Uma herança, uma villa e um segredo entre irmãos
Helena tinha dezenove anos quando enterrou Esteban. O caminhão o tinha fechado numa curva do trecho provincial, quando ele voltava para casa porque ela estava para dar à luz. O que chegou naquela noite não foi o marido, mas um envelope do hospital e uma vergonha enorme. Teve Lautaro sozinha, num quarto de chapa à beira do bairro.
A avó do morto vivia com eles, mas quase já não enxergava. Helena esfregava pisos de manhã, lavava roupa alheia à tarde e, ainda assim, não dava. As dívidas cresciam como umidade nas paredes. O menino chorava de fome. Numa tarde de junho, quando a despensa ficou vazia dois dias seguidos, bateu à porta o sujeito do armazém da esquina, um grandalhão de quarenta e tantos, com o lábio partido e um olhar calculista. Tinham avisado a ele da situação dela. Trazia uma bolsa escura e pesada.
—Você sabe o que eu vim cobrar —disse do umbral.
Helena o olhou. Olhou a bolsa. Olhou o filho dormindo sobre a cama estreita. Deu um passo para o lado.
—Entra —disse, e a voz lhe quebrou na última sílaba.
O homem fechou a porta com um pontapé. Não houve conversa nem passo prévio. Ele a empurrou contra a parede, ergueu o vestido fino até a cintura e baixou a calcinha com dois dedos grossos. Helena fechou os olhos. Sentiu a mão áspera vasculhando entre as pernas, dois dedos babados que lhe abriram a boceta sem cuidado, tateando a umidade forçada pelo medo. A outra mão apertava seu pescoço contra a parede caiada.
—Você tá seca, puta —rosnou no ouvido dela—. Cospe aqui.
Ele pôs a palma aberta diante da boca. Helena cuspiu, tremendo. O sujeito passou a saliva pela pica inchada que já tinha tirado de dentro da calça e a virou de um tranco, obrigando-a a apoiar as palmas sobre a cômoda. Chutou os pés dela para abrir as pernas e entrou de uma só enfiada brutal, até o fundo. Helena mordeu o dorso da mão para não gritar e acordar o menino. Sentiu como a rola grossa a rasgava por dentro, como cada investida a esmagava contra o móvel até a madeira lhe marcar as ancas.
O que veio depois foi longo e mecânico. O sujeito não buscava prazer compartilhado, e sim pagamento pela mercadoria. Ele a pegava nas tetas por baixo do vestido, apertava, retorcia os mamilos com os dedos manchados de tabaco enquanto continuava a comê-la por trás. Puxou-lhe o cabelo até fazer o pescoço arquear.
—Olha pra mim, puta, olha quem tá te comendo.
Helena obedeceu, com os olhos cheios de lágrimas. Ele cuspiu na boca dela e seguiu socando. Depois a tirou, fez com que se ajoelhasse no chão de terra e empurrou a rola contra os lábios dela. Estava brilhante dos fluidos dela e cheirava a suor velho.
—Abre, chupa direito.
Helena abriu a boca. O sujeito enfiou a pica até a garganta dela, segurou-a pela nuca com as duas mãos e a fez engolir inteira, sem fôlego. Ela engasgou, tossiu, um fio de saliva lhe desceu pelo queixo. Ele não afrouxou. Usou-a assim por vários minutos, fodendo a boca dela como se fosse uma boceta, até sentir a fisgada do clímax. Retirou-se, apontou para o rosto dela e gozou em dois jatos grossos que lhe mancharam a testa, as pálpebras e o lábio. Depois esfregou a ponta na bochecha dela para se limpar. Subiu a calça, deixou a bolsa sobre a mesa, cuspiu no chão e foi embora.
Helena se lavou como pôde na bacia e esquentou leite para Lautaro. Sabia que viriam mais visitas e mais bolsas. Nove meses depois nasceu Vega.
***
Helena criou os dois irmãos à base de turnos duplos e silêncios longos. Lautaro era sério, calado, consciente demais de tudo. Vega saiu diferente: uma menina de cabelo claro e jeito reservado, que se agarrava ao irmão mais velho desde que aprendeu a andar. Dormiam juntos na mesma cama estreita desde sempre. O quarto era um só e o frio do inverno não perdoava.
Quando Lautaro fez quinze e Vega doze, Helena trouxe um colchão fino do descarte de um hotel e o jogou no chão, do lado da janela.
—Já estão grandes —disse, sem olhar para eles.
Lautaro dormia embaixo. Mas no meio da noite Vega descia, entrava debaixo do cobertor com ele e procurava o peito dele. No começo era medo. Depois virou outra coisa.
Começou com uma brincadeira que ele pediu, quase de brincadeira, uma vez que voltou alterado de uma roda de meninos do bairro. Disse para ela tocar nele, só um instante. Vega enfiou a mão por baixo da cueca e acariciou a pica endurecida, sem jeito, medindo o comprimento com os dedos, sentindo a pele quente e a pulsação por baixo. Ele respirava entrecortado contra o cabelo dela, levantava a camiseta dela e acariciava as tetas pequenas e firmes que tinham acabado de crescer.
—Mais forte —ele sussurrou—. Mexe.
Vega começou a masturbá-lo com mais ritmo, sentindo como a ponta lhe umedecia a mão. Ele retribuiu o gesto, enfiou os dedos por baixo do pijama dela, encontrou os pelos escassos e aquela dobra tímida que se abria. Passou a ponta do dedo pelo clitóris e Vega se estremeceu inteira. Umedeceu-se pela primeira vez ali, contra a coxa do irmão, sem entender direito o que estava acontecendo. Os dedos de Lautaro entraram um pouco, escorregando na umidade nova, e ela enterrou o rosto no vão do pescoço do irmão para não gemer.
Repetiam aquilo toda vez que Helena trabalhava à noite. Logo Vega aprendeu a chupar ele: baixava sob o cobertor, tirava a cueca dele com cuidado e pegava a pica na boca com a desajeite da primeira vez, aprendendo a cada noite a chupar a ponta, lamber os ovos, engolir o gozo sem cuspir. Lautaro ensinou-a a comer a boceta também, ajoelhado entre as pernas finas dela, com a língua entrando e saindo até Vega morder o travesseiro para não acordar a avó cega.
A primeira vez que ele entrou nela, havia chuva. Vega tinha dezesseis anos e a chapa do telhado vibrava com a água. Ela se ajeitou de barriga para cima, abriu as pernas, e Lautaro se posicionou entre elas. Passou a ponta pela boceta encharcada várias vezes antes de empurrar. Vega mordeu o travesseiro para não fazer barulho quando sentiu o alongamento, a queimação breve, o comprimento todo abrindo caminho por dentro. Lautaro se moveu devagar, com um cuidado que não tinha aprendido em lugar nenhum, cada investida mais funda que a anterior. Procurou a boca dela, chupou os mamilos eretos, passou os dedos pelo clitóris enquanto continuava a fodê-la com ritmo lento.
—Me diz se doer —murmurou.
—Não para —ela respondeu, de olhos fechados.
Vega gozou primeiro, com um tremor mudo, apertando a rola dele por dentro. Ele aguentou o quanto pôde e no fim se retirou para gozar sobre a barriga da irmã, dois jatos quentes que ficaram brilhando sob a única luz da vela. Quando terminou, dormiu com a testa apoiada no pescoço da irmã. Aquela foi a primeira de muitas noites.
Nenhum dos dois falou do assunto com ninguém. Nem entre eles. Era uma zona do mundo sem palavras.
***
O advogado chegou numa tarde de fevereiro, com um envelope lacrado e um terno que no bairro nunca se via. Helena pensou que vinham despejá-la de novo. Mas o homem tirou o chapéu, pediu licença para se sentar e começou a ler.
Esteban, o marido morto na curva, havia sido filho não reconhecido de um industrial genovês. O industrial, Salvatore Conti, fizera fortuna com estaleiros e vinhedos. Antes de morrer, confessou ao notário a existência do filho argentino e determinou, por meio de exames de DNA, que a herança recaísse sobre o descendente legítimo daquele filho: Lautaro. Empresas em Gênova, uma fazenda na Ligúria, uma villa enorme no lago de Garda. A cifra que o advogado mencionou quase em sussurro tinha nove zeros.
Havia uma cláusula. A villa de Garda vinha com três empregados que não podiam ser demitidos enquanto vivessem: uma camareira jovem, filha da antiga governanta, Aitana, voluptuosa e eficiente; um mordomo calabrês chamado Romano, alto como um poste e com mãos do tamanho de pás; e um jardineiro de dezenove anos, Bruno, que trabalhava sem camisa entre os limoeiros.
Viajaram em três semanas. Helena chorou em silêncio durante todo o voo. Vega adormeceu apoiada no ombro de Lautaro.
***
A villa apareceu no fim de uma alameda de ciprestes, com a fachada cor de pêssego e o lago se abrindo atrás como uma promessa. Aitana os esperava com as mãos cruzadas sobre o avental branco. Romano carregou os baús sozinho. Bruno ergueu o olhar da sebe de buxo, encarou-os sem piscar e voltou a cortar.
Nessa primeira noite, Helena pediu para jantar no quarto. Romano levou a bandeja. Helena o recebeu de robe. O que aconteceu ali dentro os três andares ouviram. O calabrês não usou palavras. Pousou a bandeja sobre a mesa, tirou o paletó, afrouxou o nó da gravata. Aproximou-se de Helena e abriu o robe dela de um só puxão. Passou as palmas enormes pelos seios, pesando-os, apertando-lhe os mamilos entre o polegar e o indicador até fazê-la ofegar. Depois desceu, mordeu-lhe o pescoço, abriu-lhe as pernas com o joelho e enfiou três dedos grossos na boceta dela de uma só vez. Helena se agarrou aos ombros do calabrês e se abriu inteira. Já estava encharcada antes de perceber.
Romano a ergueu como se fosse roupa de cama e a apoiou contra a cômoda laqueada. Abriu a calça. O que saiu de dentro foi uma pica escura, grossa, longa, que Helena encarou sem acreditar. Ninguém a tinha marcado assim em vinte anos. Ela se agarrou à borda e deixou que ele a abrisse, devagar primeiro, empurrando o prepúcio para trás com a ponta contra a entrada, depois com um ritmo que a fez gritar pela primeira vez em vinte anos.
—Sim, sim, sim, assim, olha como entra, olha o que você me faz —gemeu Helena num espanhol que Romano não entendia, mas reconhecia mesmo assim.
O calabrês não afrouxava. Cada investida arrancava de Helena um gemido rouco do fundo do ventre. Ele agarrava as tetas dela com as duas mãos e apertava enquanto continuava a comê-la contra a cômoda, fazendo tilintar os frascos de perfume. Depois a levantou, girou-a e a virou, inclinou-a sobre o colchão, abriu-lhe as nádegas com os polegares, untou saliva em dois dedos e entrou pelo cu também, sem perguntar. Helena mordeu o antebraço para não gritar o nome de ninguém. Sentiu a queimação, a pressão impossível, e depois uma onda de prazer sujo que lhe encharcou as coxas. A cama rangia a cada investida. Romano passou uma mão por baixo e começou a esfregar o clitóris com dois dedos enquanto continuava a sodomizá-la com paciência metronômica.
Helena gozou primeiro pela frente, com um grito abafado no travesseiro, apertando a rola dele por trás no processo. Romano rosnou, aumentou o ritmo, agarrou-a pela anca com uma só mão e com a outra puxou-lhe o cabelo até fazê-la arquear as costas. Gozou dentro do cu com um rugido curto, sem sair de dentro. Quando terminou, vestiu-se em silêncio, ajeitou a gravata, recolheu a bandeja vazia e desceu para a cozinha como se tivesse recolhido a prataria.
Lautaro, dois cômodos adiante, ouviu cada um dos gemidos da mãe com uma mistura estranha de pudor e curiosidade. Vinte anos carregando sozinha e ninguém tocou nela, pensou. Quando tudo foi se acalmando, levantou-se e caminhou até a biblioteca, onde Aitana terminava de ordenar volumes em espanhol que Salvatore Conti mandara trazer décadas atrás.
—Fecha a porta —disse Lautaro.
Aitana o olhou, entendeu, girou a chave. Não precisou de mais. Lautaro a beijou sobre a mesa de jacarandá com uma urgência que nunca tinha sentido. Desatou-lhe o avental, abriu-lhe o sutiã, deixou ao ar os seios pesados e brancos que tantas vezes tinha olhado de relance naquela tarde. Agarrou-os com as duas mãos, levou-os à boca, chupou os mamilos escuros até fazê-la arquear as costas contra os livros.
Aitana se ajoelhou sem que ele pedisse, abriu-lhe a calça, baixou a cueca e tomou a pica na boca com a técnica calma de uma mulher que há anos conhece os homens. Passou a língua por todo o comprimento primeiro, da base à ponta, deteve-se para chupar os ovos um por um e depois engoliu-a inteira, até a raiz, com o nariz contra o ventre de Lautaro. Ele não acreditou. Segurou-lhe a cabeça com as duas mãos, olhou o teto artesonado, deixou que ela lhe amolecesse as pernas. Aitana tirava a pica da boca só para cuspir sobre ela e voltava a pô-la, marcando um ritmo que o fez apertar os dedos contra o nogueira da biblioteca.
—Levanta —pediu com a voz rouca, antes de terminar—. Ainda não quero gozar.
Ele a ergueu, arregaçou-lhe a saia preta até a cintura, arrancou-lhe a calcinha de um tranco. Virou-a, inclinou-a sobre a escrivaninha do escritório, abriu-lhe as pernas com o joelho. Aitana já estava escorrendo. Ele entrou de uma só vez até o fundo. Aitana sorriu contra a madeira.
—Sabia que você ia vir —disse, em um espanhol com sotaque de lá—. Desde que você desceu do carro eu soube. Me racha a boceta, patrão.
Lautaro a segurou pelas ancas e foi movendo-a com um ritmo cada vez mais fechado, mais brutal. A marca do couro da escrivaninha lhe ficava nas tetas cada vez que ele a empurrava. Enfiou um dedo na boca dela para que ela chupasse; depois passou-o entre os seios, molhado; depois o desceu até o clitóris e começou a esfregá-lo em círculos enquanto continuava a comê-la por trás. Aitana passou a ofegar mais agudo, a empurrar as nádegas contra as ancas dele, a pedir em italiano coisas que ele não entendia mas que soavam a mais, mais, mais forte. Ela gozou sobre o couro da escrivaninha, tremendo inteira, apertando-o por dentro com uma série de espasmos que também arrastaram o orgasmo dele. Terminou dentro, mordendo o ombro dele até deixar a marca dos dentes. Ajeitou-lhe o sutiã, beijou-lhe a nuca, saiu.
Aitana ficou mais um tempo ali, recostada sobre a madeira, respirando fundo o ar úmido do lago que entrava pela janela aberta, sentindo como o sêmen do patrão lhe escorria pela parte interna da coxa.
***
Quando Lautaro voltou para o quarto, Vega já o esperava sentada na cama king, com um robe de seda azul-claro que deixava ver o início dos seios. Tinha o cabelo preso e os olhos brilhantes.
—Te ouvi do corredor —disse ela—. E a mamãe também.
Lautaro fechou a porta com chave e se aproximou. Tirou-lhe o robe do ombro, beijou-lhe a clavícula.
—Aqui já não precisa de tranca —murmurou Vega—. Ninguém vai nos julgar.
—É isso que você quer? Que seja sem esconder?
—Quero que você me coma nesta cama como dona da casa.
Ele a deitou sobre o colchão, desatou o nó do robe, deixou-a nua contra os lençóis de linho branco. Olhou-a um segundo inteiro antes de tocá-la: os seios médios de mamilos rosados, a barriga lisa, o púbis loiro aparado curto, as coxas abertas já para ele. Passou a língua pelo pescoço dela, desceu pelo esterno, parou para chupar um mamilo e depois o outro até deixá-los duros e brilhantes de saliva. Vega arqueou as costas, cravou as unhas na nuca dele.
—Mais baixo —ofegou.
Lautaro desceu beijando-lhe a pele, parou no umbigo, seguiu mais abaixo. Abriu-lhe as pernas com os polegares, contemplou a boceta de perto —os lábios abertos, o clitóris já inchado, o brilho da umidade— e enterrou a língua inteira. Vega arqueou as costas ao senti-la. Lautaro a conhecia de cor: sabia quando pressionar o clitóris com a ponta e quando soltar, sabia quando enfiar dois dedos curvos para cima e quando apenas respirar contra a pele. Lambeu-lhe os lábios um por um, chupou-lhe o clitóris entre os próprios lábios com sucções lentas, enfiou os dedos e os moveu em gancho contra a parede da frente, procurando aquele ponto que arrancava de Vega tremores.
Vega gozou antes mesmo de ele entrar. Um gemido longo, abafado no travesseiro, as pernas fechando-se ao redor da cabeça do irmão. Depois ele subiu, acariciou-lhe a face e entrou nela devagar, como faziam no quarto de chapa, mas agora em lençóis de linho, com o ruído da água lá fora e nenhuma preocupação com o rangido da cama estreita. Agarrou as duas mãos dela, levou-as acima da cabeça, imobilizou-as com uma só das suas. Começou a fodê-la com ritmo pausado, até o fundo a cada vez, tirando-lhe o ar a cada empurrão.
—Me conta como terminou o da Aitana —pediu ela, abraçando-o pelo pescoço com as pernas agora livres, enquanto ele se movia.
Lautaro contou ao ouvido dela, em voz baixa, os detalhes: como a fizera se ajoelhar, como a tinha comido contra a escrivaninha de jacarandá, como a fizera gritar em italiano até gozar. Vega gemia contra a garganta dele, as pernas fechadas ao redor da cintura do irmão, mordendo-lhe o pescoço enquanto o relato a aquecia mais. Pediu que ele a virasse. Ficou de quatro, arqueou as costas, ofereceu o cu bem aberto. Lautaro voltou a entrar nela por trás, agarrou-lhe as nádegas com as duas mãos, afundou outra vez.
—Assim, irmão, assim, me come como você comeu ela —ofegava Vega.
Ela lhe confessou, por sua vez, entre gemidos, o que vinha pensando desde que viu Bruno entre os limoeiros.
—Quero o jardineiro —sussurrou—. Mas quero que você veja.
Lautaro se afundou mais fundo, agarrou o cabelo preso dela, obrigou-a a arquear mais o pescoço.
—Amanhã eu resolvo.
Aumentou o ritmo, comeu-a com força, com as palmas deixando a marca nas nádegas dela. Vega gozou uma segunda vez, uivando contra o travesseiro, e ele terminou dentro com um empurrão fundo que fez toda a sua coluna tremer.
***
Falou com Bruno no dia seguinte, na estufa, sem rodeios. O rapaz ouviu com a mandíbula tensa e no fim assentiu uma única vez. Às onze da noite apareceu na porta do quarto de Vega com uma camisa de linho limpa e o cabelo recém-molhado.
Lautaro se sentou numa poltrona estofada junto à janela. Vega estava parada ao pé da cama, num conjunto preto mínimo: sutiã de renda, calcinha de tiras, ligas. Bruno a olhou de cima a baixo e foi se aproximando devagar, como quem tateia um cavalo novo. Tomou-lhe o rosto com as duas mãos e a beijou longo, sem pressa, com a língua entrando sem medo.
Vega fechou os olhos e se deixou levar. Quando ele baixou o sutiã dela com os polegares e mordeu o mamilo, soltou um queixume baixo que fez Lautaro se ajeitar na poltrona. Bruno se despiu sem teatro. Era esguio, sólido, com o torso bronzeado de sol dos limoeiros e uma faixa branca onde a calça o cobria. O que tinha entre as pernas justificava o volume que Vega vinha imaginando por dias: uma pica grossa, mais longa do que a de Lautaro, com as veias marcadas e a ponta já brilhante.
Ela a tomou na mão e ficou olhando, fascinada, medindo-a com os dedos. Mal conseguia abraçá-la. Ajoelhou-se sem pedir licença, mostrou a língua e lambeu a ponta com curiosidade, e depois o comprimento inteiro, dos ovos até a coroa. Bruno segurou-lhe a nuca com suavidade, não com violência, e marcou um ritmo lento quando ela começou a pô-la na boca. Vega aprendeu rápido a abrir a garganta: cada vez a tomava mais fundo, até sentir os ovos do jardineiro contra o queixo. A saliva lhe brotava dos cantos da boca, escorria pelos seios expostos. Lautaro, na poltrona, já se tocava por cima da calça.
Quando Bruno a levantou e a deitou sobre o colchão, arrancou-lhe a calcinha de renda. Abaixou-se primeiro para comer-lhe a boceta com a mesma paciência com que ela o chupava, com a língua inteira e os dedos, até Vega gozar pela primeira vez contra a boca dele. Depois abriu mais as pernas dela, se ajeitou, apoiou a ponta contra a boceta encharcada e entrou com cuidado, milímetro por milímetro, esperando o corpo de Vega se acomodar a um tamanho novo. Vega gemeu, agarrou-se aos lençóis, abriu mais as pernas.
—Piano, piano —dizia Bruno—. Che stretta che sei.
Falava baixinho em italiano, coisas que nenhum dos irmãos entendia, mas que soavam a elogio, a espanto. Quando esteve até o fundo, ficou quieto um instante, deixou Vega respirar ao redor da rola que a abria por completo. Depois começou a se mover. No começo devagar, com a barriga batendo no clitóris a cada investida. Depois mais forte.
Movimentou-a com ritmo crescente, ergueu uma perna dela sobre o ombro, beijou-lhe o tornozelo, mordeu-lhe a panturrilha, continuou a comê-la com esse novo ângulo que tocava em Vega pontos que Lautaro nunca havia alcançado. Mudou-a de posição mais duas vezes: pô-la de lado, com uma perna levantada, e agarrou-lhe a anca para invadir de lado; depois a sentou sobre ele, fez com que cavalgasse, agarrou-lhe as tetas por baixo enquanto Vega subia e descia com as mãos apoiadas no peito bronzeado do jardineiro. Vega olhava para o irmão por cima de Bruno, sem parar de se mover, com os lábios entreabertos.
Lautaro já tinha a pica fora e se masturbava com ritmo, sem tirar os olhos dela. Vega gozou uma segunda vez sobre o jardineiro, com um tremor inteiro que Bruno acompanhou, segurando-lhe as ancas contra as suas. Depois a deitou de novo, abriu-lhe as pernas, investiu umas últimas vezes rápidas e saiu apenas a tempo de gozar com um rosnado contido sobre a barriga dela, dois jatos grossos e quentes que lhe mancharam o umbigo e as tetas.
Lautaro também terminou, na própria mão, um terceiro jato que caiu sobre o braço da poltrona.
Bruno os cumprimentou com um gesto curto, recolheu a roupa e foi embora, ainda nu pelo corredor. Vega se aninhou contra Lautaro, ainda manchada, ainda respirando rápido, e pediu que ele limpasse sua barriga com a língua. Ele fez isso, devagar, e ela adormeceu assim, com a face contra o peito do irmão.
—Obrigada —disse antes de fechar os olhos.
***
Uma semana depois, Helena o chamou ao salão principal. Tinha uma taça de vinho branco na mão e o olhar de quem levava anos querendo dizer algo. Lautaro se sentou em frente a ela.
—Eu sei sobre a sua irmã —disse, sem rodeios—. Sei faz tempo.
Lautaro não respondeu. Esperou.
—Numa noite de tempestade, lá, eu os ouvi. Espiei pela porta. Vi Vega embaixo e você por cima, se mexendo devagar. Ela cravava as unhas em você. Não tive coragem de entrar. Voltei para a cama e chorei um pouco. Depois nunca mais chorei. Pensei que naquela miséria era a única coisa que vocês tinham um do outro.
—E agora? —perguntou ele.
Helena terminou o vinho.
—Agora estamos aqui. E eu deixo o Romano me destruir todas as noites. Ontem ele me virou contra a sacada, me comeu pelo cu olhando o lago, e eu pedia mais. Que autoridade eu tenho?
Lautaro se levantou. Tirou a taça da mão dela, pôs sobre a mesa, abriu-lhe o robe. Helena não se moveu. Tinha quarenta e dois anos e um corpo que o calabrês havia despertado de uma longa hibernação: as tetas ainda firmes, os mamilos grandes e escuros, as ancas largas de ter parido duas vezes, e a boceta depilada que Aitana lhe ensinara a manter assim desde que chegaram.
Lautaro a olhou: aquela mulher que o criara às custas de tantas humilhações, e entendeu que a fronteira já havia caído fazia tempo.
—Eu não vou te tratar como ele te trata —disse—. Mas vou te tratar.
Acomodou-a sobre o sofá de veludo verde. Beijou-a com uma calma que Helena não esperava, a boca aberta, a língua tateando a dela com doçura, não com fome. Foi despindo-a camada por camada, devagar, como se desembrulhasse um presente demorado. Acariciou-lhe os seios com a palma aberta, beijou-os um por um, chupou-lhe os mamilos até Helena arquear as costas contra o encosto. Beijou-lhe o umbigo. Desceu mais.
Ajoelhou-se entre as pernas da mãe e abriu-lhe as coxas com as mãos. Helena fechou os olhos e virou o rosto. Lautaro passou a língua pela boceta inteira, de baixo para cima, com calma. Helena soltou um gemido que lhe saiu do ventre. Ninguém jamais fizera aquilo com ela —nem Esteban, nem o do armazém, nem Romano—. Os homens sempre tinham usado a boceta dela para se esvaziar, jamais para adorá-la. Lautaro ficou ali, entre as pernas dela, comendo-a com paciência, com a língua encontrando o clitóris e se demorando nele, com dois dedos entrando e saindo com delicadeza.
Helena pôs uma mão sobre a cabeça do filho e a deixou ali, sem guiar, apenas apoiada, como quem deixa o peso descansar depois de muito tempo. Quando gozou, gozou em silêncio, com lágrimas escorrendo pelas têmporas e um tremor longo que percorreu suas pernas.
Depois ele subiu, cobriu-a com o corpo e passou a ponta pela boceta encharcada. Entrou nela com uma pausa antiga, quase reverente. Helena o recebeu apertando-o por dentro, agarrando-o pelos ombros. Moviam-se devagar, com aquele ritmo estranho de dois corpos que se conhecem sem nunca terem se tocado, a respiração dela se sincronizando com a cadência dos quadris dele. Lautaro procurou a boca dela, beijou-a enquanto a comia, acariciou-lhe a face, passou os dedos pelo cabelo úmido de suor. Não houve palavras sujas, não houve violência, não houve nada do que Helena tinha aprendido a esperar de um homem por cima dela.
Helena fechou os olhos. Não pense em nada, disse a si mesma. Não pensou em Esteban. Não pensou no do armazém. Não pensou em Romano. Pensou só no cobertor gasto do quarto de chapa, na cama estreita rangendo sob dois garotos, em tudo o que aceitara para que chegassem vivos até aquela villa. Quando gozou a segunda vez, agarrou-se às costas do filho e deixou o orgasmo quebrá-la inteira. Lautaro terminou dentro, com a testa apoiada no vão do pescoço da mãe, sem sair em nenhum momento.
Quando terminaram, Helena se sentou e ajeitou o robe. Lautaro lhe serviu outra taça.
—Amanhã chega um senhor do Banco di Genova —disse ela, como se retomasse uma conversa interrompida.
—Vamos recebê-lo juntos —respondeu ele.
Vega desceu a escada descalça um pouco depois, atraída pelas vozes. Usava o mesmo robe azul-claro da primeira noite. Sentou-se no braço do sofá, apoiou a cabeça no ombro da mãe, e os três ficaram assim por um bom tempo, olhando o lago que escurecia atrás da janela ampla.
Sentiram que a herança não era o dinheiro, nem a villa, nem os estaleiros distantes, mas o permissão, enfim, de não se esconder de ninguém. Lá fora, no jardim, Bruno regava os limoeiros.