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Relatos Ardientes

Saí vestida de mulher e um desconhecido me parou

Meu nome é Daniela, embora esse não tenha sido o nome com que cresci. Sou passiva, e quero contar como tudo começou, devagar, exatamente como vivi. Se você chegou até aqui, é porque alguma coisa dessa história já reconhece você.

Desde muito jovem eu soube que meus gostos não se encaixavam com os dos outros meninos. Eu me interessava pela mesma coisa que minhas amigas: a maneira de se vestir, as cores, as texturas. Na casa da minha irmã, eu espiava a roupa íntima que ficava estendida no quintal depois de lavada, e algo em mim permanecia olhando para aquelas peças por mais tempo do que deveria.

Por fora, minha vida parecia normal. Tive uma namorada durante cinco anos, um relacionamento longo que terminou quando descobri que ela me traía. Aquela decepção me deixou quebrado de um jeito que eu não esperava: não foi só a traição que doeu, também mexeu com tudo o que eu vinha calando sobre mim mesmo há anos.

Quando terminei meus estudos, me ofereceram um bom cargo em uma cidade do interior, não muito longe de onde nasci. Aceitei sem pensar demais. Eu precisava de ar, distância, um lugar onde ninguém soubesse quem eu tinha sido. Mudei-me, aluguei uma casa e comecei uma vida em que, pela primeira vez, ninguém vigiava meus silêncios.

As noites eram minhas. Ao voltar do trabalho, jantava, sentava diante da tela e deixava a curiosidade me levar. Numa madrugada encontrei os primeiros vídeos de mulheres trans. Lembro do primeiro com uma nitidez desconfortável: uma garota de peitos pequenos e pau duro recebendo um homem pelo cu, montando nele até gozar sobre a própria barriga enquanto ele a enchia por dentro. Senti um calor que subiu pelo corpo inteiro, e a mão foi sozinha até o volume da calça.

Quero ser ela.

Esse pensamento me atingiu enquanto eu me masturbava com a respiração cortada, imaginando que era eu a penetrada, eu a gemendo de boca aberta, eu a gozando com uma vara dentro. Terminei sobre a própria barriga em menos de um minuto, tremendo. O prazer que veio depois não se parecia com nada que eu tivesse sentido antes. Não era só desejo. Era reconhecimento. Finalmente eu entendia o que me faltava.

***

Começou como um segredinho, algo que eu só faria entre quatro paredes. Passei a comprar pela internet, com a discrição de quem esconde um tesouro: lingerie, maquiagem, uma peruca castanha, saltos, algumas bolsas. Cada pacote que chegava era uma pequena cerimônia. Fechava as cortinas, experimentava tudo diante do espelho e passava horas estudando a mulher que aparecia ali.

No trabalho, eu seguia sendo o de sempre. Ninguém suspeitava de nada. Por isso, quando um colega que foi promovido a gerente em outra cidade me ofereceu para alugar a casa dele, vi aquilo como um sinal. Era uma propriedade na saída da cidade, com garagem coberta, portão eletrônico e uma privacidade que a outra nunca teve. Aceitei na hora.

Aquela casa mudou as regras. Nos fins de semana, já tarde da noite, eu me transformava. Me maquiava com calma, colocava a lingerie, a peruca, os saltos, e me conectava a grupos de travestis nos quais eu estava inscrita. Ali eu tinha conversas, flertes, homens que me escreviam e me convidavam para sair. Eu sempre dizia sim na cabeça e não com os dedos. O medo era maior que o desejo. Até aquela noite.

***

Era sexta-feira. Tinha chegado um baby doll que eu comprei dias antes, um preto de renda que mal cobria metade da coxa. Quando o vesti e me olhei no espelho, fiquei sem ar. Eu não parecia fantasiada. Eu parecia mulher. E, pela primeira vez, não me bastou que o espelho me visse: eu quis que outra pessoa visse também.

A ideia veio sozinha e se instalou como uma coceira. E se eu sair para caminhar, só algumas quadras? Perto de casa havia uma avenida movimentada que, mais adiante, desembocava na zona onde as travestis ofereciam seus serviços à noite. Passavam carros procurando companhia o tempo todo. Eu não queria ir até lá nem procurar ninguém. Só queria caminhar um trecho, me sentir observada e voltar para casa. Só isso.

Passada a meia-noite, eu me decidi. Por cima do baby doll, coloquei um blazer longo e preto que moldava minha silhueta e me cobria até três quartos da coxa. Por baixo, as pernas ficavam à mostra, envoltas em meias cor da pele, terminando em uns saltos vermelhos que me faziam sentir invencível. Olhei-me uma última vez. Era ela que ia sair, não eu.

Peguei a bolsa e entrei no carro dentro da garagem. A vantagem do portão automático era essa: abri com o controle sem pisar na rua, sem que nenhum vizinho me visse. Naquela hora tudo estava em silêncio, como se a cidade me desse permissão.

***

Dirigi até uns trezentos metros antes da área, ao lado de um posto de gasolina, e estacionei na avenida. Fiquei um momento com as mãos no volante, juntando coragem. Depois desci.

O primeiro passo na calçada com aqueles saltos foi o mais difícil da minha vida. O segundo, um pouco menos. Eu caminhava nervosa, olhando para frente, fingindo uma segurança que eu não tinha. A brisa da noite roçava minhas pernas nuas e isso, em vez de me assustar, me acendia.

Eu ouvia meus próprios saltos marcando o ritmo no cimento, um som que eu nunca tinha feito na vida e que agora me pertencia. Sentia o tecido do baby doll deslizando sob o blazer a cada passo, o atrito da renda contra meu pau desperto por baixo da calcinha, o frescor do ar nas coxas. Cada detalhe era novo. Cada detalhe me confirmava que aquilo era real e não uma fantasia diante do espelho.

Um carro passou e buzinou. Depois outro. Cada buzina era uma descarga que subia pela minha coluna. Ninguém me xingava, ninguém parava: apenas me viam, e era exatamente isso que eu tinha saído para buscar. A adrenalina e o prazer se misturaram até eu sentir que já tinha tido o suficiente. Virei-me para voltar ao carro, satisfeita, tremendo, viva.

Agora eu caminhava no sentido contrário ao trânsito. E foi então que o vi.

***

Ao longe, um carro diminuiu a velocidade. Seus faróis altos me apontaram de cheio e iluminaram meu rosto. Fiquei nervosa, mas o verdadeiro medo veio de mais atrás: uma viatura avançava devagar com as luzes ligadas, fazendo a ronda. Meu coração foi para a garganta. Eu sabia o que podia acontecer com alguém como eu se me detivessem àquela hora, naquele lugar, vestida assim.

O carro que me mirava chegou até mim e parou. O vidro desceu. Dentro havia um homem maduro, de terno e gravata, com as têmporas prateadas e uma calma que não combinava com meu pânico.

— Entra, linda — disse sem pressa —. Se você ficar, eles vão te interrogar, e acredite, você não quer saber como essas interrogações terminam.

Eu não hesitei. Abri a porta e me deixei cair no banco de couro. O carro arrancou de leve, deixando para trás as luzes da viatura, e só então voltei a respirar.

— Obrigada — consegui dizer, com a voz mais fina e trêmula do que eu gostaria.

Ele me olhou de canto, sem malícia, quase com ternura.

— É a primeira vez que você sai, não é?

Assenti. E não sei por quê, mas contei a ele a verdade inteira. Que eu não era uma das garotas da região. Que só tinha saído para caminhar, para me sentir mulher nem que fosse por uma noite. Que nunca, uma única vez, eu tinha estado com um homem.

— Meu nome é Daniela — acrescentei no fim, como se confessasse o maior segredo de todos.

***

Ele não riu nem fez aquela cara que eu tanto temia. Dirigiu por algumas quadras em silêncio, pensando, e depois estacionou numa rua tranquila, sob uma árvore que tampava a luz do único poste.

— Você está linda, Daniela — disse, virando-se para mim —. E estou falando sério. Você não precisa ter medo comigo.

Ele me pediu que me aproximasse. Eu fui, devagar, com o blazer aberto e as pernas ainda tensas. Então ele pegou minha mão direita e a guiou com firmeza, sem pressa, até sua virilha. Senti o volume duro através do tecido da calça e uma fisgada de desejo e nervos percorreu meu corpo de cima a baixo. Era um pau grosso, comprido, pulsando sob o pano, e meus dedos o percorreram por cima como se não pudessem acreditar no que tocavam.

— Esta noite vai ser sua primeira vez com um homem — murmurou perto do meu ouvido, com uma voz grave que me derreteu —. E eu vou fazer você sentir a mulher completa que você já é. Você vai me chupar a vara, Daniela. Vai aprender a chupá-la como sempre quis. E depois eu vou te comer devagar, até você gozar comigo dentro.

Eu não tirei a mão. Pelo contrário: baixei o zíper da calça com dedos desajeitados, tremendo, e enfiei a mão dentro da cueca boxer. Quando a pele quente do pau dele tocou a minha pela primeira vez, um gemido agudo escapou de mim que nem eu reconheci. Ele era pesado, duro, com as veias marcadas, e crescia ainda mais entre meus dedos enquanto eu o tirava para o ar do carro.

— Chupa — disse, empurrando de leve minha nuca —. Com calma. Coloca só a ponta primeiro.

Inclinei-me sobre o colo dele. O blazer se abriu, o baby doll subiu pelas minhas costas, e minha bunda ficou à mostra dentro do carro. Estiquei a língua e toquei a ponta de sua vara pela primeira vez na vida. Estava morna, salgada, com uma gota transparente na glande que lambi devagar, com medo e fome ao mesmo tempo. Ele respirou fundo, e aquele som me deu permissão para mais.

Abri a boca e o coloquei lá dentro. Só a cabeça, como ele tinha dito. Senti o volume enchendo meus lábios, empurrando contra meu palato, e uma descarga desceu direto para meu próprio pau dentro da calcinha. Comecei a chupá-lo como tinha visto nos vídeos, com a língua girando ao redor da glande, com os lábios apertados. Ele suspirou e me acariciou a nuca por cima da peruca.

— Isso, linda. Bota mais para dentro. Mete a metade.

Obedeci. A vara abriu caminho até o fundo da minha garganta e eu me engasguei um pouco, com os olhos marejando. Tirei, respirei e voltei a meter. De novo. E de novo. Encontrei um ritmo, para cima e para baixo, enquanto uma mão segurava a base e a outra acariciava os testículos por baixo da boxer. Eu ouvia meus próprios ruídos molhados, a saliva escorrendo pelo queixo, manchando o banco de couro, e não me importava com nada. Nunca tinha ficado tão duro como naquele momento, com um pau na boca.

— Chega — ofegou, puxando de leve meu cabelo para que eu o tirasse de lá —. Quero gozar dentro de você, não na sua boca. Abaixa a calcinha e se vira.

Minhas mãos tremiam quando desci a calcinha de renda pelas coxas, até deixá-la pendurada num salto. Virei-me no banco, de joelhos, com a bunda apontada para ele e o rosto contra o vidro embaçado. Senti as mãos dele abrindo minhas nádegas e, depois, algo úmido e morno: ele cuspiu no meu buraco e espalhou com dois dedos.

— Relaxa para mim, Daniela. Vou devagar.

Ele enfiou um dedo primeiro. Ardeu, mas eu cedi. Depois dois. Ele os moveu em círculos, me abrindo, enquanto eu mordia o encosto do banco para não gritar. Quando senti que ele tirava os dedos, soube o que vinha. A ponta do pau dele se encostou na minha entrada, grossa, impossível, e empurrou.

A dor me cortou a respiração. Gritei contra o couro. Ele parou com só a cabeça dentro, esperou, acariciou minhas costas por cima do baby doll e sussurrou que eu respirasse, que eu me abrisse, que aquilo era meu. Respirei. Me abri. E ele empurrou mais um centímetro. E mais um. Até sentir os pelos contra minhas nádegas e saber que ele estava todo dentro de mim.

— Pronto — disse com a voz partida —. Agora você é minha. Agora você é mulher.

Ele começou a se mover. Devagar no início, entrando e saindo com paciência, me deixando sentir cada centímetro. O ardor foi se transformando em outra coisa, mais estranha, mais profunda, uma plenitude que me enchia até o peito. Em poucos minutos eu já não aguentava: empurrava para trás sozinha, querendo mais, implorando com a bunda. E ele respondeu. Aumentou o ritmo, agarrou meus quadris com as duas mãos e começou a me foder de verdade.

O carro se movia a cada investida. Os vidros estavam embaçados pela nossa respiração. Eu ouvia o choque dos quadris dele contra minha bunda, seus gemidos roucos e meus próprios gemidos agudos, femininos, saindo de uma garganta que eu mal reconhecia como minha. Meu pau, esquecido entre as pernas, pingava sozinho, sem que ninguém o tocasse, escorrendo sobre o banco de couro.

— Goza comigo — ele ofegou, enfiando a mão por baixo e pegando meu pau pela primeira vez —. Goza, Daniela.

Bastaram três punhetas dele. Gozei gritando, apertando o pau dele com a bunda, jorrando sêmen contra o encosto e a mão dele. Ele aguentou mais duas investidas, afundou até o fundo, e senti um jato quente me enchendo por dentro, pulsando, me marcando. Ficou ali, dentro de mim, respirando colado à minha nuca, enquanto eu tremia com o rosto esmagado contra o vidro.

Quando saiu, me deixou vazia e cheia ao mesmo tempo. Senti o sêmen escorrendo pelas minhas coxas, molhando as meias. Virei-me devagar, ajeitei o baby doll com as mãos trêmulas, e ele acariciou meu rosto com uma ternura que me fez segurar a vontade de chorar.

O interior do carro cheirava a couro, ao perfume amadeirado e caro dele e, agora, também a sexo, a nós. Lá fora, a rua seguia dormindo; lá dentro, eu mal conseguia conter o tremor das minhas pernas. Ele não tinha pressa, e aquela calma dele me tranquilizava mais do que qualquer palavra. Não me tratava como uma das garotas da região. Me tratava como alguém a quem ele acabara de estrear devagar.

Ele acariciou meu rosto com a outra mão, afastando um fio da peruca grudado de suor, e me olhou como ninguém jamais tinha me olhado. Não via uma fantasia. Via Daniela, recém-fodida, com os lábios inchados e o sêmen dele pingando entre as minhas pernas. E eu, finalmente, também a via.

O que aconteceu depois daquela noite merece ser contado com calma, sem atropelar a lembrança. Mas naquela madrugada, naquele banco de couro, eu deixei de ser quem fingia ser durante o dia. A mulher do espelho tinha saído para a rua, um homem a reconhecera, a abrira, a enchera, e não havia mais como voltar atrás.

Continua.

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