O que ninguém mais podia dar ao meu filho
Meu nome é Elena. Tenho 47 anos e a minha vida inteira gira em torno de um homem que não pode andar. Esse homem é meu filho Marcos. Ele tem 26. Vivemos numa casa de pedra a doze quilômetros da cidade mais próxima, numa região de Zamora onde o inverno dura mais do que deveria e os vizinhos não fazem perguntas. A estrada que nos separa do mundo tem quatro curvas sem visibilidade e uma história que nunca vou contar a ninguém.
Há três anos, Marcos voltava de um casamento na cidade. Era tarde, chovia e a moto derrapou numa curva de cascalho. Ele chegou ao hospital com três vértebras comprometidas. O neurologista falou em paraplegia incompleta, em sensibilidade parcial, em possibilidades que iriam se definindo com o tempo. O que ele não disse, porque não era seu trabalho dizer, é que a vida que meu filho conhecia até aquele momento tinha acabado.
A garota que ele tinha na época aguentou seis semanas. Não me lembro do rosto dela, ou talvez eu prefira não lembrar. Numa terça-feira de manhã, juntou as coisas e fechou a porta sem olhar para trás. Marcos não chorou naquele dia. Chorou três semanas depois, no chuveiro adaptado que instalei no banheiro de baixo, enquanto eu passava a esponja pelas coxas dele e ele fitava o teto.
— Não me olha assim — murmurou.
— Não estou te olhando de jeito nenhum.
— Está, sim. Você me olha como se eu fosse uma criança que não sabe se cuidar sozinha.
Fiquei em silêncio. Continuei lavando-o com a eficiência aprendida em três anos de manuais médicos e tutoriais de enfermagem. Passava a esponja pelos genitais dele com a neutralidade de uma profissional, ignorando que, sob aquele corpo atrofiado, pulsava um homem de 26 anos que passara meses sem ninguém tocá-lo com qualquer intenção que não fosse clínica.
Foi nesse dia que notei que ele estava com uma ereção. O pau dele tinha ficado duro entre os meus dedos ensaboados, duro e grosso, pulsando contra o dorso da minha mão como se tivesse vida própria. Não disse nada. Ele também não. Terminei o banho com aquele pau erguido roçando meu pulso a cada passada de esponja, sequei-o sentindo o ventre dele estremecer quando a toalha roçava o glande, ajudei-o a se transferir para a cama e fechei a porta ao sair. Naquela noite eu não dormi. Fiquei olhando para o teto, com a lembrança daquele pau duro batendo contra a minha mão, com algo entre as pernas que eu não soube nomear durante meses.
***
As ereções reflexas continuaram aparecendo. O corpo dele reagia mesmo quando a mente estava em outro lugar, mesmo depois de passar o dia encarando a parede. A fisioterapeuta nos explicou que isso é comum em lesões incompletas: o sistema nervoso conserva reflexos involuntários mesmo quando a sensação consciente é parcial ou inexistente. Marcos vivia isso como uma humilhação a mais. Para mim era outra coisa, algo para o qual eu ainda não tinha coragem de olhar de frente.
Houve uma tarde de janeiro em que tudo mudou.
Eu estava preparando a medicação na cozinha quando o ouvi gritar. Não era um grito de dor física. Era pior. Fui até a porta do quarto e o encontrei batendo nas próprias pernas com os punhos, aquela raiva surda de quem grita com algo que não responde.
— Me olha! — vociferou quando me viu no limiar da porta. — Eu sou um boneco quebrado. Nenhuma mulher vai querer isso. Vou passar a vida nesta cama, sendo seu paciente, sem que ninguém me toque como homem.
— Marcos…
— Não fala meu nome assim! — Ele atirou o copo d’água na parede. Os cacos se espalharam pelo chão. — Nunca mais vou sentir uma mulher. Entende o que isso significa? Ninguém vai me chupar nunca mais, ninguém vai me cavalgar, ninguém vai transar comigo. Você realmente entende?
Me aproximei. Recolhi os cacos com calma, um por um. Depois me levantei, olhei nos olhos dele por alguns segundos e fui até a porta. Tranquei-a. O clique da tranca foi muito definitivo naquele quarto em silêncio.
— Isso não é verdade — eu disse.
Tirei a camiseta. Depois o sutiã. Meus seios caíram pesados, com os mamilos já duros pelo frio do quarto e por outra coisa. Depois baixei a calça, a calcinha, o resto. Fiquei nua ao pé da cama dele, com 47 anos nas costas e sem nenhuma vergonha, oferecendo a buceta que eu vinha mantendo seca havia três anos para um homem que, por acaso, era meu filho. Marcos não se mexeu. Me olhava de olhos arregalados, sem falar, com a respiração presa. A luminária da mesinha iluminava o pescoço dele, os ombros, as mãos grandes que sempre tivera e que agora eram o que havia de mais poderoso nele.
— Mãe… — sussurrou.
— Cala a boca. E para de se bater.
Sentei na beira da cama e pus a mão no peito dele. Senti o coração dele bater rápido, muito mais rápido do que deveria. Ele não tirou minha mão. Não disse para parar.
— Você sente isso? — perguntei.
Demorou para responder. Fechou os olhos.
— Calor — murmurou. — Sinto calor.
— E isso?
Desci os dedos devagar pelo ventre dele. Ele prendeu o ar entre os lábios, tenso, imóvel. Puxei o lençol de uma vez. O pau dele estava duro de novo, apontando para o teto, pesado contra o ventre, com o glande brilhando e uma gota espessa surgindo na ponta. Envolvi-o com a mão e ele soltou um gemido rouco que saiu lá do fundo, como se tivesse guardado aquilo durante três anos.
— Sim. Sinto pressão. Sinto algo que achava que já não existia.
Comecei a masturbá-lo devagar, com a palma bem colada, subindo e descendo por toda a extensão entre os meus dedos. Passei o polegar pelo frênulo e ele arqueou o pescoço. Depois me inclinei e o enfiei na boca sem aviso. Chupei-o inteiro, até o glande tocar o fundo da garganta, até ele parar de respirar. Chupei com fome atrasada, com a mandíbula frouxa, com a língua enroscada ao redor da cabeça, puxando-o com um ruído molhado e engolindo-o de novo até as bolas. Marcos levou uma mão à minha nuca. Não para me empurrar. Para se agarrar.
— Mãe, porra, mãe…
Continuei chupando até sentir ele engrossar ainda mais entre os meus lábios. Então soltei com um estalo úmido, subi montada sobre ele e enfiei de uma vez. Minha buceta já estava encharcada. O pau entrou inteiro, até o fundo, até minha bunda bater nas coxas dele. Gritei. Ele gritou. Ficamos assim por alguns segundos, com ele dentro de mim e eu sentada sobre meu filho de 26 anos, incapaz de me mover diante da dimensão do que estava acontecendo.
Depois me movi.
***
O que aconteceu naquela noite não foi limpo nem organizado. Foi desajeitado e carregado de eletricidade, como todas as primeiras vezes em que duas pessoas cruzam uma linha que sabem que jamais vão poder descruzar. Eu o cavalguei durante horas, subindo e descendo sobre aquele pau duro, sentindo como se eu me abrisse por dentro a cada investida, como o glande tocava lugares que há anos não eram tocados. Apoiei as mãos no peito dele e o fodi no meu ritmo, puxando a bunda para trás para ele entrar até o fundo, girando os quadris para me esfregar onde eu queria. Meus seios pendiam na frente da boca dele e ele os alcançava com a língua, chupando os mamilos um por um, mordendo-os até eu me arquear de prazer. Marcos tinha os dedos enterrados no meu cabelo quando eu montei nele de novo, olhando para mim como se eu fosse algo que ele ainda não conseguia entender. As mãos dele, a única parte do corpo que ele controlava por completo, seguravam minha cintura com uma firmeza que deixou marcas na minha pele por três dias.
— Não para — ele repetia. — Não para, mãe, por favor, não para.
Eu não parei. Gozei no pau dele duas vezes antes que ele gozasse dentro de mim. A primeira me pegou com os olhos fechados, apertando as paredes da minha buceta ao redor do pau dele como se quisesse parti-lo. A segunda veio mais fundo, mais longa, com um tremor que subiu da sola dos meus pés. Quando por fim ele se deixou ir, todo o ventre dele se contraiu e ele me encheu por dentro com uma porra quente e densa que senti pulsar contra o meu colo do útero. Fiquei em cima dele, com ele ainda duro dentro de mim, sentindo o sêmen começar a escorrer pela junção dos nossos corpos.
Quando terminamos, ficamos em silêncio por um bom tempo. Ele olhava para o teto. Eu olhava o perfil dele, o mesmo rosto que eu vinha encarando havia 26 anos, que de repente era outra coisa. Pensei que me arrependeria no dia seguinte. Não me arrependi.
***
Isso foi há dois anos. Agora nossa vida tem uma estrutura que, de fora, pareceria comum: eu o banho, dou a medicação, levo-o ao médico uma vez por mês, cozinhamos juntos quando ele está num dia bom. O que não se vê de fora é que também sou dona do prazer dele, que ele sabe disso, e que isso nos colocou num equilíbrio estranho e preciso do qual os dois dependemos mais do que admitiríamos.
Algumas manhãs, enquanto o banho, deixo minhas mãos fazerem coisas que não estão em protocolo nenhum de cuidado. Ensaboo o pau dele devagar, com as duas mãos, deslizando o prepúcio para cima e para baixo até ele endurecer contra o meu pulso. Às vezes me ajoelho sobre os azulejos molhados e o enfio na boca ali mesmo, debaixo do jato morno do chuveiro, chupando-o enquanto a água escorre pelo meu cabelo e pelas minhas costas. Ele aguenta o som da própria respiração, com a mandíbula travada, os olhos fechados ou fixos no teto, agarrado à alça de segurança com os nós dos dedos brancos. Eu controlo o ritmo. Sempre sou eu quem decide quando e como.
— Ainda não — às vezes eu digo, quando sinto que ele está perto. Aperto a base do pau com dois dedos e corto o gozo antes que ele escape.
Ele solta o ar entre os dentes. Fica imóvel porque não lhe resta outra opção. Essa imobilidade que no começo o destruía virou uma rendição que nos acende de maneiras que eu não saberia explicar com palavras que não parecessem loucura. Posso deixá-lo à beira do gozo por vinte minutos, meia hora, negando o orgasmo repetidas vezes, chupando-o e soltando-o justo quando sinto as bolas dele se contraírem. Quando finalmente o deixo gozar, a porra sai em jorros, densa, quase dolorosa, e ele geme como se estivesse se esvaziando de três anos acumulados.
Há noites em que amarro as mãos dele na cabeceira da cama. Não porque ele possa escapar, mas porque ele pede. Ele gosta que a amarra seja também uma escolha, embora o corpo dele já seja a própria prisão. Gosta que eu o imobilize por completo, sem margem, sem possibilidade de fuga. Diz que assim se sente mais inteiro.
— Assim — ele diz, com os pulsos acima da cabeça. — Assim eu quero que você me tenha.
Então me sento no rosto dele. Enterro a buceta na boca dele sem perguntar, apoiando os joelhos dos lados da cabeça dele, segurando-me na cabeceira para me esfregar contra a língua dele. Eu preciso que ele use a boca primeiro, que chupe minha buceta inteira antes de qualquer outra coisa, que meta a língua onde alcançar. No começo ele era desajeitado, consciente demais do que estávamos fazendo. Agora conhece cada detalhe do meu corpo. Sabe onde pressionar, quanto tempo manter o ritmo, como me levar até a beira e sustentar-me ali sem me deixar cair. Ele lambe o clitóris com a ponta da língua em círculos lentos, depois com a língua inteira achatada, depois a enfiava dentro e a movia como se estivesse me fodendo com ela. Puxo o cabelo dele. Cavalgo o rosto dele sem qualquer cuidado, deixando-o se afogar um pouco entre as minhas coxas, sentindo-o respirar em golfadas pelo nariz toda vez que o dou uma trégua.
— Mais — eu exijo às vezes. — Mais fundo. Chupa minha buceta como você sabe.
E ele dá mais. Coloca a boca no clitóris e me chupa até eu gozar no rosto dele, encharcando o queixo dele, apertando a cabeça entre as minhas coxas até o tremor passar.
Depois me posiciono sobre ele. Sempre devagar no começo, porque, embora a sensibilidade dele seja parcial, alguma coisa chega. Seguro o pau dele com a mão, passo-o pelos lábios da buceta encharcada, esfrego-o contra o clitóris inchado e então o enfio aos poucos. Primeiro a ponta. Depois a metade. Depois me deixo cair inteira até ele me preencher por dentro, até sentir o pau pressionado contra o fundo. Começo a me mover devagar, girando os quadris, apertando-o com os músculos internos, até ele gemer por baixo de mim. Ele descreve de forma diferente do que qualquer outro homem descreveria: mais difusa, mais profunda, menos localizada num ponto concreto. Mas está lá. Ele já me disse isso vezes suficientes para eu não precisar mais perguntar.
— Sinto calor — ele me disse na primeira noite. Continua dizendo isso agora. — Sinto pressão. Sinto que você está aqui, mãe. Sinto sua buceta me apertando.
Para mim basta isso. Eu o fodo do meu jeito, puxando a bunda para trás para o pau entrar no ângulo certo, subindo até quase tirá-lo e me deixando cair de repente. Enfio os dedos na boca dele para que ele os chupe. Ponho meus seios no rosto dele para que ele morda os mamilos. Às vezes viro de costas e o cavalgo de costas, apoiada nas coxas dele, dando a ele a visão da minha bunda engolindo o pau dele de novo e de novo.
***
Às vezes, nos momentos mais escuros da noite, ele me diz coisas ao ouvido que não diria a mais ninguém. Pede que eu não pare, que o leve até o limite, que seja eu a decidir quando o corpo dele cede. Pede com uma urgência que não tem nada de clínico, com a voz rouca de alguém que encontrou a única forma de se sentir inteiro que lhe restou.
— Me dá logo — ele sussurra. — Por favor, mãe. Me deixa gozar dentro de você. Eu não aguento mais.
Eu vou com calma. Passo a língua na orelha dele, mordo o pescoço dele, aperto o pau dele dentro de mim sem me mexer, deixando-o cozinhar na espera.
— Ainda não — eu digo.
A espera faz parte do que somos. Ele deixou de se bater nas pernas. Deixou de encarar o teto com aquele ódio surdo do primeiro ano. A lesão continua como sempre foi, e haverá dias ruins até o fim, mas ele tem algo que o ancora. Ele tem a mim, e eu tenho ele, num vínculo que nenhum psicólogo aprovaria e que, no entanto, é a coisa mais honesta que conheci em toda a minha vida adulta.
Não temos medo de gravidez. Meu corpo já não funciona assim, o que nos permite ser completamente irresponsáveis nesses momentos. Marcos goza dentro de mim sem cuidado, enchendo-me de porra quente que depois escorre pelas minhas coxas quando eu me levanto. Às vezes peço que ele goze no meu rosto, ou nos meus seios, e ele aponta o pau para mim e me marca de branco, do queixo ao umbigo. Outras noites ele fica dentro de mim depois e me abraça com esses braços que são a coisa mais viva que ele tem, com o pau ainda enterrado na minha buceta encharcada, amolecendo devagar dentro de mim. Às vezes eu adormeço assim, com ele dentro, ouvindo a respiração dele se normalizar, pensando em coisas que eu não conto a ele.
Penso que o trouxe ao mundo há 26 anos num hospital da cidade. Penso que o levei ao médico quando ele tinha febre, ao parque quando estava cheio de energia e às suas primeiras provas quando tinha medo. Penso que o perdi parcialmente naquela noite de chuva numa curva de cascalho e que o recuperei de outra forma que não tem nome respeitável, mas que tem peso, textura e um cheiro específico — o cheiro da porra dele secando na minha pele — que eu reconheceria entre milhares.
O povo da cidade me toma por santa. Trazem embutidos, perguntam por ele com voz comovida, dizem que sou exemplo do que uma mãe deveria ser. Vão embora convencidos do que veem: uma cama articulada, um kit de remédios arrumado, cadeiras de rodas dobradas perto da porta. Não escutam o que acontece quando as luzes se apagam. Não veem a expressão de Marcos quando finalmente lhe dou o que ele esteve esperando durante horas, quando largo o pau dele dentro da minha buceta e o deixo se esvaziar até a última gota, aquela mistura de alívio, gratidão e algo muito mais sombrio que nenhum de nós teve coragem de nomear por completo.
Somos um organismo estranho e completo. Ele põe o que pode. Eu ponho o que falta. Entre nós fechamos o círculo todas as noites, nesta casa onde a neblina chega com as manhãs e ninguém pergunta que tipo de amor cabe aqui dentro.