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Relatos Ardientes

Meu marido me ofereceu ao melhor amigo dele naquela noite

Sou Camila, e, nessa altura da minha vida, aprendi que o desejo verdadeiro raramente avisa antes de aparecer. Esta história já tem muitos anos, mas a conto agora porque marcou o rumo de tudo o que veio depois no meu casamento. Foi meu primeiro trisal. E, sem que nenhum dos três pudesse antecipar, foi também o começo de uma maneira diferente de nos amarmos.

Naquela época, já estávamos casados fazia cinco anos com Mateo. Nos amávamos com aquela calma dos casais que já não precisam se explicar demais. A rotina era boa, o sexo continuava vivo, e nas sextas-feiras à noite eu ainda me arrumava para ele como se fôssemos namorados. Eu trabalhava numa agência de design e ele tinha uma oficina mecânica que dividia com o melhor amigo desde a adolescência: Daniel.

Daniel era daqueles homens que entravam num ambiente e a temperatura mudava sem pedir licença. Alto, com mãos grandes, e um sorriso lento que parecia estar sempre terminando uma piada para si mesmo. Comia em casa pelo menos uma vez por semana. Era família. E, sim, alguma vez eu já tinha fantasiado com ele no chuveiro, com dois dedos entre as pernas imaginando a rola dele, sem culpa, como se fantasia qualquer coisa que se sabe inalcançável.

O que eu não sabia era que Mateo tinha percebido.

Numa noite, depois do jantar, o vi pensativo. Perguntei o que havia acontecido. Ele demorou a responder.

— Quero te propor uma coisa — disse, baixando a voz como se a cozinha pudesse ouvir —. Uma coisa que venho pensando há meses.

— Fala.

— Quero te ver com Daniel.

Deixei a frase cair inteira antes de responder. Lavei um prato, sequei as mãos no pano de prato, sentei à frente dele. Meu coração ia mais rápido que a minha cabeça.

— Me ver como?

— Transando com ele. Eu olhando ele te comer. Ou participando, se você quiser. — Fez uma pausa —. Já falamos disso entre nós, faz tempo. Daniel me disse que você o deixa louco, que faz anos que ele bate punheta pensando na sua bunda. E eu... eu preciso ver. Preciso te ver aberta debaixo dele, meu amor. Não sei explicar melhor.

— Você sabe o que está me pedindo?

— Sei. E se você me disser não, isso nunca mais volta a ser falado. Eu juro.

Segurei o olhar dele. Não vi insegurança. Vi um desejo que provavelmente levou meses para ele organizar em palavras. E, por baixo da minha surpresa, algo em mim também se acomodou. Uma curiosidade antiga levantando a mão. A boceta já estava me molhando debaixo da mesa.

— Preciso pensar.

Pensei por três dias. Três dias olhando para Daniel quando ele vinha à oficina buscar alguma coisa, imaginando as mãos grandes dele apertando meus peitos, a boca sugando meus mamilos, a rola entrando e saindo de mim. Três dias me masturbando escondida com essas imagens, discutindo comigo mesma diante do espelho. No quarto dia, na cama, eu disse que sim.

— Mas num hotel — acrescentei —. Longe da nossa casa, longe da dele. Num lugar de onde depois a gente possa simplesmente não voltar. Se der errado, que não haja paredes para nos lembrar disso.

Mateo me beijou como fazia muito tempo não me beijava. Enfiou a mão por baixo da camisola, conferiu o quanto eu estava encharcada e soltou um gemido contra meu pescoço. Naquela noite ele me comeu duas vezes, imaginando em voz alta como seria me ver com o amigo. Naquela mesma semana, acertou os detalhes com Daniel.

***

O sábado eu vivi como uma noiva. Me depilei inteira, boceta lisa, bunda também, sem deixar um único pelo. Experimentei três conjuntos de lingerie antes de escolher um cor de borgonha que me fazia pensar em uvas esmagadas: sutiã de renda transparente deixando os mamilos à mostra, e uma tanguinha tão pequena que mal cobria os lábios. Coloquei um vestido preto curto, sem meias, e um salto alto que eu reservava para festas.

No espelho do banheiro, me olhei e me reconheci diferente. Não estava com medo. Estava com fome. A calcinha já estava molhada só de pensar no que ia acontecer.

Chegamos ao hotel perto das nove. Era um prédio de três andares com escada de mármore, daqueles que ainda mantêm cinzeiros nos corredores. Daniel já estava nos esperando no quarto. Quando abriu a porta, senti o perfume amadeirado que eu conhecia das visitas dele à nossa casa, mas dessa vez eu o respirei diferente. Eu o respirei sabendo.

— Entrem — disse, como se fosse a sala dele.

Trocou um cumprimento com Mateo com um toque de mão. Em mim, deu um beijo no rosto que demorou um segundo a mais, com os lábios roçando de leve a pele do meu pescoço. Isso me arrepiou inteira por baixo do vestido. Meus mamilos endureceram tanto que marcavam a renda.

Mateo não perdeu tempo. Me pegou pela cintura, me levou até o centro do quarto e me virou para ficar de frente para Daniel.

— Tô trazendo ela pra você, irmão — disse, e a voz dele tremeu um pouco —. Essa noite ela é toda sua. Arrebenta.

Depois se sentou num sofá de couro gasto, cruzou as pernas e me fez um gesto com a cabeça, como quem dizia “pronto, isso é real”. Eu não tive coragem de responder. Daniel me poupou o trabalho.

— Camila — murmurou, passando o dorso dos dedos pela minha bochecha, pelo meu pescoço, até descerem ao vão entre os seios —. Tantos anos esperando isso.

E me beijou.

***

O primeiro beijo foi suave, quase pedindo permissão. O segundo não. Enfiou a língua até o fundo da minha boca, mordendo, chupando, enquanto as mãos desciam pelas minhas costas, agarravam minha bunda com as duas mãos e me puxavam contra ele. Senti, por baixo da calça, o volume duro que eu desejava havia anos. Esfreguei a pélvis nele sem querer e querendo, e ele soltou um rosnado rouco contra a minha boca.

Ele desabotoou meu vestido com uma mão enquanto a outra segurava minha nuca. O tecido caiu no chão com um sussurro. Fiquei de lingerie, descalça depois de sair dos saltos, e ele me olhou um segundo inteiro antes de falar.

— Você é mais bonita de perto. E mais puta do que o Mateo me contou.

Tremeu tudo em mim. Não soube o que responder. Ele me levou até a cama andando para trás, sem parar de me beijar, e no caminho arrancou a própria camisa de um só puxão. Depois abriu o cinto, baixou a calça e a cueca num único movimento. Quando vi a rola dele, soltei um suspiro. Era grossa, longa, dura como um bastão, com as veias marcadas e a cabeça já brilhando de líquido pré-gozo. Maior que a do Mateo, e ele sabia disso. Olhei nos olhos dele.

— Toca — me disse.

Estendi a mão e segurei. Pesava. Senti pulsar na minha palma. Comecei a movimentá-la devagar, para cima e para baixo, e com o polegar espalhei o líquido da ponta por todo o glande. Daniel jogou a cabeça para trás e gemeu.

— Chupa pra mim — pediu —. Por favor, Camila.

Ajoelhei na frente dele sem hesitar. Segurei a rola com as duas mãos e lambi primeiro a ponta, girando a língua como se fosse um sorvete. Depois meti na boca o máximo que consegui, até sentir a cabeça empurrando contra minha garganta. Tirei com um fio de saliva, coloquei de novo, comecei a mamá-lo num ritmo constante, apertando os lábios, afundando as bochechas. Ele me segurou pelo cabelo e começou a mover minha cabeça no ritmo que queria.

— Assim, puta. Chupa tudo. Deixa teu marido ver.

Olhei de lado para o sofá. Mateo tinha aberto a calça e estava batendo punheta me olhando, com a boca entreaberta. Vê-lo assim incendiou minha boceta. Tirei a rola da boca, lambi os ovos um por um, meti-os na boca, e voltei para a rola com mais vontade. A saliva escorria do meu queixo até os peitos.

— Chega, chega — ofegou Daniel — ou eu gozo na sua cara agora mesmo.

Ele me ergueu pelos braços e me jogou de barriga para cima na cama. Subiu em cima. Tirou meu sutiã com aquela lentidão de quem não quer apressar o que vem esperando há muito tempo. Lambuzou um mamilo, depois o outro, mordendo de leve, puxando com os dentes até eu soltar gemidos agudos. Desceu pela barriga, beijou meu umbigo, arrancou minha tanguinha com os dois dedos, rasgando o elástico de um lado. Abriu minhas pernas com as mãos grandes.

— Olha como você está, meu amor — disse para Mateo sem tirar os olhos da minha boceta —. Tá escorrendo.

— Come ela toda — respondeu Mateo, com a voz quebrada —. Faz ela gozar na tua boca.

Daniel baixou a cabeça e me deu uma lambida longa, da bunda até o clitóris, lenta, profunda, sugando tudo o que encontrou. Me arqueei, apertei o lençol com os dois punhos, e um grito me escapou. Ele voltou a lamber, dessa vez concentrado no clitóris, chupando com os lábios como se fosse uma bala enquanto enfiava dois dedos na minha boceta e os curvava para cima. Foi uma descarga. Me sacudi inteira.

— Não para, não para, não para — pedi —. Ai, Daniel, assim, assim.

Do sofá, ouvi a respiração de Mateo mudar de ritmo.

— Me olha — pediu meu marido.

Olhei. Ele tinha tirado a calça. A rola estava para fora, dura, segurada pela mão. Batia punheta devagar, sem tirar os olhos de mim. Não tive coragem de sustentar o olhar dele por muito tempo: justamente então Daniel enfiou um terceiro dedo e fez um movimento com a língua que me arrancou um gemido agudo, e fechei os olhos sem querer.

— Não se contenha, meu amor. Goza na boca dele. Quero te ver gozando na boca do meu melhor amigo.

Eu gostei. E como gostei. Senti o orgasmo subir dos pés, apertar o meu ventre, subir pelos seios, e explodi no rosto de Daniel, molhando o queixo e o pescoço dele. Minhas pernas tremiam. Ele continuou me lambendo, mais suave, até eu ter de empurrar a testa dele porque não aguentava mais.

Ele se levantou com o rosto brilhando. Passou o dorso da mão pela boca e sorriu.

— Agora eu vou te comer, Camila. Se prepara.

Quando Daniel subiu em cima de mim, eu já tinha implorado duas vezes. Ele se acomodou entre minhas pernas, segurou a rola com a mão e passou ela pelos lábios da minha boceta, para cima e para baixo, esfregando no clitóris sem enfiar.

— Pede — me disse.

— Mete.

— Como?

— Mete essa rola em mim, Daniel, por favor. Me come.

Ele entrou aos poucos, apoiado nos braços, olhando meu rosto como se quisesse gravar cada expressão. A primeira investida foi lenta, me deixando sentir como me abria centímetro por centímetro. A segunda também. Na terceira eu já não aguentava mais.

— Tudo — pedi —. Por favor, tudo. Dentro.

Empurrou até o fundo e me arrancou um grito. Senti o corpo se partir de um jeito bom, me preenchendo de um lado ao outro, tocando lugares que Mateo não alcançava. Começou a se mover rápido, fundo, sem trégua, me tirando quase toda e voltando a me afundar de uma vez só. A cama rangia. Os ovos dele batiam na minha bunda a cada investida, com um som molhado que enchia o quarto.

— Olha como ela engole, Mateo — ofegava —. Olha como tua mulher chupa minha rola com a boceta.

— Arrebenta — respondia Mateo, respirando alto do outro lado do quarto —. Arrebenta tudo.

Eu não pensava em nada. Só no peso, no ritmo, no calor descendo da nuca aos calcanhares. Cravava as unhas nas costas dele. Mordia o ombro. Me escapavam insultos que eu nem sabia que tinha dentro.

— Vira — disse Daniel, ofegante —. Quero te ver de costas. Quero ver essa bunda.

Fiquei de quatro, com os peitos pendendo e a bunda empinada. Fiquei olhando na direção do meu marido. Daniel deu duas palmadas nas minhas nádegas, forte, até deixar a pele vermelha, e depois abriu minhas coxas com as duas mãos.

— Que boceta linda você tem, puta.

Mateo tinha se levantado do sofá. Caminhou até a cama nu, a rola dura apontando para o meu rosto, se ajoelhou na beira, segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou como se eu estivesse prestes a fugir.

— Eu te amo — me disse baixinho —. Eu te amo, olha pra mim.

Daniel voltou a entrar de uma vez e me arrancou um grito. Mateo enfiou a rola na minha boca aproveitando que eu estava aberta e começou a se mover devagar. Eu o chupei com lágrimas escorrendo de prazer, enquanto o amigo me comia por trás cada vez mais forte. Os dois ofegavam ao mesmo tempo. Eu estava tomada dos dois lados, preenchida dos dois lados, e me senti mais viva do que em toda a minha vida.

Não sei em que momento comecei a chorar de prazer. Mateo tirou a rola da minha boca e limpou uma lágrima com o polegar. Passou a própria rola pelos meus lábios, molhada de saliva.

— Você está linda assim — sussurrou.

***

Daniel me segurou pelas ancas com as duas mãos e acelerou. Soltava rosnados cada vez mais agudos. Senti que ele ficava ainda mais duro dentro de mim e soube o que vinha.

— Goza dentro — pedi sem pensar —. Goza dentro, Daniel, me enche.

Ele gozou dentro de mim com um gemido rouco que pareceu vir dos pés. Senti os jatos quentes atingirem meu fundo, um, dois, três, quatro, enquanto ele continuava empurrando devagar para se esvaziar por completo. Ficou assim, enterrado, por alguns segundos longos, respirando contra minhas costas. Depois se retirou devagar, e senti um fio morno descer pela parte interna da coxa. Ele se afastou na cama e se jogou de barriga para cima, brilhando de suor, com a rola ainda semi-ereta e pingando.

Eu nem consegui recuperar o fôlego. Mateo se posicionou atrás de mim sem perguntar. Estava duríssimo, segurando havia um bom tempo. Agarrou minhas ancas e entrou fácil, lubrificado pelo que o amigo tinha deixado dentro de mim. Soltou uma palavra que eu nunca tinha ouvido ele dizer na cama.

— Puta — rosnou —. Minha puta linda. Olha o que ele fez com você, olha como ele te deixou.

Ele repetiu isso a cada investida, me comendo por cima da porra do melhor amigo, se misturando dentro de mim. Gritei contra o travesseiro. A cabeça rodava. Não conseguia acreditar no que estava vivendo. Mateo me comeu com tudo, mais rápido do que nunca, segurando meu cabelo, puxando-o para trás para eu arquear as costas.

— Tô gozando, tô gozando — ofegou, e se enterrou até o fundo.

Senti a segunda gozada da noite me encher por dentro, dessa vez a do meu marido, somando-se à de Daniel. Eu, exausta, ainda tremia quando me deixei cair de lado entre os dois. Com a mão, toquei a boceta e senti tudo escorrendo para fora, morno, grosso. Levei os dedos à boca sem pensar. Os dois ficaram me olhando.

— Meu Deus — sussurrou Daniel —. Essa mulher vai acabar com a gente.

Nessa noite, fizemos mais duas vezes. A segunda foi mais lenta, mais curiosa: me colocaram entre os dois, de lado, um na frente e outro atrás, e me tocaram com quatro mãos até me fazer gozar antes de me enfiar. Descobri que gostava de ter uma rola na boca enquanto a outra me entrava por baixo. Descobri que gostava de ser vista chupando. A terceira já estávamos rindo entre beijos, brincando, testando posições novas. Quando adormeci, os dois me seguravam em alguma coisa: Mateo pela cintura, Daniel pelo tornozelo, como se tivessem medo de que o sono me levasse para outro lugar.

***

Depois do hotel, não falamos sobre o assunto durante semanas. Cada um processava do seu jeito. Daniel continuou indo à nossa casa aos domingos para almoçar. Eu o tratava normalmente. Ele também. E, no entanto, havia uma corrente nova no ar, como quando o temporal é anunciado e as primeiras gotas ainda não caíram.

Na quinta semana, a menstruação não desceu. Na sétima, também não. Fiz um teste caseiro numa terça-feira de manhã, sozinha no banheiro, e as duas listras tremeram na minha mão.

Eu estava grávida.

Quando refiz a conta para trás, sentei no vaso e tapei a boca. A data da concepção coincidiu exatamente com a noite do hotel. E naquela noite tínhamos sido os três. E os dois tinham gozado dentro de mim.

Contei para Mateo quando ele voltou da oficina. Abracei-o chorando antes que ele entendesse o que acontecia.

— Estou grávida. E não sei de quem.

Mateo não hesitou nem por um segundo. Ele segurou meu rosto e me disse o que ainda hoje lembro palavra por palavra.

— Olha pra mim, Camila. Esse filho é nosso. Seja qual for o sangue, é nosso. Me ouviu? Nosso.

Depois me preparou um chá e me fez deitar.

***

Contamos a Daniel quando minha barriga começou a aparecer. Ele veio almoçar num domingo, notou ao me cumprimentar e ficou imóvel diante da porta. Fez a conta sozinho. Sua voz tremeu.

— Pode ser meu?

— Pode — respondeu Mateo, sem desviar dele.

Daniel se sentou no sofá e levou as mãos à cabeça. Demorou um bom tempo para falar.

— Não quero ser um problema para vocês. A única coisa que peço é estar por perto. Acompanhar. O que vocês me deixarem. Se depois não quiserem mais saber de mim, eu entendo.

Troquei um olhar com Mateo. Não foi preciso falar. Naquela mesma noite, Daniel ficou para dormir em casa pela primeira vez. No quarto de hóspedes, claro. Por alguns meses.

Depois, as coisas se acomodaram de outro jeito. Minhas hormonas eram um vulcão e havia noites em que eu precisava dos dois, com a barriga já evidente, transando de lado para não esmagá-la, com um chupando meus peitos inchados enquanto o outro me enfiava a rola devagar. Em outros dias, só Mateo. Em outros, só Daniel, com Mateo me abraçando por trás, beijando meu pescoço, olhando meus olhos enquanto o amigo me comia com um cuidado que eu não sabia que um homem como ele tinha. Aprendemos a nos mover entre os três sem nos machucar. Não foi nem fácil nem óbvio: houve conversas longas, houve lágrimas, houve uma vez em que Daniel ficou fora por uma semana porque não aguentava a culpa. Mas voltou. Sempre voltava.

Quando Tomás nasceu, os dois estavam na sala de espera. Os dois entraram no quarto quando me deram alta. Os dois choraram quando o pegaram no colo pela primeira vez. O menino, por sorte, não parecia com nenhum dos dois: tinha meus olhos e o nariz da minha mãe.

Uma tarde, meses depois, perguntei se queriam um exame de DNA.

— Eu não — disse Daniel, rápido —. Prefiro não saber. Se me disserem que não é meu, eu morro. E, se me disserem que é, também muda alguma coisa que eu não quero que mude.

— Concordo — disse Mateo —. Deixa assim. Ele é dos três.

E assim ficou.

***

Muitos anos se passaram. Daniel acabou se mudando para um apartamento próprio quando Tomás fez sete anos. Dizia que nosso filho precisava aprender que as famílias também têm formas estranhas, não só entender que a dele tinha uma. Mas continuava vindo almoçar aos domingos. Continua até hoje.

Às vezes, quando os vejo os dois discutindo futebol na mesa, Mateo me dando a mão por baixo da toalha e Daniel servindo vinho para meu filho já crescido, penso naquela noite do hotel. Em como uma única conversa, feita da coragem do meu marido e da minha própria honestidade para dizer sim, acabou mudando tudo.

Aquele foi meu primeiro trisal.

Não foi só isso.

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