Sua prima lhe propôs algo proibido numa tarde de agosto
Diego tinha vinte anos e a experiência de um adolescente que havia dedicado a vida inteira a não chamar atenção. Tímido até os ossos, incapaz de sustentar o olhar de qualquer garota por mais de três segundos sem que o rubor lhe subisse até as orelhas, chegou à fazenda da tia no começo de julho com uma mala pequena e expectativas ainda menores. Seria um verão tranquilo: livros, calor, silêncios prolongados. Um descanso. O que ele não calculou foi que Valeria continuaria sendo Valeria.
A prima tinha a mesma idade que ele, mas vivia em um universo completamente diferente. O cabelo escuro lhe caía até os ombros, sempre um pouco despenteado pelo calor, e havia algo na maneira como se movia — direta, sem pedir licença, como se o espaço lhe pertencesse por direito — que deixava Diego paralisado. Entre os dois existia aquela confiança fácil que anos de verões compartilhados constroem: a mesma cozinha, o mesmo cachorro velho, as mesmas tardes sem fazer nada. Mas enquanto a confiança de Diego era a de um cúmplice calado, a de Valeria era expansiva e sem filtro. Ocupava o espaço e preenchia tudo.
Ele passava anos olhando para ela sem saber muito bem como olhá-la. Olhava os peitos dela quando ela se abaixava para pegar alguma coisa na geladeira, olhava a bunda quando ela subia a escada à sua frente, olhava as coxas quando ela se sentava na varanda com aqueles shortinhos minúsculos que usava no verão. E depois se odiava um pouco por isso, porque ela era sua prima, porra, e porque as punhetas noturnas pensando nela estavam começando a se repetir com uma frequência que lhe dava vergonha de admitir até para si mesmo.
***
Aconteceu numa tarde de julho tão quente que o ventilador da sala mal conseguia mover o ar. Estavam no sofá velho, vendo um filme do qual nenhum dos dois lembraria o título. A cena surgiu sem aviso: uma atriz na beira do mar, o maiô descendo devagar, dois segundos de imagem que bastaram. Dois segundos de mamilos morenos e de uma mão alheia subindo por seu ventre. Diego sentiu o calor subir do estômago — um calor diferente do do verão, mais concreto e mais urgente — e, antes que pudesse fazer qualquer coisa, o pau já tinha endurecido como pedra dentro do short, desenhando uma silhueta impossível de disfarçar. Virou-se para o encosto do sofá, tentou cruzar as pernas, colocou um travesseiro de forma desajeitada. Tarde demais.
— O que você está escondendo aí, primo? — perguntou Valeria. Não havia deboche na voz, só curiosidade genuína e um fio de diversão muito controlada.
— Nada. É o calor — murmurou ele, sem tirar os olhos da tela.
— Não parece nada.
Ela se aproximou. Houve um instante de luta desajeitada, mais teatral que dramática, e o elástico do short cedeu. O pau de Diego pulou para fora, duro, latejante, com a ponta já brilhando de um fio de pré-gozo que umedecia a glande. Diego ficou imóvel, incapaz de se mexer ou de dizer qualquer coisa útil, enquanto Valeria o examinava com uma expressão que não era exatamente de deboche, mas de algo mais parecido com análise.
— Bom — disse ela, no mesmo tom que usaria para comentar o tempo. — Não está nada mal. Nada mal, primo.
Ele não articulou resposta alguma. Nem uma sílaba. Só a olhava de olhos arregalados e garganta seca enquanto Valeria lambia discretamente os lábios sem desviar a vista do pau dele.
— Você sempre foi um bom primo, Diego. Calado, educado, nunca me deu trabalho. — Fez uma breve pausa, calculando. — Acho que você merece alguma coisa.
O que ela fez em seguida foi tão inesperado que ele demorou vários segundos para entender que aquilo estava realmente acontecendo. A mão de Valeria o segurou com firmeza, os dedos se fechando ao redor da base do pau com uma segurança que lhe arrancou um gemido rouco. Ela começou a se mover devagar, subindo até a glande e descendo de novo até os ovos, estudando cada reação no rosto dele. Diego se agarrou ao travesseiro do sofá com os nós dos dedos brancos. A mente esvaziou. Só o movimento daquela mão, o calor da pele dela, o zumbido chato do ventilador ao fundo, e o som molhado, obsceno, que a mão da prima fazia ao deslizar para cima e para baixo no pau inchado.
— Olha só como ele está — murmurou Valeria, quase para si mesma, com os olhos cravados no pau dele. — Todo duro para a sua prima. Gostou, Diego? Gostou que eu faça isso com você?
— Sim — ele ofegou, sem conseguir encará-la —. Sim, porra...
Ela cuspiu na glande, um fio espesso que escorreu pela ponta e desceu pela veia inchada, e com aquele lubrificante extra a mão passou a se mover mais rápido. O som mudou, ficou mais molhado, mais sujo. Diego sentiu o saco se contrair, as pernas começarem a tremer, um formigamento insuportável subir dos ovos.
— Isso, primo, isso — continuou Valeria, agora com a cabeça inclinada para sua orelha, sussurrando com a boca quase colada no lóbulo. — Goza. Goza pra mim. Solta tudo, vai.
O ritmo foi aumentando. Ela bombeava com força, com o polegar acariciando o freio a cada subida, torcendo o punho logo abaixo da glande de um jeito que fazia Diego ver estrelas. Em algum ponto ele perdeu o controle da própria respiração: a boca entreaberta, um gemido longo que não conseguiu conter mesmo tentando, os dedos cravados no travesseiro, os quadris empurrando para cima em busca de mais daquela mão. Quando chegou o fim, foi como cair de uma grande altura e aterrissar sem se machucar. O pau dele se sacudiu com violência entre os dedos de Valeria e começou a disparar jatos grossos de porra que caíram sobre o ventre, sobre a camiseta, sobre o pulso dela, e alguns fios chegaram até o queixo. Valeria não soltou. Continuou apertando e massageando com calma, espremendo cada gota, arrancando gemidos quebrados até Diego já não conseguir nem respirar direito.
— Quanto — comentou ela, olhando para a sujeira branca com algo parecido com aprovação. — Dá pra ver que estava precisando.
Valeria limpou a mão com um pano que pegou de algum lugar, lambeu com a ponta da língua um resto preso ao pulso — um gesto rápido, curioso, como quem prova para ver o gosto —, deu um beijo rápido e seco na bochecha dele — sem cerimônia, como quem encerra um parêntese — e foi para o banheiro. Diego ficou afundado no sofá, ofegante, com a camiseta manchada e o mundo girando levemente.
Naquela noite ele não conseguiu dormir. Ficava olhando o teto do quarto e a cabeça só repetia em loop: a mão de Valeria bombeando seu pau, a expressão tranquila dela, o tom prático com que tinha dito “não está nada mal” como se falasse de um móvel, a língua aparecendo para provar a gozada dele. Ele não entendia nada. E não se importava em não entender. Se masturbou mais duas vezes antes do amanhecer, em silêncio, pensando em cada detalhe.
***
Passaram-se vários dias. A dinâmica entre eles não foi a mesma, embora nenhum dos dois verbalizasse a mudança. Diego a olhava de outro jeito. Ela o olhava como sempre, mas com algo novo no canto dos lábios, uma satisfação tranquila e possessiva que ele não sabia interpretar.
Foi uma semana depois que Valeria apareceu com uma proposta enquanto tomavam café na cozinha.
— Minhas amigas querem te ver — disse, sem preâmbulo.
— Me ver como? — perguntou Diego, embora achasse que sabia a resposta.
Ela o olhou com paciência.
— Você sabe como. Contei para elas o que você tem aí embaixo. Querem conferir.
Diego sentiu o rosto queimar até a raiz do cabelo. Valeria mordeu uma torrada com uma calma insultuosa.
***
O celeiro ficava no fundo da propriedade, atrás da horta, e cheirava a madeira velha e palha seca e àquele pó específico dos lugares que passam anos guardando coisas sem nome. Diego entrou primeiro, descalço sobre o chão de terra batida, e encontrou as duas garotas esperando sentadas sobre algumas caixas de madeira. Camila era magra, morena, com um sorriso fácil que usava sem medir; Nadia era mais séria, os braços cruzados e uma expressão que podia ser ceticismo ou simplesmente timidez. As duas o olharam de cima a baixo sem nenhum tipo de disfarce, fixando-se sem pudor na região da virilha.
O acordo era simples. Elas mostrariam os peitos. Ele se masturbaria diante das três.
Diego assentiu porque não encontrou outra resposta.
Camila foi a primeira. Levantou a camiseta com um movimento preguiçoso, sem sutiã por baixo, e dois peitos pequenos e firmes, com os mamilos escuros e já eriçados, ficaram à mostra sob a luz riscada do celeiro. Nadia hesitou mais, mordeu o lábio, mas acabou abaixando o decote e expondo dois seios maiores, brancos, com mamilos rosados que endureceram assim que tocaram o ar fresco do celeiro. Valeria, encostada numa viga com os braços cruzados, limitava-se a observar a cena como uma diretora silenciosa.
— Vamos, primo — disse Valeria. — Agora é a sua vez.
Diego baixou as calças e a cueca com dedos desajeitados até os tornozelos. Agarrou o pau — meio duro, tremendo — e começou a mexer a mão.
Mas quando chegou a hora — com três pares de olhos cravados nele sob a luz que se infiltrava em faixas pelas frestas do teto — seu corpo não colaborou. A ereção foi se desfazendo como açúcar em água morna. Ele ficou parado, com as calças nos tornozelos e o pau enrugado e encolhido na mão, a mente cheia de ruído, sem saber para onde olhar nem o que fazer com as mãos.
— Vai, que ninguém vai te comer — disse Camila, rindo.
Não adiantou muito.
Foi então que Camila se distraiu, se levantou e caminhou até o fundo do celeiro, onde ferramentas enferrujadas pendiam da parede. Despregou algo com aspecto de um alicate grande e pesado, de ferro escuro, e voltou para o grupo segurando aquilo como se fosse um objeto perfeitamente cotidiano.
— Sabe para que isso serve? — perguntou, com uma voz doce que não combinava em nada com o artefato que carregava.
Diego negou com a cabeça.
— Para os bezerros jovens — explicou ela, com total serenidade. — Quando é preciso tirar algumas coisas que eles já não vão precisar. — Fez o gesto com dois dedos. Clique.
O silêncio que se seguiu foi de outro tipo. Diego sentiu um frio que não tinha nada a ver com a temperatura do celeiro. O que restava do seu pau se recolheu até quase desaparecer entre as coxas.
— Camila, para com isso! — exclamou Valeria, entre escandalizada e tentando não rir. — Olha o que você fez!
Camila largou a ferramenta no chão com uma risada longa. Nadia mordeu o lábio para conter o riso.
Ninguém esperava o que Camila fez em seguida. Sem que ninguém pedisse, deu de ombros, tirou a camiseta pela cabeça, abriu o sutiã com um único gesto experiente, baixou o jeans junto com a roupa íntima e se deitou no monte de palha limpa num canto. Tudo isso em menos de vinte segundos. Abriu as pernas e o encarou sem nenhum pudor.
— Pronto. Pra você. Vamos ver se assim funciona melhor.
O ar do celeiro pareceu mudar de densidade. Camila tinha o cu depilado, com os lábios rosados e já levemente separados, um brilho úmido entre eles que deixava claro que a situação não a tinha deixado tão indiferente quanto fingia. Passou dois dedos por cima do clitóris com lentidão, levou-os à boca, chupou devagar e os desceu de novo, desta vez enfiando-os até a segunda articulação dentro de si. Um ruído molhado ecoou no silêncio do celeiro. Diego deixou de pensar em palavras.
— Olha só o que sua prima está deixando de pau duro — disse Camila, com a voz um pouco mais rouca. — Continua, continua olhando.
Valeria, que vinha observando a cena de braços cruzados, soltou um longo suspiro, aproximou-se dele e colocou alguma coisa em sua mão. Ele olhou para baixo: uma calcinha de algodão fino, branca, com acabamento de renda na borda. A dela. Ainda morna.
— Ajuda — disse Valeria, em voz baixa, com algo na voz que não era exatamente brincadeira. Ela estava de saia, sim, mas de repente ficava claro que, por baixo, não havia nada.
Diego apertou a peça no punho. Fechou os olhos por um instante e inspirou devagar. Algodão limpo, um rastro de perfume suave e quente e, por baixo, quase imperceptível, o cheiro íntimo e almiscarado da prima, concentrado no pedacinho de tecido da virilha. O pau dele endureceu outra vez num salto, tão rápido que quase doeu. Quando abriu os olhos, fixou-os no corpo de Camila — no sexo rosa escancarado, nos dedos se movendo devagar dentro dela, nos mamilos escuros ondulando cada vez que ela se arqueava — e a mão começou a se mover por conta própria no seu pau, sem que ele precisasse decidir nada.
Usou a calcinha de Valeria como envoltório, deslizando-a pela glande e depois enrolando-a ao redor do tronco para se masturbar através do tecido. O algodão aqueceu rápido, o cheiro da prima subindo-lhe ao nariz cada vez que ele acelerava, misturando-se à imagem de Camila abrindo mais e mais as pernas para ele.
— Enfia os dedos — murmurou Camila da palha, agora com três dedos entrando e saindo do seu sexo encharcado. — Enfia mais um, imagina que está dentro de mim, primo. Que está me fodendo aqui mesmo, na palha.
Nadia murmurou algo que ele não conseguiu distinguir. Tinha aberto discretamente o jeans e mantinha a mão enfiada por dentro, o pulso se movendo num ritmo que acompanhava o de Diego. Valeria se sentara numa caixa e o observava com aquela expressão dela, entre analítica e quente, com uma mão sob a saia que não fingia esconder nada. Camila mal se movia, apenas observava com os olhos semicerrados e um meio sorriso fixo, esfregando os dedos molhados no clitóris.
— Olha bem — disse Valeria em voz baixa, muito perto dele. — Olha como a minha amiga se abre pra você. Olha como ela está molhada. Não dá vontade de comê-la?
— Sim — ofegou Diego. — Porra, sim.
— Então goza pensando nisso. Goza em cima da minha calcinha, primo. Encharca ela pra mim.
Não demorou nem dois minutos. O orgasmo veio sem aviso, brusco e completo, e ele precisou apoiar a mão livre na parede de madeira para não perder o equilíbrio. O pau se sacudiu contra o tecido e disparou para dentro da calcinha de Valeria jatos quentes atrás de jatos quentes, encharcando o algodão branco com manchas espessas que se espalharam rápido. Um fio de porra escapou pela borda e escorreu entre seus dedos. Camila gemeu também, arqueando-se sobre a palha, e Nadia mordeu o braço para não fazer barulho, empurrando os quadris contra a própria mão.
As três garotas aplaudiram, com aquela mistura de celebração e gozação que, em outra circunstância, o teria afundado de vergonha, mas que naquele momento lhe pareceu, inexplicavelmente, a reação perfeita. Valeria arrancou a calcinha de sua mão, examinou-a com as sobrancelhas erguidas e a enfiou com descaro no bolso traseiro da saia.
— Lembrança para mais tarde — disse, piscando para ele.
***
A porta do celeiro se abriu com um rangido que gelou o sangue.
Sua tia ocupou o batente. Braços cruzados, mandíbula cerrada, um olhar que varreu a cena inteira com a frieza de uma inspeção. Camila nua na palha. Nadia meio vestida com a mão ainda dentro da calça. Valeria com a cara de quem nunca fez mal a ninguém e um volume suspeito no bolso. Diego com as calças nos joelhos, o pau ainda meio murcho e pingando restos brancos no chão de terra.
O silêncio durou quatro segundos que pareceram muito longos.
— Que vergonha — disse sua tia. Não gritou. Não precisava.
O que se seguiu foi um vendaval controlado e metódico. Primeiro, Camila e Nadia: se vestiram em tempo recorde enquanto recebiam uma dose de palavras muito precisas que Diego não chegou a ouvir porque o pânico lhe tapava os ouvidos com um zumbido branco. Depois sua tia se virou para Valeria.
— E você. Minha própria filha. — Uma pausa longa e deliberada. — Depois conversamos.
Por fim chegou até Diego.
Ele esperava que ela lhe puxasse pela orelha, o arrastasse para fora, o apontasse com o dedo. Em vez disso, sua tia estendeu a mão com uma determinação feroz, agarrou o que encontrou ao alcance — que foi, precisamente, o que pendia entre suas pernas — e esticou sem contemplação.
— Ai, tia! — uivou Diego, se dobrando sobre si mesmo. — Está doendo!
— Está doendo? Ótimo. Assim você lembra.
Do pátio veio o som inconfundível de alguém tentando não rir às gargalhadas e fracassando miseravelmente.
***
Naquela noite, o jantar foi em silêncio. Os pratos sobre a mesa, o som dos talheres na louça, sua tia sentada à cabeceira olhando os dois jovens por cima da borda do copo. Antes de se levantar para recolher, pousou os talheres sobre a toalha e falou com a calma de quem não precisa erguer a voz para ser ouvida.
— O que aconteceu esta tarde não vai se repetir sob este teto. Entendido?
Valeria e Diego assentiram ao mesmo tempo, olhando para seus pratos.
— Bem. Vão dormir.
Diego subiu para o quarto com uma dor surda e insistente instalada na virilha, prometendo durar vários dias. Deitou-se na cama, os braços estendidos, olhando o teto branco e descascado, ouvindo os grilos lá fora e o estalo periódico da madeira da casa antiga se acomodando ao frescor da noite.
Os minutos passaram.
E então, quando a dor afrouxou o bastante para ele respirar sem tensão, um sorriso se instalou em seu rosto. Grande. Involuntário. Absolutamente impossível de conter.
O verão ainda não tinha acabado.