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Relatos Ardientes

A noite em que trocamos de casais na praia

A tarde na praia os havia deixado com aquele cansaço doce que só o sol de agosto deixa. O sal ainda na pele, os músculos relaxados, a sensação vaga de que o tempo tinha parado entre uma cerveja e a seguinte. Voltaram ao apartamento em silêncio, revezando-se no banho, e cada um foi encontrando seu próprio ritmo para voltar a ficar apresentável.

Diego foi o último a sair do banheiro. Vestiu uma camisa azul e uma calça clara, mais por hábito do que por decisão. Lucía, sentada na beirada da cama, colocava os brincos diante do espelho. Estavam casados havia onze anos e algo naquela imagem — sua mulher meio vestida, concentrada num detalhe minúsculo — ainda lhe parecia a coisa mais íntima do mundo.

— Reservamos ou improvisamos? — perguntou Mauricio da sala.

— Improvisamos — respondeu Elena antes que mais ninguém pudesse opinar—. Estamos fora de contexto, não estamos?

Lucía riu baixinho, ainda se olhando no espelho.

— Está começando a me agradar essa frase.

Diego pegou as chaves. Fechou a porta do apartamento com a sensação de que a noite já tinha começado, embora ainda não tivessem descido para a rua.

***

Caminharam em direção à orla sem pressa. O ar morno cheirava a protetor solar e a jantar alheio. Falavam de coisas pequenas: a água fria demais naquela tarde, o vizinho que botava reggaeton na varanda, as crianças que, por sorte, tinham ficado com os avós naquele fim de semana. Nada relevante. Mas o tom era outro. Mais solto. Mais permissivo. Como se o simples fato de os quatro estarem fora do cenário habitual lhes desse licença para algo que ainda não diziam em voz alta.

— Vi um na internet que parecia bom — disse Mauricio, apontando vagamente para a frente.

— Desde que tenha vinho gelado… — comentou Lucía.

— E cerveja — completou Diego.

Dobriram a esquina e lá estava, quase sem terem procurado: um lugar com mesas do lado de fora, luminárias amarelas e um quadro escrito à mão. Iam entrar quando, no sentido contrário, apareceu Sebastián.

Era o garçom do quiosque onde tinham passado a tarde. O mesmo que lhes servira as cervejas “bem geladas, como você pediu”, brincando com Diego. Sem avental, sem bandeja, com uma camiseta branca e o cabelo ainda úmido. Reconheceu-os com um segundo de atraso, como quem encontra um professor fora da escola.

— Olha só! — soltou ele—. Os das cervejas bem geladas.

Diego foi o primeiro a reagir.

— Sebastián! Que coincidência.

Mauricio o cumprimentou com um gesto contido. Sebastián os observou e depois olhou para Lucía e Elena. Havia algo em seu olhar. Um rearranjo. Como se tentasse encaixar peças que, até aquele momento, havia visto separadas.

— Passeando? — perguntou.

— Indo jantar — respondeu Diego—. Sabe como é, aproveitar.

— Claro, claro.

Sebastián assentiu, mas continuava olhando. E foi então que Diego fez aquilo. Sem pensar. Ou pensando rápido demais, o que às vezes é a mesma coisa.

— Olha, deixa eu te apresentar — disse, e pousou a mão nas costas de Lucía com uma leveza perfeitamente calculada—. Essa é minha mulher.

Só que Lucía não era sua mulher. Era a de Mauricio.

Um segundo. Só um segundo. Mas suficiente para que o ar mudasse.

Lucía não se afastou. Não corrigiu. Mal virou a cabeça na direção de Sebastián e sorriu com aquela naturalidade que só existe quando alguém decide, numa fração de segundo, entrar no jogo.

— Prazer.

A voz saiu limpa.

Elena, ao lado, piscou. Ninguém notaria, se não estivesse prestando atenção. Diego estava prestando. Mauricio, na outra ponta, entendeu naquele mesmo instante que não havia margem. Que ou acompanhava ou desmentia. E desmentir, a essa altura, já soava a culpa.

— E esta é a minha — disse então, apontando para Elena com um meio sorriso que não se escondia por inteiro.

Sebastián piscou. Uma vez, duas. Olhou para Elena. Depois para Mauricio. Depois, sem saber, deixou passar o segundo que o transformava em cúmplice involuntário.

— Prazer — e se aproximou um pouco de Elena.

Elena o encarou um pouco mais do que o necessário.

— Prazer.

A mesma palavra. Outro tom.

Sebastián pigarreou.

— Ah… sim… claro…

Seu olhar ia de um para o outro. Buscando coerência onde suspeitava que não houvesse.

— Um prazer — acrescentou.

Diego, completamente à vontade, ergueu a mão.

— Igualmente, cara. A gente se vê amanhã no quiosque.

— Sim, claro. Aproveitem o jantar.

— É o que vamos fazer — respondeu Diego.

Sebastián se afastou alguns passos. A uns quatro metros, tornou a virar a cabeça. Como quem quer confirmar alguma coisa. Mas já não havia nada a confirmar. Ou havia demais.

Quando desapareceu no meio das pessoas, o silêncio que ficou entre os quatro era diferente de todos os anteriores. Mais cheio. Mais claro. Diego retirou a mão das costas de Lucía com a mesma naturalidade com que a havia posto. Mauricio deu meio passo para trás, rompendo a proximidade com Elena. Mas já era tarde. Algo tinha se mexido.

— Foi rápido — disse Elena por fim, sem tirar os olhos de Diego.

— Foi oportuno — respondeu ele.

Lucía soltou uma risada breve. Não nervosa. Não desconfortável. Algo novo.

— Ele não acreditou.

— Não soube o que fazer — acrescentou Mauricio.

— Normal — disse Elena—. Não tinha todas as informações.

Diego a olhou.

— E alguém tem?

Elena sustentou o olhar dele por um segundo a mais do que o educado.

— Nós temos. Por que você fez isso?

Diego deu de ombros.

— Não sei. Saiu assim.

Isso não era totalmente verdade.

Lucía olhou para o chão. Mauricio olhou para Elena. Elena olhou para Diego. E Diego, sem perceber — ou percebendo perfeitamente—, acrescentou:

— Ninguém protestou.

Ninguém protestou agora também.

***

A entrada do restaurante foi tranquila. Um rapaz jovem, de camisa branca, os levou a uma mesa junto à janela que dava para a orla. Dali se via o vai e vem das famílias, a luz acobreada dos postes e, ao fundo, o reflexo da lua sobre o mar.

— Serve aqui?

— Perfeito — disse Lucía.

Sentaram quase sem pensar. Ou pensando demais. Diego ocupou um dos lugares laterais e, com um gesto perfeitamente medido, deixou livre a cadeira ao seu lado. Lucía sentou-se junto dele. Em frente, Elena se acomodou ao lado de Mauricio. Ninguém comentou nada. Mas todos registraram.

O garçom deixou os cardápios.

— Algo para beber enquanto decidem?

— Vinho branco gelado — pediu Elena.

— E uma cerveja — acrescentou Diego.

Mauricio olhou para Lucía.

— Tudo bem para você?

— Sim.

Pediram sem drama: alguns petiscos para dividir, um peixe, uma carne, algo para beliscar. Nada excessivo. Quando o garçom se retirou, o clima afrouxou mais um pouco.

Falaram do apartamento, das crianças com os avós, da rapidez com que as rotinas mudam quando a gente sai delas. Mas por baixo da conversa corria outra coisa. Uma corrente. Uma versão paralela da mesa em que cada frase queria dizer algo diferente.

— É curioso — disse Elena, girando a taça pelo pé —. Aqui tudo parece mais fácil.

Diego apoiou o braço no encosto da cadeira de Lucía. Fez isso com uma naturalidade que, naquela mesma manhã, teria sido um detalhe sem consequência.

— Deve ser o mar.

Lucía não se afastou.

— Ou a distância.

Mauricio deu um pequeno gole na taça. Olhava para Elena e, ao mesmo tempo, não a olhava. Como quem sustenta dois planos ao mesmo tempo.

— Ou as duas coisas.

Os olhares cruzaram a mesa com uma frequência nova. Mais sustentados. Mais diretos. Mas sem desconforto. Era quase o contrário: cada cruzamento consolidava uma cumplicidade que nenhum dos quatro ainda estava disposto a nomear.

Quando a comida chegou, foram passando de um lado para o outro, provando os pratos alheios, roçando os dedos ao deixar os talheres sobre a toalha. Elena cortou um pedaço do peixe e colocou no prato de Mauricio sem dizer nada. Diego serviu mais vinho para Lucía sem perguntar. Eram gestos pequenos. Mas estavam distribuídos de outro jeito.

Em algum momento, Lucía se inclinou na direção de Diego para ler algo no cardápio.

— Essa sobremesa leva álcool?

Diego também se inclinou. Os rostos ficaram a um palmo de distância. Lucía não se afastou quando terminou a frase. Diego também não. Mauricio os observava do outro lado. Elena observava Mauricio observando-os.

Ninguém disse nada.

O garçom chegou com a conta e esse pequeno teatro se desfez como se desfazem as bolhas de uma taça. Diego estendeu a mão. Mauricio também.

— Eu pago — disse Diego.

— Metade — respondeu Mauricio.

— Nem pensar.

— Deixa — interveio Elena com um meio sorriso—. Vocês resolvem isso depois.

Lucía assentiu.

— Sim.

Diego pagou sem insistir mais, como se a conta fosse um detalhe menor no meio de outras contas mais difíceis de acertar.

***

Saíram do restaurante com a mesma calma com que tinham entrado, só que agora a noite já era outra. A lua cheia descia redonda sobre a orla e transformava o mar numa chapa de prata. Caminharam sem pressa. Próximos. Às vezes próximos demais.

As conversas se fragmentaram. Sem plano, sem acordo, Mauricio e Elena avançaram alguns passos. Diego e Lucía ficaram atrás. Ninguém decidiu. Mas ninguém corrigiu também.

— Está sendo um bom fim de semana — disse Lucía em voz baixa, sem olhar para Diego.

Diego a olhou de lado. Viu o brilho dos brincos que ela havia colocado diante do espelho havia poucas horas.

— Ele acabou de começar.

Lucía sorriu de boca fechada. Não disse mais nada.

Na frente, Elena disse algo que fez Mauricio inclinar a cabeça na direção dela, baixando um pouco o ouvido, como quem não quer perder uma confidência. O gesto durou um instante. Mas eles viram.

Quando chegaram ao prédio, a rua estava quase vazia. Diego abriu a porta e os deixou passar na frente, como fizera a tarde toda. Entraram em silêncio.

Mauricio acendeu a luminária da sala, a que dava uma luz mais quente. Lucía tirou as sandálias no hall. Elena deixou a bolsa sobre uma cadeira com um gesto lento. Diego fechou a porta. A fechadura fez um clique que, naquele silêncio, soou alto demais.

Durante alguns segundos, ninguém disse nada. O dia estava terminado. A noite, por outro lado, não.

Diego se virou para os outros três. Ficou encostado na porta, com as mãos nos bolsos. Sorriu. Não com provocação. Com naturalidade. Aquela naturalidade dele que, desde fazia um tempo, já não parecia inocente.

— Uma coisa — disse.

Os três olhares se fixaram nele. Ele fez uma pausa breve. A adequada.

— Vamos transar cada um com a nossa nova parceira?

O silêncio que se seguiu não foi imediato. Foi progressivo, como se a pergunta precisasse de um pouco de espaço para assentar na sala. Lucía não baixou o olhar. Elena também não. Mauricio observou Diego por um segundo a mais do que o prudente.

E, pela primeira vez na noite inteira, nenhum dos quatro se apressou a responder.

Elena foi a primeira a se mover. Deu um passo em direção a Diego. Só um. Mas bastou.

— Depende — disse —. Com que regra?

Diego a olhou. Sentiu Lucía na borda do campo de visão, quieta, observando-os. Sentiu Mauricio, atrás de Elena, sem falar.

— Sem regra. Transamos como der na telha, sem pedir permissão a ninguém.

Elena passou a língua no lábio inferior. Não foi um gesto de cinema. Foi o gesto pequeno e concreto de quem acaba de decidir alguma coisa.

— Tá.

Mauricio olhou para Lucía. Eles estavam juntos havia mais tempo do que qualquer um dos quatro havia passado naquela sala. E, por um instante, pareceu que ele ia dizer algo. Mas Lucía sustentou o olhar dele. E naquele olhar não havia uma pergunta. Havia uma resposta.

— Tá — disse ele também.

Lucía se aproximou de Mauricio sem pressa. Não do marido dela. Do outro. Pôs a mão no peito dele, por cima da camisa. Fechou os dedos um pouco, procurando tecido. Depois desceu a mão, sem desviar os olhos dos dele, e a apoiou aberta sobre a braguilha. O pau de Mauricio já empurrava por dentro da calça, duro, traindo-o. Lucía o apertou com a palma, reconheceu-o por cima do tecido e sorriu sem abrir a boca. Mauricio apoiou a mão na cintura dela e, dali, deslizou até a bunda, agarrando com força. Nenhum dos dois disse nada. Era mais eficiente assim.

Diego baixou a mão e procurou a de Elena. Encontrou-a logo. Ela deixou os dedos entre os dele por um segundo e depois virou o pulso para que a palma ficasse contra a dele. A luz da sala vinha por trás deles. Se olhavam com metade do rosto na sombra.

— Vamos — disse Elena.

Entraram no quarto que, até aquela noite, era o de Diego e Lucía. Atrás deles, Lucía e Mauricio cruzaram o corredor em direção ao outro quarto. A porta do quarto principal se fechou com o mesmo clique da porta da rua.

Lá dentro, Diego soltou a mão de Elena. Ficaram se olhando por um instante. Sem pressa. Sem teatro.

— Se quiser, paramos — disse ele.

Elena negou devagar.

— Não quero. Quero que você me foda como vem me olhando há horas.

Ela tirou os brincos e os deixou sobre a mesinha de cabeceira, ao lado dos de Lucía. Esse gesto — pequeno, íntimo, quase doméstico — arrepiou os braços de Diego.

Ele se aproximou. Passou uma mão pela cintura dela e a outra pela nuca. Elena ergueu o rosto e deixou que ele a beijasse. O beijo começou lento, ainda se reconhecendo, e se abriu devagar até que as línguas se procuraram sem pudor, deixando a dissimulação em algum ponto do corredor. Ela mordeu o lábio inferior dele ao se separar e não o soltou, puxou de leve, com o mesmo meio sorriso com que havia atravessado todo o jantar.

— Você passou a noite inteira querendo isso — disse ela.

— E você.

— E eu.

Diego baixou a alça do vestido pelo ombro dela. A pele de Elena tinha um cheiro de perfume diferente do de Lucía. Essa diferença — que era a diferença inteira, a única que importava naquela noite — lhe percorreu a nuca. Ele beijou o pescoço dela abaixo da orelha e a ouviu prender o ar. Depois a mordeu, sem delicadeza, e Elena soltou um gemido curto e rouco que já era uma promessa.

Baixou a outra alça. O vestido cedeu com um único empurrão até a cintura. Elena não usava sutiã. Os seios ficaram expostos, brancos onde antes estava o biquíni, redondos, com os mamilos pequenos e já duros de expectativa. Diego se abaixou sem largar a cintura dela e chupou um deles por inteiro, até o fundo da boca, puxando com os lábios. Elena jogou a cabeça para trás e agarrou o cabelo dele.

— Assim, porra, assim.

Diego foi para o outro mamilo, mordeu com a ponta dos dentes, e sentiu Elena se arquear contra ele. Com uma mão, empurrou o vestido até ele cair no chão. Ela ficou só de calcinha, uma calcinha preta minúscula já escurecida na frente. Diego desceu a mão pelo ventre, enfiou-a por dentro do elástico e a encontrou encharcada. A buceta dela pingava. Passou dois dedos pela fenda, de baixo para cima, e Elena abriu as pernas sem pensar.

— Você está ensopada.

— Estou molhada desde o restaurante — disse ela, a boca junto à orelha dele—. Quando você apoiou o braço no encosto da cadeira da Lucía e me olhou.

Diego afundou os dois dedos até a articulação. Elena soltou um gemido longo que se quebrou na garganta. Ele começou a movê-los dentro dela, curvando-os, procurando o ponto da frente, enquanto com o polegar roçava o clitóris em pequenos círculos. Elena se agarrou aos ombros dele e começou a mover o quadril contra a mão, fodendo os dedos dele com impaciência.

— Mais, mais fundo, porra.

Diego enfiou um terceiro dedo. A buceta de Elena fazia barulho, úmida, obscena, e esse som enchia o quarto. Diego a empurrou até a cama sem tirar a mão. Ela caiu de costas sobre o edredom, as pernas ainda abertas, e ele arrancou a calcinha dela de um puxão. Ajoelhou-se no chão, entre as coxas dela, e olhou sua buceta de perto pela primeira vez. Rosada, inchada, brilhante. Abriu-a com os polegares e mergulhou a língua sem preâmbulo.

Elena gritou. Gritou de verdade, um grito curto que abafou com a mão.

— Que os do outro quarto vão te ouvir.

— Quero que ouçam — disse Diego, com a boca colada na buceta—. Que ouçam.

E continuou lambendo. Passou a língua larga de baixo até o clitóris, uma e outra vez, até Elena começar a tremer. Depois se concentrou no clitóris, chupando-o, envolvendo-o com os lábios, enquanto voltava a enfiar dois dedos nela. Elena apertou a cabeça dele contra si com as duas mãos, mexendo no cabelo dele, fodendo a cara dele sem nenhuma elegância.

— Vou gozar, Diego, vou gozar agora.

Diego não aliviou. Acelerou. Enterrou os dedos até o fundo, curvados, apertando o ponto de dentro, e mamou o clitóris com fome. Elena arqueou a coluna inteira, apertou as coxas contra as orelhas dele e gozou com um gemido longo, sustentado, que fez a cama tremer. Diego sentiu a buceta se contrair em espasmos ao redor dos dedos.

Quando ela abriu os olhos, Elena estava vermelha dos seios ao pescoço e respirava aos trancos. Diego se levantou, enxugou o queixo com o dorso da mão e começou a desabotoar a camisa. Elena, ainda com as pernas pendendo da beira da cama, se apoiou nos cotovelos e o olhou.

— Vem aqui. Quero chupar você.

Diego terminou de tirar a camisa. Puxou a calça e a cueca de uma vez. O pau saiu duro, teso contra o ventre, com a glande já brilhando de líquido. Elena se lambuzou sem nenhum pudor e se pôs de joelhos no chão, diante dele.

— Porra, Diego. Você é mais grosso do que eu imaginava.

— Você imaginava?

— Muitas vezes.

E o engoliu até a metade. Diego jogou a cabeça para trás e soltou um grunhido. Elena começou a chupá-lo devagar, entrando e saindo, envolvendo-o com a língua, com a mão na base ajudando. Depois tirou tudo, cuspiu sobre a glande e voltou a colocá-lo na boca, mais fundo dessa vez, até tocar o fundo da garganta. Engasgou por um instante, os olhos marejaram, e fez de novo. Diego pôs a mão na nuca dela sem apertar, deixando-a marcar o ritmo, vendo-a chupá-lo com os seios à mostra e a boca aberta.

— Porra, Elena, assim, chupa assim.

Ela tirou o pau dele da boca e o deixou descansando contra a própria bochecha, olhando-o de baixo com os olhos brilhando, enquanto lambia os ovos um por um. Diego pensou, sem conseguir evitar, que Mauricio nunca a vira assim. Esse pensamento — essa certeza de estar vendo o que outro tinha e não conhecia — deixou seu pau ainda mais duro.

— Me fode logo — disse Elena, levantando-se—. Não aguento mais.

Ele a empurrou de costas outra vez sobre a cama e subiu em cima. Abriu as pernas dela com os joelhos, agarrou o pau pela base e passou a glande pela fenda, de cima a baixo, se molhando com os fluidos dela. Elena arqueou a pelve, procurando-o.

— Mete, porra, não me tortura.

Diego a penetrou de uma só investida, até o fundo. Elena gritou e ele soltou um gemido brutal contra o pescoço dela. A buceta de Elena estava tão quente e tão apertada que ele precisou ficar quieto um instante para não gozar ali mesmo. Depois começou a se mover. Devagar no começo, saindo quase inteiro e voltando a afundá-la até os ovos. Elena cravou as unhas nas costas dele.

— Mais forte.

Diego acelerou. Começou a fodê-la de verdade, com o ritmo pesado e seco de quem já não tem mais nada a provar. A cama rangia. Os seios de Elena pulavam a cada investida. Ela estava de boca aberta, gemendo a cada golpe.

— Isso, isso, assim, arrebenta minha buceta.

Do outro lado do corredor, abafada pela parede, chegou a voz de Lucía. Um gemido longo, agudo, inconfundível. A cama do quarto menor também batia, num ritmo diferente, mas igualmente claro. Diego parou um instante dentro de Elena, ouvindo. Elena também ouviu.

— Ele está fodendo ela — disse Elena, com um sorriso que era meio tesão, meio incredulidade—. Escuta.

— E ela deixa.

— E ela pede.

Esse detalhe — a certeza compartilhada de que sua mulher estava no outro quarto, aberta sob outro homem — fez Diego sentir algo estranho por dentro. Não foi raiva. Foi uma descarga. Começou a foder Elena com mais força, agarrando os quadris dela para afundar mais fundo, enquanto do outro quarto os gemidos de Lucía subiam de tom.

— Fica de quatro — ele disse a Elena—. Quero ver sua bunda.

Elena se virou sem protestar. Pôs-se de quatro no centro da cama, arqueou as costas e ofereceu a bunda erguida. Diego se ajoelhou atrás. Olhou por um instante a buceta rosada, inchada, entreaberta, e o olho do cu apertado logo acima. Passou o polegar pela fenda, molhado, e roçou o ânus dela. Elena se estremeceu.

— Por ali também — disse ela, o rosto contra o travesseiro—. Outro dia.

— Marcado.

Enfiou o pau na buceta numa estocada, segurando-a pelos quadris, e começou a fodê-la com brutalidade. A bunda de Elena batia contra sua pélvis com um som seco, repetido, que enchia o quarto. Diego deu uma palmada forte na nádega dela e ela soltou um grito de prazer.

— Outra.

Diego deu outra, mais forte. E outra. A pele dela ficou vermelha. Elena se empurrava sozinha contra o pau, chocando a bunda contra o ventre dele, gemendo cada vez mais alto, sem se poupar de mais nada. Do outro quarto, Lucía gritou alguma coisa que soou como um nome — o de Mauricio — e Elena riu contra o travesseiro.

— Sua mulher está gozando, querido.

— Eu ouvi.

— Me faz gozar agora.

Diego se inclinou sobre as costas dela, passou a mão por baixo e procurou o clitóris. Começou a esfregá-lo enquanto continuava a penetrá-la por trás, cada vez mais fundo, cada vez mais rápido. Elena começou a gemer descontroladamente, sem nenhum pudor, gritando a cada investida.

— Já, já, já, porra, já.

Ela gozou pela segunda vez, com a buceta apertando o pau de Diego em ondas, tremendo inteira. Diego aguentou um segundo a mais, cerrando os dentes. Tirou o pau da buceta encharcada no instante certo e gozou sobre a bunda de Elena, sobre as costas, jatos grossos e quentes que mancharam a pele avermelhada dela. Elena virou o rosto no travesseiro e sorriu para ele, exausta, com os olhos semicerrados.

— Porra.

— Porra.

Ele se deixou cair ao lado dela. Elena se virou devagar, sem se importar que o sêmen escorresse pela lateral. Colou-se ao peito de Diego.

— Não tem volta, né?

Diego passou a mão pelo cabelo dela.

— Nenhuma.

Do outro quarto, agora, vinham só o murmúrio baixo de uma conversa e uma risada suave. A mesma risada curta de Lucía que antes atravessara o corredor, mas mais assentada. A risada de quem acaba de descobrir algo e já não pensa em devolver.

O mar ainda estava lá fora. A lua também. E a noite, enfim, começava de verdade.

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