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Relatos Ardientes

Duas garotas trans e uma escapada para o Caribe

Quando voltamos da mansão, Renata e eu passamos semanas em silêncio, como se nós duas tivéssemos medo de quebrar alguma coisa. Não era arrependimento. Era o peso de saber que aquela casa havia nos mudado por dentro, que já não éramos as mesmas que tinham atravessado a porta meses antes. Demoramos para dar nome ao que sentíamos, mas no fim dissemos em voz alta, numa madrugada qualquer: queríamos continuar.

O primeiro passo demos juntas, de mãos dadas diante de um médico que não nos julgou. Começamos a hormonização sob acompanhamento, com exames a cada poucas semanas e a promessa de não apressar nada. Ainda assim, as mudanças chegaram antes do que imaginávamos. Nossa pele ficou mais macia, nossos quadris começaram a se arredondar, e havia manhãs em que eu me olhava no espelho e reconhecia alguém que sempre estivera ali, escondida. Renata chorou na primeira vez que percebeu a diferença no próprio corpo. Eu a abracei e nós duas choramos.

Com a nova confiança veio uma ideia que, no começo, soava como loucura. Foi Renata quem a propôs, meio de brincadeira, enquanto experimentava um conjunto de renda diante do espelho do quarto.

— E se pagassem para nos ver? — disse ela, inclinando a cabeça. — Tem gente que faria isso.

A webcam começou assim, quase como uma brincadeira. Abrimos um perfil numa plataforma privada e, na primeira noite, nossas mãos tremiam ao ligar a câmera. Mas, assim que chegaram as primeiras mensagens, alguma coisa se soltou dentro de nós. Eu me exibia com minha lingerie vermelha e meus laços, devagar, brincando com os olhares, abrindo o sutiã para que os peitos novos caíssem à mostra e separando as pernas para mostrar o pau duro aparecendo pela calcinha. Renata, por outro lado, vestia seu látex preto e assumia o controle: dava ordens, marcava o ritmo, enfiava dois dedos na boca e depois os cravava na minha bunda enquanto chupava minha pica diante da câmera. Éramos opostas e, por isso, funcionávamos.

***

Com o tempo, aprendemos a ler o público. Sabíamos quando diminuir a luz, quando nos aproximar da câmera, quando deixar o silêncio fazer o trabalho. Em algumas noites, transmitíamos separadas, cada uma em seu quarto, contando histórias diferentes a desconhecidos que jamais veríamos. Em outras, nos juntávamos no sofá grande e usávamos os brinquedos que havíamos comprado, sincronizadas, olhando mais para nós mesmas do que para a tela. Ficávamos de quatro, uma de frente para a outra, com um consolo duplo atravessando nossas bucetas, e trepávamos empurrando os quadris até gozarmos juntas, escorrendo sobre o couro do sofá. O público cresceu e, com ele, uma renda que não esperávamos. Não fazíamos aquilo pelo dinheiro, mas o dinheiro nos dava algo ainda mais valioso: a liberdade de planejar o que viria depois.

Os vídeos da mansão continuavam guardados numa memória que nunca conectamos à internet. Eram nossos, só nossos. Às vezes, nas noites fracas, pensávamos em usá-los como inspiração, mas jamais os compartilhamos. Eram a lembrança da noite em que deixamos de ter medo uma da outra.

O aniversário de Renata era no dia três de novembro, e eu queria que fosse diferente de tudo que tinha acontecido antes. Numa tarde, enquanto ela dormia, abri o notebook e comecei a procurar ilhas. Queria areia branca, água morna, sol o dia inteiro. Queria um lugar longe das câmeras e das telas, onde pudéssemos estrear nossos corpos novos diante de homens de carne e osso.

Encontrei Isla Marena quase por acaso: uma faixa de terra no Caribe, famosa por suas praias intocadas e por seus habitantes. Nas fotos, os homens do lugar apareciam altos, morenos, com corpos esculpidos pelo trabalho e pelo sol. Pescadores, guias, garçons de costas largas e mãos grandes. Reservei uma villa particular com vista para o mar antes de pensar duas vezes.

— Vou fazer aniversário numa ilha — disse Renata quando contei, e o sorriso dela fez tudo valer a pena.

***

Passamos as semanas anteriores nos preparando como duas adolescentes antes de um baile. Compramos biquínis ousados, um vermelho para mim e um preto para ela, fiéis às nossas cores de sempre. Acrescentamos lubrificantes, acessórios, alguns brinquedos novos e conjuntos de lingerie que mal cabiam na mala. Entre risadas, Renata decidiu que, como homenagem de aniversário, dessa vez seria ela quem tomaria a iniciativa.

— Quero ser eu a escolher — disse. — E quero mais de um.

Eu ri, mas por dentro tremia de tesão. Propus gravarmos alguma coisa na ilha, talvez mandar uma prévia para Stefan e os outros da mansão, como uma promessa de que algum dia voltaríamos. Ela aceitou com os olhos brilhando. A viagem estava confirmada para o dia dois de novembro e, até lá, cada noite se transformava num ensaio para a seguinte.

Na véspera da partida, quisemos uma despedida íntima, só nossa. Na sala, com a televisão enorme ligada, conectamos pela última vez em muito tempo a memória com os vídeos da mansão. As imagens encheram a tela: Marko, Dragan, Tomás, Klaus, Olivier e Stefan, e entre eles nós duas, irreconhecíveis de tanto prazer. Na tela, Marko metia até o fundo em mim enquanto Dragan enfiava meu pau na boca, e Renata cavalgava Klaus enquanto Stefan a penetrava na bunda ao mesmo tempo. Vestidas apenas com a lingerie recém-comprada — eu de renda vermelha, ela de látex preto —, sentamo-nos no sofá. A lembrança bastava para o corpo começar a responder: meu pau inchou contra a calcinha e o de Renata ficou marcado sob o látex.

Sem tirar os olhos da tela, começamos a nos tocar. Deslizei uma mão por baixo da renda, tirei o pau duro e comecei a me masturbar devagar, apertando a glande com o polegar enquanto no vídeo se repetia a cena de que mais gostávamos. Renata baixou o látex até os joelhos, cuspiu sobre um vibrador grosso e o apoiou contra o próprio pau duro antes de enfiar os dedos na bunda, imitando os movimentos que ela mesma havia comandado naquela noite na sala dos espelhos.

— Olha para você — sussurrou, mordendo o lábio. — Olha o que somos agora. Fique de quatro, puta, que eu vou enfiar em você.

Nós duas rimos, e o riso aumentou a temperatura. Virei-me e ofereci a bunda, arqueando as costas, e ela besuntou meu cuzinho com lubrificante frio antes de cuspir por cima. Primeiro senti um dedo, depois dois, abrindo-me sem pressa enquanto, com a outra mão, ela puxava meus peitos novos. Quando não aguentei mais, implorei para que me comesse. Renata segurou o pau com o punho e foi enfiando devagar, centímetro por centímetro, até as bolas dela baterem nas minhas.

— Está aí — gemeu. — Inteiro dentro. Mexa-se, sua vadia.

Empurrei a bunda contra ela, encaixando-o em mim repetidas vezes, e Renata começou a me foder com força, segurando meu cabelo e falando putaria no meu ouvido. As molas do sofá rangiam no ritmo de seus quadris. Eu me masturbava com meu próprio pau pendendo entre as pernas, com a ponta escorrendo sobre o couro. Depois, sem tirá-lo, pegamos o brinquedo duplo, preparamo-lo com mais lubrificante e nos conectamos como nas imagens: cada uma sentada sobre uma extremidade, buceta contra buceta, bunda contra bunda, com os paus presos entre nossas barrigas. Nossos quadris se chocavam num ritmo que já conhecíamos de cor, e os gemidos se confundiam com o som do vídeo. Renata cuspiu na minha boca e eu a lambi inteira, do pescoço aos mamilos, enquanto o consolo nos abria por dentro.

— Eu vou gozar — arfou ela, com o pau vermelho batendo contra meu umbigo. — Vamos gozar juntas.

Segurei o pau dela e o sacudi no mesmo ritmo, e ela fez o mesmo com o meu. Beijamo-nos, lambemos o suor do pescoço uma da outra e gozamos várias vezes, até ficarmos sem forças. A primeira gozada jorrou sobre os peitos dela; minutos depois, na segunda, ela me fez gozar com a boca, engolindo até a última gota. Renata gozou sobre meu rosto, e eu limpei a ponta dela com a língua, sorrindo. Adormecemos abraçadas no sofá, grudentas de esperma e suor, com a tela ainda ligada e a mala pronta junto à porta.

***

O voo durou seis horas. Chegamos a Isla Marena depois das três da tarde, e o calor nos recebeu como um abraço úmido assim que abriram a porta do avião. Um carro nos levou até a villa por uma estrada ladeada de palmeiras e, quando descemos, o ar cheirava a sal e a flores que eu não sabia nomear.

Causamos sensação desde o primeiro minuto. Havíamos escolhido vestidos leves para a viagem, com os biquínis por baixo, e nossos corpos suavizados pelos hormônios atraíam todos os olhares. Não era desconforto o que eu sentia sob aqueles olhos. Era poder. Pela primeira vez na vida, olhavam para mim e eu queria que olhassem.

O garçom do resort foi o primeiro. De pele escura e braços definidos, serviu-nos duas bebidas geladas com uma piscadela que não tentou disfarçar.

— Bem-vindas, lindas — disse, deixando os copos com cuidado. — Qualquer coisa de que precisarem, estou aqui. O que quer que seja.

Renata agradeceu com um sorriso lento, daqueles que prometem sem dizer nada, e roçou a mão dele ao receber o copo. Mais tarde, um segurança de torso largo cruzou conosco no caminho para a praia e baixou a voz ao passar.

— Vocês duas são um sonho — murmurou. — Um sonho caribenho. Eu comeria vocês duas agora mesmo.

***

Dedicamos aquela primeira tarde à praia. A areia era tão branca que doía olhar, e a água estava morna como um banho. Entramos até a cintura, rindo como meninas e espirrando água uma na outra, enquanto, ao longe, os pescadores recolhiam as redes e nos observavam sem disfarçar. Um deles, com os músculos brilhando pelo esforço, aproximou-se arrastando o barco até a margem. Tinha um volume marcado sob a bermuda molhada e não fez nada para disfarçá-lo.

— Amanhã saio cedo — disse, apontando para o horizonte. — Se quiserem ver o amanhecer da água, há lugar. Podem relaxar... ou fazer o que quiserem.

O duplo sentido ficou pairando entre nós e ele. Renata sustentou o olhar dele por mais tempo do que o necessário, deslizando um dedo pela borda do biquíni preto antes de responder que pensaríamos no assunto. Quando ele se afastou, apertou meu braço e soltou uma gargalhada.

— Viu como ele olhou para nós? — disse. — E viu o pau que ele tem escondido ali? Aqui não vamos ficar entediadas.

Ao cair da tarde, de volta à varanda da villa, um barman alto e de sorriso fácil trouxe dois coquetéis que não havíamos pedido. Deixou ao lado do meu copo um guardanapo com o número dele escrito e uma única palavra embaixo: «inesquecível». Não disse mais nada. Também não era preciso.

Renata e eu nos olhamos, e naquele olhar cabia tudo: as semanas de hormônios, as noites diante da câmera, os vídeos guardados, o medo antigo que já não existia. Tínhamos vindo comemorar o aniversário dela, sim, mas também comemorar aquilo que havíamos ousado ser.

— Amanhã é o seu dia — eu disse, erguendo o copo. — Você escolhe.

— Mais de um — repetiu ela, brindando comigo. — Você prometeu. Quero dois paus ao mesmo tempo, um na buceta e outro na boca, e você me olhando enquanto eles me enchem.

Entramos na villa quando já era noite. Renata tirou as sandálias e o vestido e se deixou cair na cama enorme, nua, exceto pela calcinha do biquíni, os braços abertos, olhando para o teto de madeira clara. Deitei-me ao lado dela, baixei o tecido com os dentes e peguei seu pau na boca sem pressa, chupando-o devagar e saboreando o sal do mar na pele. Ela enterrou os dedos no meu cabelo e marcou o ritmo, fodendo minha boca com investidas suaves até deixar escapar um gemido longo e encher minha língua de esperma morno. Engoli tudo e subi para beijá-la, para que ela provasse.

— Você se lembra de como éramos antes? — perguntou depois de um tempo, em voz baixa, ainda ofegante. — Antes da mansão, antes de tudo.

— Lembro — respondi, com os lábios colados ao pescoço dela. — E não quero voltar.

Ela virou a cabeça e me beijou devagar, sem a urgência das câmeras nem o roteiro dos vídeos. Foi um beijo diferente, quase tímido, daqueles que se dão no começo de alguma coisa. Depois se aconchegou contra meu peito e fechou os olhos. No dia seguinte haveria homens, brincadeiras e promessas cumpridas. Naquela noite, porém, ela pertencia inteira a nós duas.

***

O sol afundou no mar e tingiu o céu de laranja e rosa. Da varanda, ouviam-se risadas distantes, música e o murmúrio das ondas. Com as malas cheias de lingerie e brinquedos, e a ilha inteira estendida aos nossos pés, deixamos a noite cair sobre a villa sem pressa. O que viesse depois seríamos nós a escrever, no nosso ritmo e com as nossas regras. Pela primeira vez, nós duas sabíamos sem hesitar: éramos exatamente quem queríamos ser, e estávamos apenas começando.

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