Duas cervejas e o que nós quatro decidimos fazer
O calor caía vertical sobre a areia quando Marcos largou a lata de cerveja e a fitou com desagrado. Quente. Quase na temperatura do asfalto. Ele se levantou de repente, sacudindo a areia das palmas das mãos.
—Vou atrás de algo realmente gelado —disse.
Diego tinha os olhos semicerrados sob o sol, deitado de barriga para cima na toalha, com os braços cruzados sobre o peito. Ergueu só um pouco a cabeça.
—Outra?
—Essa aí já não presta pra nada —respondeu Marcos, mostrando a lata como prova.
Diego levou dois segundos para se pôr de pé.
—Vou contigo.
Antes de se afastarem, os dois olharam para o mar. Lucía e Natalia continuavam lá dentro, mais fundo do que antes, deixando-se embalar pelas ondas e conversando entre si com aquela cumplicidade de amigas que há anos compartilham segredos que os homens nem sempre entendem. Da margem só se viam suas silhuetas se movendo contra o brilho da água, os braços que de vez em quando emergiam para apontar alguma coisa ao longe. Marcos reparou em como a água escorria pelos ombros delas cada vez que se punham de pé, e em como o biquíni de Lucía se colava ao corpo, marcando os mamilos duros pelo frio do mar. Diego percebeu, percebeu que Marcos percebeu, e nenhum dos dois disse nada.
—Acho que elas não vão sentir nossa falta —disse Marcos.
E os dois saíram caminhando pela areia em direção ao quiosque que despontava no fim da praia, com aquele passo tranquilo de quem não tem pressa, mas sabe muito bem onde quer chegar.
***
O lugar se chamava La Marea. Uma estrutura de madeira com telhado de palha, várias mesas altas, um balcão comprido onde os copos suavam sozinhos com o gelo lá dentro. Atrás do balcão, um homem de uns sessenta anos, moreno, de camiseta escura e rosto marcado por verões demais, atendia sem pressa. Uma etiqueta costurada no peito dizia Ernesto.
—Duas cervejas bem geladas —pediu Marcos assim que chegaram.
Ernesto assentiu, abaixou-se até a geladeira e tirou dois gargalos trincando de frios. Deixou-os no balcão com um baque seco. O frio do vidro chegava de longe.
Marcos tomou um gole longo, quase sem respirar.
—Agora sim.
Diego bebeu mais devagar, com os cotovelos apoiados no balcão e o olhar voltado para a praia. Dali ainda conseguia distinguir as duas figuras na água, pequenas, se movendo entre as ondas como se não tivessem nenhum plano para o resto do dia.
Instalou-se um silêncio de dois minutos. O tipo de silêncio que não precisa ser preenchido porque já está cheio de outra coisa.
—Você reparou na Lucía hoje? —disse Marcos de repente.
Diego não tirou os olhos do mar.
—Quem não reparou?
Marcos sorriu, com a garrafa a meio caminho dos lábios.
—Aquele biquíni não foi por acaso. Ela nunca escolhe roupa sem calcular o efeito que vai causar. Fica tudo marcado. Os peitos, o cu, até a fenda da bunda quando ela se abaixa pra pegar a toalha.
Diego pousou o gargalo com cuidado no balcão.
—Ela sempre soube o que faz.
—Bem demais —disse Marcos. Na frase havia algo que não era totalmente elogio nem totalmente queixa. Era simplesmente a constatação de alguém que há tempo demais olha para a mesma pessoa e, por isso mesmo, nota detalhes que os outros não veem.
Diego virou a cabeça para ele.
—E Natalia?
Marcos deu de ombros, embora o sorriso dissesse tudo.
—Natalia parece que não tá nem aí, mas tá. Passou a manhã inteira te olhando com aquela cara. E hoje cedo, quando tava passando protetor solar nos peitos, eu boto meu pescoço que ela fazia isso te olhando de canto. Os mamilos ficaram duros que nem pedra.
Diego franziu a testa, mas por trás do gesto não havia desconforto. Era reconhecimento. A expressão de alguém que já sabe a resposta e espera que o outro também saiba antes de dizê-la.
—Que cara? —perguntou mesmo assim.
—Cara de que alguém quer comer ela —disse Marcos—. E que esse alguém seja você.
Ernesto, atrás do balcão, organizava copos que já estavam perfeitamente organizados. Não olhava diretamente, mas também não se afastava.
—O contexto —continuou Marcos, baixando um pouco a voz embora sem muito interesse em se esconder—. Tudo muda aqui. O corpo relaxa. A roupa some. E as coisas que normalmente você deixaria passar de repente estão ali, na sua frente, sem que ninguém consiga fingir que não viu.
Diego encostou as costas no balcão e cruzou os braços.
—Aonde você quer chegar?
—Em lugar nenhum que você já não tenha pensado —respondeu Marcos.
Houve uma pausa. Diego bebeu.
—Você acha que Lucía percebe como você olha pra ela? —perguntou Marcos então.
Diego demorou a responder.
—Lucía percebe tudo. É daquelas pessoas que processam cada olhar, cada silêncio, cada mudança de postura, e não dizem nada. Guardam.
—Ou esperam a hora certa de usar isso?
Diego não negou. Bebeu no lugar.
Marcos se inclinou ligeiramente na direção dele, com aquela naturalidade que vem da segunda cerveja e dos anos de amizade que tornam desnecessárias explicações demais.
—Vou te dizer o que eu acho. Acho que nós quatro passamos a manhã inteira rondando alguma coisa que nenhum quer ser o primeiro a nomear.
Diego o encarou fixamente.
—E você tá nomeando agora?
—Mais ou menos —disse Marcos, com uma calma que Diego conhecia bem. Era a calma de quem já tomou uma decisão e só está esperando o mundo se atualizar—. Eu comeria a Natalia ainda hoje à noite. E não me importaria nem um pouco que você comesse a Lucía no quarto ao lado. Ou no mesmo.
Diego o olhou em silêncio por alguns segundos.
—Isso é bem específico.
—É o que tem.
Ernesto pigarreou do outro lado do balcão.
—Outra rodada? —perguntou, com aquele tom neutro de quem já ouviu demais e aprendeu a não opinar.
—Sim, pode trazer —disse Marcos sem hesitar.
Ernesto serviu os gargalos e, antes de se afastar, deixou cair em voz baixa, sem olhar em particular para nenhum dos dois:
—Tem coisa que funciona melhor quando não se fala demais.
Marcos ergueu os olhos para ele, divertido.
—O senhor tá falando por experiência?
Ernesto deu de ombros.
—Tô falando pelo que já vi neste balcão em vinte verões.
Ele se afastou para o outro extremo do balcão. Diego e Marcos ficaram com aquilo por um momento, em silêncio, como se as palavras do barman precisassem de tempo para assentar.
—Talvez ele tenha razão —disse Diego por fim.
—Ou talvez não —respondeu Marcos—. Mas alguém tem que começar.
***
Quando voltaram para a areia, Lucía e Natalia já estavam deitadas sobre as toalhas, se secando. O sol tinha baixado um pouco e a luz tinha aquela qualidade dourada que transforma qualquer cena em algo mais carregado do que parece à primeira vista. A areia estava quente sob os pés.
Marcos deixou um gargalo gelado ao lado da mão de Lucía sem dizer nada. Ela pegou, bebeu e o olhou com os olhos semicerrados pelo sol, ou por alguma coisa mais difícil de nomear.
—Muito tempo? —perguntou.
—O suficiente.
Diego sentou-se ao lado de Natalia. Ela estava de barriga para baixo, com o fecho do biquíni solto para não marcar a pele, e ergueu só um pouco a cabeça quando o ouviu chegar. A curva de um seio escapava de lado, esmagada contra a toalha, e Diego olhou abertamente por mais tempo do que teria olhado naquela mesma manhã.
—O que vocês fizeram tanto tempo lá? —perguntou.
—Conversar —disse Diego.
Natalia sorriu para a areia.
—Sobre o quê?
—Sobre vocês.
Ela não respondeu de imediato. Deixou passar alguns segundos, como se pesasse o valor exato daquela frase, e então disse sem levantar a cabeça:
—Algo interessante?
—Depende do que você considera interessante —disse Diego.
Lucía, que tinha escutado enquanto bebia sua cerveja apoiada em um cotovelo, sentou-se de vez e encarou Marcos diretamente. Tinha aquela maneira de perguntar sem rodeios, como se o tempo gasto com insinuações fosse tempo roubado de algo que merece mais atenção.
—E então? —disse.
Marcos sustentou o olhar dela por um instante antes de responder.
—Que tem coisas que funcionam melhor quando são ditas em voz alta.
Lucía piscou uma vez. Um sorriso pequeno, controlado.
—Isso depende da coisa.
—Sim —disse Marcos—. Mas tem que começar por algum lugar.
Natalia enfim ergueu a cabeça. Apoiada nos cotovelos, sem se preocupar com o biquíni frouxo, olhou para Diego com uma expressão difícil de classificar: não era surpresa nem convite aberto. Era mais a pergunta implícita de se aquilo era sério ou se era só o calor e a segunda cerveja falando.
—O que vocês estão propondo exatamente? —perguntou.
Diego e Marcos se olharam por um segundo.
—Jantar os quatro hoje à noite —disse Diego—. E transar os quatro depois.
Ele disse com tranquilidade, sem baixar a voz. Natalia soltou uma risada curta, mais de surpresa do que qualquer outra coisa, e passou a língua no lábio superior.
O silêncio que veio depois durou o suficiente. Não tanto para o constrangimento se instalar, mas sim o bastante para que ninguém se sentisse pressionado. Era o silêncio de pessoas que se conhecem bem e não precisam fingir que não entendem o que está sendo dito.
Lucía deixou o gargalo na areia.
—Os quatro como?
—Como sair —disse Marcos—. Eu com você, Diego com Natalia, e daí em diante o que vocês quiserem. Trocar. Olhar. Todos com todos. Vocês decidem.
Natalia olhou para Lucía. Lucía olhou para Natalia. Entre as duas passou algo que nenhum dos homens conseguiu ler por completo: aquela comunicação rápida e sem palavras que existe entre amigas que há anos compartilham quase tudo e já não precisam de muita conversa para se entender nas coisas importantes.
Foi Natalia quem falou primeiro.
—O apartamento tem terraço —disse.
***
O jantar foi longo e nunca foi realmente sobre a comida. Foram as quatro horas entre o entardecer e a meia-noite em que a conversa ia e vinha com aquela qualidade especial que certas noites de verão têm, quando os silêncios e os olhares se cruzam de um jeito diferente do que tinham feito antes. Mais consciente. Mais carregado. Ninguém fingiu que nada estava acontecendo, porque isso seria uma mentira óbvia demais.
Jantaram no terraço com a brisa do mar chegando de longe. O vinho era fresco e não muito caro. As conversas enveredaram por caminhos distintos: um filme que nenhum dos quatro tinha visto, uma viagem pendente, algo que tinha acontecido no trabalho de Natalia e que a todos pareceu absurdo. Coisas normais. Mas por baixo de tudo havia algo que nenhum nomeava e que os quatro percebiam perfeitamente, como uma corrente correndo sob a água parada.
Por volta das onze, com a mesa recolhida e uma garrafa de vinho pela metade sobre a mesinha de centro do terraço, Natalia se levantou e foi ao banheiro. Diego a acompanhou com o olhar, os olhos cravados na bunda que se mexia sob o vestido fino. Marcos encheu as taças sem que ninguém pedisse.
Lucía pôs uma mão sobre a de Marcos na mesa. Um gesto direto, sem ambiguidade.
—Você tem certeza disso? —perguntou, em voz baixa, olhando nos olhos dele.
—Completamente —disse ele—. E você?
—Estou pensando nisso desde a praia —respondeu ela, sem tirar a mão—. Passei a tarde toda com a calcinha molhada de tanto pensar.
Marcos engoliu em seco. Apertou a mão dela.
—E no que exatamente você pensou?
—Em Diego —disse ela, sem desviar o olhar—. Em como ele come. Em se faz parecido com você ou completamente diferente. E em se você vai olhar enquanto ele me mete.
—Vou olhar —disse Marcos—. E vou estar comendo a Natalia ao mesmo tempo.
Lucía sorriu devagar.
—Então estamos de acordo.
Quando Natalia voltou ao terraço, encontrou tudo diferente. A mesa era a mesma, as taças eram as mesmas, mas o ar tinha mudado de densidade. Sentou-se ao lado de Diego, e ele pousou a mão na coxa dela sem fazer perguntas. Ela não a retirou. Pelo contrário: abriu um pouco as pernas e deixou a mão dele subir por dentro da coxa até roçar o tecido da calcinha por cima da barra do vestido.
—Você já tá molhada —disse Diego em voz baixa, quase ao ouvido.
—Estou assim desde que você falou o que falou na praia —respondeu ela.
—Então —disse Natalia, olhando para os dois—, como é que isso funciona?
Marcos sorriu.
—Como vocês quiserem que funcione.
—Ou como todos quisermos —precisou Lucía.
***
Começou no terraço. Diego tirou a mão da coxa de Natalia só para se aproximar e beijá-la, e ela correspondeu com a boca aberta desde o primeiro segundo, buscando a língua dele com a sua. Foi um beijo úmido, longo, com os dentes se tocando. A mão de Diego voltou a subir pela perna dela e, dessa vez, passou direto pelo tecido e tocou-lhe o cu por cima da calcinha. Natalia soltou um gemido curto contra a boca dele.
—Porra —sussurrou ela.
—Aqui? —perguntou Diego.
—Aqui —disse Natalia—. Que olhem se quiserem.
No outro extremo do terraço, Lucía se tinha sentado de pernas abertas sobre Marcos na cadeira. Desabotoara a camisa dele com calma e agora passava a língua no pescoço dele enquanto se esfregava sobre o colo dele. Marcos ergueu o vestido dela até a cintura de um puxão. Por baixo, ela usava uma calcinha preta completamente encharcada, tanto que a linha do sexo se desenhava através do tecido molhado.
—Eu te disse —murmurou ela, mordendo o lóbulo da orelha dele.
Marcos enfiou a mão por baixo do tecido e penetrou nela com dois dedos de uma vez. Lucía jogou a cabeça para trás e gemeu de boca aberta, sem fechá-la, com a garganta exposta à luz amarela do terraço. Marcos começou a mover os dedos dentro dela num ritmo lento, tirando-os quase por completo a cada vez e voltando a afundá-los até os nós dos dedos.
Da outra cadeira, Diego se ajoelhou no chão. Ergueu o vestido de Natalia até a cintura e abaixou a calcinha até os tornozelos; agora tinha o rosto enterrado entre as coxas dela. Natalia agarrara o cabelo dele com as duas mãos e empurrava o rosto dele contra o seu sexo, sem o menor pudor, rebolando contra a língua de Diego. Os gemidos saíam lá do fundo da garganta, cada vez mais altos.
—Ai... assim, assim, não para, me come todinha...
Diego chupava o clitóris com os lábios fechados ao redor dele e, de vez em quando, descia a língua para enfiá-la dentro. Passava um braço por baixo da coxa dela e apertava uma nádega com a mão, cravando os dedos. Natalia começou a tremer. Em menos de cinco minutos, com o sexo cheio da boca de Diego e as mãos dele na bunda, gozou pela primeira vez, com um gemido longo que se partiu no meio.
Lucía o observava enquanto se agarrava aos ombros de Marcos.
—Pra dentro —disse Lucía, ofegante—. Vamos pra dentro os quatro. Agora.
***
Foram para o quarto deixando roupa pelo caminho. Marcos tinha tirado a camisa no corredor. O vestido de Lucía caiu antes de ela chegar ao quarto, e ela entrou de calcinha e com os peitos ao ar, os mamilos grandes e escuros, erguidos. Natalia tirou o vestido pela cabeça sem cerimônia. Diego foi o último a se despir, enquanto os outros três já estavam sobre a cama.
A cama era grande. Os quatro cabiam sem problema.
No começo se organizaram em pares. Marcos deitou Lucía de barriga para cima e se enfiou entre as pernas dela. Arrancou-lhe a calcinha de um puxão e a olhou por um segundo de cima, com a rola dura apontando para o sexo aberto.
—Me mete —disse Lucía, sem nenhum enfeite.
Marcos a penetrou de uma estocada até o fundo. Lucía gritou, um grito curto, agudo, e cravou as unhas nos ombros dele. Marcos começou a comê-la com investidas fortes, lentas no começo, cada vez mais rápidas. A cama rangia. Lucía mantinha os olhos fechados e a boca aberta, e os peitos batiam a cada golpe de quadril.
Ao lado, Diego tinha posto Natalia de quatro na beira da cama. Agarrou as ancas dela com as duas mãos e se enterrou nela de uma só vez. Natalia soltou um gemido gutural, longo, quase animal. A rola de Diego entrava inteira, saia inteira, entrava de novo inteira, e a cada estocada ele dava uma palmada na bunda dela que deixava marca vermelha.
—Mais forte —ofegou Natalia—. Me arrebenta, não me trata com delicadeza, eu não sou de vidro.
Diego agarrou um punhado de cabelo dela e puxou para trás, forçando a coluna a se arquear. Natalia gemia cada vez mais alto, gritava a cada investida, e de onde estava, sem parar de comer Lucía, Marcos virou a cabeça para olhar. Ver Natalia arqueada, com o rosto desmanchado de prazer e a bunda erguida recebendo a rola de Diego, fez com que ele cerrasse os dentes.
—Porra —disse Marcos—. Que puta você é, Nati.
Natalia abriu os olhos e o encarou do outro lado da cama, com a bochecha contra o colchão pela mão de Diego segurando seu cabelo. Sorriu de boca aberta.
—Vem me comer por diante —ofegou—. Os dois ao mesmo tempo.
Lucía, debaixo de Marcos, não protestou. Pelo contrário. Empurrou o peito dele com as palmas das mãos, e ele saiu dela com a rola brilhando de gozo.
—Vai —disse Lucía—. Deixa ela me comer enquanto você me fode pela boca. Eu troco com Diego.
A reorganização foi rápida e sem palavras atrapalhadas. Marcos se ajoelhou na cama diante do rosto de Natalia e aproximou a rola da boca dela. Natalia a abriu e a engoliu inteira, com uma ânsia leve que não a fez parar. Marcos segurou a cabeça dela com as duas mãos e começou a comer a boca dela no mesmo ritmo com que Diego continuava a fodê-la por trás.
Lucía se aproximou engatinhando pela cama até Diego. Tirou-o de cima de Natalia sem brusquidão, com um dedo no peito.
—Agora eu —disse—. Deita.
Diego se deitou de barriga para cima. Lucía sentou em cima dele, de pernas abertas, agarrou a rola dele com a mão, posicionou-a e desceu o sexo devagar, afundando-a até o fundo com um gemido longo. Ficou um segundo assim, sentada por cima, com Diego inteiro dentro dela, sentindo-o.
—Que grossa você tem —murmurou—. Agora entendo por que a Natalia gritava.
Ela começou a subir e descer, primeiro devagar e depois mais rápido, com as mãos apoiadas no peito de Diego. Os peitos dela batiam a cada descida. Diego agarrou um e beliscou o mamilo entre dois dedos. Lucía cerrou os dentes.
No outro lado da cama, Marcos gozou primeiro. Dentro da boca de Natalia, com a rola até o fundo, segurando a cabeça dela pelo cabelo. Natalia engoliu o máximo que pôde e o que escapou pelos cantos ele limpou com o dorso da mão. Marcos ficou um segundo apoiado sobre ela, respirando forte, e depois se jogou de lado no colchão.
Diego continuava deitado com Lucía em cima, e Natalia se moveu sem que ninguém dissesse nada. Aproximou-se de Lucía por trás e passou os braços por baixo dela, agarrando-lhe os peitos por trás com as duas mãos. Lucía jogou a cabeça para trás e encontrou a boca de Natalia com a sua. Beijaram-se enquanto Lucía continuava cavalgando Diego, a língua de Natalia dentro da boca de Lucía, as mãos de Natalia amassando os seios dela.
Diego observava de baixo, com a mandíbula tensa. Ver as duas amigas se beijando assim sobre ele, com Lucía subindo e descendo sobre a rola dele, quase o fez gozar naquele instante. Ele aguentou rangendo os dentes.
—Deita ela —ofegou Diego para Natalia—. Deita ela de barriga pra cima e abre.
Natalia obedeceu. Ergueu Lucía e a deitou de costas ao lado de Diego. Lucía abriu as pernas bem abertas, com os pés apoiados no colchão e os joelhos para fora. O sexo dela brilhava inteiro, inchado, com o clitóris à mostra. Natalia se pôs entre as pernas dela e baixou o rosto e, sem hesitar, começou a lamber o clitóris com a língua inteira.
Lucía gritou de repente.
—Ai, Nati, porra, não para...!
Diego foi para trás de Natalia, que estava de quatro outra vez com o rosto enterrado no sexo de Lucía, e enfiou a rola nela por trás. Começou a comê-la com estocadas duras, afundando-a até o fundo, e a cada golpe Natalia caía com mais força sobre o sexo de Lucía, comendo-o inteiro, chupando, enfiando a língua dentro.
Marcos, recuperado, aproximou-se do outro lado e segurou a cabeça de Lucía. Virou-a para ele e enfiou a rola na boca dela. Lucía a recebeu com fome, chupando enquanto Natalia continuava a comê-la por baixo.
Os quatro corpos estavam conectados. Diego comia Natalia. Natalia comia o sexo de Lucía. Lucía chupava a rola de Marcos. Marcos olhava para Diego. Cada movimento se transmitia de um para o outro como uma corrente.
Lucía gozou primeiro, com a boca cheia da rola de Marcos e o sexo cheio da língua de Natalia. Veio com um tremor longo que percorreu todo o corpo dela, arqueando as costas e cravando as unhas na bunda de Natalia.
Natalia gozou imediatamente depois, com a rola de Diego dentro e o gosto de Lucía ainda na língua. Os cotovelos cederam e ela caiu de bruços sobre o ventre de Lucía, ofegante, enquanto Diego continuava a socá-la.
Diego aguentou mais alguns segundos e gozou dentro dela, com a rola enterrada até o fundo, agarrando-lhe as ancas com as duas mãos e apertando com tanta força que deixou marcas. Ficou ali um segundo, imóvel, esvaziando-se, antes de puxá-la para fora e cair para o lado.
Marcos, que a tinha tirado da boca de Lucía a meio caminho, gozou pela segunda vez se masturbando sobre os seios dela. O gozo caiu branco e espesso sobre os mamilos e o decote. Lucía passou dois dedos pelo peito, reuniu um pouco e lambeu, olhando-o nos olhos.
Marcos e Diego se conheciam desde a universidade. Tinham dividido apartamentos, viagens, noites que terminaram mal e outras que terminaram bem. Nessa noite dividiram algo diferente, algo que não tem nome claro no vocabulário cotidiano, e os quatro sabiam que isso ia mudar alguma coisa entre eles, mesmo que nenhum quisesse ainda pensar exatamente em quê.
Mas ainda não tinha acabado. Antes de uma hora, estavam outra vez enroscados, com os pares trocados e as bocas onde antes não tinham estado, e recomeçou sem que ninguém precisasse dizer nada.
***
Lucía terminou nos braços de Marcos, exausta, com as costas úmidas apoiadas contra o peito dele e restos de sêmen secando entre os seios. Natalia estava deitada de barriga para cima ao lado de Diego, com as pernas ainda abertas e o sexo vermelho de tanto uso, olhando para o teto com os olhos abertos e uma respiração que aos poucos voltava a algo parecido com a normalidade. O quarto cheirava a verão, suor e sexo. Lá fora, o mar continuava fazendo o mesmo barulho de sempre, indiferente, como se nada de especial tivesse acontecido.
Ninguém falou nada por um bom tempo. Era um silêncio confortável, o tipo de silêncio em que cabem quatro pessoas sem que nenhuma se sinta obrigada a preenchê-lo.
Foi Natalia quem o quebrou.
—O barman tinha razão —disse.
Diego virou a cabeça para ela.
—Em quê?
—Em que algumas coisas funcionam melhor quando não se fala demais.
Lucía soltou uma gargalhada suave, daquelas que saem sozinhas quando a pessoa não tem forças para segurá-las.
—Embora, nesse caso —disse—, foi justamente falar que começou tudo.
Marcos assentiu do outro lado da cama.
—Tem que começar por algum lugar.
Diego olhou para o teto mais um momento antes de fechar os olhos.
—Na próxima vez que formos à praia —disse—, vou agradecer se a cerveja esquentar.
Ninguém respondeu. Não era preciso. Lá fora, as ondas iam e vinham, como sempre, como se aquela tarde na areia tivesse sido uma tarde qualquer de verão e não o começo de algo que os quatro, cada um à sua maneira, iam lembrar por muito tempo.