A garota do tempo que não usava nada por baixo
O sucesso na televisão nunca dependia só da voz, do talento ou do carisma. Dependia do corpo, da imagem, da maneira exata como uma mulher sabia se mover, sorrir e provocar sem que parecesse que fazia isso de propósito.
E Daniela sabia disso melhor do que ninguém.
Em frente ao espelho iluminado, ajustou a blusa mais uma vez, deslizando as mãos sobre o tecido sedoso com um gesto calculado. Não era simples vaidade; era uma avaliação meticulosa. A peça, justa no ponto exato entre elegância e provocação, realçava o volume dos seios, apertados contra o sutiã de renda que moldava sua figura como uma obra estudada.
O vale entre os seios ficava perfeitamente marcado, uma sombra tentadora emoldurada pelo tecido tenso que se colava à pele a cada inspiração. A linha da clavícula se acentuava sob as luzes do espelho, sua pele lisa e quente contrastando com o preto acetinado do soutien, apenas perceptível sob a blusa.
Refez a maquiagem com precisão. Olhos bem delineados, lábios com um brilho sutil, o cabelo em ondas perfeitas. Não era um dia qualquer: era sua estreia no telejornal, sua primeira vez diante das câmeras.
A saia justa que havia escolhido ressaltava a cintura e deixava ver mais perna do que qualquer outra apresentadora do canal costumava mostrar. Demais? Talvez. Mas a concorrência era feroz, e, se quisesse se destacar, precisava aproveitar cada recurso.
— Pronta em cinco minutos — avisou um assistente da porta.
Daniela se endireitou, alisou o tecido da saia e respirou fundo. Sua chance tinha chegado.
O set vibrava com a tensão da transmissão iminente. Telas acesas, técnicos ajustando luzes, o som dos testes de microfone se misturando ao murmúrio da equipe.
Na sala de controle, atrás do vidro polarizado que separava a produção do estúdio, Rolando observava o monitor com interesse. Escorado na cadeira, com um café frio esquecido sobre a mesa de mixagem, semicerrava os olhos enquanto Daniela se posicionava diante do chroma.
— Olha isso… — murmurou com um sorriso quase imperceptível, inclinando-se para o assistente, um editor jovem que disfarçava mal o próprio interesse.
Daniela, nervosa mas consciente de que estava sendo observada, ajustou a postura e cruzou as pernas com uma elegância ensaiada. A saia subiu apenas alguns centímetros, o suficiente para chamar atenção sem parecer óbvio.
— Rosto lindo, corpo lindo — comentou Rolando sem desviar os olhos—. Mas o melhor é a atitude. A vadia quer agradar. Dá pra ver no olhar, em como abre as pernas só um dedo a mais.
O assistente engoliu em seco.
— Quer que a gente fale pra ela baixar um pouco a saia? — perguntou, fingindo profissionalismo.
Rolando soltou uma risada baixa.
— Pra quê? Melhor sugerir que ela suba mais um pouco. Quero ver a boceta daqui, se me apertar.
Tomou o microfone do intercomunicador e apertou o botão.
— Daniela, querida… lembra que televisão é um jogo de imagem. Mexe um pouco mais, não fica rígida. Brinca com a câmera.
Ela piscou e assentiu.
— Mais natural, mais solta — continuou ele, com uma cadência calculada—. Você é a parte mais interessante do telejornal. Faz o pessoal perceber isso.
A contagem regressiva começou. Cinco. Quatro. Três.
As luzes do estúdio queimavam a pele, faziam cada movimento parecer mais marcado. Mas Daniela não encolheu. A tela vermelha indicou AO VIVO.
Respirou fundo, piscou com segurança e sorriu diretamente para a câmera.
— Boa noite…
Sua voz era suave, medida, com aquela doçura artificial das apresentadoras que sabem que estão sendo observadas. Mas havia algo mais nela, algo que nenhuma outra garota do canal tinha: a necessidade de agradar, de hipnotizar quem estivesse do outro lado da tela.
Deu um passo lateral e deixou que a câmera acompanhasse o movimento natural de seu corpo. O tecido justo da saia abraçou os quadris como um segredo indecente. A curva do traseiro ficou perfeitamente delineada quando se virou para indicar a temperatura na tela virtual.
— Hoje teremos máximas de trinta e dois graus — disse, deslizando o dedo lentamente pela gráfica, como se, em vez de ler dados, traçasse um caminho rumo à perdição.
Na sala de controle, Rolando sorriu.
— Foca nessa bunda — sussurrou, saboreando cada detalhe—. Bem apertada no enquadramento, não deixa nada de fora.
Daniela não estava apenas dando a previsão. Estava oferecendo aquilo. Movia-se com cadência, com uma sensualidade que, a princípio, podia parecer involuntária, mas que agora assumia com naturalidade.
— E à noite — continuou, inclinando-se um pouco, como se confidenciasse um segredo aos telespectadores—, as mínimas vão cair para dezenove graus.
Virou-se outra vez e a câmera a capturou de costas por um instante. A saia abraçava cada centímetro com precisão obscena. Por um segundo, parecia uma modelo na passarela, consciente de cada par de olhos que a devoravam através da tela.
— Muito bem, Daniela… mas relaxa os ombros. Solta mais um pouco — murmurou Rolando no ponto eletrônico.
Ela soltou o ar, deixando seus movimentos ficarem ainda mais naturais. Ainda não sabia, mas acabara de abrir uma porta, e Rolando, paciente e meticuloso, se encarregaria de levá-la cada vez mais longe.
***
Daniela saiu do set com o pulso acelerado, sentindo ainda a ardência das luzes sobre a pele. Tinha se saído bem, sabia disso. O sorriso não tremera nem uma vez. E, no entanto, havia uma pressão estranha no peito.
Terá sido demais?
Mordeu o lábio enquanto caminhava pelos corredores, sentindo os olhares cravados nela. Mal dera alguns passos quando os primeiros se aproximaram.
— Estreia incrível! — Um editor de uns quarenta anos, com a gravata frouxa e um sorriso largo demais—. Nunca vi tanto movimento no set do tempo.
— Fantástica — entrou outro, dando-lhe um tapa nas costas com confiança demais, a mão escorregando por um segundo a mais perto do começo da bunda—. Deu pra ver que você se entregou de verdade.
Ela riu nervosamente, tentando não ler demais nas palavras, mas a enxurrada não parou. Técnicos, assistentes, até repórteres veteranos que nunca olhavam para a previsão se reuniram para observá-la com uma mistura de admiração e algo mais sombrio. Alguns nem fingiam: olhavam para os peitos dela enquanto falavam, bocas entreabertas, calças apertadas na virilha.
Até os rostos importantes do canal apareceram. Produtores com mais poder do que ela ousava imaginar, diretores que jamais prestavam atenção numa apresentadora nova. E todos estavam ali, para olhar para ela.
O medo se dissipou aos poucos, substituído por algo mais perigoso: confiança. Tinha funcionado.
Mas, entre os rostos de aprovação, encontrou outros mais frios. As poucas mulheres do canal não se aproximavam com o mesmo entusiasmo. Uma assistente de produção, de rosto sério e olhar duro, veio na direção dela com passos decididos.
— Daniela… — começou em voz baixa, chegando perto o bastante para que ninguém mais ouvisse—. Só quero te dizer que…
— Aí está você! — A voz de Rolando irrompeu com sua energia avassaladora, cortando a conversa na hora.
A assistente apertou os lábios, mas ele já havia cercado Daniela com sua presença dominante, sorrindo com o carisma de um encantador de serpentes.
— Querida, viu o que aconteceu lá fora? O telejornal inteiro girou em torno de você. Não foi só uma boa transmissão: foi memorável.
— Você realmente acha isso?
— Não acho. Sei. — Sustentou o olhar dela, com a certeza de quem molda algo ao próprio gosto—. Isso é só o começo. Se jogar bem suas cartas, muito em breve estará no topo.
A assistente soltou um suspiro irritado e se afastou sem dizer palavra. Daniela nem sequer a olhou. Sua mente estava tomada pelos olhares que a seguiam, pela atenção que a cercava, por aquela sensação embriagante de ser o centro de tudo.
***
Quando chegou ao canal no dia seguinte, tudo estava diferente. Um assistente a interceptou assim que ela pôs o pé na sala de maquiagem.
— Daniela, os produtores decidiram te dar um camarim privativo. Rolando quer te ver para um teste de figurino.
— Um camarim privativo?
O assistente sorriu e indicou o caminho. Ela o seguiu com o pulso acelerado, sentindo que cada passo a levava um degrau acima na escada que sempre sonhara subir.
O camarim ficava no fim de um corredor discreto, longe da correria do resto da equipe. Na porta, sobre uma plaquinha dourada recém-colocada, brilhava seu nome. Daniela passou a ponta dos dedos sobre a inscrição, apreciando a sensação. Tinha chegado.
Ao abrir, um aroma sutil de flores frescas a envolveu. Sobre a mesa principal, um buquê de rosas brancas se erguia num vaso de cristal. Ao lado, uma garrafa cara de champanhe, ainda gelada, com uma única taça esperando por ela. E, junto de tudo, um bilhete dobrado.
Ela o abriu com dedos ansiosos. «Na televisão, tudo é imagem. E você pode ser a imagem mais atraente. Não deixe o medo te vencer. R.»
Um arrepio percorreu sua espinha. Seu olhar desceu até o cabide ao lado do espelho, onde dois vestidos esperavam sua escolha.
O primeiro era preto, de tecido brilhante, justo como uma segunda pele, com um decote em V que caía quase até o umbigo e uma fenda lateral que deixava uma perna completamente exposta. O segundo era vermelho, mais curto, mais ousado: o tecido fino mal tinha forro e insinuava mais do que cobria. Costas nuas, ombros descobertos, um corte tão justo que parecia lingerie disfarçada de elegância.
Daniela engoliu em seco. Aquilo não era simples figurino para a previsão do tempo. Eram peças feitas para serem vistas, para provocar, para tentar.
Uma voz na sua cabeça dizia que estava cruzando uma linha, que ela não era o tipo de mulher que precisava disso para chamar atenção. Mas outra parte reagiu. Um fogo escuro se acendeu em seu peito, intenso e proibido. Imaginou-se diante das câmeras, com o tecido abraçando o corpo, com os homens devorando-a com os olhos de suas casas, com as mãos enfiadas por baixo da calça, batendo punheta enquanto a viam ler a previsão. Um formigamento quente percorreu-lhe o ventre e desceu, úmido, até a dobra entre as coxas. Sentiu a calcinha colar na boceta molhada só de pensar nisso.
É isso que se sente ao ser irresistível?
Escolheu o vermelho.
Desabotoou a blusa com calma, botão por botão, deixando o ar frio do camarim acariciar sua pele. A peça escorregou pelos ombros e caiu no chão. Diante do espelho, soltou o fecho do sutiã de renda e sentiu o alívio da pressão ao se libertar.
Seus seios se acomodaram naturalmente, firmes, a pele arrepiada pelo contraste de temperatura, os mamilos endurecidos se marcando descaradamente. Olhou-os por um segundo, pegou-os com as duas mãos e os apertou, sentindo o peso, os mamilos duros cravando-se nas palmas. Beliscou um deles, de leve, e uma corrente desceu direta para a boceta. Mordeu o lábio. Percorreu o próprio corpo com o olhar, a pele morna, a cintura fina, a moita de pelos aparada com capricho entre as pernas, antes de deslizar o vestido sobre o corpo em chamas.
O tecido se colava à pele como uma luva. Subiu as alças e puxou a barra sobre os quadris centímetro por centímetro, sentindo a resistência da peça. Olhou-se e mordeu o lábio. Não podia usar roupa íntima com aquele vestido: a renda da calcinha marcava de forma obscena sob o tecido, quebrando a ilusão de nudez que ele prometia.
Com um impulso de audácia, enfiou as mãos sob o vestido, prendeu o tecido entre os dedos e o baixou devagar, sentindo o atrito da renda deslizar pelas coxas. A calcinha desceu pesada, encharcada, um fio brilhante de umidade se esticando entre o tecido e sua boceta antes de se romper. O calor se acumulou entre as pernas. Endireitou-se diante do espelho e deixou a calcinha cair no chão. Pôs-se de perfil, subiu a barra do vestido um dedo, e por um segundo viu o púbis nu, brilhante, os lábios inchados como se já tivessem lhe tocado. Naquele instante, soube que não havia volta.
— Daniela, no set em cinco minutos — cortou a voz do assistente pelo intercomunicador.
***
O set estava mais frio que o habitual, mas ela sentia a pele em chamas. Cada passo nos saltos ecoava no chão da cenografia, o eco de sua decisão vibrando a cada centímetro do tecido vermelho. O vestido era um pecado de seda: justo como uma segunda pele, delineando cada curva, refletindo a luz dos refletores com um brilho quase úmido.
A fina alça que o prendia aos ombros se esticava a cada inspiração, ameaçando escorregar. Seus seios se marcavam sob o tecido fino, os mamilos eretos empurrando o pano para fora, impossíveis de ignorar. E ninguém no set estava ignorando aquilo.
Os olhares a devoravam. Técnicos, assistentes, cinegrafistas: todos arranjavam uma desculpa para estar ali. Ajustando luzes que não precisavam de ajuste, checando cabos que não exigiam revisão, demorando no desnecessário só para vê-la surgir. Um dos cinegrafistas ajeitava discretamente o zíper toda vez que ela se abaixava. A expectativa pairava no ar, densa, carregada de um tesão contido.
Quando ergueu os olhos, Rolando estava ali, parado de lado, com as mãos nos bolsos e o sorriso torto de um homem que acabou de ganhar uma aposta. Os olhos dele a percorreram com lentidão obscena, do decote descarado à curva da cintura, e desceram sem pudor até o triângulo do púbis, adivinhando que, sob o vestido, não havia nada. Não disse nada. Não precisava.
Daniela sentiu o corpo se tensionar sob aquele olhar predatório, mas, em vez de encolher, soltou o ar e empurrou o peito para a frente, ergueu o queixo como quem aceita um desafio. Sentiu a boceta pulsar contra o tecido, uma batida quente que a fez apertar as coxas.
— Lembra, querida… televisão é um jogo de imagem. E a sua será inesquecível — ecoou a voz de Rolando em seu ponto eletrônico.
O monitor mostrou a contagem regressiva. Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Ao vivo.
A luz banhava sua pele, envolvendo-a num brilho dourado. Daniela sorria, mas por trás daquela expressão ensaiada havia algo mais escuro, mais quente. A câmera enquadrava sua silhueta com precisão cirúrgica, capturando cada curva sob o tecido. E, no set, uma única pergunta circulava em murmúrios.
Ela está usando alguma coisa por baixo?
— Temperaturas em alta… muito calor nesta semana — recitou com voz sedosa, girando com elegância para que o tecido escorregasse um pouco mais sobre os seios.
Os cinegrafistas cravaram os olhos no monitor. A direção do canal, em seu escritório particular, largou o que estava fazendo para fitá-la fixamente. Foi reflexo da luz, ou a borda rosada de um mamilo apareceu contra o decote traiçoeiro?
— Continua, Daniela… nos dá mais — apertou os punhos Rolando.
O telejornal já deveria ter mudado de bloco, mas a produção decidiu estender a reportagem do tempo. Mais tempo no ar. Mais Daniela.
— E à noite… — soltou o ar, mexendo apenas os ombros, conseguindo fazer o vestido escorregar mais um pouco.
A dúvida se tornou insuportável. Os cinegrafistas engoliram em seco, os assistentes ficaram congelados. Daniela sentiu aquilo percorrê-la como um arrepio elétrico: o desejo contido, o tesão suspenso no ar como neblina. Não precisava ouvir as palavras para saber o que todos pensavam. Via isso nos olhos cravados nela, nas mãos crispadas sobre os controles, no volume que um dos operadores tentava disfarçar contra a borda da mesa. Sob o vestido, sua boceta encharcada molhava a parte interna das coxas.
E então, no meio daquele vertigem, sorriu. Um sorriso de rainha, de mulher que conhece o próprio poder. Girou com a mesma graça felina com que dançara a noite toda, deixando a gravidade fazer o resto. A alça escorregou um pouco pelo ombro e, por um instante eterno, o tecido fino deixou escapar o proibido: um brilho de pele nua, a teta redonda à mostra, o mamilo escuro e ereto reluzindo sob os refletores, antes de a imagem ir para o preto.
O set mergulhou num silêncio absoluto. Ninguém se mexeu.
— Daniela, querida… agora sim todo mundo vai falar de você — exalou Rolando, o canto da boca se curvando em satisfação.
Ela ficou imóvel, sentindo o calor dos refletores ainda sobre a pele, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Não havia volta.
***
Quando chegou à academia na manhã seguinte, ainda sentia o eco da noite anterior. A música eletrônica ecoava pelas paredes, misturando-se ao som dos aparelhos e aos gemidos dos corpos em esforço. Caminhou entre os equipamentos com sua garrafa de água numa mão e o celular na outra. Mas alguma coisa estava diferente.
Os olhares a atravessavam com mais insistência. Não era só a roupa esportiva justa, nem a forma como a malha cinza moldava a bunda com precisão indecente, marcando a linha do cu e o volume macio do púbis na frente. Era algo novo, algo impossível de ignorar. Homens que antes mal a notavam agora desviavam o olhar quando ela levantava a cabeça. Outros, mais ousados, a escaneavam de cima a baixo sem disfarce, demorando-se nos peitos, descendo pelo ventre, cravando os olhos no arco entre as pernas.
Subiu na cadeira extensora de pernas e tentou se concentrar na tensão dos músculos, mas uma conversa próxima quebrou sua concentração. Dois homens na casa dos quarenta, corpos trabalhados, falavam perto dos pesos com a cadência preguiçosa de quem acha que ninguém está ouvindo.
— Te juro, mano, eu nem tinha reparado nessa garota até agora… mas ontem à noite quase engasguei com o jantar.
— Nem me fala. Minha mulher tava na sala e eu com o celular embaixo da mesa vendo o vídeo. Fiquei tão duro que quase arrebentei a calça.
Risinhos abafados. Daniela sentiu um arrepio na nuca.
— Você tem?
— Claro. Guardei assim que vi. Isso não apaga. Ontem eu bati duas punhetas olhando aquele frame, o do mamilo.
Houve o som de uma notificação e, depois, o eco inconfundível de um vídeo sendo reproduzido com volume mal disfarçado. Daniela reconheceu a própria voz, o tom profissional com que dera a previsão na noite anterior. O momento-chave veio em segundos.
— Olha isso… aí, aí… tá vendo esse mamilo? Olha como ele tá duro, a puta.
O estômago se contraiu.
— Ela tá gostosa pra caralho. E esse vestido… como se não estivesse usando nada por baixo.
— Aposto o que você quiser que não tava — disse o outro, a voz rouca de luxúria—. Essa mulher quer ser comida. Eu pediria pra ela ficar de quatro e arrebentaria a bunda dela até ela chorar.
— Eu enfiava o pau na boca dela e fazia engolir tudo. Repara como ela olha pra câmera. Tá pedindo pau, mano, tá pedindo pau aos gritos.
Riram baixinho, numa cumplicidade suja. Um golpe de calor subiu pelo peito de Daniela, explodindo na garganta, no ventre, nas coxas. Devia estar furiosa, ofendida. Sabia que o certo era isso. Mas não era o que sentia.
A respiração acelerou. Um pulso traidor latejou entre as pernas. Eles não sabiam que ela estava ali, a poucos metros, ouvindo-os dissecar seu corpo com descaramento, como se a pele exposta na tela lhes pertencesse por direito. E o pior era que tinham razão. Ela queria ser olhada. Queria que batessem punheta pensando nela. Queria, em algum canto escuro e novo da cabeça, sentir um pau desconhecido abrindo-a em dois.
Não tinha sido um acidente. Ela sentira o vestido escorregar e não fizera nada para impedir. Sentira o calor de todos aqueles olhares e, em vez de encolher, se mostrara com ainda mais descaramento. Quisera que vissem seu peito. Quisera que a imaginassem nua, aberta, disponível.
Levantou-se do aparelho, pegou a toalha e foi para os vestiários com passos rápidos, quase automáticos, sem se atrever a olhar em volta. A pele ardia, o pulso retumbava nas têmporas. A lycra se colava à boceta encharcada, marcando os lábios inchados como uma segunda pele. Sentia, a cada passo, o tecido se enterrando entre as nádegas e roçando o clitóris, e cada fricção era uma descarga que a obrigava a cerrar a mandíbula para não gemer no corredor.
Empurrou a porta do banheiro, trancou-se numa cabine e apoiou as duas mãos na parede, tentando recuperar o fôlego. Mas o calor ainda estava ali, instalado no ventre, vibrante, insuportável.
Não posso… não devo…
O eco daquelas vozes ainda ressoava em sua cabeça. Apoiou a testa na porta fechada, sentindo a pressão entre as pernas pulsar com mais força. Do lado de fora, as vozes dos vestiários iam e vinham entre risadas soltas, chuveiros sendo ligados, secadores zumbindo. Tudo tão normal, tão mundano, enquanto ela queimava num fogo que não sabia como apagar.
Sua mão desceu devagar, escorregando pela cintura da lycra justa. Os dedos trêmulos se enfiaram sob o elástico, encontrando primeiro os pelos macios do púbis, depois o calor úmido que a esperava mais abaixo. O contato com a própria pele quente a fez estremecer. Estava encharcada. Os dedos afundaram num toque pegajoso assim que roçaram os lábios, e um cheiro quente, ácido, de fêmea no cio, subiu da virilha até o nariz. Mordeu o lábio inferior enquanto os dedos se enterravam na umidade da entreperna, contendo um gemido quando a polpa roçou o clitóris inchado, duro como uma pérola sob a carícia.
Viu aquele mamilo?
Seu corpo se arqueou com a lembrança, o quadril empurrando involuntariamente contra a própria mão. Com a outra, abriu caminho sob a camiseta esportiva, prendeu a barra do top e o empurrou para cima, libertando os seios. Beliscou o mamilo esquerdo entre o polegar e o indicador, girou-o, esticou-o, e uma corrente elétrica desceu reta para a boceta.
Essa mulher quer ser comida.
Os dedos se moveram com mais insistência. Desceu pela fenda encharcada, separou os lábios e enfiou dois dedos até o fundo. Um suspiro abafado escapou. Os dedos entraram com facilidade obscena, a boceta sugando-os faminta. Tirou-os e voltou a enfiá-los, marcando um ritmo lento, profundo, ouvindo o som molhado que a própria carne fazia ao recebê-los. Com o polegar, esfregou o clitóris em círculos, apertando cada vez mais forte.
Na cabeça, ouvia-os. Fiquei tão duro. Arrebentaria a bunda dela. Enfio o pau na boca. Imaginou o cinegrafista do volume puxando o pau ali mesmo, no set, mandando-a se ajoelhar. Viu-se abrindo a boca, sentindo a ponta quente de um pau alheio na língua, saboreando o pré-gozo salgado. Viu-se de costas, apoiada na mesa de mixagem, com o vestido vermelho arregaçado até a cintura e Rolando a abrindo por trás, metendo tudo de uma vez enquanto o telejornal seguia no ar.
Os quadris marcavam um ritmo involuntário, montando na própria mão, movendo-se contra os dedos como se fossem um pau de verdade. A outra mão se agarrou à porta, os nós dos dedos brancos. O eco de passos entrando no banheiro a fez prender a respiração. Novas vozes, risadas de mulheres em frente ao espelho.
Daniela ficou imóvel, o peito agitado, os dedos parados até o nó dentro da boceta. Se a descobrissem… Só o pensamento a fez tremer, mas, em vez de parar, a excitação se multiplicou. Que a ouvissem. Que soubessem que a apresentadora do tempo estava se masturbando ali mesmo, com os dedos encharcados do próprio gozo. Deslizou os dedos outra vez, com movimentos mais profundos, mais desesperados, fodendo a si mesma sem piedade, buscando o ângulo exato que a deixava louca. Encontrou aquele ponto áspero lá dentro e as pernas cederam.
O corpo inteiro se tensionou com o perigo, com a perversão de se tocar a poucos metros de desconhecidas que não faziam ideia do que acontecia atrás da porta. Com a mão livre, voltou a beliscar o mamilo, com força, até a dor fazê-la respirar entre os dentes. Imaginou uma boca sugando-o, mordendo-o. Imaginou dois homens ao mesmo tempo, um comendo-a de frente e outro enfiando nela pela boca, afogando-a no pau enquanto o outro fazia a boceta ranger.
O prazer se acumulou dentro dela, uma bola candente prestes a explodir. A boceta começou a se apertar ritmicamente ao redor dos dedos, os músculos internos tremendo, avisando. Mordeu a língua. As costas se arquearam contra a parede, a mão livre subiu à boca para abafar os suspiros enquanto os dedos aumentavam o ritmo, cada carícia mais descarada, mais selvagem. Agora se enfiava com três dedos, a palma batendo contra o clitóris a cada investida, o som molhado tão claro que lhe deu pânico e prazer ao mesmo tempo.
— Você ouviu isso? — sussurrou uma das mulheres lá fora.
Daniela congelou. O medo, o perigo, a possibilidade de ser descoberta a levaram ao limite. E então, com uma última fricção brutal do polegar sobre o clitóris, ela desabou. O orgasmo a atravessou como um choque elétrico. A boceta se fechou em espasmos violentos ao redor dos dedos, expulsando uma onda quente que encharcou sua mão até o punho e escorreu pela parte interna das coxas, manchando a lycra cinza com uma mancha escura e obscena. As costas se arquearam, as coxas se apertaram ao redor da mão, a outra tapando a boca com força para abafar qualquer som denunciante. Sentiu-se gozar por segundos intermináveis, onda após onda, enquanto continuava movendo os dedos, incapaz de parar.
Quando finalmente tirou a mão, tremia inteira. Os dedos brilhavam, pegajosos, cobertos de gozo espesso. Levou-os, sem pensar, aos lábios e os chupou um a um, saboreando o próprio gosto salgado enquanto o coração ainda martelava contra as costelas.
O prazer a deixou trêmula, com a testa apoiada na porta, o fôlego irregular e o coração retumbando contra as costelas. As mulheres do outro lado continuaram a conversa, alheias ao que acabara de acontecer a poucos metros delas.
Fechou os olhos, sentindo o suor escorrer pelo pescoço, a umidade grudada nas coxas, o peso do que acabara de fazer. E, no fundo da mente, para além da culpa, para além da confusão, uma verdade escura se agarrava à pele como uma tatuagem impossível de apagar.
Tinha gostado. E o pior de tudo era que queria mais.