O que meu filho vinha querendo me pedir há anos
Me divorciei aos quarenta e quatro anos de um homem que nunca levantou a mão, mas sabia exatamente onde bater. Palavras doem do mesmo jeito que golpes, às vezes mais. Durante anos, a frustração dele por não ter chegado onde esperava chegar foi o eixo em torno do qual girou a nossa vida: tudo era culpa dos outros, e eu era o alvo mais conveniente para essa culpa.
O último ano de casamento não houve contato. Nem sequer cordial. A última vez em que ele me tocou, fez isso com uma violência que demorei muito para nomear e que decidi guardar para mim. Depois daquilo, fechei todo acesso e só adiei o divórcio por causa dos meus filhos.
Sofía tem quinze anos e vive nesse planeta impenetrável da adolescência, convencida de que ninguém a entende e de que todo mundo é injusto. Rodrigo tem vinte e quatro, está no último ano de engenharia, e quando me separei providenciou a transferência para a unidade local da universidade sem que eu pedisse. Dois meses depois do divórcio, já estava instalado na minha casa.
A chegada dele mudou tudo. Não digo isso como metáfora: literalmente mudei. Voltei para a academia depois de anos, retomei o pilates, comecei a cuidar do que comia. Me olhei no espelho pela primeira vez em muito tempo sem que isso me parecesse um exercício doloroso.
***
Rodrigo tem aquele jeito de falar que não se aprende nem se finge. Não era o «como vai?» de protocolo, mas frases concretas ditas no momento certo: «você está lindíssima esta manhã», «ninguém te merece», «não vou a lugar nenhum». Quando me abraçava por trás enquanto eu cozinhava, o abraço durava mais do que o normal. Eu sentia a pressão do corpo dele contra o meu, uma firmeza que não era de filho. Uma vez, inclusive, senti com clareza o pau endurecendo contra o tecido da calça, apertado contra a minha bunda, e ele não se afastou. Eu também não.
E eu não o impedi.
Eu devia tê-lo impedido.
As mensagens dele chegavam tarde da noite. Sempre terminavam igual: «tem algo que eu morro de vontade de te pedir». Eu esperava alguns minutos antes de responder, como se esse intervalo pudesse me convencer de que eu não entendia o que aquelas palavras significavam. Respondia com algum provérbio sobre paciência. Ele mandava um emoji, e eu ficava olhando a tela mais tempo do que precisava, com a mão já enfiada sob o elástico do pijama.
Os abraços começaram a incluir beijos no pescoço. Nunca na frente de Sofía, isso estava claro para nós dois sem que tivéssemos falado. Só quando estávamos sozinhos, na cozinha ou no corredor, e sempre brevemente, como quem apaga um incêndio antes que ele se espalhe.
Mas o incêndio já tinha se espalhado.
Sofía percebia. Mais de uma vez ergueu os olhos do celular e nos olhou alternadamente com aquela expressão indecifrável que os adolescentes têm quando sabem que há algo errado, mas não conseguem nomear.
—O que está acontecendo com vocês? —ela perguntou algumas vezes.
—Nada —dissemos os dois ao mesmo tempo.
***
Uma tarde, quando Sofía estava no quarto com uma amiga, Rodrigo me segurou pelo braço no corredor.
—O que está acontecendo com você ultimamente? Você está me evitando.
—Estou com medo —respondi.
—De quê?
—De machucar a nós dois.
Não terminei a frase. Ele me beijou. Na boca, com as mãos na minha cintura, e eu abri os lábios sem pensar. Foi um beijo longo e desesperado, como se nós dois estivéssemos prendendo a respiração havia tempo demais. A língua dele entrou na minha boca sem pedir permissão e eu a recebi sugando, mordendo o lábio inferior dele. Uma das mãos desceu para a minha bunda e apertou forte, quase com raiva. Só nos afastamos quando ouvimos Sofía rir do outro lado da parede.
Rodrigo estava com o batom espalhado por todo o queixo.
—Vai lavar isso —eu disse em voz baixa, e os dois soltamos uma gargalhada nervosa.
Fiz o jantar naquela noite quase sem falar. A tensão entre nós era tão visível que Sofía voltou a perguntar o que estava acontecendo. Ao dar o beijo de boa-noite em Rodrigo, sussurrei:
—Gostei do seu beijo.
—Tem mais? —ele sussurrou.
—Muito mais.
—Tenho uma coisa pra te pedir, mamãe.
Sofía, do corredor: «O quê?»
—Nada —disse Rodrigo—. Boa noite.
***
O plano tomou forma sozinho. No fim de semana seguinte, as duas crianças iam para a casa do pai. Visita combinada, da sexta à tarde até o domingo. Era o momento. Antes de fazer qualquer coisa, liguei para Carmen.
Carmen é minha melhor amiga desde a universidade e a única pessoa a quem eu podia contar aquilo sem que ela acabasse ligando para um psicólogo em meu nome. Anos antes, ela me confessara algo parecido com o próprio filho: uma tensão que durara meses e que ela conseguiu cortar, com ajuda de uma terapeuta e muito esforço. Quando lhe contei o que estava acontecendo na minha casa, ela aceitou almoçar comigo sem hesitar.
Nos encontramos em um restaurante do bairro antigo, mesas em um jardim interno, distância suficiente entre elas para conversar sem que ninguém ouça. Pedimos vinho rosé. Contei tudo sem pausas nem rodeios.
Carmen me olhava com os olhos bem abertos. De vez em quando baixava o olhar para a taça.
—Você está decidida? —me perguntou quando terminei.
—Sim.
—E vai ser hoje?
—Hoje à noite.
Silêncio. Outro gole.
—Não sei bem o que te aconselhar, de verdade. Você me parece convencida. Só te pergunto uma coisa: você está no período fértil?
—Sim.
—Meu Deus. Compra preservativos.
—É que eu quero sentir. Quero sentir o pau dele dentro de mim sem nada no meio, Carmen. Faz meses que eu imagino isso.
—Me escuta —disse ela, baixando a voz—. Uma coisa é o que vai acontecer hoje à noite e outra bem diferente é tudo o que isso implica. Não misture as duas coisas. Começa com proteção e depois você vê.
Ela tinha razão. Eu a escutei. Quase.
A tarde voou. Troquei os lençóis, coloquei flores na mesinha de cabeceira, acendi uma vela pequena. Antes de me vestir, me olhei no espelho por um bom tempo. Quarenta e quatro anos, um corpo de academia, mas também o corpo de duas gestações: estrias nos seios, algumas linhas ao redor dos olhos, os pelos sem cuidado havia semanas.
É exatamente isso que ele quer, pensei. Este corpo, esta mulher especificamente.
Vesti um vestido escuro, salto baixo, quase sem maquiagem. Sentei no sofá para esperar.
Dez minutos depois chegou a mensagem: «Você vem me buscar?»
Fui. Eles estavam os três vendo um filme quando cheguei. Meu ex-marido me olhou de cima a baixo e disse alguma coisa que não merece ser repetida. Rodrigo desceu com uma bolsinha pequena e, quando entrou no carro, me perguntou:
—Para casa, mamãe?
—Ainda não. Conheço um bar com música boa.
Propus um lugar que os dois gostam, daqueles que tocam músicas dos anos 80 e têm as luzes baixas o suficiente. Pedimos mojitos. Escolhemos a mesa mais afastada do balcão.
Rodrigo vestia uma camisa azul-escura e cheirava bem. Enquanto pedíamos as bebidas, me dei conta de que fazia horas que eu não pensava nele como meu filho.
—Estamos sozinhos —disse ele.
—Sozinhos de verdade.
—Então você sabe o que eu queria te pedir.
—Fala você.
—Quero te foder esta noite, mamãe. Quero enfiar até o fundo.
Meu fôlego cortou. Eu disse diretamente:
—Eu também quero. Quero sentir você dentro.
Silêncio. Nós nos olhamos. Pus a mão sobre a dele na mesa e, depois, aproveitando a pouca luz do lugar, guiei a mão dele até a minha coxa, por baixo do vestido, e mais para cima, até que os dedos dele roçaram o tecido úmido da minha calcinha. Deixei que ele sentisse por alguns segundos. Vi ele engolir em seco.
—Vamos? —perguntei.
Ele terminou a bebida de um gole só e assentiu.
***
De volta em casa, fechei a porta e o beijei antes de dizer qualquer coisa. Foi um beijo sem urgência, longo, como se nós dois precisássemos nos convencer de que aquilo era real. Depois me afastei um centímetro e o olhei.
—Estou nervosa —admiti.
—Eu também.
—Ótimo. Assim estamos iguais.
Subimos para o quarto. Tranquei a porta. Rodrigo ficou de pé ao lado da cama, sem saber o que fazer com as mãos, olhando os lençóis como se esperasse instruções. Entendi que cabia a mim conduzir o ritmo, pelo menos no começo.
—Senta ali —eu disse—. E me olha.
Comecei a me despir devagar. Primeiro a camisa, deixando-a cair sobre a cadeira. Virei-me para ele. Os olhos dele não se moviam. Depois me sentei na beira da cama e tirei os sapatos, bem devagar. A saia. Fiquei de sutiã e calcinha, com os seios ainda sustentados, e levei as mãos para as costas para abrir o fecho. Deixei o sutiã cair no chão. Meus mamilos estavam tão duros que doíam.
—Sua mãe —disse eu, deslizando a calcinha pelas ancas até o chão—. E esta noite, sua mulher.
Rodrigo olhava entre as minhas pernas com a boca entreaberta. Eu estava completamente nua para ele, e a boceta latejava de uma forma que eu não sentia havia anos.
—Agora você —disse eu—. Quero te ver.
Ele tirou a roupa quase aos trancos. Um dos botões da camisa saltou e foi parar debaixo da mesinha. Quando baixou a cueca, o pau dele saltou duro, grosso, a ponta avermelhada e já brilhando de líquido pré-ejaculatório. Minha boca encheu d’água. Ajoelhei no chão à frente dele, entre as pernas dele, e agarrei a base com a mão.
—Mamãe, não precisa que…
—Cala a boca.
Lambei da base até a ponta, devagar, sustentando o olhar dele. Passei a língua no freio e o senti tremer. Depois coloquei inteiro na boca, até onde consegui, e comecei a chupá-lo devagar, apertando com os lábios cada vez que subia, sugando a ponta com vontade antes de engolir de novo. Rodrigo tinha os dedos enroscados no meu cabelo, sem apertar, quase sem coragem, como se tivesse medo de forçar o ritmo.
—Caralho, mamãe, caralho…
Quando senti as coxas dele se tensionarem, tirei o pau da boca e beijei a ponta.
—Pra cama.
Nos deitamos juntos e, por um bom tempo, só nos beijamos: o pescoço, os ombros, a mandíbula, a boca de novo. Sem pressa. Como se explorássemos um terreno novo sem mapa. Ele chupou meus mamilos um por um, mordiscando-os, e eu deixei que ele fizesse isso com os olhos fechados e uma mão na nuca dele, empurrando a cabeça para que ele não parasse.
Quando a boca dele começou a descer pelo meu ventre, fechei os olhos. Senti ele avançar devagar, com uma atenção que eu não esperava, parando em cada centímetro. Ele abriu minhas coxas com as mãos e ficou um instante olhando de perto a minha boceta antes de aproximar o rosto.
—Você está ensopada, mamãe.
—Por você. Faz meses que eu fico assim por você.
A primeira lambida foi longa, plana, de baixo para cima, e eu arqueei as costas com o choque. Depois ele começou a chupar meu clitóris com uma constância que me surpreendeu, alternando língua e lábios, enfiando um, dois dedos, curvando-os dentro de mim. Pus a mão no cabelo dele sem dizer nada. Abaixei o rosto dele contra a minha boceta até quase faltar ar, e ele aguentou, gemendo contra mim, fazendo tudo vibrar com a boca. Quando o orgasmo chegou, foi longo, silencioso, com as coxas tremendo ao redor da cabeça dele e as unhas cravadas no lençol.
—Agora —disse eu, quando já não aguentei mais—. Vem aqui. Enfia.
Ele subiu pelo meu corpo beijando meu ventre, os seios, o pescoço. Agarrei o pau dele com a mão e o conduzi eu mesma até a entrada da boceta. A cabeça afundou sozinha. Rodrigo empurrou devagar, centímetro por centímetro, e eu cravava as unhas nas nádegas dele para que ele não parasse, para que entrasse todo. Quando o senti inteiro dentro de mim, ele ficou parado um instante sobre mim, olhando nos meus olhos.
—Mamãe…
—Me fode, meu amor. Me fode como você sonhou.
Ele começou a se mover. No começo com investidas longas e controladas, tirando quase tudo e voltando a afundar até a base. Eu o enrolei com as pernas para tê-lo mais fundo. A cabeceira batia de leve na parede. O pau dele me preenchia por inteiro, e cada impulso arrancava de mim um gemido que eu não conseguia conter.
—Mais forte —eu pedi.
E ele me obedeceu. Apoiou-se nos braços e começou a me foder de verdade, num ritmo fechado, seco, a pele batendo contra pele. O mundo se reduziu ao peso dele sobre mim, à respiração dele no meu pescoço, à voz repetindo «mamãe» num sussurro que soava mais como prece do que como palavra. Eu o puxei contra mim. Cravei as unhas nas costas dele sem querer, e ele não reclamou. Mordi o lábio para não fazer barulho, embora estivéssemos sozinhos. Perdi a noção do tempo.
—Fica por cima —eu pedi.
Rolamos. Sentei-me por cima dele e enfiei o pau de novo, afundando até o fundo de uma vez só. Comecei a me mover, cavalgando-o, com as mãos apoiadas no peito dele e os seios quicando na frente do rosto dele. Ele segurava minhas ancas, me guiando, me olhando com uma expressão de espanto que eu não vou esquecer. Agarrei uma das mãos dele e a levei até o clitóris.
—Esfrega aí. De leve.
Com os dedos dele se movendo sobre mim e o pau dele cravado dentro, cheguei ao segundo orgasmo quase na hora, arqueada para trás, as coxas apertando as ancas dele. Senti a boceta se fechar ao redor dele, pulsando em volta do pau.
—Não aguento mais, mamãe —ele gemeu—. Vou gozar.
Quando senti que ele estava chegando, o afastei com as mãos nos ombros dele e saí de cima.
—Pra fora —eu disse—. Estou ovulando. Goza na minha boca.
Desci rápido, agarrei o pau escorregadio dele e o enfiei na boca bem a tempo. Ele começou a gozar com um gemido rouco, longo, e eu segurei as ancas dele enquanto jatos quentes enchiam minha língua. Engoli quase tudo. Um pouco escapou pela comissura e caiu no ventre dele. Continuei lambendo a ponta até que ele parasse de tremer, com ele apertando meu cabelo, murmurando coisas que eu não conseguia entender.
Ficamos deitados sem falar, olhando o teto, com a respiração se recuperando aos poucos. O peito de Rodrigo subia e descia. Coloquei a mão sobre ele e senti o coração bater.
—Te amo, mamãe —ele disse.
—E eu a você, meu amor.
Não foi preciso dizer mais nada. Dormimos juntos, com o sêmen ainda na minha língua e o cheiro dele tomado conta de todo o quarto.
***
Isso foi há vários meses. Rodrigo e eu estamos há um tempo que já nem sei medir, porque deixou de me parecer extraordinário: virou parte do que somos. Aprendemos a nos cuidar: hotéis quando dá, a casa quando Sofía não está. Ele continua me chamando de «mamãe», mas com uma entonação que só eu entendo, carregada de algo que não tem nome em nenhum dicionário.
Sofía desconfia. Sei disso pelo jeito como às vezes nos olha durante o jantar, aquela fração de segundo em que os olhos dela vão dele para mim e voltam, procurando algo que ela não sabe exatamente o que é. Ela não disse nada. Talvez não queira saber.
Carmen continua sem dar o passo com o filho. Toda vez que falamos do assunto, ela me diz «esta semana», e depois me explica que recuou porque ele se assustou, ou porque ela se assustou, ou porque surgiu algo. Não a pressiono. Isso não é uma decisão que se toma por imitação nem por conselho alheio. É preciso chegar a esse ponto por si mesma, sem empurrões.
O que posso dizer, de onde estou, é que não me arrependo. Tenho consciência de tudo o que isso implica, do que arrisco, de tudo o que silenciosamente engulo em cada almoço de família. Há dias em que fingir cansa mais do que qualquer trabalho. Há noites em que me pergunto até quando podemos sustentar isso sem que alguma coisa se quebre.
Mas, quando fecho a porta do quarto e me viro para ele, sou exatamente quem quero ser.
E isso, aos quarenta e quatro anos, não é pouco.