder.

—Tudo normal —disse ela, e retirou o dedo devagar. Senti o ânus se fechar atrás dele, vazio, buscando o que já não estava ali.

Veio a cânula. Fria no começo, depois morna pelo líquido que a seguia. A ponta empurrou o cu relaxado e entrou num único movimento suave. A água medicada entrou devagar, preenchendo um espaço que eu nem sabia que existia, subindo por dentro com um peso líquido e quente. A sensação era de pressão, de peso, de algo se expandindo de dentro para fora, empurrando a próstata pelo outro lado. Não era dor. Era algo mais difícil de definir. Cada mililitro que entrava apertava a glândula por dentro e arrancava outro espasmo do meu pau.

—Aguente dez minutos —disse ela. —Conte se ajudar.

Então as mãos dela desceram. Pegou meus testículos com uma ternura que eu não esperava ser possível. Pesou-os com a palma aberta, como se avaliasse a temperatura, o tamanho, a consistência. Os dedos dela se fecharam devagar ao redor deles, apertaram com suavidade, rolaram-nos entre as pontas dos dedos, puxaram de leve para baixo. As unhas rasparam a pele esticada do saco e uma descarga subiu reta até a ponta. Começaram a se mover com uma lentidão quase ritual, subindo e descendo, afrouxando e voltando a fechar o punho em torno dos ovos como quem amassa devagar.

Não disse nada. Não podia. Tinha a boca seca e a mandíbula frouxa, os olhos semicerrados fixos no teto.

O prazer veio de dentro: aquele peso de líquido pressionando, as mãos que não paravam de mexer nos meus ovos, a lembrança do dedo que tinha estado ali dentro apertando minha próstata minutos antes. Senti o orgasmo se formar lá no fundo do cu, subir pelo períneo, juntar-se na base da pica. E, sem que ninguém tocasse meu pau diretamente, sem um único roçar no eixo, o orgasmo me arrasou. Arqueei-me contra a maca, apertei as coxas contra o peito, gemi sem conseguir me calar. O primeiro jato de porra saltou grosso e quente até me atingir o queixo. O segundo caiu no meu peito. O terceiro, o quarto, continuaram saindo em pulsos regulares enquanto o ânus se contraía com força ao redor da cânula e o líquido de dentro se esforçava para sair. Senti cada pulsação da pica contra minha barriga, cada novo fio de sêmen morno que se somava à poça que se formava entre meus peitos e o umbigo.

O silêncio durou um segundo longo. Ela não tinha tirado a mão dos meus ovos. Ainda os sustentava, sentindo as últimas contrações por fora.

—Isso não devia ter acontecido —disse, com uma voz que não estava totalmente certa de si.

—Não —respondi, com a cara ardendo e uma gota da minha própria porra escorrendo do queixo para o pescoço.

Houve uma pausa. Então, em voz muito baixa, ela riu. Uma risada pequena, quase surpresa. E eu, sem entender por quê, também ri. Porque algo tinha se quebrado entre nós: a última camada do que considerávamos decente.

O cronômetro soou. Corri para o banheiro com o sêmen pingando pela barriga e o líquido do enema querendo sair pelo cu apertado.

***

Naquela noite jantei pouco e fui para a cama cedo. Não pensei no que tinha acontecido. Ou tentei não pensar. Sob o lençol, sem querer, encontrei o pau duro outra vez, e o masturbei devagar pensando nos dedos dela ao redor dos meus ovos, até gozar em silêncio contra o estômago.

Na manhã seguinte minha mãe não mencionou nada. Tomamos café da manhã juntos como sempre, ela com seu café e seu jornal, eu com o celular na mão sem olhar a tela. O silêncio entre nós não era incômodo. Era só silêncio.

À tarde ela voltou a preparar o quarto.

Deitei na maca com os joelhos no peito e fechei os olhos. Dessa vez não tentei pensar em outra coisa. Dessa vez me deixei ficar onde estava. Eu já estava meio duro antes de ela encostar um dedo.

Os dedos dela aplicaram a vaselina com a mesma lentidão do dia anterior, mas desta vez demoraram mais. Traçaram círculos ao redor do cu até eu sentir o músculo mole, rendido. Ela enfiou um dedo inteiro de uma vez e o deixou ali, imóvel, enquanto com a outra mão acariciava a parte interna da minha coxa. Moveu o dedo lá dentro, procurou a próstata sem fingir que procurava outra coisa, e a apertou. O pau deu um salto sobre a barriga, duro de repente até o limite.

—Aí está —murmurou.

Retirou o dedo e colocou a cânula. A ponta entrou deslizando e o líquido começou a me preencher, morno, pesado, expandindo-me por dentro como no dia anterior. Eu já estava duríssimo antes de terminar o procedimento, a pica erguida contra a barriga, a glande vermelha pingando sobre o umbigo.

—Hoje você demorou menos —observou.

—Sim —respondi.

Não voltamos a falar sobre isso. As mãos dela desceram e, desta vez, não havia nenhuma desculpa clínica em que nenhum dos dois acreditássemos. Envolveram primeiro meus ovos, apertaram-nos, rolaram-nos, subiram até o períneo e pressionaram aquele ponto macio entre o saco e o ânus. Senti a próstata ser empurrada de fora e de dentro ao mesmo tempo, porque o peso do líquido continuava pressionando por trás. Os dedos dela seguiram subindo até finalmente se fecharem em torno da base do meu pau. Apertaram. Afrouxaram. Apertaram de novo. Subiram devagar, da base à ponta, com o punho frouxo, como alguém que conhece o terreno e leva o próprio tempo para reconhecê-lo de novo. O polegar espalhou o líquido pré-semelhante da glande e o esfregou por toda a cabeça, deixando-a escorregadia. A cada passada do punho, um pouco do líquido do enema borbulhava dentro da minha barriga.

—Me diga se quiser que eu pare —disse ela.

Eu não queria que ela parasse.

Acelerou o ritmo. A mão subia e descia por todo o pau, apertada, úmida do meu próprio fluido. A outra mão não havia soltado os ovos: puxava-os para baixo cada vez que a de cima subia até a glande, esticando a pele do saco, mandando-me descargas curtas até a base da coluna. Eu empurrava os quadris para cima ao encontro dela sem conseguir evitar, fodendo-lhe o punho enquanto o líquido quente me pesava no fundo do ventre.

O orgasmo veio com mais força que o primeiro. Arqueei-me contra a maca, as mãos agarradas aos meus próprios joelhos até os nós dos dedos ficarem brancos, enquanto o líquido pulsava dentro de mim a cada contração do ânus ao redor da cânula. A primeira onda de sêmen saiu disparada pelo vão do punho dela e caiu sobre meu peito. Ela não soltou. Continuou apertando meu pau enquanto a porra seguia saindo em jatos grossos, um atrás do outro, até que o último escorreu morno entre os dedos dela. Gozei sobre mim mesmo pela segunda vez em dois dias, no mesmo quarto, com minha mãe de pé entre minhas pernas e a mão cheia do meu sêmen.

O cronômetro soou.

Fui para o banheiro sem dizer nada, com a porra esfriando no peito e a barriga inchada de líquido prestes a estourar.

***

Durante os cinco dias seguintes o ritual se repetiu com pequenas variações. Num dia ela me enfiou dois dedos em vez de um, curvou-os para a frente e trabalhou minha próstata por dentro até me fazer gozar sem tocar no meu pau, um jato longo que me acertou a boca. Em outro dia ela me chupou. Não houve preâmbulo nem pedido de permissão: quando eu já levava cinco minutos com o líquido dentro e a pica apontando para o teto, ela se inclinou sobre mim e enfiou a glande na boca. Senti a língua quente me envolver a cabeça, chupar devagar, descer pelo eixo até a ponta tocar o fundo da garganta. Os lábios dela me subiam e desciam pelo pau enquanto uma mão seguia amassando meus ovos e a outra me pressionava o ventre inchado, logo acima da bexiga. Gozei na boca dela em menos de um minuto. Ela engoliu tudo sem afastar o rosto e, quando terminou, lambeu a ponta, limpando o último fio de sêmen.

Ela encontrava o ângulo exato, a pressão certa, o ritmo que me fazia chegar lá sem que o corpo tivesse qualquer chance de resistir. Parei de fingir que era algo que simplesmente acontecia. Eu esperava aquilo. Contava as horas desde a manhã, desde o café, desde que ouvia os passos dela no corredor preparando a maca. Eu me masturbava de madrugada pensando na boca dela, nos dedos dela, no peso quente do líquido me enchendo enquanto ela chupava meu pau.

Numa tarde, enquanto eu ainda recuperava o fôlego sobre a maca com a porra secando no peito, ela disse em voz baixa:

—Seu pai tinha as mesmas proporções. As mesmas mãos. —Fez uma pausa—. Às vezes sinto saudade dele.

Não soube o que fazer com aquela informação. Guardei-a em algum lugar onde não precisei encará-la de frente.

No sétimo dia, quando o tratamento terminou e meu corpo já funcionava como devia, pedi um oitavo dia.

Ela demorou a responder. Olhou para mim de onde estava, de braços cruzados, e havia em seu rosto algo que eu não soube identificar totalmente: ternura, talvez, ou a variante adulta da tristeza de quem sabe que algo não pode continuar.

—Não —disse ela—. Isso foi o que tinha de ser. Nada mais.

—Mas nós dois...

—Nós dois o quê. —Não era uma pergunta.

Fiquei calado.

—Há coisas que acontecem —disse por fim— e que por isso não viram hábito. Eu te amo. Sempre vou te amar. Mas isso acabou.

Dobrou o lençol com cuidado, recolheu a maca e a levou para o armário. Fechou a porta. E foi só isso.

***

Os anos passaram. Nunca mais falamos sobre isso. Também não foi necessário. Entre nós ficou algo que não precisava de palavras: uma intimidade diferente, mais densa do que antes, construída sobre o silêncio partilhado de algo que não pode ser contado a ninguém.

Tive outros relacionamentos, outros corpos, outras noites. Outras bocas ao redor do meu pau, outras mãos apertando meus ovos, outros dedos procurando minha próstata na escuridão. Mas há uma sensação que nenhum amante conseguiu reproduzir por completo: aquela combinação específica de pressão interna e calor e as mãos de alguém que te conhece desde antes de você poder se conhecer. Que te sustentou quando você não conseguia ficar em pé. Que escolheu cuidar de você, mesmo quando cuidar se tornou algo que nenhum dos dois pediu nem antecipou.

Não sei se foi amor ou se foi outra coisa para a qual não existe nome preciso. Sei que foi real. E que ainda hoje, em noites de silêncio longo demais, eu a seguro pensando naquela semana, volto àquele quarto, àquela maca, àqueles dez minutos por dia e a umas mãos que sabiam exatamente o que faziam.

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