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Relatos Ardientes

O que não devia acontecer naquela casa de praia

O sol caía a pino sobre a areia quando Mateo se ergueu de repente na toalha e sacudiu as mãos.

—Vou buscar outra cerveja —disse, erguendo a lata quase vazia—. Esta já esquentou.

Diego o olhou de baixo, com um braço cruzado sobre os olhos para se proteger da luz.

—Outra já?

—Faz duas horas que estamos aqui, gênio.

Diego hesitou só um segundo antes de se levantar também. Sacudiu as costas e procurou a camiseta enroscada na borda da sombrinha.

—Vou com você.

Os dois olharam para a água ao mesmo tempo. Laura e Sofía continuavam mar adentro, agora um pouco mais longe, deixando-se embalar pelas ondas enquanto conversavam entre si com aquela cumplicidade antiga que não precisava de testemunhas. À distância só se distinguiam suas cabeças e, de vez em quando, um braço que se erguia para afastar o cabelo molhado do rosto.

—Não vamos demorar —murmurou Diego, mais para si mesmo do que para o amigo.

Mateo já estava de pé.

—Duvido que sintam nossa falta.

Andaram sobre a areia em direção ao quiosque, com aquele passo tranquilo de quem não tem pressa, mas tem uma intenção clara. A placa era simples: «Quiosque El Farol». Uma construção de madeira aberta para o mar, com mesas altas e um balcão onde se acumulavam garrafinhas recém-tiradas do gelo. Ao fundo, um ventilador industrial tentava disfarçar o calor.

—Duas cervejas bem geladas —pediu Mateo assim que se escorou no balcão.

O atendente, um homem de uns sessenta anos, moreno, de camiseta escura e expressão atenta, assentiu.

—Já vai.

Chamava-se Ernesto, segundo a plaquinha presa no peito, e tinha aquele ar de quem passou verões demais vendo como as pessoas se comportam quando acham que ninguém as observa.

Deixou as garrafinhas diante deles, com dois copos baixos ao lado.

—Aqui estão.

Mateo deu um gole longo, quase imediato.

—Agora sim.

Diego bebeu mais devagar, apoiando os cotovelos no balcão enquanto lançava olhares de soslaio para a praia. Dali ainda podiam vê-las. Pequenas figuras entre o movimento da água.

—Não são nada mal, né? —disse Mateo de repente.

Diego não precisou perguntar.

—Nunca foram.

Mateo sorriu com a garrafa pela metade.

—Mas hoje…

Deixou a frase no ar.

—Hoje é diferente —completou Diego sem olhá-lo.

—O contexto.

Diego soltou uma risada seca.

—Lá vem você com isso de novo.

—É verdade —insistiu Mateo—. Aqui tudo se vê de outro jeito.

—Ou se permite ver de outro jeito.

Mateo o encarou com interesse.

—Exato.

Houve uma pausa breve. Lá fora, o vento levantou um pouco de areia contra as tábuas do piso.

—Você reparou como Laura estava hoje de manhã? —perguntou Mateo.

Diego demorou um instante para responder.

—Sim.

—Aquele biquíni não foi por acaso.

Diego estreitou os olhos, como se reconstruísse a imagem.

—Não.

—Sua mulher sabe perfeitamente o que faz.

Diego não negou.

—Sempre soube.

Mateo soltou uma pequena risada, quase cúmplice.

—E Sofía…

Diego virou levemente a cabeça para ele.

—O que tem a Sofía?

Mateo deu de ombros.

—Que parece que não, mas também. Esse corpo, Diego. Desculpa te dizer.

Diego franziu levemente a testa, embora lhe custasse disfarçar o meio sorriso.

—Porra, como você é direto.

—Somos amigos desde os catorze. O que você quer, que eu minta?

O silêncio se instalou por um segundo. Diego deu outro gole, mais longo desta vez. Mateo se inclinou um pouco na direção dele, baixando a voz, embora sem muita intenção de se esconder.

—Você acha que Laura não percebe como você mesmo olha para ela?

Diego sustentou o olhar dele.

—Laura sempre percebe tudo. É inteligente demais para não perceber.

Atrás do balcão, Ernesto fingia organizar os copos, mas não conseguia evitar ouvir trechos da conversa. Ergueu uma sobrancelha sem intervir, como quem já viu esse mesmo roteiro vezes demais.

—Vou te dizer uma coisa —continuou Mateo, já com aquele tom mais solto que vem com a segunda cerveja—. Me parece que estamos sendo educados demais.

Diego largou a garrafa no balcão.

—Educados?

—Sim. Só olhares, só silêncios, só contenção. —Fez um gesto vago com a mão—. A vida inteira assim.

Diego esboçou um meio sorriso.

—Nem todo mundo funciona como você.

—Não, claro. —Mateo se inclinou um pouco mais—. Mas me diz que você nunca imaginou…

Parou, procurando as palavras.

—O quê? —perguntou Diego.

—Como seria tudo isso… sem tanto filtro.

Diego não respondeu de imediato. Olhou para o mar outra vez. As ondas, a distância, as duas figuras se movendo na água. Sofía tinha acabado de subir nos ombros de Laura e as duas riam alto.

Claro que imaginei. Mais vezes do que deveria.

—Imaginava —disse afinal.

Mateo assentiu, satisfeito.

—Claro que sim.

Ernesto pigarreou do outro lado do balcão.

—Outra rodada?

Mateo ergueu a garrafa vazia.

—Sim, manda.

Diego assentiu. Ernesto serviu as cervejas sem comentar mais nada, embora sua expressão dissesse o suficiente.

—Tem coisas —murmurou enquanto deixava as garrafinhas— que é melhor não pensar demais.

Mateo o olhou, divertido.

—É mesmo?

Ernesto deu de ombros.

—Ou, pelo menos, não dizer em voz alta.

Diego soltou uma risada breve. Mateo, por sua vez, ergueu a cerveja.

—A gente é do tipo que fala.

Ernesto negou com a cabeça, meio sorrindo.

—Já vi.

Afastou-se alguns passos, deixando-os sozinhos outra vez.

—Gosto desse lugar —disse Mateo.

Diego também bebeu.

—Sim. Mas não podemos demorar muito.

—Não.

Os olhares voltaram a se cruzar.

—Além disso —acrescentou Mateo, recostando-se—, o interessante não está aqui.

***

Quando chegaram à casa, o céu já tinha se tornado aquele tom de cobre que só se vê em agosto, quando o sol demora uma eternidade para se pôr. Tinham alugado um chalé a duas quadras da praia, com terraço e uma piscina pequena. As chaves estavam com Laura.

—Banho, já —anunciou Sofía assim que cruzou a porta, largando a cesta no chão.

—Primeiro eu —riu Laura.

—Primeiro as duas —respondeu ela, também rindo—. O de baixo tem boxe grande.

Diego e Mateo se olharam por um segundo. Um segundo longo.

—A gente… abre uma garrafa —disse Diego.

Laura passou por ele e, ao fazê-lo, roçou o braço dele com dois dedos. Um gesto mínimo, quase inocente. Quase.

—Daqui a pouco descemos.

Quando desapareceram pelo corredor, Mateo foi direto para a cozinha, abriu a geladeira e tirou uma garrafa de vinho branco sem perguntar. Diego apoiou as mãos na bancada, respirando devagar.

—Você está bem? —perguntou Mateo sem olhá-lo.

—Não sei.

—Muito sincero.

Diego ergueu a cabeça.

—É que… o quiosque.

Mateo largou a garrafa sobre a mesa.

—O quiosque era real.

—Sei.

—E você também imaginou. Não vem inventar agora que não.

Diego não respondeu. Do andar de cima ouviu-se a água do chuveiro e, um segundo depois, uma risada abafada de Sofía. Uma risada e outra, sobrepostas.

Mateo serviu duas taças.

—Se subirem sozinhas, não aconteceu nada. Se descerem as duas juntas… a gente decide.

—Decide o quê?

—Até onde vamos.

Diego pegou sua taça. A mão tremia levemente, e ele se irritou consigo mesmo por isso.

—E elas?

Mateo o olhou com aquele ar de quem já pensava nisso havia anos e só esperava o momento.

—Elas o dia inteiro estão nos dizendo isso, Diego. Os olhares, as posturas, o biquíni da Laura, o pareô da Sofía. Isso não começa agora.

Diego bebeu.

—Então que decidam elas.

—Então que decidam elas —repetiu Mateo.

A água parou lá em cima. Houve um silêncio daqueles que parecem durar minutos e, por fim, passos descalços na escada. Não um par de passos. Dois pares.

Laura apareceu primeiro, com uma toalha branca presa ao peito e o cabelo molhado caindo sobre um ombro. Sofía atrás, com uma camiseta de Mateo que lhe cobria até metade da coxa e que, saltava aos olhos, não tinha nada por baixo.

As duas ficaram no umbral.

—Vocês abriram vinho? —perguntou Laura, como se acabasse de entrar em qualquer sala em qualquer fim de tarde.

—Acabamos de abrir —respondeu Mateo.

Diego não conseguiu dizer nada.

Sofía se aproximou da mesa, pegou a taça que Mateo lhe ofereceu e, sem deixar de olhar para Diego, bebeu o primeiro gole devagar. Muito devagar.

—Do que vocês estavam falando no quiosque? —perguntou, limpando uma gota do lábio com o polegar.

Mateo ergueu uma sobrancelha.

—Por que pergunta?

Laura cruzou os braços sob o peito. A toalha subiu um pouco.

—Porque Ernesto nos cumprimentou quando passamos e riu. Só riu.

Diego sentiu o pescoço arder.

—Não estávamos falando de nada.

—Diego —disse Laura, sem levantar a voz—. Estamos juntos há quinze anos.

—E eu com você há dez —acrescentou Sofía, virando-se para Mateo—. Então economizem.

Mateo foi o primeiro a rir. Uma risada curta, quase de alívio.

—Vocês querem a versão longa ou a curta?

—A honesta —respondeu Laura.

Mateo apoiou a taça na mesa.

—Estávamos falando de vocês. De como vocês se movem juntas. De que hoje parecia que estavam brincando com a gente dentro da água.

Sofía sorriu.

—Estávamos brincando.

Laura virou o rosto para Diego.

—E você, o que dizia?

—Eu ouvia mais do que falava.

—Você sempre ouve mais do que fala.

—Dessa vez eu também falei.

Laura deu um passo em direção a ele. A toalha roçou a borda da bancada.

—O que você disse?

—Que eu tinha imaginado.

Um silêncio diferente. Mais carregado. Sofía deixou a taça sobre a mesa e se sentou numa cadeira com uma perna sobre a outra.

—E como vocês imaginaram? —perguntou, sem olhar para ninguém em particular.

Mateo puxou o ar.

—Assim, mais ou menos. As duas descendo juntas. A gente sem saber o que dizer.

—E o que vocês querem que a gente faça? —perguntou Laura.

—O que vocês quiserem —respondeu ele.

Ela deixou passar um segundo.

—Eu quero ficar.

—Eu também —disse Sofía.

Elas se olharam. Um olhar rápido, cúmplice, quase divertido. Diego compreendeu de repente que elas já haviam falado sobre aquilo no chuveiro. Que estavam há horas, talvez dias, esperando esse momento. Que ele e Mateo tinham sido os últimos a descobrir algo que já estava sendo decidido sem eles.

Laura desfez o nó da toalha com um gesto calmo, como quem tira um casaco dentro da própria casa, e a toalha caiu no chão sem fazer barulho.

—Então vamos decidir quem fica com quem —disse—. Ou se nem precisa decidir nada.

Mateo largou a taça. Diego também. Sofía se levantou da cadeira ainda com a camiseta e, ao passar junto do marido, beijou a lateral da boca dele antes de se aproximar de Diego.

—Hoje não, Mateo —murmurou contra o ouvido dele—. Hoje a gente cruza.

Laura atravessou a cozinha até Mateo com a segurança de quem caminha sobre a própria pele.

—Você não se importa, né? —perguntou, mais afirmação do que pergunta.

Mateo demorou um segundo para responder. Só um segundo.

—Não.

Diego sentiu a mão de Sofía na nuca antes de ver o rosto dela. O primeiro beijo foi devagar, quase de teste, como quem verifica se o chão aguenta o peso. Durou apenas alguns segundos e, quando se separaram, os dois se olharam como se tivessem acabado de reconhecer algo que evitavam havia anos.

—Lá em cima —disse Sofía—. No quarto de hóspedes. Não no nosso.

Diego assentiu. Atrás, Laura já tinha a mão no peito de Mateo e o empurrava de leve contra a bancada onde, uma hora antes, Diego apoiara as mãos para se acalmar.

Subiram as escadas. Sofía à frente, ele atrás. No meio do caminho, ela se virou e o olhou de um degrau acima, sem pressa.

—Se algo não te agradar, a gente para.

—Eu digo o mesmo.

—Mas não conta pra ninguém.

—Nunca.

—Nem para Mateo nem para Laura depois. O que acontecer aqui, fica aqui.

—Eu juro.

Ela o puxou para cima segurando-o pelo pulso, com uma força que o surpreendeu. No corredor, vindo da cozinha, já se ouvia a voz baixa de Laura rindo entre os dentes e a respiração de Mateo respondendo sem palavras.

Diego fechou a porta do quarto de hóspedes atrás deles e, pela primeira vez em vinte anos de amizade com Mateo e quinze de casamento com Laura, entendeu que o contexto, como seu amigo dissera poucas horas antes no balcão do quiosque, muda tudo.

A praia, o calor, as duas cervejas a mais, Ernesto fingindo não ouvir, as risadas vindas da água. Tudo levava, embora nenhum dos dois tivesse dito em voz alta, a esse momento exato em um quarto de casa alugada.

Sofía tirou a camiseta pela cabeça sem tirar os olhos dele. Por baixo, só tinha a pele ainda úmida do banho e uma corrente fina com uma medalhinha que ele nunca tinha visto de perto.

—Vem cá.

E Diego foi.

A porta ficou entreaberta e o ar da casa, quente e denso, misturou-se ao cheiro leve de sal que ainda traziam no corpo. Sofía se aproximou primeiro, sem pressa, parando diante dele com aquele sorriso breve, enviesado, de mulher que sabe exatamente o que está fazendo e não pensa em pedir permissão para respirar. Diego contornou a cintura dela com as mãos, sentindo a pele morna e a leve umidade que ainda lhe restava nas costas depois do banho. Ela se colou mais, o suficiente para que ele sentisse o peso do corpo dela e a pressão firme dos seios contra a camiseta.

—Você passou a tarde inteira me olhando —sussurrou ela.

—E você sabia.

—Claro que eu sabia.

Ela o beijou de novo, agora sem teste nem cortesia. Abriu a boca com fome, enfiando a língua com uma segurança que lhe afrouxou a nuca de imediato. Diego respondeu na mesma velocidade, sentindo o pau endurecer contra o tecido da sunga, uma tensão imediata e quase dolorosa que o fez soltar um gemido baixo contra os lábios dela. Sofía sorriu dentro do beijo, satisfeita, e passou os dedos pelos cabelos dele, puxando-os só um pouco para obrigá-lo a inclinar a cabeça e oferecer melhor a boca.

—Isso —murmurou—. Assim.

Ele desceu as mãos até a barra da camiseta que ela vestia e a ergueu devagar, sem tirar os olhos dela. Ao remover a peça, a corrente fina ficou pendendo entre os seios e a luz quente da lâmpada desenhou os mamilos endurecidos pelo ar. Sofía ergueu os braços sem deixar de desafiá-lo com o olhar, e Diego ficou um segundo inteiro olhando aquele corpo ao mesmo tempo conhecido e novo: o ventre liso, os quadris arredondados, a marca pálida do biquíni, as pernas longas ainda úmidas.

—Me olha direito —disse ela.

—Estou te olhando.

—Não. Direito.

Ele engoliu em seco e percorreu o peito dela com a boca, primeiro um beijo lento entre os seios, depois outro na borda de um mamilo. Sofía arqueou as costas com um ofego curto, e quando ele chupou com mais força, escapou-lhe um gemido mais claro, descarado, sem nenhuma intenção de esconder. Diego a sustentou pelos quadris, sentindo o corpo inteiro dela se apertar ao redor do pau cada vez mais duro. Ela o agarrou pelo cabelo, guiando-o para onde queria, e ele passou a língua pelo mamilo antes de mordê-lo de leve, só o suficiente para ouvi-la respirar mais fundo.

—Porra, Diego...

—Assim você gosta?

—Não fala tanto e continua.

Ele a sentou na beira da cama com uma mão firme na cintura, empurrando-a para trás até que ficasse deitada sobre o colchão. A camiseta caiu no chão. Sofía abriu as pernas sem cerimônia, convidando-o com uma naturalidade obscena, a boceta coberta apenas por um triângulo de tecido fino que ele afastou com dois dedos. Estava quente, já molhada, e quando ele roçou os lábios da boceta com a ponta dos dedos, ela estremeceu por inteiro.

—Já tão molhada assim —disse ele, mais para si mesmo do que para ela.

—Por sua culpa.

—É?

—É. E pela cara que você faz quando me olha.

Diego baixou a cabeça e a lambeu por cima da calcinha, sentindo o gosto salgado misturado ao calor da pele dela. Sofía jogou a cabeça para trás e abriu mais as pernas, prendendo-o contra o rosto com uma mão na nuca. Ele afastou o tecido com os dedos e se deparou com a boceta nua, brilhante, pulsando de vontade. Então a lambeu de verdade, devagar no começo, percorrendo o centro com a língua antes de se enterrar entre os lábios e chupar o clitóris com pressão firme. Sofía soltou um gritinho agudo, e depois outro, já sem controle, apertando a cabeça dele contra si enquanto se retorcia sobre o colchão.

—Aí... aí... não para...

Diego continuou, caprichando na língua, enfiando-a entre as pregas úmidas, chupando, lambendo, afastando com os dedos para vê-la ainda mais aberta. O som era obsceno, molhado, e a respiração dela foi se partindo em ofegos curtos, cada vez mais desesperados. Quando ele enfiou dois dedos dentro dela, Sofía arqueou-se com violência e cravou as unhas nos ombros dele.

—Você vai me fazer gozar —murmurou ela, aos pedaços.

—É o que eu quero.

—Então faz direito.

Ele aumentou o ritmo da mão e voltou a sugar o clitóris com fome, duro, sem delicadeza. Sofía tremeu contra os lençóis, começou a gemer mais abertamente e, depois de alguns segundos de puro castigo doce, gozou com um sacolejo profundo dos quadris que deixou a boceta latejando contra a boca dele. Diego continuou a lamber enquanto ela se esvaziava, engolindo o gozo com a língua e sem se afastar até ela parar de tremer.

—Merda... —disse ela, ainda com a respiração quebrada—. Vem aqui.

Ela se sentou e o agarrou pela cintura para desabotoar a sunga com uma urgência que já não tinha nada de brincadeira. O tecido caiu no chão e o pau de Diego saltou livre, grosso, tenso, com a cabeça já úmida de pré-gozo. Sofía o segurou com uma mão e o acariciou devagar de cima a baixo, sentindo o peso e a dureza com um sorriso que se alargou no rosto.

—Porra —sussurrou—. Foi assim que você ficou por minha causa.

—Não me faz falar.

—Quero te ouvir.

Ela se inclinou e lambeu a ponta, provando o sabor com uma lentidão que o fez fechar os olhos por um segundo. Depois enfiou o pau na boca, engolindo-o até a metade, e Diego soltou uma praga em voz baixa, jogando os quadris para frente por instinto. Sofía segurou as coxas dele para marcar o ritmo, chupando com força, umedecendo todo o tronco com a língua e os lábios, tirando-o e tornando a enfiar com uma precisão obscena. O som da boca dela em volta da vara encheu o quarto.

—Porra, Sofía... assim, isso... —ofegou ele.

Ela soltou o pau por um momento só para falar.

—Quer me foder ou vai ficar me olhando a noite toda?

—Quero te fazer gozar de novo.

Sofía riu, rouca, e se ergueu para empurrá-lo para a cama com as duas mãos no peito. Diego se deixou cair no colchão, e ela se colocou por cima, montando-o, guiando a ponta do pau até a entrada da boceta com uma lentidão que era uma provocação aberta. Desceu só alguns centímetros, o suficiente para que ele sentisse o calor apertado ao redor da glande, e então parou.

—Pede.

—Porra...

—Pede direito.

Diego a agarrou pelos quadris e a puxou para si até a ponta abrir a boceta por completo. Sofía soltou um gemido longo, grave, e começou a descer devagar, engolindo o pau centímetro por centímetro até tê-lo inteiro dentro. O choque do corpo dela sobre o dele arrancou um grunhido baixo. Ficaram imóveis por um segundo, olhando de perto um para o outro, sentindo a respiração dos dois se misturar.

—Assim —disse ela, rouca—. Assim eu gosto de você.

Então começou a se mexer. No começo foram subidas e descidas curtas, controladas, a boceta apertando-o com uma fricção úmida que lhe arrancou um gemido tenso. Depois foi ganhando ritmo, cravando-se sobre o pau com uma determinação quase cruel, quicando nele a cada investida até a cama começar a reclamar. Diego a segurou pelos quadris, ajudando-a a cavalgar, sentindo a glande roçar o fundo dela uma e outra vez enquanto ela se inclinava para frente e mordia o pescoço dele.

—Mais forte —pediu ela no ouvido dele.

E ele deu. Levantou os quadris e a penetrou por baixo com golpes secos, profundos, que a fizeram gritar sem freio. A boceta o apertava de um jeito brutal, escorregadia, quente, como se o tragasse inteiro toda vez que ele entrava. Diego a viu por cima dele, com o cabelo desalinhado, a boca aberta, os seios balançando no vai e vem, e a imagem lhe disparou um calor selvagem nas entranhas. Agarrou-a pela nuca e a beijou com raiva, enfiando a língua até fazê-la ofegar contra sua boca.

—Isso, porra... me dá essa rola —murmurou ela, já sem nenhuma vergonha.

—Eu te dou inteira.

—Então não para.

As palavras batiam entre os ofegos, sujas, diretas, sem enfeite. A cama batia contra a parede, o ar se encheu de respirações quebradas e de pele contra pele. Sofía deixou cair uma mão entre os dois, envolveu o pau com os dedos e começou a acariciá-lo ao mesmo tempo em que se movia sobre ele, levando o ritmo ao limite. Diego sentiu-se chegando ao limite com rapidez brutal, o gozo subindo-lhe dos ovos, espesso, inevitável. Sofía percebeu na hora.

—Você vai gozar, né?

—Vou... porra, vou.

—Então aguenta mais um pouco.

Ela apertou o pau com mais força e o beijou com os lábios inchados, chupando sua língua como se quisesse roubar o último ar dele. Diego aguentou o que pôde, com os músculos duros, o ventre em tensão, até que ela arqueou os quadris pela última vez e gozou de novo ao redor dele, tremendo e gemendo com uma violência que lhe arrancou o controle por completo. Então Diego soltou um grunhido profundo, cravou as mãos nas nádegas dela e se esvaziou dentro com um gozo quente, espesso, brutal, enchendo a boceta enquanto o corpo inteiro dele dava espasmo após espasmo.

Sofía ficou em cima por alguns segundos, sentindo o pau continuar latejando dentro dela e o sêmen enchendo o interior com uma sensação morna que a fez fechar os olhos e sorrir contra o pescoço dele.

—Era isso —sussurrou—. Era isso que eu queria.

Diego a abraçou com força, ainda ofegante, enquanto ela escorregava aos poucos para um lado sem tirá-lo de dentro de imediato. Ficaram deitados, nus, suados, ouvindo o zumbido distante da casa e as vozes amortecidas do corredor. Passaram-se alguns segundos antes de Sofía lhe dar um beijo lento no peito.

—Não foi nada mal —disse, com aquele sorriso de mulher satisfeita que já não tentava esconder.

—Isso é pouco.

Ela riu baixinho e, ao se erguer, lançou-lhe um olhar carregado de promessa antes de pegar a camiseta do chão e voltar a olhá-lo de cima a baixo.

—Está na hora de descer. Se demorarmos muito, vão achar que a gente morreu.

Diego passou a mão pelo rosto e soltou uma risada seca, ainda com a respiração desarrumada.

—Mateo e Laura com certeza estão ocupados demais para se preocupar.

—Exatamente.

Vestiram-se sem pressa, com aquela calma estranha que fica depois de um choque de verdade. Quando abriram a porta, o corredor ainda estava em penumbra e, de baixo, chegavam ainda o murmúrio baixo de duas vozes, uma gargalhada abafada e o golpe suave de algo contra a bancada. Laura e Mateo continuavam sua guerra particular do outro lado da casa.

Sofía se virou uma última vez para Diego antes de descer.

—Lembra do que eu te disse.

—Lembro de tudo.

—Melhor lembrar mesmo.

E ele a seguiu escada abaixo, ainda com o corpo ardendo e o gosto da boceta dela na boca, sabendo que naquela noite nada voltaria a ser o mesmo.

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