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Relatos Ardientes

Voltei vestida de mulher para a guarda noturna

Passou-se mais de uma semana desde aquela noite. As marcas roxas nos meus pulsos ficaram verdes e amarelas, e a ardência ao me sentar se reduziu a um formigamento quase vergonhoso, se comparado à agonia de antes. Os hematomas se desvaneceram em sombras pálidas sobre a minha pele. Mas houve uma coisa que não foi embora. Uma coisa que criou raízes dentro de mim e começou a crescer.

Estou sentada na beira da cama, envolta num robe de seda barata. Meu apartamento está limpo, arrumado, o ar já não cheira a eles. Cheira a desinfetante e a mim. E é insuportavelmente entediante.

Meus dedos percorrem a tela do telefone. Eu o liguei há dois dias. As mensagens de clientes normais se acumulam sem ser lidas; ignoro todas. Procuro um único nome, um único número. Salvei apenas como «S.1».

O coração me martela as costelas, e não é medo. É uma excitação ansiosa, quase nauseante, que faz todo o meu corpo se tensionar. Engulo em seco. A culpa ainda está ali, no fundo, mas é fraca, afogada por essa fome nova e voraz. Por baixo do robe, sem perceber, minhas coxas se apertam uma contra a outra, e sinto meu cu já úmido só de pensar nele, neles, no que fizeram comigo e no que ainda não me fizeram.

Abro o chat. Meus dedos hesitam por um segundo sobre o teclado e então escrevem mais rápido do que eu imaginava.

—Oi. Sou a Renata. A da semana passada.

Espero. Não há resposta imediata. Os minutos se arrastam e cada um deles é uma eternidade. Olho para a tela esperando os três pontinhos que avisam que está digitando. Nada. Uma fisgada de humilhação me atravessa. E se ele só estivesse brincando comigo? E se agora estiver rindo do meu desespero?

Justo quando estou prestes a jogar o telefone e me esconder debaixo dos lençóis, a tela pisca.

—Lembro sim. A que foi embora chorando. Ficou com vontade?

Um alívio vergonhoso me invade, seguido de imediato por outro arrepio de desejo que me atravessa o ventre e vai direto ao clitóris, que começa a pulsar sob a seda. A crueza dele, sem uma única palavra enfeitada, é como um golpe direto. Agora meus dedos voam sem hesitar.

—Estou pronta. Para o que você me falou. Para seus amigos. Para tudo.

Há outra pausa, mais curta.

—É sério? Da última vez você parecia bem quebrada.

—Estou recuperada —digito—. E preciso de mais.

A confissão arde na tela. É a verdade mais profunda e mais suja que já admiti na vida.

—Kkk. Você gostou, né? Gostou de ser tratada como o que é. Uma puta com o cu aberto.

Não nego. Não consigo. Em vez disso escrevo:

—Quando? Onde?

—Quarta-feira. Eu e mais dois. Estaremos de plantão. Passamos às dez em ponto. Já tenho seu endereço.

—Tá bem. Vou estar pronta.

—E presta atenção. Vem vestida decentemente. Calça, uma jaqueta, alguma coisa que não chame atenção. Nada de meia-calça nem salto. Aqui dentro, a gente te veste como o que você é.

Leio a mensagem uma vez, duas, várias vezes. «Decentemente». Essa palavra me queima. Significa que o meu verdadeiro eu é algo sujo que precisa ser escondido primeiro e revelado depois como um ato de domínio. E isso me excita até a medula: que eles controlem até a minha aparência, que arranquem de mim o que é «decente» para expor a puta que existe por baixo.

Um tremor me percorre a coluna, mistura de terror e antecipação pura. Minha respiração acelera. Sem pensar, minha mão direita entra sob o robe, entre as pernas, e meus dedos encontram a boceta encharcada, escorregadia, inchada. Quarta-feira. Só dois dias. Me acaricio devagar, imaginando as mãos de sete homens sobre mim, e mordo o lábio para não gemer sozinha no quarto.

—Entendido. Decente. Às dez. Vou estar pronta.

Espero. Talvez mais instruções, talvez outro insulto.

—E não coma muito antes —seguido de um emoji de diabo.

A excitação se congela por um instante, substituída por um cálculo frio e familiar. Lembro da dor daquela semana, de me arrastar pelo chão, dos cinquenta mil pesos que não cobriram nem metade da humilhação. E, ainda assim, o desejo me trouxe de volta. Mas desta vez eu não vou me entregar de graça.

Meus dedos, que antes tremiam de desejo, agora tremem por outro nervo. Escrevo, apago, escrevo de novo.

—Tem mais uma coisa. O pagamento. Da última vez foram cinquenta. A recuperação foi longa. Desta vez, com mais de vocês, eu quero cem.

Envio e fecho os olhos, esperando a explosão. A gozação. A ameaça.

A resposta vem quase de imediato.

—Kkkkk. Você está negociando? Acha que isso aqui é feira?

—Quem decide o pagamento somos nós. Depende de como você se comportar. De quanto aguentar. De se vai nos fazer rir ou não.

—Talvez a gente te dê oitenta. Talvez quarenta. Talvez só uma bicuda na bunda e te mandemos chorando pra casa com a boca cheia de leite. Isso também é pagamento, não é? Uma lição.

Leio as palavras deles e sinto o chão ceder sob meus pés. Não é um não. É algo pior. É uma lápide sobre a minha dignidade.

O riso seco que me escapa é um som estranho na minha própria garganta. Não é alegria. É rendição. É algo quebrando por dentro de um jeito que, no fundo, sempre esteve destinado a quebrar. Os cem mil se dissipam como fumaça. Não importam. Nada importa, a não ser o vazio faminto que eles abriram em mim e que só eles podem preencher.

—Tudo bem —digito, devagar, mas decidida—. Vocês decidem. Só me prometam que vai ser como da última vez. Ou pior.

—Prometo. Vai ser muito pior. Vamos te deixar em trapos, com os três buracos ardendo. Quarta-feira. Dez em ponto. Não esqueça de se vestir decentemente, Renata.

O uso do meu nome, nesse contexto, é o golpe final.

***

A quarta-feira passou num turbilhão de nervos e rituais meticulosos. Desde a manhã, meu corpo foi um templo preparado para a profanação. No banho, depilei cada centímetro, a lâmina raspando até deixar a pele lisa e vulnerável. Abri as pernas diante do espelho do banheiro e passei a lâmina devagar pelos lábios da boceta, em volta do clitóris, entre as nádegas, até deixar tudo limpo, sem um único pelo, exposto como a buceta de uma menina crescida. Depois, a limpeza íntima, esse processo humilhante de me preparar por dentro sabendo para quê, antecipando a invasão. Enfiei a cânula no cu, deixei a água correr, senti meu intestino encher e esvaziar, e repeti até ficar limpa por dentro, pronta para me meterem o que quisessem onde quisessem. Cada gesto era um lembrete e uma promessa.

Me vesti com roupa sem graça, como ordenaram. Um jeans folgado, moletom com capuz, tênis. Me olhei no espelho e vi uma garota qualquer, insignificante. Por dentro fervia a puta que eles queriam desenterrar.

A bolsinha preta estava ao lado da porta. Dentro, o contraste: um par de saltos agulha pretos que me faziam me sentir poderosa e exposta ao mesmo tempo. Um conjunto de lingerie vermelha, só uns fios de renda que não cobriam nem os mamilos nem a boceta. Maquiagem para transformar meu rosto pálido numa máscara. E, numa sacola separada, os preservativos e um frasco grande de lubrificante. Minha oferenda. Minha cumplicidade.

As horas passaram. Não consegui comer. Cada barulho no corredor me fazia pular. Às nove e cinquenta, me pus de pé diante da porta, com a bolsa na mão, o coração martelando no peito. O medo era um gosto metálico na boca, mas por baixo, mais forte, corria uma corrente elétrica de desejo que me deixava de calcinha encharcada.

Nove e cinquenta e oito. Um motor para lá fora, um ronronar baixo. Não é uma viatura comum; é um veículo escuro, sem identificação. Os faróis se apagam. Meus dedos se agarram à alça da bolsa até os nós ficarem brancos. A campainha toca, um toque seco, autoritário. Abro.

Lá estão eles. Os mesmos dois. Mais altos, mais largos do que na minha memória, ocupando o vão da porta com seus uniformes verde-escuros. O maior, o que tinha «S.1» no meu telefone, sorri. Não é um sorriso gentil. É o de um predador que reencontrou a presa.

—Boa noite, Renata —diz, com a voz virando um ronco debochado—. Pontual. Gostei.

O outro, mais calado, me percorre de cima a baixo como se eu já estivesse nua. Resmunga.

—Parece outra pessoa com essa roupa. Quase decente.

S.1 estende a mão e pega meu queixo com força. Os dedos dele cheiram a tabaco e café. Me obriga a erguer o rosto.

—Mas a gente sabe o que tem por baixo, não sabe? Uma putinha ansiosa, com a boceta molhada, esperando a gente.

O medo me paralisa, mas entre as pernas uma umidade traidora responde ao toque brutal dele. Ele percebe. Abaixa a mão livre e aperta minha boceta por cima do jeans, com a palma aberta, apertando com força, sentindo o calor através do tecido.

—Olha isso —diz ao outro sem tirar a mão—. Já está pingando. A puta já está pronta.

—P… pronta —consigo gaguejar—. Pronta para o que vocês quiserem.

Ele me solta com um empurrão leve que me faz vacilar. Pega a minha bolsa sem pedir permissão. O outro me segura pelo braço, firme, quase doloroso, e me guia até o carro. A porta traseira se abre. O interior cheira a suor, couro e um desinfetante barato. Me empurram para dentro. O mais calado se senta ao meu lado, a coxa enorme pressionando a minha. S.1 sobe no banco da frente e bate a porta. O motor ronca e seguimos em direção à escuridão.

—Trouxe seus brinquedos? —pergunta S.1, me olhando pelo retrovisor.

—Sim —sussurro, com as mãos entrelaçadas no colo.

—Ótimo. Vai precisar deles —diz o homem ao meu lado, com a voz surpreendentemente suave e carregada de ameaça. A mão dele cai sobre minha coxa, sem carinho, só peso, posse—. Porque hoje à noite não somos só nós três.

A mão dele começa a subir devagar, arrastando-se pelo jeans até a virilha. Quando chega, os dedos apertam sobre a costura, exatamente onde está meu clitóris, e ele faz pressão com os nós, movendo-os em círculos pequenos. Um gemido baixo me escapa, involuntário, e ele sorri sem tirar os olhos da frente.

—Ouviu isso? —ele diz a S.1—. Só de tocar por cima ela já gemeu.

Viro a cabeça para ele, o medo apertando minha garganta.

—Q-qué?

S.1 ri da frente.

—Eu menti, linda.

A mão na minha coxa se aperta, os dedos afundando na carne por cima da calça. Depois ele desabotoa o jeans com uma destreza fria, baixa o zíper e enfia a mão lá dentro sem pedir permissão. Os dedos grossos afastam a calcinha e encontram minha boceta encharcada. Um entra de supetão, até o fundo, e eu cerro os dentes para não gritar.

—Uau, olha como escorre —murmura, mexendo o dedo dentro de mim—. Já está toda aberta. Nem precisa preparar. Essa aqui vem pronta de fábrica.

—No destacamento —continua depois, sem tirar o dedo, o hálito quente no meu ouvido—, tem uma guarda especial. Seis, sete caras. Todos entediados. Todos com as picas duras esperando alguma coisa. Todos com vontade de se divertir com uma puta como você.

O carro faz uma curva fechada e me joga contra o corpo duro dele. Não me afasto. Não consigo. Ele aproveita para enfiar um segundo dedo, e agora são dois dedos grossos se mexendo dentro de mim, se curvando, tocando algo lá dentro que me faz suspirar ofegante.

—Sete? —minha voz é quase um fio de ar.

—Sete, oito, quem é que vai contar —diz S.1, acendendo um cigarro. A brasa alaranjada ilumina o perfil dele por um segundo—. O lance, Renata, é que você vai ser a nossa distração da noite. O brinquedo da guarda. A boca, a boceta e o cu da puta que se ofereceu sozinha.

O homem ao meu lado tira os dedos da minha boceta e os enfia de supetão na minha boca. Sinto-os espessos, escorregadios com meu próprio caldo, e eles me obrigam a chupá-los.

—Experimenta. Sente o quanto você está puta.

Obedeço. Fecho os lábios ao redor dos dedos dele e os chupo como se fossem uma rola, mexendo a língua entre eles, engolindo o gosto da minha própria boceta. Ele ri.

—E brinquedos quebrados não recebem pagamento. São usados até parar de funcionar. Depois se joga fora.

—Mas... vocês disseram... —gaguejo quando ele tira os dedos, e a protesto morre nos meus lábios. O que eu ia dizer? Que não era justo? A risada áspera dos dois enche o carro.

O veículo cruza um portão dos fundos, que se fecha com um rangido sinistro. Estamos dentro do perímetro, num pátio de cimento iluminado por luzes amarelas e duras. Não há ninguém à vista. O silêncio é pior do que qualquer barulho.

—Desce —ordena S.1, abrindo a minha porta.

O frio da noite me atinge, mas não é nada comparado ao que percorre minha coluna. Sobe o zíper com as mãos trêmulas. O outro me agarra pelo braço e me arrasta até uma porta lateral, de metal, sem identificação. Eles a abrem e me empurram para um banheiro pequeno de funcionários, frio, com azulejos brancos sujos, com cheiro de água sanitária. A luz fluorescente pisca com um zumbido irritante.

—Você tem cinco minutos —diz S.1, parando no batente—. Nessa bolsa está sua fantasia. Veste. Tudo. A gente quer ver a transformação.

A porta se fecha com força e me deixa presa no silêncio frio. Olho meu reflexo borrado no espelho embaçado. Primeiro tiro a roupa «decente»: o jeans, o moletom, a roupa íntima simples. Fico tremendo, nua e pálida sob a luz cruel. Abro a bolsa.

Os saltos primeiro. O couro frio se ajusta aos meus pés e a altura muda minha postura, me obriga a arquear as costas e empinar a bunda. Já não sou insignificante. Sou uma silhueta exposta. Depois, a lingerie. O sutiã vermelho de renda quase não cobre nada; os mamilos se marcam escuros através do tecido, endurecem contra a trama áspera. A calcinha é só um cordão que some entre as nádegas e deixa a boceta depilada quase à mostra, apenas velada por um triângulo mínimo de renda. Sento na beira da pia, abro as pernas e aplico o lubrificante frio com dedos trêmulos. Me lambuzo a boceta, mas também enfio um dedo cheio de lubrificante no cu, dilatando-me devagar, sabendo que hoje à noite também vão entrar por ali, e eu quero que a primeira estocada não me parta ao meio. Me preparando para todos eles, sabendo que cada um desses buracos vai ser o centro da minha própria humilhação.

Termino a máscara: os brincos grandes puxando os lóbulos, o batom vermelho intenso, os olhos esfumados, os cílios postiços, o perfume adocicado que tenta encobrir o cheiro de medo e desejo. Me olho no espelho sujo. A transformação está completa. Da garota sem graça não sobra nada. Ali está a puta que eles vieram buscar.

A porta se abre antes que eu consiga tocar nela. S.1 me percorre de cima a baixo e uma careta de satisfação cruel cruza seu rosto.

—Melhor do que eu esperava —rosna. Me agarra pelo braço com mais força do que antes e me arrasta para o corredor.

O corredor é longo, mal iluminado, com paredes verde-clínico desbotadas. Meus saltos fazem um clac-clac estridente no linóleo, um som ridiculamente frágil na imensidão silenciosa do lugar. O outro caminha atrás, uma sombra ameaçadora. Chegamos a uma porta de madeira. Lá dentro se ouvem risadas baixas, o murmúrio de uma televisão. S.1 não bate. Empurra a porta e me joga para dentro.

A sala é um descanso. Poltronas de couro gastas, uma mesa baixa com copos plásticos e latas vazias. Um jogo de futebol passa baixo na tela, mas ninguém assiste. Todos os olhos estão em mim.

Sete homens. Sete uniformes verdes. Sete pares de olhos me despindo, me pesando e medindo. Alguns sentados, outros em pé contra as paredes. O ar está denso de cigarro, suor e testosterona. Me sinto minúscula. Os saltos não me dão altura, só me deixam mais instável. O sutiã vermelho parece uma mancha de sangue sobre minha pele pálida.

S.1 me solta e dá um passo à frente, apoiando uma mão pesada no meu ombro nu. Sua voz, áspera, enche a sala.

—Bom, pessoal. Apresento a distração desta longa guarda. Esta é Renata. Não tem limites. Ou melhor, os limites somos nós que colocamos. Pode entrar pela boca, pela boceta e pelo cu. Ao mesmo tempo, se a criatividade ajudar. Não é verdade?

Todos esperam. Engulo em seco, meus lábios pintados se abrem.

—Sim... o que vocês quiserem —eu me esforço, a voz quebrada mas audível—. Sou uma puta sem limites. Usem-me como quiserem.

—Isso! —exclama S.1, e me dá um tapa na bunda que ecoa pela sala inteira e me faz dar um passo à frente.

O primeiro a se aproximar é o mais jovem, de olhos ardentes. Sem dizer uma palavra, ele pega meu rosto com as duas mãos e me beija, violento, invasivo, a língua forçando passagem entre meus lábios pintados e enchendo minha boca. Eu correspondo, gemendo na boca dele para que todos ouçam, chupando sua língua como se fosse a porra da sua rola. As mãos dele descem e arrancam meu sutiã num puxão; o fecho cede e meus peitos ficam ao ar, os mamilos duros e vermelhos sob a luz. Ele se abaixa e prende um mamilo com a boca, chupa forte, morde, enquanto a outra mão esmaga o outro peito até me arrancar um gemido abafado. Quando se afasta, me deixando sem ar, já tem outro ali. Maior, com mãos como pás, me levanta do chão como se eu fosse uma boneca, meus saltos chutando o vazio.

—Olha essa coisinha! —ruge, e os outros vibram.

Ele me carrega até a poltrona maior e me deixa cair sentada. Abre a braguilha ali mesmo, diante da minha cara, e tira a rola. É grossa, escura, já dura, com a cabeça inchada e brilhante. Me segura pelo cabelo na nuca e a traz à minha boca.

—Abre. E não arranha com os dentes, putinha.

Abro a boca e ele a enfia de uma vez, até o fundo, sem me deixar respirar. A ponta bate na minha garganta e me dá ânsia, saliva misturada com batom escorrendo pelo queixo. Ele não afrouxa. Pega minha cabeça com as duas mãos e começa a foder minha boca no próprio ritmo, me empurrando contra o púbis, o nariz esmagado contra o cheiro de suor e tabaco da barriga dele. Tento respirar pelo nariz entre uma estocada e outra, as lágrimas escorrendo pretas pelas bochechas, a garganta queimando, engasgando toda vez que ele vai até o fundo.

—Isso, isso, engole tudo —rosna—. Olha como enchem os olhos dela de lágrimas e ela continua chupando. Essa puta nasceu pra isso.

Enquanto ele destrói minha boca, sinto outras mãos. Duas, três, não sei quantas. Alguém arranca minha calcinha num puxão, o fio cortando minha pele da anca antes de ceder. Alguém abre minhas pernas de par em par, me faz ficar de quatro sobre a poltrona sem tirar a rola da minha boca. Uma língua quente se enterra entre minhas nádegas, subindo da boceta ao cu, lambendo devagar, e depois dois dedos grossos me abrem a boceta de uma vez e começam a bombear com força, chafurdando no meu caldo.

—Está encharcada, essa puta —diz uma voz nova atrás de mim—. Escutem o som.

E sinto ele tirar os dedos, subir por trás de mim e, sem mais cerimônia, cravar a rola na minha boceta com uma estocada brutal. Engasgo com a pica que tenho na boca por causa do grito abafado. Ele começa a me foder por trás, segurando minhas ancas, metendo com força, me jogando contra a boca do outro, criando um ritmo duplo: na frente me enfiando até a garganta, atrás me cravando até o fundo da boceta. Sou uma boneca partida ao meio, atravessada por duas picas ao mesmo tempo, e não posso fazer mais do que gemer de boca cheia.

Um terceiro se aproxima e me oferece uma lata de cerveja morna, esperando que o da boca me deixe respirar.

—Toma. Vai soltar sua língua... e outras coisas —diz quando finalmente o outro tira a rola da minha boca, com um fio de saliva pendendo.

Bebo em goles largos, ofegante, com a boca em carne viva. O líquido amargo me queima o estômago vazio e quase de imediato uma onda de calor sobe do ventre. O álcool se mistura com a vergonha e o desejo num coquetel embriagante que turva meus pensamentos e aguça cada sentido. Cada toque, cada olhar, parece dez vezes mais intenso. O de trás continua me fodendo a boceta, e cada estocada faz um barulho úmido, obsceno, que se mistura às risadas e aos comentários dos outros.

—Vai com mais força —diz um—. Essa aí gosta quando dói.

—Enfia no cu —diz outro—. Vamos ver se aguenta.

O homem que está me cravando na boceta tira a rola bruscamente, me deixando com a sensação de vazio. Ainda consigo soltar um «não» que nem eu mesma acredito, e ele ri. Cospe entre minhas nádegas, se orienta com a mão, e a ponta da rola empurra contra o buraco. Eu cerro os dentes, agradeço por dentro por ter passado lubrificante, e ele vai entrando devagar, mas sem piedade, até enterrar a pica inteira no meu cu. A ardência é branca, cegante, e eu grito com toda a garganta.

—É isso! —vibra alguém—. Olha a cara que ela faz!

Outro me segura a cabeça e me vira para que eu abra a boca de novo. Outra rola, menor mas mais grossa, se afunda entre meus lábios. E assim volto a ser atravessada por duas rolas ao mesmo tempo, uma na boca, outra no cu, com os peitos caídos e uma terceira mão se enfiando entre minhas pernas para esfregar o clitóris com dois dedos duros.

—Faz a puta gozar —diz o que me esfrega—. Vamos fazê-la gozar enquanto estão comendo ela.

E me fazem gozar. Contra a minha vontade, contra toda a minha vergonha, com a rola cravada no cu e outra me afogando a boca, sinto o orgasmo subir das solas dos pés, dos saltos que me cravam nas nádegas quando eu me arqueio. A boceta se contrai em vazio enquanto o cu arde em torno da pica que o preenche, e eu gozo com um gemido animal que faz a garganta do homem na minha boca vibrar. Todos riem. Alguém aplaude.

—A putinha gozou. Gozou feito uma cadela.

Não me dão trégua. Mal termino de tremer, o da boca goza na minha língua, jatos espessos de sêmen quente que me enchem o palato. Ele me agarra pelo cabelo e me obriga a engolir tudo, e depois me obriga a abrir a boca para que os outros vejam que ficou vazia.

—Boa menina. Engoliu tudo.

O de trás continua ainda, me fodendo com mais força, e em poucos minutos ele rosna e goza dentro de mim. Sinto os jatos quentes me enchendo o cu, e quando ele tira a pica, uma coisa morna e espessa começa a escorrer pela minha coxa. Um ri e enfia dois dedos no meu cu aberto, chafurdando na porra alheia.

—Tá bem lubrificado pro próximo.

E o próximo chega. E outro. E outro. Me passam de um para o outro como se eu fosse uma garrafa. Me deitam de barriga para cima sobre a mesa baixa, abrem minhas pernas, me cravam uma rola atrás da outra na boceta. Me põem de quatro sobre o carpete, puxam meu cabelo e me montam por trás como a um animal. Me sentam de pernas abertas e me obrigam a cavalgar enquanto outro me enfia a pica na boca pelo lado. Em algum momento, dois estão dentro ao mesmo tempo, um na boceta e outro no cu, e sinto as duas rolas se esfregando através da fina parede de carne, e grito, e gozo pela segunda vez, ou pela terceira, já não sei.

Me lambuzam os peitos de sêmen. Me enchem a cara. Me fazem chupar três picas seguidas até doer a mandíbula e eu não conseguir fechar a boca. Alguém me faz engolir mais cerveja e depois cospe na minha cara. Alguém me bate com a mão aberta nas nádegas até elas ficarem vermelhas. Alguém coloca meus peitos entre as picas e goza no vão do meu pescoço. O cheiro de sêmen, suor, cerveja derramada e da minha própria boceta encharcada toma conta da sala.

Nessa noite, parei de contar. Parei de pensar. Me entreguei às mãos deles, às suas turnações, às risadas e aos insultos, até que o cansaço e o calor me transformassem numa coisa só com o chão frio daquela sala. Quando o último deles terminou de se esvaziar na minha cara e a guarda voltou à rotina como se nada tivesse acontecido, me deixaram sentada contra a parede, despenteada, com o batom borrado, sêmen secando nos peitos e nas coxas, e as meias rasgadas, que nem lembro quando me puseram.

S.1 se abaixou diante de mim e enfiou algumas notas amassadas na minha mão. Nem metade do que eu tinha pedido. Nem contei.

—Se comporta até a próxima —disse, acendendo outro cigarro, olhando para a minha boceta aberta e pingando entre as pernas ainda afastadas.

E enquanto eu me vestia com minhas roupas «decente» naquele banheiro gelado, sentindo o sêmen alheio ainda escorrer por dentro do jeans, olhando a máscara borrada no espelho, eu já sabia a verdade mais suja de todas: não ia precisar que me chamassem. Eu é que ia ser, outra vez, a abrir o chat e escrever aquele nome salvo como «S.1».

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