Duas garotas trans e a noite de aniversário no Caribe
Daniela voltou para a villa quando o céu de Santa Lúcia começava a clarear, ainda com o corpo aceso pela longa noite que acabara de deixar para trás. Damián tinha fodido com ela sem muita delicadeza, e ela ainda sentia o rastro daquelas mãos na pele, as marcas quentes nas coxas onde ele cravara os dedos para abri-la, o ardor doce da bunda avermelhada pelos tapas, o sêmen alheio secando na parte interna das coxas. Caminhava com as pernas um pouco abertas, com aquele jeito de andar que só uma mulher recém-fodida até o fundo tem. Entrou sem fazer barulho.
Selene dormia atravessada na cama, abraçada a um travesseiro, com o body de látex preto jogado no chão como uma serpente vazia. Daniela ficou olhando para ela por um momento da porta e sorriu. Depois entrou no chuveiro.
A água quente caiu sobre seus ombros e levou o suor, o perfume do outro, o sal do ar noturno e o rastro pegajoso que Damián deixara entre suas nádegas. Ficou assim por um longo tempo, com a testa apoiada nos azulejos, deixando que o vapor preenchesse tudo. Não tinha pressa. Pensava no que sentira, nas palavras que Damián lhe dissera ao ouvido, em como seu corpo respondera sem pedir permissão.
Passou a mão entre as pernas e sorriu ao sentir a boceta ainda inchada, os lábios volumosos e quentes de tanto terem sido usados. Lembrou-se de como tudo começara: ele a sentando de repente na beirada da cama, arrancando sua calcinha de uma vez e baixando a boca até sua boceta sem preliminares. Chupou-a como se estivesse realmente faminto, a língua larga e gulosa percorrendo a fenda inteira, os lábios se fechando sobre o clitóris, dois dedos entrando até o fundo enquanto ele a olhava lá de baixo. Daniela gozara na boca dele poucos minutos depois, empurrando sua cabeça contra o sexo, sem nenhuma vergonha, com a garganta aberta num gemido que certamente atravessara a parede.
Depois ele se levantara, abrira a calça e colocara o pau diante do rosto dela, grosso, escuro, com a ponta já molhada. «Chupa, puta», dissera, e ela o fizera com prazer, segurando-o com as duas mãos, enfiando-o até o fundo da garganta, deixando que ele segurasse sua nuca e fodesse sua boca no ritmo dele, até as lágrimas escorrerem e a saliva pingar pelo queixo e pelos peitos. Quando pensou que ele fosse gozar, ele o tirou de repente, colocou-a de quatro e enterrou a pica em sua boceta com uma única estocada. Daniela gritara contra o travesseiro. Ele a fodia daquele jeito, puxando-a pelos cabelos, dando tapas secos em sua bunda, sussurrando putarias em seu ouvido: que ela era uma vadia, que sua boceta era uma obra-prima, que a deixaria sem conseguir andar. Ela pedira que fosse ainda pior, com a voz rouca, apertando o pau dele com a boceta a cada estocada. Gozara mais duas vezes, tremendo, antes de ele virá-la de barriga para cima, erguer suas pernas até colocá-las sobre os ombros e esvaziar a porra sobre sua barriga e seus seios, marcando-a como se ela fosse dele. Depois fora embora sem se despedir.
Daniela fechou o registro sob a água quente e percebeu que estivera acariciando o clitóris devagar, sem querer, enquanto se lembrava. Riu sozinha. Enrolou-se numa toalha e voltou ao quarto. Deitou-se com cuidado ao lado de Selene e passou um braço ao redor dela. A amiga murmurou algo dormindo e se aconchegou contra ela. Daniela fechou os olhos.
***
Às sete da manhã, o sol do Caribe entrou pelas cortinas como um convite. As duas acordaram quase ao mesmo tempo, ainda pesadas, mas estranhamente despertas, com aquela energia que vem de ter dormido pouco e por boas razões.
— Estou morrendo de fome — disse Selene, espreguiçando-se com os braços acima da cabeça.
— Vamos descer para o bufê antes que fique cheio — respondeu Daniela.
Vestiram dois biquínis leves, um vermelho para Daniela e um preto para Selene, e desceram ao restaurante do resort, que dava diretamente para o mar. Serviram-se de frutas frescas, café forte e pãezinhos quentes, e escolheram uma mesa junto à janela, com vista para uma praia ainda vazia. Entre colheradas e risadinhas baixas, contaram uma à outra como tinha sido a noite.
Selene falou primeiro. Seus olhos brilhavam ao se lembrar de Kevin, o homem com quem desaparecera por horas. Baixou a voz por cima da xícara de café.
— Amiga, o pau que aquele homem tinha. Sério. Ele tirou no elevador e eu já me ajoelhei ali mesmo, não consegui me segurar. Chupei até chegarmos ao andar, com a porta prestes a abrir a qualquer momento. E ele ali, segurando meu cabelo, rindo baixinho.
— Sua vadia — disse Daniela, encantada.
— Espera, que tem mais. Assim que entramos no quarto, ele me prensou contra a parede, levantou meu vestido e arrancou minha calcinha de uma vez, rasgando mesmo. Enfiou dois dedos na minha boceta e disse no meu ouvido: «você está encharcada, sua porca». E era verdade, eu estava escorrendo. Segurou uma perna minha, levantou-a até o quadril e me fodeu em pé, contra a parede, sem camisinha, sem perguntar nada. Eu cravava as unhas nas costas dele, e ele me dava umas estocadas que me tiravam do chão.
Selene passou a língua pelos lábios, como se a lembrança tivesse gosto.
— Depois me levou para a cama, me colocou de quatro e enfiou no meu cu. Devagar no começo, com lubrificante e tudo, muito cavalheiro, e depois sem a menor consideração. Ele me abriu, Dani. Gozei gritando com a pica dele no meu cu e a mão dele tapando minha boca. Terminou despejando tudo dentro de mim, e depois passou os dedos pela minha boceta e me fez chupá-los.
— Caralho — murmurou Daniela.
— E depois de tudo isso, a melhor parte — continuou Selene, rindo. — Nós dois nus no sofá, apagamos as luzes e ficamos uma hora conversando sobre bobagens, rindo como crianças. Eu não esperava — admitiu. — Achei que seria só sexo, mas no fim ele ainda me deu conversa.
Daniela escutava com o queixo apoiado na mão, com as pernas cruzadas cada vez mais apertadas sob a mesa. Quando chegou sua vez, contou o que acontecera com um pouco mais de pudor no começo, mas foi soltando a língua à medida que falava. Contou como Damián a olhara no início, quase desconfiado, e como ela sustentara o olhar dele até transformá-lo em desejo.
— Eu me ajoelhei primeiro — disse, baixando a voz. — Assim que entramos no quarto dele. Nem deixei que tirasse a camisa. Abri a calça, tirei o pau dele, e, minha nossa, Selene, era uma pica escandalosa, grossa, escura, com as veias saltadas. Comecei lambendo as bolas dele e subindo devagar pelo cacete, olhando-o nos olhos. Ficou duríssimo em dois segundos. Enfiei inteiro, até o fundo da garganta, e ele segurou minha cabeça com as duas mãos e começou a foder minha boca assim, sem piedade. As lágrimas escorriam, e ele adorava.
— Que porco — disse Selene, admirada.
— Depois me deitou, abriu minhas pernas e baixou para comer minha boceta. E aquele homem sabia o que estava fazendo, amiga. Chupava meu clitóris enquanto enfiava dois dedos e apertava um ponto lá dentro que eu nem sabia que tinha. Fez-me gozar duas vezes na boca dele antes mesmo de me penetrar. E quando enfiou… — Daniela riu, balançando a cabeça. — De quatro, puxando meu cabelo, dando uns tapas na minha bunda que ainda estão marcados. Sussurrava todo tipo de coisa no meu ouvido: puta, vadia, que minha boceta era dele naquela noite, que ia me deixar sem conseguir andar. E eu pedia mais. Gozei três vezes com ele dentro de mim, Selene. Três. No fim, ele me virou de barriga para cima, ergueu minhas pernas e despejou tudo em cima de mim, nos seios, no rosto, na boca. Um litro, juro.
— E você engolindo, claro.
— E eu engolindo — confirmou Daniela, rindo.
Omitiu a parte final, quando ele fora embora sem se despedir. Não queria deixar a manhã sombria com aquilo.
— O importante é que você se divertiu — disse Selene, lendo-a como sempre.
— Eu me diverti — confirmou Daniela, e era verdade pela metade, que é a única maneira honesta de se divertir.
***
A conversa se voltou naturalmente para o calendário. Selene fazia aniversário naquele mesmo dia, 22 de novembro, e elas ainda não tinham decidido como comemorar.
— Não quero um jantar tranquilo — disse, brincando com um morango entre os dedos. — Isso eu posso fazer em qualquer ano.
— E o que você quer?
Selene se inclinou sobre a mesa, baixando a voz como se fosse confessar um crime.
— Quero um ménage a trois de aniversário. Dois paus só para mim. Bom, para nós duas. Que me fodam por todos os buracos até me deixarem seca.
Daniela soltou uma gargalhada, mais cúmplice do que surpresa. Conhecia a amiga o bastante para saber que não era um capricho passageiro.
— Então vamos procurar alguém à altura — disse. — E eu topo. Vamos fazer algo de que se fale durante anos.
Elas tinham ouvido falar de um clube nos arredores da cidade, um lugar de música reggae e luzes vermelhas chamado Fuego Caribe, famoso pelo ambiente desinibido e pelos homens altos e sarados que circulavam entre a pista e o bar. Reservaram por telefone uma mesa privativa para as dez da noite. Enquanto Daniela falava com o clube, Selene já fazia planos em voz alta: a lingerie mais ousada que tinham trazido, alguns brinquedos discretos na bolsa, talvez gravar um vídeo curto para enviar às garotas do grupo, aquelas que tinham ficado em casa morrendo de inveja.
— Dominadores ou submissos, o que aparecer — disse Selene. — Eu me deixo levar pelo clima. Desde que abram bem minha boceta, para mim está ótimo.
— O clima nunca falha — respondeu Daniela.
Terminaram o café da manhã com a excitação já instalada no corpo, aquele formigamento antecipado que faz o dia inteiro parecer uma contagem regressiva. Quando se levantaram da mesa, Daniela sentiu a parte de baixo do biquíni já colada à boceta, de tão molhada que estava.
***
Passaram a tarde junto à piscina do resort, aproveitando o sol para bronzear aquelas peles que os hormônios haviam deixado mais macias, mais receptivas à luz. Com biquínis mínimos, deitadas nas espreguiçadeiras, tornaram-se sem querer o centro das atenções. Seus corpos — quadris desenhados, cinturas estreitas, uma feminilidade conquistada com paciência e desejo — atraíam olhares de todos os cantos: garçons que demoravam mais do que o necessário para passar, turistas que fingiam procurar alguma coisa perto de suas espreguiçadeiras, dois rapazes que se animaram a se aproximar sob o pretexto de oferecer um coquetel.
As duas flertavam com elegância, aceitavam uma bebida, devolviam um sorriso, mas não davam mais corda. Guardavam toda aquela energia para a noite.
— Você viu como eles olham para nós? — perguntou Selene em voz baixa, sem abrir os olhos, com o rosto voltado para o sol.
— Estão olhando desde que chegamos — disse Daniela. — O engraçado é que nenhum imagina o que estamos planejando.
— Eles babariam — murmurou Selene. — Se soubessem que daqui a algumas horas vou estar empalada entre duas picas, se jogariam de cabeça na piscina.
Selene riu baixinho. Pediu outro daiquiri e deixou a tarde passar devagar, calculando quantas horas ainda faltavam.
***
Quando o sol começou a se pôr, voltaram à villa para se arrumar. Tomaram banho juntas, ajudando-se a enxaguar o sal das costas, rindo de bobagens, com aquela intimidade sem tensão que só existe entre duas pessoas que se conhecem por inteiro. Sob o jato, Selene passou uma mão ensaboada pelos seios de Daniela, sem nenhuma malícia, e as duas riram quando os mamilos dela endureceram na mesma hora.
— Guarda isso para esta noite — disse Selene, dando-lhe um tapinha suave na bunda.
Depois veio a parte séria: o ritual de se arrumar para uma noite daquelas.
Daniela escolheu um vestido curto de seda rosa-claro, justo ao corpo, que marcava seus quadris e deixava sua silhueta insinuar-se sob a luz morna do quarto. Selene optou por um verde-água, igualmente colado ao corpo, uma cor que realçava sua pele bronzeada e combinava com seu jeito de andar, seguro, quase de rainha. Por baixo, lingerie pensada para ser descoberta: tangas mínimas, sutiãs que mal cobriam os mamilos, ligas. Saltos altos. Um toque de perfume com notas tropicais no pescoço, nos pulsos e entre os seios.
Olharam-se no grande espelho do quarto, uma ao lado da outra, e sorriram ao mesmo tempo.
— Feliz aniversário — disse Daniela, abraçando-a por trás. — Vamos causar.
Às nove e quarenta e cinco, saíram rumo ao Fuego Caribe, as duas no banco traseiro de um táxi, com as pernas cruzadas e o coração acelerado por algo que ainda não acontecera.
***
O clube vibrava desde a porta. A música reggae saía para a rua como uma maré, grave e quente, e lá dentro as luzes vermelhas pulsavam sobre uma pista cheia de corpos. O ar cheirava a rum, suor limpo, perfume e desejo, aquela mistura que só existe nos lugares onde as pessoas vão em busca de algo específico.
Daniela e Selene entraram juntas, e os vestidos capturaram a luz de tal maneira que um pequeno silêncio se fez à sua passagem, um murmúrio que as acompanhou até o bar. Muitos homens se viraram. A maioria era exatamente como elas tinham imaginado: altos, de ombros largos, com aquela segurança relaxada de quem sabe que não precisa insistir.
Mas duas figuras se destacaram quase imediatamente.
Eram gêmeos. Idênticos a ponto de causar estranheza, pouco mais de trinta anos, com os torsos definidos sob camisas abertas e a pele escura brilhando a cada mudança de luz. Moviam-se com a mesma calma, como se tivessem ensaiado a entrada juntos durante a vida inteira. Apresentaram-se como Diego e Tobías, com vozes graves e um sotaque insular que arrastava as palavras de um jeito delicioso de ouvir. Sob o tecido leve da calça, os dois exibiam um volume que não deixava muito para a imaginação.
Não perderam tempo. Aproximaram-se com dois copos de rum temperado, um em cada mão, e ofereceram-nos sem perguntar se elas queriam.
— Para as rainhas da noite — disse Diego, estendendo o seu a Selene.
— Estamos aqui para fazer vocês se divertirem — acrescentou Tobías, olhando para Daniela. — Principalmente hoje.
— E como vocês sabem que hoje é um dia especial? — perguntou Selene, divertida.
— Não sabíamos — respondeu Diego, com um sorriso lento. — Mas o jeito como vocês entraram disse tudo.
Selene aceitou o copo e tomou um gole sem deixar de olhá-lo por cima da borda. Daniela fez o mesmo e sentiu o calor do rum descendo pela garganta, somando-se ao que já trazia no corpo havia horas e ao que começava a escorrer por dentro da coxa.
Isto vai estar à altura, pensou.
Os gêmeos as convidaram para sua mesa reservada, num canto elevado de onde se via a pista inteira. As quatro figuras se sentaram muito próximas, com os joelhos se tocando, e as vozes foram baixando à medida que a conversa deixava de ser conversa e começava a se transformar em outra coisa. Tobías apoiou uma mão no joelho de Daniela, sem pressa, esperando uma resposta. Ela não a afastou; pelo contrário, abriu um pouco mais as pernas e deixou que aquela mão subisse devagar pela coxa, até roçar a borda da liga. Selene ria de alguma coisa que Diego lhe dizia ao ouvido, enquanto a mão do gêmeo entrava sem disfarce no decote e beliscava um mamilo por cima do sutiã.
Daniela trocou um olhar rápido com a amiga por cima dos copos. Foi suficiente. As duas sabiam, sem precisar de uma única palavra, que a noite que haviam imaginado no café da manhã estava prestes a começar de verdade, e que aqueles dois irmãos, idênticos e famintos, eram exatamente o presente que Selene pedira.
— Ao seu aniversário — disse Daniela, erguendo o copo.
— À melhor noite do ano — respondeu Selene.
E os quatro brindaram sob as luzes vermelhas, enquanto a música os empurrava em direção a tudo o que viria depois.


