Deixei-me tocar no trem enquanto todos assistiam
O espelho lhe devolveu a imagem de uma mulher que sabia exatamente o que estava fazendo. Disposta demais, consciente demais de cada centímetro de pele que deixava à mostra.
Renata ajustou a saia plissada sobre os quadris e alisou o tecido cinza com as palmas, como se pudesse domar o que o reflexo gritava para ela. As pregas caíam exatamente onde deviam, roçando a metade das coxas, curtas o suficiente para insinuar tudo se ela se movesse mal, longas o bastante para fingir inocência se alguém a questionasse.
A blusa branca, fina como um suspiro, mal se fechava com um par de botões. O início dos seios aparecia toda vez que ela respirava fundo. Quadris largos, pernas firmes. Ela sabia disso, e usava como arma.
Ela tinha decidido não vestir nada por baixo.
Nem calcinha, nem sutiã. Os seios se moviam livres sob a blusa transparente, os mamilos já duros pelo simples atrito do tecido, marcando-se como dois pontos escuros à vista de qualquer um. Entre as pernas, seu sexo nu pulsava quente, úmido desde antes de sair. Tinha se depilado naquela mesma tarde, deixando tudo liso e macio, imaginando a cena que agora encenava.
O tecido leve roçava sua pele nua a cada passo, e a blusa mal continha o peso dos seios. Renata podia imaginar: o ar entrando entre suas coxas, a sensação de estar exposta, como se a qualquer instante alguém fosse descobrir seu segredo. O sexo já escorria. Sentia como um fio morno descia pela parte interna da coxa, e essa umidade a deixou ainda mais quente.
O calor subiu pelo pescoço. Era perigoso. Também era viciante.
Ela mordeu o lábio, pegou a bolsa e desceu as escadas do prédio com os saltos ressoando no mármore. Cada batida seca fazia com que se sentisse observada, e isso lhe agradava mais do que estava disposta a admitir.
Ela sabia para onde ia.
O trem. Naquela hora ele sempre estava ali, parado junto à porta traseira do segundo vagão, com o olhar baixo, mas atento. Ela havia reparado semanas atrás. Sempre com a camisa aberta no pescoço e as mangas arregaçadas até os cotovelos.
Da primeira vez, Renata achou que tinha sido um acidente. Um roçar casual quando o vagão freou de repente. Mas depois veio outro, e outro. E ele nunca pediu desculpas. Sentiu o pau endurecido contra a bunda naquela tarde, pressionado por apenas um segundo, o bastante para saber que era grosso, que era longo, que estava pronto.
Ele só a olhou. Não a tocou, mas também não se afastou.
Desde então, ela passou a procurá-lo. Mudava o horário, mudava de estação, mas sempre voltava àquela linha, àquele vagão, como se a expectativa de encontrá-lo fosse uma corda invisível puxando-a. Tinha se masturbado tantas vezes pensando nele, com dois dedos afundados no sexo e a outra mão apertando os seios, imaginando o pau dele cravando nela até o fundo. Goza-va rápido, com violência, pensando naquele homem sem nome.
Enquanto descia para a plataforma, sentiu os olhares se cravarem nela. Homens e mulheres. Alguns disfarçavam melhor que outros, mas todos seguiam o balanço da saia, que se erguia um pouco a cada degrau e ameaçava mostrar demais. Isso a excitava.
O ar fresco acariciava a pele nua entre as coxas. Os mamilos se marcavam descarados contra o tecido. Ela sabia que podiam vê-los. Sabia que não tinha nada por baixo, e essa certeza lhe dava poder e vertigem ao mesmo tempo. Sentia o próprio sexo pulsar, inchado, molhado a ponto de mal conseguir andar sem apertar as coxas.
As bochechas se avermelharam, mas não de vergonha. Era o fogo percorrendo seu corpo, a adrenalina de saber-se olhada, desejada, exposta. Cada passo era um desafio. Um convite silencioso.
Deixou a saia esvoaçar um pouco mais enquanto caminhava. Quando chegou à beira da plataforma, apoiou-se no corrimão metálico e esperou, sentindo os olhos cravados em suas costas.
O coração batia rápido demais.
O trem entrou com um silvo metálico e ela ergueu os olhos.
Lá estava ele. Escorado na parede do vagão como sempre, as mãos nos bolsos, os olhos escuros fixos nela. Ele a percorreu de cima a baixo sem disfarçar, detendo-se no decote, nos seios marcados sob a blusa, na saia que mal cobria o suficiente. Renata viu a mandíbula dele se contrair, viu-o engolir em seco. Sabia que ele já estava imaginando-a nua.
***
Renata sorriu para si mesma enquanto subia e deixava a porta se fechar atrás dela. Parou perto do corrimão, o queixo erguido, os lábios entreabertos, como se não tivesse consciência dos olhares que começavam a pousar nela.
Brincou com o cabelo, enroscando-o nos dedos antes de soltá-lo devagar sobre os ombros, deixando-o cair como uma cortina escura contra o branco da blusa. O gesto não teve nada de casual.
Ela conseguia senti-los. Os olhares. Não só o dele. Havia mais.
Cruzou uma perna sobre a outra e permitiu que a saia subisse o bastante para revelar um pouco mais da coxa. Fingiu distração, mas sabia com exatidão o que provocava. Um homem mais velho, sentado à frente, a observava sem disfarce, com o volume marcado sob a calça. Renata baixou os olhos para aquela rigidez sem querer e sentiu o sexo se contrair de puro prazer.
O vagão enchia aos poucos. O espaço diminuía, os corpos se apertavam, e ela voltou a sorrir. A multidão empurrava, mas Renata mal sentia outra coisa além do calor da própria pele e da antecipação queimando por dentro.
Ele estava perto.
Ela soube antes de vê-lo, antes de a sombra dele se refletir no vidro da janela à sua frente. A presença dele a cobriu como um arrepio.
E então sentiu: aquele aroma. Um rastro de perfume masculino misturado com calor e pele, algo que se gravara nela desde a primeira vez que o teve atrás de si, tão perto que teria jurado tocá-lo sem roçar.
Ou talvez seja só a minha imaginação. O meu próprio desejo pregando uma peça cruel.
Renata fechou os olhos por um instante e deixou que aquele perfume invisível entrasse mais fundo, atiçando o formigamento no ventre, a umidade entre as pernas. Apertou as coxas e sentiu o sexo escorrer, encharcando a parte interna das coxas.
Mas era ele. Confirmou pela tensão no ar, pelo modo como a pele de suas coxas se arrepiou quando o espaço entre os dois desapareceu, quando o calor do corpo dele roçou suas costas.
Ela se moveu apenas o suficiente para deixar lugar atrás de si, quase como se fosse acidente, como se não o estivesse convidando a ocupar aquele espaço. Mas estava.
Sentiu o primeiro toque no quadril. Um contato leve, sondando o terreno. A respiração ficou mais rápida, mas ela manteve o olhar à frente, fingindo normalidade enquanto as bochechas ardiam.
Quantas vezes tinha imaginado exatamente aquilo?
Para muitas mulheres seria um pesadelo, uma violação do íntimo, um insulto. Mas para ela era outra coisa.
Era alívio. A possibilidade de se entregar sem pedir. De se deixar tomar em um lugar onde isso deveria ser proibido, onde perigo e prazer se misturavam como um veneno doce.
A pressão contra seu corpo aumentou. Ele não se afastou.
Renata mordeu a parte interna da bochecha para não gemer quando a mão deslizou pela coxa, primeiro roçando, depois subindo devagar, como se procurasse um sinal para continuar. Os dedos apertaram a carne firme da coxa, amassando-a, subindo um pouco mais a cada centímetro, tateando a barra da saia.
E ela lhe deu.
Inclinou os quadris apenas para trás, empurrando-se contra ele, sentindo a saia se erguer o bastante para que o início das nádegas aparecesse num lampejo rápido. Um lampejo que talvez algum dos outros homens tenha notado. Esfregou a bunda contra o volume dele num movimento lento, calculado, impossível de confundir com acidente.
A resposta dele foi imediata.
O pau contido na calça se apertou contra ela, firme, inquestionável, enviando-lhe um arrepio que percorreu a coluna. Renata saboreou aquela sensação proibida, aquela pressão descarada que lhe dizia sem palavras tudo o que ele queria fazer com ela. Sentiu-o pulsar contra a bunda, duro como pedra, longo, grosso, procurando o vão entre as nádegas mesmo através do tecido. O pau procurava o sexo dela, e ela sabia.
O vagão sacudiu, mas nenhum dos dois se moveu. Ele manteve a pressão, deixando-a senti-lo por inteiro, como se lhe lembrasse que já não havia volta. Ela empurrou a bunda para trás, num vai e vem disfarçado, esfregando-se contra aquela rigidez, sentindo o vão entre as nádegas se acomodar ao contorno do pau. Teria se ajoelhado ali mesmo para tirá-lo e metê-lo na boca, para chupar até o fundo da garganta se não fosse pelas pessoas.
Ela apertou o corrimão e se encaixou ainda mais contra o corpo dele, oferecendo-se sem dizer nada.
***
A mão deslizou sob a saia. O tecido mal ofereceu resistência antes que os dedos dele roçassem a pele nua, percorrendo a curva das coxas como se já lhe pertencesse. Renata fechou os olhos, saboreando a sensação de ser tocada onde não devia.
Com gente ao redor. Com o trem em movimento.
Ela podia sentir a respiração quente dele na nuca, perto demais, como se quisesse dizer algo e se contivesse. Mas os dedos não se contiveram. Ele apertou a nádega dela, afundando os dedos na carne, amassando-a, afastando-a um pouco só para que o ar frio do vagão roçasse a pele mais íntima.
Renata havia escolhido aquela saia de propósito. Plissada, cinza, com o corte exato para subir se ela se movesse demais. Aquilo lhe lembrava os primeiros anos de faculdade, quando começou a descobrir o poder de um olhar mantido por um segundo a mais, o arrepio de saber-se observada numa sala cheia.
Sempre gostou de brincar com o risco. Primeiro foram os olhares furtivos, os olhos cravados em suas pernas quando fingia não notar. Depois vieram os roçes “acidentais” nos corredores estreitos da faculdade, mãos que tocavam seus quadris enquanto ela fingia não perceber, embora sentisse o calor subir em ondas. Aprendeu a inclinar-se o bastante para que os botões da blusa ameaçassem ceder, a cruzar as pernas com um gesto estudado que deixava apenas um lampejo de pele.
Provocar sem ser pega virou sua especialidade. Ela gostava dessa mistura de nervosismo e desejo que a fazia apertar as coxas em segredo. Gostava de saber que alguém a observava, que podia fazê-lo perder o controle sem pronunciar uma única palavra. No quarto, enfiava dois dedos no sexo pensando naqueles homens, e sempre gozava em poucos minutos, mordendo o travesseiro.
Mas aquilo era diferente. Já não era um jogo à distância. Era real. Cru. E ela estava escolhendo aquilo outra vez.
Quando ele subiu os dedos um pouco mais, ela apertou os lábios para conter o suspiro. Não queria que ninguém percebesse. Ou talvez quisesse. Talvez quisesse que mais alguém visse o quão fácil era quebrá-la.
Renata soltou o ar num suspiro curto, quase um gemido abafado, e afastou as pernas um pouco mais. A ideia de que alguém pudesse notar só a excitava ainda mais.
Ele também sentiu. A pressão da mão aumentou. Já não sondava. Agora tomava. Mas quando os dedos alcançaram a pele nua, ele parou por um segundo.
Não havia renda. Não havia barreira nenhuma. Só umidade e carne morna. Só um sexo encharcado, inchado, pulsando sob seus dedos, pronto para ele.
O calor subiu de repente, uma chicotada que o deixou surpreso e faminto ao mesmo tempo. Com a ponta de um dedo, percorreu os lábios inchados, afastando-os, encontrando o clitóris duro como uma pérola no fim daquela fenda molhada. Renata deu um sobressalto, mordeu o lábio até se machucar para não gemer.
Ela não tinha nada por baixo. A certeza o atingiu no estômago. Renata tinha planejado aquilo. Tinha saído de casa assim, com aquela saia que mal cobria o necessário, se expondo de propósito. E tinha feito isso para ele. Porque queria aquilo. Porque queria o pau dele. Porque queria que ele a comesse ali mesmo, entre estranhos.
***
Ele engoliu em seco e tentou manter o controle, mas já respirava pesado. Os dedos dele deslizavam pela umidade quente, espalhando-a, explorando o que ela lhe oferecia em silêncio. Círculos lentos sobre o clitóris, pressão firme, depois um dedo grosso que afundou devagar no sexo dela, até o fundo, até arrancar um suspiro que ela teve de morder.
Não era a primeira vez para ele. O trem havia se tornado seu território, um lugar onde os corpos se apertavam e a proximidade virava desculpa. Ele não buscava perfeição física; orgulhava-se de uma habilidade quase instintiva para reconhecer as mulheres que não se afastariam, as que o deixariam avançar sem necessidade de palavras. Lia os movimentos sutis, os olhares, até o silêncio.
E quando alguma vez sentia que cruzava uma linha, sabia recuar a tempo. Gostava de pensar que tinha limites. Não se via como um vilão, mas como alguém com uma moral torta, porém firme.
Renata, no entanto, desmontara todas aquelas certezas. Ela não era como as outras. Tinha vindo procurá-lo, preparada e disposta. Não precisou adivinhar nada: ela mostrou tudo. A saia, a pele nua, a maneira como se empurrou contra ele. Não foi coincidência. Foi um convite. Um presente. Um sexo limpo, molhado e sem calcinha, oferecido no vão entre a roupa dela e a dele.
Agora, com os dedos deslizando entre as coxas dela, ele soube que aquela noite iria mais longe do que jamais imaginara. Enfiou um segundo dedo. Depois um terceiro. Abriu-a, alargou-a, sentindo as paredes quentes se contraírem ao redor da mão, escorrendo o próprio gozo sobre a palma.
Ela tremeu sob a mão dele, e esse tremor o enlouqueceu.
Chegou mais perto, colando o peito às costas dela. O trem seguia avançando, freando de repente, empurrando os corpos uns contra os outros, mas ele não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ela. Dali via tudo: o decote aberto, a forma como os seios dela se moviam no ritmo do vagão, os mamilos marcando sombras tentadoras sob o tecido fino.
Com a mão livre, contornou a cintura dela e subiu até encontrar um daqueles seios por dentro da blusa. Agarrou-o inteiro, apertando a carne morna, beliscando o mamilo até arrancar um espasmo. Os dedos da outra mão continuavam cravados no sexo dela, entrando e saindo num ritmo obsceno que ela acompanhava com os quadris.
O controle que costumava ter desmoronava. Sabia que estava brincando com fogo e já não lhe importava. Tirou os dedos encharcados e os levou à boca por cima do ombro de Renata, para que ela visse de relance. Chupou-os devagar, saboreando o sexo dela, rosnando baixo contra o ouvido dela.
Renata se agarrou ao corrimão, os nós dos dedos brancos, mas os quadris empurraram para trás em busca de mais. Ele a sentia se entregar, e isso o deixava louco.
— Você sabia que eu ia fazer isso, não sabia? — sussurrou contra o pescoço dela, os lábios roçando de leve a pele ardente —. Saiu assim, sem nada por baixo. Pra mim.
Ela não respondeu. Não conseguia. O corpo falou por ela: arqueou-se um pouco, pressionando os quadris numa resposta silenciosa que o convidava a continuar. A mão dele subiu mais para dentro, mais fundo, os dedos explorando sem pudor a umidade morna que o recebia sem resistência.
— Puta — murmurou ele, quase com ternura —. Você está encharcada. Olha como está me deixando a mão.
Renata gemeu baixo, mordendo o lábio. Sentiu-o baixar o zíper com a outra mão, com um movimento discreto, porém decidido, tirar o pau e deixá-lo livre entre os dois corpos apertados. Sentiu-o bater quente contra a pele nua da bunda, grosso, duro, pulsando. Ele estava ali, no vão entre as nádegas dela, separado do sexo por nada além de alguns centímetros e a saia levantada.
— Levanta um pouco a bunda — sibilou ao ouvido dela.
E ela fez. Sem pensar. Inclinou-se um pouco para a frente, apoiando-se no corrimão, e ofereceu o sexo num ângulo perfeito. Os outros passageiros continuavam distraídos, alguns olhando de soslaio sem coragem de compreender o que viam. Ele afastou as pregas da saia com uma mão e com a outra guiou a ponta do pau contra a entrada molhada.
Renata sentiu a glande quente empurrar contra os lábios do sexo, deslizando na umidade, e todo o corpo dela estremeceu. Prendeu a respiração quando ele começou a entrar, devagar, centímetro por centímetro, abrindo espaço na carne. Sentiu-se abrir, alargar, ceder ao redor do pau grosso até tê-lo inteiro dentro, com os testículos encostados na pele úmida.
Mordeu a parte interna da bochecha até sangrar para não gritar.
Ele começou a se mover. Investidas curtas, disfarçadas, escondidas no vai e vem do trem, como se a frenagem e a arrancada do vagão fizessem aquilo por ele. Cada impulso lhe mandava uma descarga pela coluna. O pau entrava e saía do sexo dela com um chapinhar baixo que só os dois podiam ouvir, coberto pelo rugido dos trilhos.
Renata apertou os olhos e conteve os gemidos cerrando os lábios. O sexo dela se contraía ao redor daquele pau, sentindo-o pulsar dentro, sentindo-o tocar lugares que ninguém mais tinha tocado. Ele beliscava o mamilo por dentro da blusa, a segurava pela cintura, a comia num trem cheio como se ela fosse dele e ela não fosse capaz de negar nada.
Renata apertou as coxas para conter a reação que ameaçava denunciá-la, mas foi inútil. Sabia que os outros passageiros não estavam totalmente alheios. Alguns enterrados nos celulares, outros roubando olhares rápidos, confundindo a cena com a de dois amantes perdidos no desejo.
Mas não eram. Eram estranhos compartilhando um segredo proibido. Um homem e uma mulher fodendo de pé num vagão enquanto o resto fingia não notar.
A tensão a fazia ferver. Mordeu a parte interna da bochecha, lutando contra o gemido que lhe arranhava a garganta enquanto ele continuava se movendo dentro dela, mais exigente, mais fundo. O pau lhe batia no fundo a cada investida, e ela sentia o orgasmo se acumular, se enroscar no baixo-ventre, ameaçando transbordar.
— Goza no meu pau — ele murmurou ao ouvido dela, quase imperceptível —. Relaxa. Agora.
O alto-falante anunciou a próxima parada, mas ela mal ouviu. O som ficou abafado pelos batimentos do coração, pelo tremor das pernas, pela onda de calor prestes a arrastá-la. Agarrou-se mais forte, respirando aos pedaços, o corpo inteiro lutando para não gozar ali mesmo, de pé, diante de todos.
Mas gozou. Não conseguiu evitar. O orgasmo a partiu ao meio, uma chicotada elétrica que nasceu no clitóris e subiu pela espinha dorsal. O sexo se apertou violentamente ao redor do pau, contraindo-se em ondas, expulsando gozo quente que escorreu pelas coxas. Abafou o grito num gemido baixo, mordendo o lábio, tremendo inteira enquanto ele continuava a estocar por trás.
Ele não podia parar. Não queria.
***
O trem parou de repente. Ele aproveitou a freada para se colar mais, para aprofundar o atrito, para marcá-la uma última vez antes de as portas se abrirem. Empurrou forte, até o fundo, e ela sentiu o pau inchar ainda mais lá dentro, sentiu-o começar a pulsar com violência. Um rosnado abafado roçou a nuca dela, e depois veio o calor. Jatos de gozo espesso enchendo-a por dentro, uma porra atrás da outra, enquanto ele se enterrava até a última gota e esvaziava os ovos no sexo dela.
Ele ficou ali mais um instante, apertando-a contra si, respirando no pescoço dela. Depois saiu dela devagar, deixando um rastro de gozo quente que começou a escorrer pelas coxas. A mão voltou a descer sob a saia, com os dedos recolhendo o que vazava do sexo dela, e ele os levou à boca sem deixar de olhá-la de canto.
Renata prendeu a respiração. As pernas ainda tremiam. Podia sentir o gozo dele pingando pela parte interna da coxa, morno, espesso, marcando-a.
Ele se inclinou sobre o ouvido dela e deixou as palavras caírem como uma ordem disfarçada de promessa.
— A gente se vê na próxima volta. Sem calcinha outra vez. E com a boca pronta.
E então se afastou.
Ela o viu sair do vagão sem olhar para trás, deixando-a ali, ainda exposta, com o eco da voz cravado na mente e a umidade escorrendo entre as coxas. O gozo continuava vazando, encharcando a parte interna da coxa, marcando a pele com um rastro brilhante que mal chegava a cobrir a saia.
O alto-falante avisou que as portas estavam para se fechar. Renata deu um passo e o movimento ergueu a barra da saia apenas o bastante para arrancar um olhar rápido de um homem sentado ao fundo. O sujeito tinha a mão no volume da calça. Renata o encarou e afastou as pernas apenas um pouco, deixando que ele visse o fio de gozo brilhando na coxa.
Sorriu. E, enquanto as portas se fechavam, ficou pensando no que faria da próxima vez que o encontrasse.
Ou talvez com outro.