A travesti que o vizinho não conseguiu guardar só para ele
Estava prestes a fechar o app quando veio o tap. Trezentos metros. Perto. Perto demais para ignorar num domingo sem planos.
Estava prestes a fechar o app quando veio o tap. Trezentos metros. Perto. Perto demais para ignorar num domingo sem planos.
Há semanas nos cruzávamos no corredor sem passar de um cumprimento. Naquela noite no bar, o que Valéria me revelou mudou tudo.
Três dias sem conseguir ir ao banheiro, um consultório de luxo e uma médica trans que me cobrou a consulta do seu jeito. O que aconteceu ali não se esquece.
Três colegas a convidaram para ficar quando o prédio estava vazio. Sofia topou, mas com condições.
A doutora fechou a porta do consultório com uma calma que não era profissional. Eu estava na maca com um avental de papel, e já sabia que não sairia dali igual.
Os saltos me matavam e a peruca me coçava, mas quando aquele homem me olhou do outro lado do salão, entendi que a noite estava só começando.
Quando don Alberto me olhou daquela forma pela primeira vez, soube que havia algo em mim que não era o que os outros pensavam. Aquela tarde confirmou.
A peruca, o vestido e os saltos estavam na gaveta da minha mesa. Meu chefe sabia havia meses. E isso mudava tudo entre nós.
Quando tirei o frasco de vidro da gaveta da minha mãe, eu já sabia que aquela tarde cruzaria uma linha da qual eu não pensava em voltar.
O sol queimava nossa pele nua enquanto Damián me abria sem clemência, e na água, a poucos metros, minha mãe descobria que também tinha fome.
Os saltos me matavam quando Andrés se inclinou sobre o balcão e sussurrou que a sala de reuniões estaria livre a noite toda.
Roberto me humilhou durante anos na frente de todo mundo. Quando a Associação me ofereceu para educá-lo, soube exatamente o que queria fazer com ele.
Desci ao pátio do bar às duas da manhã porque no meu quarto não dava para respirar. Não imaginava que acabaria seguindo-a até o quartinho dos fundos.
Quarenta e três graus, quatro da tarde, e ela na sacada com a camisola colada ao corpo, sabendo perfeitamente que ia me fazer subir cinco andares.
Eu tinha me vestido para ele no banheiro do décimo segundo andar: peruca loira, saltos impossíveis e um espartilho apertando tudo o que eu escondia havia anos sob a camisa.
Pus a peruca, os saltos e as curvas postiças. Não imaginei que, antes do amanhecer, eu estaria latindo num jardim com os joelhos na terra.
Quando a doutora trancou a porta, entendi que aquela consulta não seria como nenhuma outra. E não foi.
Ele vinha todas as noites ao bar, sentava no mesmo lugar e não incomodava ninguém. Só olhava. E Sofía, que já tinha visto de tudo, começava a devolver o olhar.
Fecho os olhos e ela aparece: alta, escura, com uma rola que eu não esperava encontrar e que agora não consigo tirar da cabeça.
Tenho vinte e oito anos e uma lista de fantasias que quase nunca conto a ninguém. Esta é minha confissão completa, sem filtros.