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Relatos Ardientes

A transexual discreta que só poucos podiam pagar

A luz do amanhecer se infiltrava por entre as cortinas negras do meu apartamento, anunciando o fim de mais uma noite de trabalho. Suspirei, cansada, enquanto deslizava as unhas pintadas de vermelho pela minha pele quente e lisa, desfrutando aquela suavidade sem um único pelo, que me custara tanto conquistar. Hormônios, sessões de laser, paciência. Meu nome é Renata, tenho vinte e nove anos, embora durante muito tempo eu tenha respondido a outro nome. Um que já quase não lembro e que, quando lembro, não me provoca nostalgia.

Sentada diante do espelho, observei-me como quem revisa uma obra terminada. Meu cabelo escuro caía em ondas brilhantes sobre os ombros. Os lábios, pintados de um fúcsia ardente, contrastavam com a palidez do meu rosto. As curvas que os estrogênios haviam desenhado em mim, discretas, mas minhas, transformavam cada gesto num convite silencioso.

Eu não era perfeita. Nunca fingi ser.

Os homens que me procuravam não queriam perfeição. Queriam outra coisa, algo mais turvo e mais honesto ao mesmo tempo: desejo sem desculpas, controle, fantasias que não ousavam confessar em voz alta. E eu havia aprendido a dar a eles exatamente isso. Eu gostava de ser o objeto das obsessões deles, o segredo que levavam para casa sem contar a ninguém. A puta que comiam escondido enquanto suas esposas dormiam tranquilas. O pau de mulher que mamavam em hotéis caros e jamais confessariam ter tocado.

Baixei o olhar para a pequena jaula que usava apertada entre as pernas. Anos atrás, ela havia sido maior. Com o tempo, assim como a minha vontade de resistir, foi ficando menor, mais rígida. Não me incomodava. Pelo contrário. Saber que meu próprio prazer já não me pertencia, que dependia da mão de outro, da permissão dele, do seu capricho, havia se transformado numa droga mais potente que qualquer outra que eu já tivesse experimentado. Sentir minha roxinha apertada contra o aço, inchando em vão cada vez que um cliente me sussurrava algo sujo ao ouvido, era minha tortura favorita.

Meu corpo é de quem o merecer esta noite.

Verifiquei o telefone. Três mensagens da minha mãe que nem sequer abri. Não falávamos havia anos, desde que fui embora para a capital com uma bolsa de estudos e uma mala cheia de mentiras. Eu não os odiava; tampouco sentia saudade. Minha verdadeira vida não havia começado na casa deles, nem nas salas de aula. Havia começado no dia em que deixei de pedir permissão para existir.

***

A universidade foi apenas o álibi. A verdadeira descoberta aconteceu na solidão do meu quarto alugado, numa pensão no centro onde ninguém fazia perguntas. No começo eram escapadas furtivas, peças que eu comprava com medo e escondia debaixo do colchão. Um vestido. Depois meias. Depois um par de saltos que eu mal sabia usar para andar.

Lembro-me da primeira vez que me vi inteira, vestida de mulher, no espelho manchado daquele quarto. Minhas mãos tremiam. Não de vergonha, mas de reconhecimento. Finalmente eu via alguém que havia passado anos escondida atrás de um disfarce de homem que nunca me servira bem. Naquela noite, ainda usando as meias, enfiei dois dedos na boca, molhei-os bem e levei-os à minha bunda pela primeira vez. Gozei em menos de um minuto, mordendo o travesseiro para que não me ouvissem gemer. Descobri que o prazer que haviam me ensinado a esperar pela frente estava, na realidade, por trás. Que minha bunda pedia aos gritos aquilo que minha cabeça estava apenas começando a entender.

O dinheiro, é claro, sempre foi um problema. A bolsa cobria as aulas, mas não o aluguel, nem a comida, muito menos a transformação que começava a me obcecar. Numa tarde, enquanto fazia contas impossíveis sobre a mesa da cozinha, uma colega da pensão, uma garota que ganhava a vida de um jeito que todos no prédio fingiam não conhecer, disse algo que mudou minha vida.

—Tem homens que pagariam uma fortuna por alguém como você —ela soltou, acendendo um cigarro—. Por alguém diferente. Por uma fantasia que não encontram em nenhum outro lugar. Você tem cara de menininha, bunda de puta e uma piroquinha de brinquedo entre as pernas. É o que procuram aqueles que já treparam com tudo.

Eu ri, desconfortável. Disse que ela era louca.

Três semanas depois, com o aluguel vencido e o estômago vazio, pedi o telefone dela.

***

Lembro do primeiro encontro com uma clareza que quase me assusta. Um hotel discreto, daqueles com luzes fracas e recepcionistas que não levantam os olhos. Ele era um homem mais velho, de mãos bem cuidadas e voz pausada, vestido com um terno que custava mais do que tudo o que eu possuía. Eu estava nervosa. Pensei que a qualquer momento me arrependeria e sairia correndo.

Mas então ele me olhou.

Olhou para mim de um jeito como ninguém jamais havia olhado: com um desejo cru, sem filtros, como se eu fosse a coisa mais valiosa do quarto. Chamou-me de “nena” enquanto deixava as notas sobre a mesa, e algo se rompeu dentro de mim. Ou talvez tenha finalmente encontrado seu lugar.

—Tire a roupa —ordenou, sentando-se na beirada da cama—. Devagar. Quero ver o que comprei.

Obedeci sem pensar. O vestido caiu no chão. As meias, os saltos, a calcinha preta. Quando fiquei nua diante dele, com o pau duro apontado para o seu rosto, não senti vergonha. Senti um orgulho que não sabia ser capaz de sentir. Ele lambeu os lábios, aproximou-se e segurou minha cintura com uma força que me fez entender que naquela noite eu já não poderia decidir nada.

—De joelhos. Chupe.

Ajoelhei-me sobre o tapete. Abri o cinto dele com dedos trêmulos, baixei sua calça e tirei o pau de dentro da cueca. Era grosso, escuro, com uma veia pulsando no centro. Ele o enfiou na minha boca sem me dar tempo de olhá-lo direito. No começo, chupei-o desajeitadamente, saboreando-o, aprendendo como minha língua se movia ao redor da glande. Ele agarrou meu cabelo e começou a mover minha cabeça no ritmo dele, enfiando-o até a garganta.

—Assim, puta. Chupe inteiro. É para isso que estou pagando.

Eu me engasgava, a saliva escorria pelo meu queixo, a maquiagem borrava e meu pau pulsava contra a jaula que eu ainda não usava. Quando achou que já era suficiente, ele me jogou na cama de bruços, abriu minhas nádegas com as duas mãos e cuspiu na minha bunda. Enfiou um dedo, depois dois, e me alargou sem paciência nenhuma. Eu gemia como uma cadela, com o rosto enterrado nos lençóis, apertando os dedos dele com o cu.

—Você está apertada, nena. Vai sentir cada centímetro.

Ele me meteu de uma só estocada. Gritei. Ficou imóvel por alguns segundos para que eu me acostumasse a tê-lo dentro de mim e depois começou a me foder devagar, fundo, castigando cada canto da minha bunda com a ponta inchada do pau. Eu me agarrava ao travesseiro e pedia mais entre gemidos quebrados. Ele me comeu durante o que me pareceram horas, mudando minha posição, colocando-me de quatro e depois de barriga para cima, com as pernas sobre os ombros dele, para poder ver meu rosto enquanto me destruía. Apalpou meus peitinhos, que mal começavam a crescer, puxou meus mamilos e cuspiu na minha boca.

Quando estava prestes a acabar, ele saiu, virou-me e gozou em jatos sobre o meu rosto e minha língua. Sêmen espesso, quente, tanto que entrou no meu olho e eu não me importei. Fiquei imóvel, de boca aberta, engolindo o que escorria, enquanto ele tirava uma foto minha com o celular. E naquele momento, com o rosto encharcado de leite alheio e o pau duro contra a barriga, tive o orgasmo mais brutal da minha vida, sem que ninguém tivesse tocado no meu pau. Gozei a seco, tremendo, como uma fêmea de verdade.

Não foi apenas o dinheiro. Foi a sensação de ser desejada até a dor, de ter um poder que jamais havia imaginado e, ao mesmo tempo, de poder entregá-lo, rendê-lo, colocar-me nas mãos dele. Naquela noite descobri que meu maior prazer não estava em mandar, mas em obedecer. Em me transformar naquilo que o outro precisava que eu fosse. Em ser a puta, a nena, o buraco prestativo que levava sua gozada para casa como um troféu.

É isso que eu sou. É isso que quero ser.

Saí daquele hotel diferente. Mais leve e mais perigosa. Viciada antes mesmo de saber disso, com a bunda ardendo e o gosto de sêmen ainda na boca.

***

Com o tempo, aprendi a escolher. Parei de aceitar qualquer um. Aumentei os preços, refinei os modos, tornei-me seletiva até a crueldade. Entendi que é a escassez que torna desejável uma mulher como eu. Se sou difícil de conseguir, valho mais. Se me resguardo, transformo-me em obsessão.

Assim, pouco a pouco, deixei de ser uma garota desesperada pelo aluguel e me transformei num luxo reservado a poucos. Discreta. Requintada. Viciada. Meus clientes eram empresários, advogados, homens com famílias e reputações impecáveis que pagavam pequenas fortunas por uma noite em que podiam parar de fingir. Chegavam com as camisas passadas, cheirando a colônia cara, e cinco minutos depois já me tinham de joelhos, mamando o pau deles como se o mundo estivesse acabando.

Alguns queriam ternura. A maioria, não.

A maioria buscava aquilo que as palavras educadas do dia os proibiam de pedir: dominar, ordenar, castigar, ser obedecidos sem discussão. Queriam cuspir na boca de uma mulher e que ela engolisse sorrindo. Queriam enfiar o pau na bunda de uma nena com peitos e pau até fazê-la chorar de prazer. Queriam chamá-la de “putinha”, “porquinha”, “meu brinquedo”, e que ela respondesse “sim, senhor” com a voz destruída. E eu me oferecia a isso com um entusiasmo que eles confundiam com atuação. Eu não atuava. Cada ordem cumprida, cada limite que aceitava ampliar um pouco mais, me excitava de verdade. Minha bunda ficava encharcada de desejo cada vez que um deles segurava minha nuca e me empurrava contra a braguilha.

Aprendi a decifrá-los em questão de minutos. A descobrir o que lhes faltava em seus casamentos perfeitos, que silêncio carregavam por trás dos relógios caros e dos sobrenomes respeitáveis. Alguns só precisavam que alguém os ouvisse antes de me tocar. Outros queriam o oposto: nem uma palavra, apenas corpos e regras. Eu me adaptava a cada um como a água se adapta ao recipiente, e essa capacidade de me transformar tornou-se minha maior virtude e minha arma mais afiada.

Com o tempo, entendi que o verdadeiro luxo que eu vendia não era meu corpo, mas a permissão. A permissão para serem, por algumas horas, exatamente aquilo que não ousavam ser diante de mais ninguém. A permissão para gozar no rosto de uma mulher sem se sentirem monstros. A permissão para arrebentar a bunda de outra fêmea e receber os agradecimentos dela. E eu cobrava caro por esse privilégio, porque sabia que, depois de mim, nenhuma outra noite teria o mesmo sabor para eles.

Foi um deles que me colocou a primeira jaula. Um homem de poucas palavras e mãos firmes que entendeu, antes de mim, o que meu corpo pedia aos gritos. Ele a colocou naquela mesma noite, depois de me foder por quase três horas seguidas, depois de esvaziar duas gozadas dentro da minha bunda e uma terceira na minha garganta. Eu estava jogada de barriga para cima, com o sêmen escorrendo pelos cantos da boca, quando ele tirou da bolsa uma pequena jaula prateada e a mostrou para mim.

—Isto é para você —disse, segurando meu pau molinho entre dois dedos, como se fosse algo sujo—. Mulheres de verdade não precisam dessa coisinha para gozar. Gozam pela bunda. Gozam quando enchemos suas bocas. Isto não pode voltar a ficar duro sem a minha permissão.

Ele explicou que meu prazer já não seria um assunto meu, que dependeria da decisão dele, do seu tempo, do seu humor. Esperei que a ideia me horrorizasse. Em vez disso, ela me tirou o ar. Meu pau endureceu pela última vez enquanto ele o trancava, e senti o clique do cadeado como se estivesse fechando uma porta à qual eu jamais desejaria voltar.

—Você entende o que isso significa? —perguntou, ajustando o pequeno cadeado.

—Sim —sussurrei, e minha voz saiu trêmula—. Significa que já não sou minha.

Ele sorriu. Fez-me abrir a boca, cuspiu dentro dela e mandou que eu engolisse. E eu, pela primeira vez em muito tempo, senti-me completa.

***

Aquela jaula nunca mais saiu completamente da minha vida. Mudou de dono, de tamanho, de regras, mas a submissão ficou comigo como uma segunda pele. Aprendi a pedir permissão para as coisas mais íntimas. Aprendi a encontrar prazer na espera, na negação, na paciência obrigatória. Aprendi a gozar apenas com o pau alheio dentro da minha bunda, sem me tocar, como haviam me ensinado. O que para outros seria uma tortura, para mim se transformou numa forma de devoção.

A feminização veio junto com tudo isso. A cada mês que passava, meu corpo se afastava um pouco mais daquele garoto assustado da pensão. Os hormônios suavizaram meus traços, arredondaram meus quadris, presentearam-me com uma pele que os homens adoravam acariciar. Meus peitos cresceram, redondinhos, sensíveis, tanto que um simples puxão nos mamilos já me fazia gemer como uma gata no cio. O laser apagou até o último vestígio do que eu havia sido. Eu me olhava no espelho e já não procurava defeitos: procurava a mulher na qual havia me transformado à força de desejo e dinheiro.

Não me arrependo de nada. Sei que muitos lerão isto e pensarão que minha história é triste, que me perdi, que me vendi. Mas a verdade é mais incômoda do que isso: nunca fui mais livre do que agora. Nunca me senti mais eu mesma do que quando deixei de me pertencer. Nunca gozei tanto quanto quando entendi que meu prazer estava em abrir as pernas e receber.

***

Deitei-me sobre os lençóis de seda negra, sentindo o cansaço começar a me vencer. Lá fora, a cidade se espreguiçava. As pessoas normais corriam para escritórios e escolas, para vidas organizadas que eu havia abandonado sem um único lamento. Enquanto elas começavam o dia, eu encerrava o meu, com a bunda ainda quente da última gozada alheia e o sabor de sêmen adormecido no paladar.

De dia, sou apenas mais uma vizinha. A garota calada do quarto andar que cumprimenta no elevador e assina o recebimento das encomendas. Ninguém desconfia. Ninguém imagina a vida dupla escondida atrás do meu sorriso educado e das minhas roupas discretas. Ninguém sabe que uso a jaula por baixo do vestido, nem que, duas horas atrás, eu tinha um pau enterrado até o fundo da bunda.

À noite, porém, sou a fantasia proibida de homens que pagariam qualquer coisa por uma hora ao meu lado. Sou o segredo mais bem guardado da cidade. Sou desejo puro, sem culpa e sem desculpas. Sou a boca que engole, a bunda que aperta, a nena que diz “sim, senhor” com a voz rouca.

E, meu Deus, como adoro ser isso.

Isto é apenas uma apresentação. Com o tempo, vou contar tudo: meus primeiros passos trêmulos, o processo que me transformou, os homens que passaram pela minha vida e pela minha cama, os paus que experimentei, as gozadas que engoli e todas as loucuras que fiz por dinheiro e prazer. Porque, se aprendi alguma coisa, é que não há vergonha em saber o que se quer.

Sou Renata. É um prazer ter você aqui. Fique, porque esta história está apenas começando.

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