Ele me ofereceu a esposa e eu não soube dizer não
Eu era o cara sério do terno e do utilitário. Bastava uma mulher me desafiar com o olhar para o animal despertar, e aquela feira de interior o soltou de vez.
Eu era o cara sério do terno e do utilitário. Bastava uma mulher me desafiar com o olhar para o animal despertar, e aquela feira de interior o soltou de vez.
Ela passava anos decidindo quem obedecia e quem implorava. Nenhum cliente sabia que, atrás do espelho, alguém estudava o jeito de destroná-la.
Conheci Carla na adolescência e nunca deixei de desejá-la. Ela me contava cada beijo, cada amante, sem saber que eu guardava suas palavras para as noites sozinho.
Servi a essa casa desde menino e vi como a cabeleira de fogo daquela mulher punha de joelhos os homens mais poderosos do vale, um por um, conforme o dia da semana.
Aos oitenta e sete anos ele achava que já tinha ouvido de tudo. Então ela se ajoelhou do outro lado da grade e começou a contar o que fazia quando o marido viajava.
Achei que ela estava dormindo na noite em que trouxe aqueles dois homens. Eu me enganei: ela viu tudo. E, semanas depois, entrou no banheiro, se sentou diante de mim e exigiu saber de tudo.
Na primeira vez que a ouvi do outro lado da divisória, fiquei imóvel, prendendo a respiração, fingindo dormir enquanto ela acreditava estar completamente sozinha.
Ela subia para o quarto, abria o armário e se trocava sabendo que a gente a observava da rua. Eu era o mais novo do grupo, mas fui o primeiro a entrar pela sua porta.
Me escondi no beiral do vestiário com Bruno colado nas minhas costas. Lá embaixo, minha mãe e a amiga dela se despiram entre os operários, e eu não consegui tirar os olhos.
Nessa quinta-feira eu não tinha aula e a manhã era minha. Abri a água, fechei os olhos e me deixei levar... sem imaginar que umas botas apareceriam na ventilação.
Nunca tinha sentido o desejo de outra mulher até aquela tarde, de pé no corredor, com a peça encharcada da minha colega entre as mãos e o pulso disparado.
Havia quinze anos eu o cumprimentava na praia sem imaginar o que aquele homem via todas as noites através do vidro do banheiro, enquanto eu achava que estava sozinha.
Às quatro da manhã, trancado sob os lençóis com o telefone da minha mãe, comecei a abrir pasta por pasta sem imaginar que nada jamais seria igual.
A janela do nosso quarto dava bem de frente para o terraço dele. Naquela noite entendi que a ideia de ser observada me excitava mais do que eu jamais admitiria.
Tínhamos nos reunido para revisar as finais, mas às seis os livros já estavam fechados e ninguém queria ir embora. O que veio depois ainda acelera meu pulso.
Abri a cortina só o bastante para confirmar minha suspeita: ele estava lá fora, com a mão metida na calça, esperando ver algo que não deveria ter visto.
Eu estava semanas sem resposta. Naquela noite, me vesti para outro e, justo quando o beijava na mesa ao lado, ele entrou de braços dados com uma desconhecida.
Deixei as cortinas abertas de propósito e fingi não vê-lo. Ele, parado na sua laje, não perdia um só detalhe do meu corpo nu.
Quando ela me disse o que realmente a excitava, eu soube que estávamos abrindo uma porta que não conseguiríamos mais fechar. E eu não queria fechá-la.
Um post-it amarelo sobre a caixinha dizia uma única palavra: «Ponme». Eram duas da madrugada e a curiosidade venceu o cansaço acumulado da noite.