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Relatos Ardientes

Minha tia me sentou no colo dela diante de todos

Três dias depois eu voltei a passar na casa da minha tia Remedios. Era uma quarta-feira qualquer, daquelas em que o bairro inteiro parece dormindo a essa hora da manhã. Eu já tinha vinte e dois anos e a faculdade pela metade, então aproveitava os intervalos entre as aulas para escapar até o apartamento dela.

Assim que me viu parado diante da porta, me deu um beijo nos lábios, enfiou a língua até o fundo da minha boca e mordeu meu lábio inferior antes de me soltar. Ela me agarrou pela mão e me arrastou até o elevador. Disse que ia fazer compras e que eu fosse com ela. Descemos juntos para a rua, ela com uma saia de musselina de verão, sem nada por baixo, porque, segundo ela, quanto menos obstáculos, melhor.

Assim que as portas se fecharam e o elevador começou a descer, ela se colou em mim por trás. Enfiou a mão por dentro da calça de moletom e agarrou meu pau sem pressa nenhuma, apertando-o com os dedos, sentindo ele ficar duro em segundos dentro do punho dela.

— Rápido, meu menino… mete em mim antes que pare — sussurrou no meu ouvido enquanto puxava a saia até a cintura e se inclinava, apoiando as mãos no espelho, arqueando as costas para me oferecer o cu.

Vi o xoxoto dela por trás, já brilhando, os lábios abertos, os pelos aparados, tudo pedindo guerra. Joguei a calça de moletom para baixo de uma vez, agarrei os quadris dela e a penetrei num só impulso até o fundo. Ela soltou um gemido sufocado e encostou a testa no espelho. Comecei a foder ela rápido, tirando quase tudo e enfiando de novo, sentindo o cu dela quicando contra minha pélvis a cada investida, sentindo a boceta dela escorrendo e me encharcando os ovos.

— Continua, Adrián, mais forte, me arrebenta… — ela gemia com a boca cerrada para não gritar, mordendo o dorso da própria mão.

Segurei o cabelo dela com uma mão e, com a outra, procurei o clitóris por baixo, esfregando em círculos enquanto a enfiava sem parar. O elevador descia devagar, devagar demais, e ela mordia o lábio enquanto se estremecia num orgasmo silencioso, apertando meu pau com as paredes da boceta como se quisesse me ordenhar. Aguentei mais duas estocadas e gozei dentro dela, me esvaziando em jatos quentes, sentindo meu sêmen escorrer pela coxa dela bem antes de a cabine parar com um tinido. Ela abaixou a saia a tempo, passou a mão entre as pernas, levou os dedos à boca e piscou pra mim quando as portas se abriram.

***

Assim que saímos, ela perguntou se eu tinha tomado café da manhã. Disse que não e ela me convidou para um bar na esquina. Pedi uma torrada com tomate e presunto e um café com leite.

— Toma leite, vai — disse ela no meu ouvido, apertando meu pau por baixo do balcão, sentindo que eu ainda estava meio duro —, que eu estou te deixando seco. — E piscou pra mim.

Ela pediu um copo de cerveja e um pedaço de tortilha. Perguntei se podiam servir na varanda, porque lá dentro fazia um calor insuportável. Ela me mandou sentar enquanto ia ao banheiro. Quando voltou, quis saber a que se devia minha visita tão cedo.

Contei que tinha ido levar o convite do batizado do filho do Rubén, meu primo e ao mesmo tempo sobrinho dela, e que sentia saudade. Ela sorriu e me acariciou o queixo com a ponta dos dedos.

— E quando é?

— Daqui a duas semanas, na fazenda do Rubén.

— Me dá vontade de ir para o povoado — disse —, mas não sei o que vestir. Faz séculos que o pão-duro do seu tio não me deixa comprar roupa. Então agora mesmo vou às compras.

Me ofereci para acompanhá-la, porque eu também precisava de uns jeans. Fomos ao shopping. Entrávamos juntos nas lojas, ela levava um vestido ou uma blusa para o provador e me chamava de dentro.

— Vem, Adrián, me ajuda a ver se ficou bom.

Uma vez lá dentro, ela deixava a cortina meio aberta para o risco ser maior. Tirava a roupa de uma vez e ficava pelada, os peitos à mostra, os mamilos já duros de tesão. Me baixava a calça de um puxão, se ajoelhava diante de mim e me chupava com uma devoção que me deixava sem ar. Enfiava meu pau inteiro na boca, tirava até a ponta, lambia de cima a baixo, chupava meus ovos um por um enquanto me olhava de baixo com olhos famintos, a baba escorrendo pelo queixo. Eu a segurava pela nuca e fodía a boca dela devagar, sentindo a garganta se abrir para me engolir inteiro, sentindo ela tossir baixinho e voltar a enfiar tudo sem soltar. Ela tirava meu pau por um segundo para respirar e lambia a ponta com a língua achatada.

— Que gostoso você está… goza dentro se quiser — sussurrava antes de engolir de novo.

Depois, ela se virava de frente para a parede, apoiava as mãos na divisória e abria as pernas, arqueando as costas para me mostrar o cu. Afastava as nádegas com as mãos, me mostrando a boceta encharcada e o furinho apertado.

— Mete por trás, rápido… que nos ouçam e eu fico mais quente — murmurava.

Eu a comia em silêncio, segurando-a pelo quadril com uma mão e tampando a boca dela com a outra para que nenhum gemido escapasse. Enfiava até o fundo, sentindo o cu dela quicar e a boceta fazer barulhos úmidos toda vez que eu tirava o pau. Mordia o pescoço dela, beliscava os mamilos, dava uma palmada seca que deixava marca. O provador cheirava a sexo, a xoxoto molhado e a suor, a cortina se mexia sozinha com nossas investidas e alguma vendedora perguntava de fora:

— Tudo bem aí?

Ela assentia apertando os dentes contra minha mão, gozando em silêncio, as pernas tremendo enquanto eu continuava fodendo ela até gozar dentro, deixando a porra escorrendo pelas coxas. Da última vez não tivemos tanta sorte. Uma vendedora abriu a cortininha de repente, farta do escândalo, e nos pegou meio vestidos, ela com a calcinha na mão e o sêmen escorrendo pela perna. Ela nos deu uma bronca daquelas e nos expulsou da loja. Perguntei à minha tia se ela estava preocupada e ela balançou a cabeça.

— Você acha que eu ia a um lugar onde me conhecessem sabendo o que ia acontecer?

Terminamos o dia rindo, comprando finalmente a roupa de que precisávamos, e nos despedimos até a data marcada.

***

O dia chegou duas semanas depois. O batizado foi um desses eventos que por fora parecem da coisa mais normal do mundo, mas por dentro estão carregados de eletricidade. O tesão, o risco e o medo constante de que Anselmo ou qualquer outro da família percebesse alguma coisa estranha.

Era na fazenda do meu primo Rubén, um lugar típico da serra: uma casa de campo com quintal grande, churrasqueira, mesas compridas sob uma lona e um pequeno lago ao lado do qual a cerimônia foi celebrada. Havia família dos dois lados, tios, avós, crianças correndo pra lá e pra cá e, claro, Anselmo e Remedios. Meus pais também foram.

Minha tia chegou com o vestido azul-escuro que tínhamos comprado no shopping. Ficava perfeito nela: justo no busto sem ser vulgar, solto no quadril mas colando no corpo quando ela andava, e comprido até o joelho para disfarçar. Trazia o cabelo cacheado solto com uma presilha e uma maquiagem leve, os lábios apenas pintados de vermelho.

Quando me viu no pátio, me deu um abraço de tia, diante de todos, mas apertou minha cintura por um segundo a mais e sussurrou no meu ouvido:

— Você está bonito de terno… e me olha como se quisesse me devorar aqui mesmo. Não estou de calcinha, por via das dúvidas.

Fiquei vermelho, mas sorri. Anselmo estava perto, com uma cerveja na mão, conversando com Rubén e outros primos. Não parecia suspeitar de nada, embora continuasse seguindo a mulher com os olhos toda vez que ela atravessava o pátio, ciumento como sempre, por mais que fingisse o contrário.

Durante a cerimônia, ficamos perto um do outro. Ela se colocava de lado para eu ver como o vento colava o tecido no corpo, marcando os seios e os quadris. Quando ninguém olhava, roçava minha mão ou apertava minha coxa discretamente, subindo uns centímetros até roçar meu pau por cima da calça. O tesão pairava no ar: a família ao redor, Anselmo a dez metros, meu pai conversando com os tios, e nós com aquela tensão de saber que, se nos pegassem, a merda estava feita.

***

Depois veio o almoço: uma paella enorme, carne na brasa, sangria e música ao fundo. Remedios e eu acabamos na mesma mesa comprida, embora com gente no meio. Ela me passava o pão roçando os dedos nos meus, me servia sangria e se inclinava para sussurrar coisas.

— Estou pingando só de te ver. Estou com a boceta encharcada, escorrendo pelas coxas. Se não fosse seu tio, eu te levaria agora para a garagem e você me enfiaria até o fundo.

Num momento ela se levantou dizendo que ia ao banheiro. Esperei uns dois minutos e fui atrás. Nos encontramos no corredor da casa, longe das mesas, e entramos num banheiro pequeno de serviço. Tranquei a porta. Assim que virei a chave, ela se jogou em cima de mim, me beijou com língua e baixou meu zíper com as mãos trêmulas. Tirou meu pau, colocou na boca de joelhos e me chupou até o fundo, apertando as bochechas, engolindo saliva, fazendo-o sumir inteiro até a garganta. Fodi a boca dela por um minuto inteiro, segurando a cabeça com as duas mãos, vendo as lágrimas se acumularem nos olhos dela e um fio de baba pendendo do queixo.

— Rápido, Adrián… mete logo, antes que alguém chame.

Ela se levantou, ergueu o vestido até a cintura e se inclinou sobre a pia, apoiando as mãos no mármore. Não estava de calcinha, como tinha me dito, e a boceta dela brilhava, inchada e aberta. Agarrei-a pelo quadril e enfiei de uma vez, até o fundo. Ela soltou um gemido rouco que abafou mordendo o braço. Comecei a fodê-la com estocadas rápidas e secas, batendo pélvis contra cu, sentindo o xoxoto apertar meu pau a cada vez que eu tirava e enfiava de novo. O espelho me devolvia o rosto dela de prazer, o lábio entre os dentes, os peitos sacudindo a cada empurrão, minhas mãos cravadas nos quadris dela deixando marcas de dedo.

— Mais… mais forte… assim, filho da puta, assim… — ela gemia, apertando os olhos.

Passei uma mão por diante e belisquei o clitóris dela entre o indicador e o polegar. Ela se contraiu inteira, apertou a boceta e gozou tremendo, mordendo a toalha para não gritar. Eu aguentei mais duas estocadas e me esvaziei dentro dela, sentindo minha porra se misturar aos fluidos dela e começar a escorrer pela coxa assim que tirei o pau. Ela se limpou com papel às pressas, baixou o vestido, me deu um beijo rápido e me empurrou para a porta.

— Sai você primeiro, que eu vou disfarçar.

Voltei à mesa como se nada tivesse acontecido. Ela chegou dois minutos depois, com as bochechas coradas e um sorriso de inocência perfeita. Anselmo nem percebeu: estava bêbado, falando de futebol com os primos.

***

Depois chegou a hora da dança. Botaram música de arraial, pasodobles, sevilhanas e umas coisas que o pessoal mais velho gostava. O pátio se encheu de casais e crianças correndo entre as pernas. Eu fiquei sentado numa cadeira de plástico na beirada, porque não sou muito de dançar, e menos ainda de gravata.

Remedios saiu para dançar com meus pais. Riam, davam voltas, minha mãe a abraçava como se fosse uma irmã. Anselmo continuava sentado a alguns metros, com a cerveja na mão, soltando gargalhadas cada vez mais grosseiras. Ela se mexia com graça apesar do vestido justo, e toda vez que passava perto de mim piscava.

Num momento ela torceu o tornozelo. Usava saltos altos e o gramado irregular não ajudava. Soltou um “ai!” baixinho e mancou até onde estávamos. Olhou para o marido, que nem se mexeu.

— Levanta, vai, que meu pé está doendo e eu quero sentar.

— E por que eu tenho que levantar? Senta onde puder — respondeu ele, meio bêbado.

Ela olhou para ele com um ódio frio, mas sem levantar a voz por causa da família ao redor.

— Não precisa ninguém se levantar.

E então se sentou diretamente no meu colo. Diante de todo mundo: meus pais, os primos, Anselmo, os tios. Ela se acomodou devagar, o calor do corpo dela colando no meu, o vestido subindo um pouco pelas coxas. Passou um braço ao redor do meu pescoço como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Adrián é um cavalheiro… ao contrário de você.

Anselmo soltou uma risada grosseira e olhou ao redor à procura de plateia.

— Pois se você ficar muito tempo aí sentada, amanhã o manco vai ser ele. — E, com aquele sorriso de bêbado, acrescentou — Aguenta sua tia o tempo que for preciso, garoto?

Assenti, vermelho até as orelhas, sem me mexer. Ela riu baixinho, se acomodou melhor, esfregando o cu devagar contra meu zíper, e ficou ali uma hora inteira. Diante de todos.

E aconteceu o que tinha que acontecer. No começo era só o calor do corpo dela contra mim, que respondeu quase de imediato sob a calça do terno: meu pau ficou duríssimo, apertado contra o tecido, marcando-se entre as nádegas dela. Ela percebeu, claro. Começou a se mover com pequenos círculos de quadril, esfregando o cu em mim lentamente, sentindo meu pau duro entre as nádegas por cima da roupa, roçando sem que ninguém visse, porque a mesa tapava e o pessoal estava prestando atenção na dança. Toda vez que ria de alguma coisa que minha mãe dizia, se inclinava e sussurrava no meu ouvido:

— Que pau duro você está… estou sentindo entre o meu cu, minha boceta está esquentando de novo, estou me molhando outra vez. Estou te deixando seco, meu menino?

Eu segurava a cintura dela com uma mão, como quem impede alguém de cair. Com a outra, procurava a coxa por baixo do vestido. Ela abria um pouco as pernas e eu ia subindo a mão milímetro por milímetro até a boceta nua, afastava o tecido encharcado e enfiava dois dedos até o fundo, sentindo ela se contrair ao redor dos meus nós dos dedos, sentindo o calor, a molhadura, ainda cheia da minha porra do banheiro. Ela se apertava contra minha mão fingindo se acomodar. Tirava os dedos brilhantes, subia com eles até o clitóris e o esfregava em círculos devagar, depois mais rápido. Mordia o lábio fingindo continuar a conversa enquanto eu acelerava o ritmo, enfiando e tirando com um barulhinho úmido que só nós ouvíamos.

Anselmo continuava bebendo, falando alto, bêbado demais para notar qualquer coisa. Meu pai conversava com os parentes, alheio a tudo. Pelo menos era o que eu achava. E nós ali, no meio da família, ela no meu colo com meu pau enfiado entre as nádegas por cima da calça enquanto minha mão trabalhava sua boceta por baixo do vestido.

Quando ela gozou, foi silencioso, mas intenso. Ela se contraiu inteira, apertou as coxas contra minha mão prendendo meus dedos dentro, jogou a cabeça para trás apoiando-a no meu ombro e soltou um suspiro longo que disfarçou como riso. Senti a boceta pulsando ao redor dos meus dedos, a porra quente encharcando minha palma. Ela ficou quieta um segundo, respirando fundo, e procurou minha mão por baixo do vestido para levá-la à boca. Chupou meus dedos um por um, discretamente, saboreando-se inteira.

— Obrigada, cavalheiro… você salvou minha tarde.

Ela se levantou devagar, me deu um beijo na testa diante de todos e se afastou mancando um pouco, embora o tornozelo já não doesse. Eu fiquei ali sentado, com o coração disparado, o pau ainda duro marcando a calça, e a cabeça girando.

***

Quando chegou a hora de ir embora, Anselmo já estava no carro com a janela aberta, gritando porque queria ir embora. Estava bêbado pra caralho, o rosto vermelho, os olhos vidrados. Remedios se aproximou do carro, mas antes de entrar me abraçou forte, como uma tia qualquer se despedindo do sobrinho, e no segundo beijo sussurrou:

— Não se preocupa… a gente se vê em breve.

Ao ver Anselmo cambaleando para engatar a marcha, me aproximei do meu pai.

— Pai, melhor eu levar os tios. Ele não está em condições.

Ele me parou com a mão no ombro, sério mas calmo.

— Não, filho. Vai com sua mãe. Eu cuido deles.

Não insisti. Entrei no carro e, enquanto nos afastávamos pela estrada de terra, olhei pelo retrovisor: meu pai ajudando Anselmo a se sentar, Remedios entrando atrás com cara de cansaço. Pensei que o batizado tinha sido perfeito: família, fotos, paella… e um segredo roubado diante do nariz de todos.

***

Mas no dia seguinte o mundo desabou em cima de mim. Me sentaram na sala. Minha mãe com os olhos vermelhos de chorar, meu pai com o semblante duro. Eles tinham percebido tudo: os olhares, os toques, como ela se sentava no meu colo e não se mexia, as vezes em que sumíamos os dois ao mesmo tempo. Não eram idiotas. Já desconfiavam havia tempo, desde que eu passava tantas manhãs na casa dos tios, e o batizado foi a gota d’água.

— Nós não estamos julgando vocês — disse meu pai com voz calma —. Mas isso acaba aqui. Remedios é a mulher do seu tio. E, embora ele seja um desgraçado, continua sendo meu irmão. Se ele souber, mata os dois.

— Conversamos com ela hoje de manhã — acrescentou minha mãe, tremendo —. Dissemos que é a última vez que oferecemos ajuda. Que, se ela quiser sair daí, nós a tiramos: advogado, dinheiro, um lugar para começar. Mas ela tem que te deixar fora disso tudo. Ou contamos ao seu tio.

Fiquei gelado. Não disse nada. Apenas assenti com um nó na garganta.

Remedios aceitou. Dessa vez, sim. Foi para um povoado no litoral, para uma casa da família que estava vazia. Meu pai pagou a passagem, deu dinheiro para os primeiros meses e arrumou um trabalho simples para ela. Anselmo ficou sozinho, bebendo como sempre, sem saber mais nada dela.

***

Fui visitá-la um mês depois. Peguei o trem com o coração disparado, convencido de que voltaríamos àquilo de antes. Encontrei-a numa casinha perto do mar, mais magra, mais tranquila, com o cabelo preso e um sorriso cansado. Ela me abraçou forte, fez café e ficamos na varanda com vista para o porto. Mas, quando tentei beijá-la, ela me parou com delicadeza.

— Não, Adrián… agora não.

Perguntei por quê. Ela me olhou nos olhos.

— Seu pai me ajudou de verdade. Me tirou de lá sem me pedir nada em troca. Não posso fazer isso com ele. Não vou continuar com você. Você precisa viver sua vida sem carregar isso nas costas.

Chorei. Ela me abraçou como uma mãe, me deu um beijo na testa e disse:

— Eu te amo muito. Mas isso acaba aqui. Volta pra casa, estuda, se apaixona por alguém da sua idade… e não me esquece.

Voltei no trem à noite com o peito apertado. Daquele momento em diante, fomos tia e sobrinho, nada mais. Anselmo continuou sozinho e amargurado, e eu nunca mais o vi. Ela refez a vida longe: trabalho, amigas, até um companheiro que cuidava dela. Meu pai me contava de vez em quando que ela estava bem, que era feliz.

Segui em frente. Mas nunca esqueci aquela semana na casa dela, nem o batizado, nem como tudo em mim tremia quando ela se sentava no meu colo diante de toda a família. Foi o mais perto que cheguei de algo proibido e real. E também o último.

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