O jantar que terminou em uma troca de casais
Marina e Diego estavam casados havia quase dez anos e, de modo geral, as coisas tinham corrido bem para eles. Já não se desejavam com a urgência dos primeiros tempos, isso era inevitável, mas haviam aprendido a não deixar a chama se apagar. O segredo, diziam entre si, era a sinceridade: falar sem vergonha sobre o que gostavam, o que os excitava e o que tinham curiosidade de experimentar.
Mesmo assim, nunca tinham cruzado a linha. A cama deles continuava sendo assunto de dois. E, no entanto, havia uma fantasia que Diego repetia mais do que qualquer outra, quase sempre em voz baixa, quase sempre com a boca colada ao pescoço dela: ver Marina fazendo amor com outra mulher.
—Não sei por que isso te deixa tão excitado — dizia ela, meio brincando.
—Também não sei. Mas me deixa.
Marina tinha uma amiga do peito, Carla, com quem falava de absolutamente tudo. Numa tarde, entre duas taças de vinho, confessou a fantasia de Diego e o quanto ela resistia a realizá-la. Carla custava a entender aquilo.
—Você não sabe o que está perdendo — disse, dando de ombros—. O corpo de uma mulher é outra coisa. Eu gosto de homens, você sabe, mas estar com uma mulher é algo que não se parece com nada.
Carla falava com a naturalidade de quem já tinha vivido aquilo. Era muito mais aberta do que Marina nesses assuntos, e o casamento dela também era. Ela e o marido, Esteban, sempre tinham ido um passo à frente: não só conversavam sem tabus sobre sexo, como também o praticavam sem regras. Menagens, trocas, jogos de poder. Tinham experimentado quase tudo.
—O problema é que você pensa demais — continuou Carla, enchendo a taça dela de novo—. Você complica mil vezes algo que é simples. Se você tem vontade, tem vontade. Pronto.
Marina riu, mas a ideia ficou dentro dela como uma semente. Naquela noite, no carro de volta para casa, não disse nada. Diego também não perguntou. Os dois sabiam que algo tinha mudado de lugar, embora nenhum dos dois ainda ousasse nomear aquilo.
Com os anos, a amizade entre Marina e Carla se estendeu aos maridos. Os dois casais se juntavam com frequência: jantares, drinks, longas conversas à mesa que iam se arrastando até a madrugada. E foi numa dessas noites que Carla teve uma ideia que mudaria as regras para todos.
***
Ela propôs a Diego em particular, enquanto Marina e Esteban discutiam um filme no sofá.
—Deixa comigo —disse Carla, baixando a voz—. Eu cuido da Marina. Você só precisa olhar.
Diego sentiu a boca secar. A proposta tinha algo de armadilha elegante: Carla realizaria o próprio desejo, o de transar com a amiga por quem sempre sentira uma atração silenciosa, e de quebra serviria a Diego a fantasia dele de bandeja. Contaram a Esteban naquela mesma noite. Decidiram que o próximo jantar, na casa de Carla, seria o momento.
Dois sábados depois, a mesa estava posta e a armadilha, armada.
O jantar transcorreu com uma normalidade enganosa. O clima estava quente, a comida estava boa e a conversa fluía. A única coisa que fugia do roteiro era a taça de Marina, que nunca chegava a esvaziar: Carla a enchia de novo com um sorriso atento toda vez que ela baixava pela borda.
Quando tiraram os pratos, Carla puxou o assunto como quem não quer nada. Falou dos casais que ela e Esteban tinham conhecido ao longo dos anos, das noites em que o desejo se reparte entre quatro, de como o sexo é diferente quando se deixa de ter medo. Marina escutava com os olhos um pouco brilhantes e olhava de soslaio para Diego, sabendo perfeitamente que aquilo era exatamente o que ele sonhava.
—Eu acho —disse Carla, girando a taça entre os dedos— que o corpo de uma mulher é a coisa mais bonita que existe. Você não concorda, Marina?
—Nunca experimentei —respondeu ela, rindo com timidez.
—Sério? —Carla arqueou as sobrancelhas—. Em que mundo você vive? Está perdendo algo único.
Esteban, sem dizer palavra, serviu uma última rodada, desta vez de licor. Marina bebeu quase de um gole só, mais por nervosismo do que por sede. O calor do álcool lhe subiu às faces.
***
Carla se levantou e começou a contornar a mesa devagar, sem parar de olhar para Marina. Ela sorria, ainda alheia ao que estava sendo preparado. Quando a amiga chegou atrás da sua cadeira, parou e pousou as mãos sobre seus ombros.
—Você podia ter a mulher que quisesse —murmurou perto do ouvido dela—. Você é linda. Sabe a inveja que eu tenho dos seus peitos?
E deixou as mãos deslizarem dos ombros até o peito, massageando-o por cima da blusa com uma lentidão calculada. Marina arregalou os olhos e procurou o olhar de Diego. Ele, do outro lado da mesa, apenas assentiu com a cabeça. Um único sinal: vai.
Quando Marina se virou para a amiga para dizer alguma coisa, Carla aproveitou o gesto e a beijou na boca. Marina ficou rígida por um instante, sem reagir, sentindo a língua alheia abrir caminho com suavidade. As mãos de Carla continuavam brincando com seus seios e, pouco a pouco, o corpo de Marina deixou de resistir. O amasso, ela descobriu com surpresa, estava gostando.
Ao notar que já não havia recusa, Carla aumentou a intensidade. Aprofundou o beijo enquanto desabotoava a blusa botão por botão. Marina não usava sutiã; assim que o tecido se abriu, as mãos de Carla se fecharam diretamente sobre sua pele, beliscando, acariciando, medindo o efeito na respiração entrecortada da amiga.
Ela não deu trégua. Uma das mãos desceu pelo ventre, encontrou o fecho da saia e entrou por dentro até pousar sobre o tecido da calcinha, já quente e úmido. Marina arfou de olhos fechados, concentrada apenas no que aqueles dedos lhe faziam, esquecida por completo de quem a observava.
E eram dois os observadores. Diego e Esteban contemplavam a cena em silêncio, sem se mexer, presos pela imagem de Marina se derretendo centímetro a centímetro na cadeira.
***
Carla a ajudou a se levantar e a deitou de costas sobre a mesa. Marina se deixou levar, dócil, entregue. Carla tirou sua calcinha e abriu suas pernas sem pressa, deixando-a exposta sob a luz quente da sala de jantar. Marina tremia, em partes iguais de nervos e de tesão.
Carla começou pelas coxas. Beijou por fora e foi descendo em direção à parte interna, onde sua língua deixava um rastro de arrepios a cada centímetro. Quando finalmente chegou ao centro, Marina arqueou as costas. A língua da amiga se movia em círculos lentos, percorria os lábios, detinha-se no clitóris, entrava e saía com uma paciência que a enlouquecia.
Marina se desfazia em ondas que soltava em forma de gemidos cada vez mais altos. Jogou os braços acima da cabeça e movia o rosto de um lado para o outro, sem controle. Carla não afrouxava; ia implacável, decidida a levá-la até o fim. Quando sentiu que a amiga estava à beira, Marina levou as mãos à frente e agarrou a cabeça dela, apertando-a contra si, implorando em silêncio para que não parasse. O orgasmo a sacudiu inteira, o mais intenso de que se lembrava em anos.
Carla se ergueu com um sorriso de triunfo. No rosto de Diego se misturavam a excitação e uma satisfação quase orgulhosa: finalmente ele via, em carne e osso, aquilo que durante anos só imaginara.
***
Mas a noite estava só mudando de dono. Os dois homens tinham passado tempo demais olhando sem tocar, e a tensão pedia saída.
Esteban se aproximou primeiro. Pegou Marina, ainda trêmula sobre a mesa, e a conduziu até o sofá da sala, onde a colocou de joelhos, inclinada sobre o encosto. Penetrou-a por trás com um empurrão firme, soltando de uma vez toda a tensão que havia acumulado olhando.
Carla, enquanto isso, se ajoelhou diante de Diego. Abriu sua calça sem perguntar e o levou à boca, erguendo os olhos para fitá-lo enquanto fazia isso. Diego segurou sua cabeça e marcou o ritmo, mas com a cabeça fria o suficiente para parar antes do tempo. Ergueu-a, a inclinou contra a borda da mesa e a penetrou até o fundo numa única investida.
As duas amigas agora aproveitavam o tesão de estar com o marido da outra. Para Marina era um terreno novo, vertiginoso; para Carla, um desejo há muito acalentado que finalmente se cumpria. Os gemidos das duas se cruzavam pela sala, misturados à respiração ofegante dos homens.
Em algum momento os olhares se buscaram. Marina, inclinada sobre o encosto do sofá, abriu os olhos e encontrou Carla curvada sobre a mesa, a poucos metros de distância. As duas sustentaram o olhar por um instante, sem parar de se mover, e algo naquela cumplicidade muda as incendiou ainda mais. Já não havia vergonha, nem vinho para culpar, nem desculpa para inventar. Só o desejo, finalmente solto.
Marina gozou pela segunda vez quando Esteban, depois de acelerar ao máximo as estocadas, se esvaziou dentro dela com um golpe seco e um rosnado contido. Carla demorou um pouco mais, mas também acabou explodindo, empurrada pela excitação de sentir Diego cravado contra a mesa.
Quando tudo terminou, os quatro ficaram um tempo em silêncio, recuperando o fôlego, espalhados entre o sofá e o tapete. Ninguém sabia muito bem o que dizer, e também não era preciso.
Nessa noite, Marina e Diego deram enfim o passo que faltava. O que durante anos só existira em suas conversas de cama, em sussurros e promessas que nunca se cumpriam, tinha deixado de ser fantasia. E os dois sabiam, sem precisar dizer um ao outro, que não seria a última vez.