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Relatos Ardientes

A hospitalidade inuit nos ensinou a compartilhar tudo

Lucas e Camila desceram do avião em Ilulissat com o frio entrando por baixo da jaqueta. Eram dois argentinos de trinta e cinco anos, casados havia nove, com aquela sensação incômoda de que o casamento começava a pedir algo novo. Ele, alto, moreno, de barba aparada e ombros largos de academia. Ela, curvas firmes, cabelo escuro até os ombros, uma boca grande que sorria com certa malícia. Tinham reservado uma casa de família inuit por uma página de hospedagem local que prometia «experiência cultural autêntica». O que a página não dizia era o quanto essa experiência seria autêntica.

Quem os recebeu foi Naaja, um homem de uns quarenta e sete anos, ombros largos, pele curtida pelo vento ártico, com aquele olhar sereno de quem sabe esperar. Sua mulher, Pipaluk, tinha trinta e seis: rosto redondo, maçãs do rosto altas, olhos puxados e um corpo que se adivinhava forte sob o anorak grosso. A casa era de madeira e pedra, com telhado verde e fumaça saindo da chaminé. Lá dentro, chá fervendo, carne de foca seca, dois filhos adolescentes já dormindo no sótão. A recepção cheirava a lenha, a especiarias estranhas e a algo mais que Camila não soube nomear.

—Nesta casa, a gente compartilha tudo —disse Naaja em um inglês simples, marcado pelo sotaque—. A comida, o calor do fogo… e as esposas. É o nosso jeito. Os hóspedes são família.

Camila ergueu uma sobrancelha, mas não respondeu. Lucas a olhou em busca de algum sinal e não encontrou. Durante o jantar, enquanto comiam ensopado, Naaja explicou com naturalidade. Na antiga cultura inuit, quando um caçador recebia outro, oferecia sua mulher para que ele não passasse a noite sozinho nem com frio. Não era um favor pequeno: era a forma mais forte de dizer «eu confio em você». Pipaluk assentia devagar, e em algum momento deixou a mão pousada sobre a de Lucas por um segundo a mais do que o necessário.

—Não é obrigação —explicou Naaja—. Mas, se aceitarem, esta noite compartilhamos. Você com Pipaluk. Eu com Camila. Todos no mesmo quarto, para não haver vergonha no escuro.

Camila sentiu uma corrente entre as pernas que a surpreendeu pela rapidez. Fazia meses que ela e Lucas fantasiavam com algo assim em sussurros, sem coragem de dar nome. Lucas olhou para Pipaluk, depois para Camila, e balançou levemente a cabeça.

—Aceitamos —disse.

***

Antes de irem para o quarto, Naaja se recostou na cadeira e os observou com aquela calma profunda de quem vive sobre o gelo desde que aprendeu a andar.

—Quero que entendam de onde isso vem. Não é brincadeira de turista. Aqui, onde o frio pode matar numa noite, a confiança é a única coisa que nos sustenta.

Camila se ajeitou na cadeira. A voz grave de Naaja lhe dava arrepios.

—Antes, a gente vivia em iglus, em tendas de pele. O inverno nunca acabava e a caça falhava. O povo morria de fome, de frio ou de solidão. Por isso aprendemos a compartilhar tudo: a comida, o óleo da lamparina, o calor do fogo… e também o calor do corpo. Oferecer a esposa ao visitante não era para se divertir. Era dizer «você agora faz parte da minha família».

Pipaluk entrou na conversa com voz baixa, olhando diretamente para Camila.

—As mulheres inuit não eram objetos. Caçávamos, costurávamos as peles, criávamos os filhos. Quando um hóspede chegava depois de dias no gelo, abrir a cama para ele era uma honra. Significava que meu marido confiava nele, que ele não iria me machucar, que os laços entre as famílias iam se fortalecer. Quando as lamparinas se apagavam no auge do inverno, todos compartilhávamos parceiros na mesma casa. Era uma forma de pedir ao espírito do frio que nos deixasse viver mais um ano.

Naaja assentiu e acrescentou, com um sorriso discreto:

—E misturava o sangue. Em lugares tão isolados, com tão pouca gente, isso evitava que as famílias ficassem fracas. Hoje, nas cidades, isso quase não se faz mais. Mas em casas como esta, com quem vem de longe, mantemos a tradição. É o nosso jeito de dar as boas-vindas por inteiro.

Camila engoliu em seco. Aquela explicação a deixou mais excitada do que esperava: imaginar Naaja entrando nela como parte de um ritual antigo, de sobrevivência e confiança, mexia com algo profundo.

—Então, quando você me foder esta noite —disse, com uma voz que não parecia totalmente sua—, não é só prazer. É a forma mais completa de boas-vindas que existe.

—Exato —respondeu Naaja, e o olhar dele desceu por um segundo até os peitos marcados sob o suéter dela—. E quando Lucas enfiar a rola na Pipaluk vai estar aceitando a mesma confiança. Sem vergonha. No gelo, a vergonha mata mais rápido que o frio.

Pipaluk riu baixinho.

—Nós também gostamos. Sentir uma rola diferente, que abre nossa buceta e nosso cu de jeitos novos. E saber que meu marido está olhando, curtindo, enquanto outro me enche… isso nos aproxima mais.

Lucas sentiu o pau apertado dentro da calça. A mistura da história com a crueza do que vinha pela frente o deixava à beira do limite.

—Esta noite —disse, com a voz rouca— vamos honrar a tradição como se deve.

***

Naaja apagou as luzes principais e deixou apenas o fogo da lareira e uma lamparina de óleo que pintava o quarto de laranja. O cômodo tinha duas camas grandes unidas, colchões grossos forrados com pele de rena e cobertores pesados. Eles se despiram sem pressa, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Camila tirou o suéter e deixou os peitos firmes ao ar, os mamilos já duros pelo frio e pelo que estava prestes a acontecer. Baixou o jeans e ficou de calcinha preta, a buceta depilada mal coberta. Lucas se despiu por completo: o pau já semiduro, grosso, marcando as veias. Pipaluk tirou a roupa sem pudor: peitos grandes, pesados, mamilos escuros, um púbis com poucos pelos, uma bunda redonda que se movia sozinha ao caminhar. Naaja era puro músculo de remar no caiaque; sua rola pendia pesada, mais comprida que a de Lucas, com uma grossura que fez Camila engolir em seco.

Deitaram. Camila ao lado de Naaja, Lucas junto de Pipaluk. No começo, foram só mãos e olhares. Naaja passou a palma grande pela coxa de Camila e ela abriu as pernas quase sem pensar. Os dedos calejados roçaram a buceta, já encharcada.

—Você está molhada —murmurou ele em inglês—. Bom.

Camila gemeu baixinho quando um dedo grosso encontrou o clitóris inchado. Do outro lado, Pipaluk se inclinou sobre Lucas e pegou o pau com a mão. Acariciou-o devagar, sentindo-o endurecer por completo, e baixou a cabeça.

—Rola linda —disse em um português torto, aprendido com outros turistas.

Lucas rosnou quando a boca quente o cobriu. Pipaluk chupava com vontade, sem pressa, a língua rodando em torno da cabeça, a saliva escorrendo pelo corpo. Do outro lado, Naaja já tinha dois dedos até o fundo na buceta de Camila. Ela respirava de boca aberta, os peitos subindo e descendo.

—Enfia —pediu—. Quero sentir você dentro.

Naaja se posicionou por cima, abriu as pernas dela com os joelhos e encostou a cabeça grossa da rola na entrada. Empurrou devagar. A buceta se abriu, engolindo centímetro por centímetro, até ele entrar inteiro. Camila soltou um gemido longo, os olhos fechados.

—Ai… você está me enchendo toda.

O ritmo cresceu rápido. Cada estocada fazia os peitos de Camila pularem. O som da buceta molhada contra a rola se misturava ao crepitar do fogo. Ela cravava as unhas nas costas dele, gritava sem filtro.

—Mais forte… me fode forte.

A poucos metros, Lucas tinha Pipaluk de quatro. Tinha enfiado o rosto entre as nádegas dela e comia sua buceta por trás, língua entrando e saindo. Pipaluk gemia contra o travesseiro e pediu, com a voz quebrada, que ele também lambesse seu cuzinho. Lucas obedeceu. Passou a língua pelo músculo apertado enquanto metia dois dedos na buceta dela, e ela gozou tremendo pela primeira vez, apertando os dedos como se quisesse engoli-los.

Depois ele se ajoelhou e enfiou o pau dela com uma só investida. Quente, apertada, encharcadíssima. Começou a fodi-la devagar, segurando-a pelos quadris, vendo a bunda bater contra a pelve dele.

—Você está escorrendo —rosnou Lucas.

Ao lado, Naaja tinha colocado Camila por cima. Ela cavalgava com as mãos apoiadas no peito dele, os peitos saltando a cada descida, a buceta engolindo aquela rola até o fundo.

—Você está tocando o fundo… vou gozar…

Ela gozou gritando. A buceta apertou o pau de Naaja como um punho morno e um jorro escorreu pelos testículos dele. Naaja a segurou pelos quadris e continuou empurrando de baixo para cima.

Trocaram de posição. As duas mulheres ficaram lado a lado, de quatro, as bundas empinadas. Os homens as fodiam por trás. Os ritmos se cruzavam. Camila virou o rosto e beijou Pipaluk na boca enquanto eram fodidas. Línguas enroscadas, seios se chocando, dois casais transformados em uma única cena de pura luxúria.

—Olha como eu estou fodendo sua mulher —disse Naaja a Lucas, sem tirá-la de cima.

—E você a minha —respondeu Lucas, ofegante—. Ela adora a sua rola.

Mais tarde Naaja pediu que Camila o chupasse. Ela enfiou a rola na boca com vontade, saboreando o próprio gosto no pau alheio. Lucas, enquanto isso, pediu a Pipaluk o cu. Ela abriu as nádegas com as duas mãos e ele entrou devagar, milímetro por milímetro, até as bolas dele baterem na buceta molhada.

—Me enche —pediu Pipaluk, com a voz trêmula.

Naaja gozou primeiro. Tirou a rola da boca de Camila e despejou jatos grossos no rosto e nos peitos dela. Ela abriu a boca para receber o que pôde; o resto escorreu pelo queixo. Lucas não aguentou muito mais: tirou o pau do cu de Pipaluk, enfiou na buceta dela e, depois de duas estocadas, explodiu lá dentro, enchendo-a em pulsos longos. Pipaluk gozou junto com ele, ordenhando-o, apertando.

Os quatro ficaram jogados, brilhando de suor, respirando como se tivessem corrido quilômetros. Tomaram chá quente, em silêncio. E começaram de novo.

Dessa vez foram as mulheres que se procuraram. Camila se deitou de costas e Pipaluk se sentou sobre seu rosto. A argentina lambeu a buceta dela com paciência, língua dentro, lábios em torno do clitóris. Pipaluk gemia e retribuía na dela em sessenta e nove. Os homens olhavam, os paus outra vez duros. Naaja se pôs atrás de Pipaluk e a penetrou assim mesmo, com Camila lambendo os lábios e os testículos da esposa dele cada vez que ele entrava. Lucas fez o mesmo com Camila por cima, enquanto Pipaluk, embaixo, chupava o clitóris da outra.

Durou horas. Gozaram várias vezes mais. Antes do amanhecer, todos dormiram amontoados sob os cobertores pesados, os corpos entrelaçados, ainda latejando.

***

No dia seguinte, tomaram café da manhã como se nada tivesse acontecido. Naaja sorriu por cima do café.

—Boa noite. Se quiserem, esta também.

Camila olhou para Lucas com um sorriso que ele já não conhecia.

—Viemos viver a cultura completa —disse.

Cada uma das dez noites que durou a estadia foi uma variação da primeira. Compartilharam como se compartilha o fogo, sem vergonha e com vontade. Voltaram a Buenos Aires com a pele marcada por algumas mordidas, fotos genéricas de geleiras no celular e um segredo entre os dois que já não iam conseguir devolver.

***

O bichinho tinha mordido forte. O frio ártico ficou longe, mas o calor daquelas noites continuava aceso cada vez que se olhavam.

Numa noite de sexta-feira, depois do jantar e enquanto tomavam vinho no sofá da sala, Camila se sentou no colo de Lucas. Acariciou o peito dele por cima da camiseta e falou no ouvido com aquela voz rouca que aparecia quando ela esquentava.

—Ainda me lembro da rola de Naaja entrando devagar… e de você fodendo Pipaluk ao lado. Eu fico molhada só de pensar.

Lucas sentiu o pau responder na hora. Agarrou a bunda dela com as duas mãos.

—A mim me excita a mesma coisa. Ver você fodida por outro enquanto eu olho… ou enquanto eu como outra. Quer tentar aqui?

Camila mordeu o lóbulo da orelha dele.

—Quero. Vamos procurar um casal. Quero que me fodam diante de você de novo.

Na mesma semana, abriram um perfil num app de swing. Fotos discretas, mas claras: Camila de calcinha mostrando a bunda redonda, Lucas sem camisa. Bio curta: «Casal argentino com experiência. Procuramos casal limpo, discreto e sem dramas para noites de jogo compartilhado. Mente aberta, tudo conversado».

O primeiro encontro veio rápido. Federico e Valeria, um casal de Mendoza, ambos na casa dos trinta e poucos. Encontraram-se em um apartamento alugado em La Plata. Depois de algumas taças para quebrar o gelo, foi Camila quem deu o primeiro passo. Aproximou-se de Valeria, levantou o vestido e enfiou a mão entre as pernas dela.

—Quero provar você —disse.

Valeria gemeu quando os dedos roçaram seu clitóris. Federico olhou para Lucas e riu.

—As minas vão começar sozinhas.

Não demorou para os quatro estarem nus na cama king-size. Camila e Valeria se beijaram devagar, tocando os seios uma da outra. Os homens observavam, os paus prontos. Depois Camila ficou de quatro e pediu a Federico:

—Enfia. Quero que meu marido veja.

Federico se ajoelhou atrás dela e entrou de uma vez. Camila gemeu comprido. Lucas, aceso, foi para frente e enfiou o pau na boca dela; enquanto Federico a fodia por trás, Lucas a usava por diante com um ritmo lento. Valeria se deitou embaixo e começou a chupar o clitóris de Camila e os testículos de Federico ao mesmo tempo.

Mais tarde Lucas se posicionou atrás de Valeria.

—Vou foder seu cu —disse.

Valeria arqueou as costas e abriu as nádegas com as mãos.

—Devagar primeiro.

Lucas empurrou a cabeça contra o anel apertado, dilatando devagar. Quando entrou inteiro, começou a fodê-la com estocadas longas. Valeria gemia contra a buceta de Camila, que continuava com a rola de Federico bombeando por trás.

—Olha como eu estou fodendo o cu dessa mulher —rosnou Lucas, olhando para Camila.

Camila, de boca cheia, só conseguiu assentir. Estava encharcada.

Trocaram várias vezes. Em um momento, as duas mulheres ficaram lado a lado, com as bundas empinadas: Lucas dava em Valeria por trás enquanto Federico fodía Camila. Depois inverteram. Perto do fim, os dois casais terminaram numa dupla carga: Federico esvaziou no cu de Camila bombeando até o fundo; Lucas fez o mesmo com Valeria, descarregando dentro e voltando a entrar para empurrar o jato mais fundo. As duas mulheres, ainda tremendo, se beijaram com um gosto misturado na boca.

***

Desde aquela noite, os swingers passaram a fazer parte da relação. A cada quinze dias, procuravam alguém novo ou repetiam com um casal conhecido. Algumas noites iam a um clube discreto em Palermo; outras, organizavam encontros pequenos em casa.

Uma vez especial, chamaram outro casal amigo e acabaram os seis na cama grande. Camila foi penetrada em dobro, uma rola na frente e outra atrás, enquanto chupava a buceta da outra mulher. Lucas se movia entre corpos sem descanso. Cada vez que estavam com outros, os dois se lembravam em silêncio da casa de madeira e pedra, do fogo, das peles de rena, dos corpos compartilhados sem vergonha. O bichinho que os havia mordido naquela casa de família se transformou em um costume que eles não queriam perder.

Agora, quando estão sozinhos, Camila às vezes sussurra no ouvido dele:

—Lembra como eu era preenchida por Naaja… hoje à noite quero que me fodam diante de você de novo.

E Lucas, com o pau duro outra vez, sempre responde a mesma coisa:

—Vamos. Depois da Groenlândia, nada mais é suficiente sem alguém olhando.

O casamento que tinha viajado para ver icebergs terminou descobrindo que o verdadeiro calor não era o da lareira inuit, mas o dos corpos alheios entrando nos seus, e o do prazer compartilhado sem pedir permissão.

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