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Relatos Ardientes

O que minha mãe viu naquele provador

Eu tinha dezenove anos quando tudo começou, no provador de uma loja de roupas do centro.

Era pleno verão. Minha mãe — ela se chama Lorena — tinha me arrastado para fazer compras porque eu precisava de um maiô para as férias da semana seguinte. Fui com ela até a loja, escolhemos tamanhos no olho, e uma vendedora nos apontou os provadores no fundo do corredor. Entrei no primeiro que encontrei livre.

O que eu não esperava era o que ia ouvir do cubículo ao lado.

Primeiro foi um sussurro. Depois, um gemido contido que alguém tentava disfarçar sem muito sucesso. Depois não havia mais dúvida: um casal jovem estava no ato a menos de um metro de mim, separado apenas por uma parede fina. Ouvia-se o barulho úmido de uma boca chupando alguma coisa com fome, o rangido do banquinho toda vez que ela mudava de posição, a respiração ofegante dele pedindo mais baixinho. Procurei sem pensar e encontrei uma fresta entre as tábuas. O que vi nesses segundos foi o suficiente para meu corpo reagir sem pedir permissão à minha cabeça: ela ajoelhada, com o vestido abaixado até a cintura e os peitos ao ar, a rola do cara entrando e saindo entre os lábios pintados, um fio de saliva pendendo do queixo. Ele segurava o cabelo dela com as duas mãos e fodía a boca dela sem nenhuma delicadeza. Ela se deixava, e ainda por cima gemia.

Não me lembro de ter decidido. Baixei a calça até as coxas e me agarrei ali mesmo, com o maiô ainda na outra mão e o coração batendo num ritmo que eu não reconhecia como meu. Eu estava duro como nunca, pulsando contra a palma. Era a primeira vez que algo assim me acontecia em um lugar público, e isso tornava tudo dez vezes mais intenso. Fechei os olhos. Me masturbei devagar, apertando a glande toda vez que o gemido do outro lado aumentava de volume. Me perdi no som que vinha do outro cubículo: o barulho líquido da chupada, o «assim, come tudo» que escapou dos dentes dele, o grunhido abafado dele gozando e ela engolindo sem protestar.

Eu estava tão concentrado que não ouvi minha mãe chamar do lado de fora.

—Mateo, como ficou o maiô?

A porta se abriu antes que eu pudesse reagir.

O silêncio que se seguiu durou talvez dois segundos. Para mim, foram dez minutos. Eu com a rola de fora, dura e pingando, e ela parada no umbral com a mão na maçaneta.

Minha mãe me olhou. Processou a situação. No rosto dela passaram várias coisas muito rápido: espanto primeiro, uma tentativa de vergonha depois, e algo mais difícil de nomear no fim. Os olhos dela desceram para o pau que eu ainda tinha na mão, e ali ficaram um segundo a mais. Ela permaneceu no umbral sem entrar nem sair.

—Desculpa — disse em voz baixíssima—. Não sabia que...

—Mãe, eu...

—Shhh.

Ela entrou no cubículo e fechou a porta atrás de si sem fazer barulho. Eu continuava sem conseguir me mexer, com a rola ainda dura e sem nenhum lugar para escondê-la.

—Por que você está assim? — perguntou, também em sussurros, olhando para a fresta.

Expliquei em duas frases: o casal do lado, o que eu tinha visto, a chupada, o que eu não tinha conseguido controlar. Ela não disse nada. Abaixou-se devagar e olhou pela fenda. Ficou ali um momento que me pareceu interminável. Vi ela apertar as coxas uma contra a outra sem perceber. Quando se levantou, estava com as bochechas coradas e a respiração um pouco mais rápida do que o normal.

—Isso é muito esquisito — murmurou, sem parar de olhar para a minha rola.

—Eu sei.

—Mas eu entendo — acrescentou, sem ainda olhar para o meu rosto.

Houve outro silêncio. Depois ela me olhou, dessa vez diretamente e sem desviar os olhos.

—Você não pode sair assim — disse.

—Eu sei, mãe, mas eu não consigo...

—Fica parado.

Ela se ajoelhou devagar. Fez isso com uma calma que me deixou mais desconcertado do que qualquer outra coisa que ela poderia ter feito. Ela afastou minha mão com delicadeza e segurou minha rola com os dedos, pesando-a, olhando de perto como se estivesse decidindo por onde começar. Depois abriu a boca e a enfiou inteira, sem dúvidas, sem perguntas, sem nenhuma das palavras que eu esperava que alguém dissesse num momento assim.

Senti a língua quente dela se enrolando por baixo da glande, a pressão dos lábios se fechando sobre o eixo, a sucção firme quando ela jogou a cabeça para trás para respirar. Ela me engoliu até o fundo outra vez, tão fundo que senti ela empurrar contra a garganta. Eu mordia o ar para não gemer. Do outro lado do cubículo, o casal continuava na dele, e ela — minha própria mãe — me chupava de joelhos com a mesma dedicação, mexendo a cabeça num vai-e-vem úmido, ajudando com a mão na base toda vez que se afastava para puxar o ar. Um fio de saliva pendia do queixo dela. Ela ergueu os olhos e me olhou sem tirar a rola da boca, e aquele olhar acabou de me destruir.

O que veio depois durou pouco. Eu estava no limite demais para aguentar. Apertei o ombro dela para avisar, e ela cravou as unhas nas minhas coxas e acelerou, chupando com mais força, a mão subindo e descendo no que a boca não cobria. Gozei na boca dela com uma descarga que me dobrou os joelhos. Ela não se afastou. Recebeu tudo, jato após jato, sem me soltar, e senti como engolia duas vezes seguidas para não perder uma gota sequer. Quando enfim se afastou, limpou o canto do lábio com o dedo e o levou à boca, tranquila, como se nada do que acabara de acontecer fosse extraordinário.

—Agora você já pode sair — disse, levantando-se.

Ela saiu do cubículo primeiro. Eu fiquei ali um instante, com o maiô ainda na mão, tentando entender exatamente o que tinha acabado de acontecer entre nós.

Compramos o maiô. Voltamos para casa de carro. Não falamos sobre o assunto.

***

A casa da praia ficava a uns noventa quilômetros. A gente alugava todo verão desde que eu era criança, sempre a mesma: quatro quartos, uma varanda com vista para o mar, aquele cheiro de sal que entrava na roupa assim que você descia do carro.

Éramos quatro: meu pai Roberto, minha mãe Lorena, minha irmã Camila — que tinha vinte e um anos — e eu.

No primeiro meio-dia, depois do almoço, meu pai e minha irmã ficaram dormindo a sesta. Minha mãe me disse para descer com ela até a praia. Vesti o maiô recém-comprado e a segui pelo caminho de madeira que levava à areia.

Ela estendeu a toalha e começou a passar protetor solar. Fazia isso devagar, sem pressa, em círculos largos nos braços, no decote, nas pernas. Passava os dedos na base dos seios, se besuntando com calma, sabendo que eu estava olhando. Eu olhava sem esconder totalmente.

—Me ajuda nas costas? — perguntou sem se virar.

Cheguei mais perto. Passei o protetor e comecei a espalhá-lo. A pele estava quente do sol do meio-dia. Eu sentia meus dedos se mexerem sozinhos, buscando desculpas para descer por baixo da alça do biquíni, para roçar a lateral do seio dela, para ficar mais tempo perto da bunda.

—Por que você está tremendo? — perguntou.

—Não sei. Estou nervoso.

—Não precisa ficar.

Não respondi. Continuei a tarefa e tentei não pensar no provador, na boca dela, em como tinha engolido. Não consegui. O volume ficou marcado sob o maiô e não havia como disfarçar.

Quando me sentei ao lado dela, ela ergueu um pouco a cabeça e me olhou por cima do ombro com um meio sorriso que não tinha nada de inocente. Os olhos dela foram para o volume e voltaram para mim.

—Tem algum casal espiando por um buraco? — perguntou.

—Não.

—Então é por outra coisa.

Eu não neguei. Ela também não esperava que eu negasse. Deitou-se para pegar sol e não tocou mais no assunto.

—Tenha paciência — disse sozinha, um tempo depois, sem abrir os olhos—. Hoje à noite.

***

Naquela noite, fui dormir tarde. Eu ouvia o ronco do meu pai do outro lado do corredor e o barulho constante do mar pela janela entreaberta. O relógio do telefone marcava quase três da manhã quando ouvi passos leves se aproximando.

Pararam diante da minha porta.

—Você está acordado? — perguntou minha mãe em voz muito baixa, quase sem som.

Virei-me para a porta e a vi: usava um robe leve de algodão que ia até os joelhos, o cabelo solto, e tinha um cheiro floral que se instalou no quarto na hora.

—Sim — disse eu.

Ela entrou. Fechou a porta com cuidado, sem deixar a lingueta fazer barulho.

—É hora da recompensa — disse, e se sentou na beira da minha cama.

O que veio depois foi diferente do provador. Mais lento. Mais deliberado. Começamos a nos beijar no escuro, e a língua dela procurou a minha com a calma de uma mulher que sabe perfeitamente o que quer. Eu abri o robe dela com cuidado, como se tivesse medo de quebrar alguma coisa, e descobri que por baixo não havia nada. Nada mesmo. A pele nua, os peitos pesados caindo aos lados, o cheiro de sabonete misturado ao perfume floral que já estava me enlouquecendo.

Passei a boca pelo pescoço dela, pelo ombro, pela curva do peito. Agarrei um mamilo com os lábios e ela arqueou as costas sem fazer barulho, cravando os dedos no meu cabelo. Chupei devagar, puxando com os dentes, passando a língua em círculos até ele ficar duro como pedra. Depois o outro. Ela me guiava com as mãos sem falar, com uma segurança que me desarmava.

Deitei-a na cama. Abri as pernas dela e me enfiei entre elas, beijando seu ventre, descendo pela linha do umbigo. Explorei o corpo dela devagar, deixando-me levar pelo que ela respondia sem palavras: a tensão nos músculos, a pressão dos dedos no meu cabelo, o ritmo da respiração. Quando cheguei ao abdômen, a mão dela se fechou sobre a minha cabeça.

—Aqui — murmurou—. Come pra mim.

Obedeci. Abri os lábios da boceta com os polegares e passei a língua inteira, de baixo para cima, saboreando-a pela primeira vez. Ela estava encharcada, quente, com um gosto de mulher que me subiu à cabeça. Chupei o clitóris com os lábios, esfreguei-o com a ponta da língua, lambi em círculos até ela começar a levantar o quadril contra a minha boca. Meti dois dedos nela e curvei-os para cima enquanto continuava chupando o clitóris. Ela conteve os gemidos cobrindo a boca com o dorso da mão, mordendo os nós dos dedos até deixar marcas. Nós dois sabíamos que do outro lado do corredor meu pai e minha irmã dormiam. Aquele silêncio forçado tornava tudo mais tenso, mais carregado. Ela empurrava a boceta contra o meu rosto sem conseguir evitar, com as coxas apertando minhas orelhas.

—Enfia — disse finalmente, com uma voz rouca que eu não reconheci como sendo dela—. Enfia logo. Quero sentir você dentro.

Ela me pegou pela mão e me fez subir. Agarrou a minha rola e ela mesma foi guiando-a entre os lábios da boceta, esfregando a glande no clitóris antes de me deixar entrar. Achei o ângulo. Entrei devagar, e ela deu um sobressalto silencioso, mordendo o lábio com força. Senti ela se fechar ao meu redor, quente e apertada, me apertando centímetro por centímetro. Nos olhamos no escuro.

Comecei a fodê-la com investidas lentas, longas, sentindo como ela me engolia inteiro a cada vez. Ela cravava os calcanhares na minha bunda para eu não sair nunca por completo. Nos movemos em silêncio, pressionando nossas bocas uma contra a outra cada vez que um dos dois perdia o controle, abafando os gemidos na língua do outro. Coloquei as pernas dela sobre meus ombros e entrei mais fundo. Escapou dela um gemido agudo que cortei com um beijo. Virei-a de lado e continuei penetrando por trás, com a mão por diante procurando o clitóris enquanto a comia. Ela se movia contra mim empurrando a bunda, querendo mais, sempre mais.

Foi intenso de um jeito que não consigo explicar direito. Não era só o corpo. Era o peso do que estávamos cruzando, a consciência de que havia uma linha e nós dois a estávamos pisando, juntos, de forma deliberada. Foder a minha própria mãe na casa onde meu pai dormia. Sentir ela gozar contra a minha mão, segurando o grito com os dentes cravados no travesseiro. Senti-a me apertar por dentro com espasmos que quase me fizeram gozar ali mesmo.

Quando avisei que estava prestes a terminar, ela me afastou, me empurrou contra o encosto e se abaixou de novo. Agarrou minha rola com a mão e a boca ao mesmo tempo, sacudindo-a rápido, chupando minha ponta a cada dois ou três movimentos. Fez isso até o fim, me olhando nos olhos sem desviar a vista, e recebeu tudo sem se alterar. A primeira descarga acertou a língua dela, a segunda os lábios, e ela continuou chupando até arrancar de mim a última gota. Engoliu e me limpou com a língua, devagar, como se tivesse pena de que eu perdesse qualquer coisa.

—Nosso segredo — disse depois, enquanto vestia o robe.

Ela me beijou devagar, quase com ternura, e senti meu próprio gosto na boca dela. Saiu do quarto sem olhar para trás e os passos dela se afastaram pelo corredor sem fazer nenhum ruído.

Fiquei na escuridão ouvindo o mar, sem conseguir dormir no resto da noite.

***

Os dias seguiram sua rotina normal. Almoços em família, tardes na praia, noites na varanda olhando o horizonte. Como se nada tivesse acontecido. Ou quase como se nada tivesse acontecido.

Foi meu pai quem, sem saber, organizou tudo mais uma vez.

—Lorena, por que você não vai com Mateo ao supermercado? Eu termino de revisar a instalação da água quente.

—Claro — disse ela—. Assim aproveitamos e passeamos um pouco pela cidade.

Pegou as chaves do carro e piscou para mim quando meu pai já não estava olhando.

Estávamos há dez minutos na estrada quando a mão dela pousou na minha coxa. Sem aviso. Sem preâmbulo. Comecei a reduzir a velocidade por instinto. Ela não disse nada, só foi subindo a mão aos poucos até apertar minha rola por cima da calça. Estava me deixando duro sem dizer uma palavra.

—Não vou conseguir dirigir direito assim — disse eu.

—Só mantém o carro reto. Não tem ninguém nessa estrada.

Ela tinha razão. Era uma via secundária, quase deserta àquela hora. Ainda assim, meu coração batia forte.

Ela baixou o zíper com calma. Tirou minha rola da cueca e ficou olhando para ela por um segundo, pesando-a com a mão, passando o polegar pela glande como se estivesse conferindo alguma coisa. Depois se inclinou sobre o banco e a enfiou na boca até o fundo de uma só vez. Quase saí da faixa.

O que veio depois foi a boca dela, e todo o resto desapareceu. Só existiam o asfalto, a linha branca no centro da estrada e a sensação da língua dela se mexendo com uma habilidade que eu mal conseguia processar enquanto tentava manter os olhos fixos à frente. Ela me chupava com sucção firme, subindo e descendo a cabeça, deixando a saliva escorrer pelo queixo e me encharcar o pau. A cada poucos segundos ela se afastava para lamber meus ovos, para passar a língua lisa por toda a extensão, para voltar a afundar até o fundo com um gemido abafado que eu sentia vibrar contra a carne.

—Continua assim, porra, não para — murmurei, agarrado ao volante com os nós dos dedos brancos.

Ela se acomodou melhor, apoiou uma mão na minha coxa para fazer alavanca e acelerou o ritmo, me chupando com mais vontade, com aquele som úmido e obsceno que a boca fazia toda vez que ela a tirava. Avisei quando não aguentei mais. Ela acelerou ainda mais, apertando os lábios na coroa. Cheguei ao limite com um som que tentei transformar em silêncio e fracassei pela metade. O carro parou sozinho no acostamento enquanto eu me esvaziava na boca dela. Senti ela continuando a me chupar mesmo enquanto eu gozava, engolindo cada jato, ordenhando-me até a última gota com a mão.

Ela se ergueu e me olhou com restos meus no lábio inferior. Limpou-os com o dedo e o levou à boca sem desviar os olhos dos meus.

—Cada vez mais gostoso — disse.

Seguimos até o supermercado. Fizemos as compras normalmente, escolhemos frutas, discutimos que vinho levar, colocamos as sacolas no porta-malas. No caminho de volta, a conversa era banal: o que jantar, se ia chover, se minha irmã queria ir mergulhar no dia seguinte.

Mas, no meio do caminho, ela abriu o zíper da calça e enfiou a mão entre as pernas sem nenhum pudor. Vi pelo canto do olho como ela esfregava o clitóris em círculos, com dois dedos, mordendo o lábio e abrindo as pernas o máximo que o banco permitia.

—Não olha se não quiser que a gente bata — disse ela, com a voz já carregada.

Olhei mesmo assim, de vez em quando. Vi ela enfiar os dedos na boceta, tirá-los brilhando e voltar para o clitóris, vi começar a arquear as costas contra o encosto. O que vi foi o bastante para eu também reagir. Parei o carro num desvio de terra entre dois campos de girassóis.

—Aqui — disse eu.

Não foi preciso mais nada.

Ela baixou a calça e a roupa íntima de uma vez e subiu em cima de mim no banco do motorista. O espaço era ridículo e nenhum dos dois se importou. Ela tirou minha rola com pressa e se sentou em cima de uma vez, me engolindo inteira com um gemido gutural que ela já nem se deu ao trabalho de segurar. Segurei-a pelas ancas e encontramos o ritmo juntos, subindo e descendo num vai-e-vem que fazia o banco ranger e batia no volante com o cotovelo toda vez que mudávamos de posição.

—Me arrebenta — ela disse no meu ouvido, agarrando-se ao encosto de cabeça para fazer alavanca—. Me fode forte, Mateo, aproveita que estamos sozinhos.

Agarrei a bunda dela com as duas mãos e a ajudei a se mover mais rápido, investindo para cima cada vez que ela descia. Mordi um mamilo por cima da camiseta erguida. Ela cravou as unhas na minha nuca, empurrando a boceta contra a minha rola com toda a força que as coxas lhe davam. Soltamos alguma risada contida antes de voltar a nos calar, a foder de verdade, com aquela urgência de dois animais que se encontraram num cruzamento de terra. Do lado de fora, o campo imóvel. O sol caindo sobre os girassóis. O silêncio da tarde interrompido só pelo ruído úmido de dois corpos entrando e saindo.

Quando ela chegou ao próprio clímax, agarrou meus ombros e enterrou o rosto no meu pescoço, mordendo a pele para não gritar. Senti ela me apertar por dentro com contrações longas, me molhando inteiro. Ouvi sem ouvir, com o corpo inteiro jogado naquele instante. Depois gozei também, e dessa vez me esvaziei dentro dela, sem sair, segurando-a com força enquanto despejava tudo o que me restava no fundo. Ficamos quietos por um momento, enroscados no banco, sem falar, enquanto eu sentia escorrer lentamente pela base.

Nos recompusemos em silêncio. Ela ajeitou a roupa como pôde, pegando lenços no porta-luvas para se limpar nas coxas. Eu liguei o carro.

—Ninguém precisa saber de nada — disse ela, olhando pela janela enquanto retomávamos a estrada.

—Eu sei, mãe.

Ela assentiu. Não disse mais nada.

Chegamos em casa com as compras e sem nenhuma desculpa para dar, porque ninguém pediu. Meu pai estava fechando a válvula da água. Minha irmã dormia na rede da varanda com um livro aberto sobre o peito.

O verão terminou como tinha começado: em família, com a normalidade perfeita de sempre por cima de tudo.

Mas eu sei o que aconteceu naquele provador. E naquela cama com o mar ao fundo. E naquele desvio entre os girassóis.

E sei que ela também se lembra.

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