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Relatos Ardientes

O que vi do limiar naquela noite

São onze da noite e as crianças já não fazem barulho.

Você passou o dia inteiro carregando o peso do mundo: o trabalho, as compras, o banho dos pequenos, o jantar que ninguém agradece. E agora isso. Um uniforme manchado que não pode esperar até amanhã. Porque, se você deixar para amanhã, amanhã também não vai haver tempo. Sempre tem alguma coisa.

Você está na cozinha com aquela camiseta velha que escorrega do seu ombro direito e um short de algodão. Sem sutiã. Com o cabelo preso às pressas, alguns fios soltos colados ao pescoço pelo calor que ainda fica no apartamento a esta hora.

Seu marido está na cama faz tempo. Cansado, ele disse. Como sempre diz. Faz semanas que não te toca. Meses, talvez, se você contar as vezes que realmente valeram alguma coisa. E o seu xoxota já se acostumou com essa secura conjugal que nem sequer reclama mais.

Você também não está bem. Mas tem coisas que simplesmente precisam ser feitas.

***

A porta dos fundos que dá para o pátio estava sem trancar.

Eu reparei nisso há semanas, quando comecei a te ver da grade. No começo, não foi algo premeditado. Eu chegava tarde em casa, passava em frente ao seu jardim e a luz da sua cozinha estava sempre acesa quando tudo o resto já dormia. Parei uma noite. Depois outra. E depois eu já não me perguntei mais por que fazia isso.

Tem alguma coisa no fato de alguém não saber que está sendo observado que muda tudo.

Você se move de outro jeito quando acha que está sozinha. Com mais liberdade. Com aquela indolência do corpo quando ele já não precisa atuar para ninguém. É isso que me prende: não a roupa que você usa nem o desenho da sua silhueta contra a luz do exaustor. É isso. O descuido. A verdade de alguém que finalmente se soltou. E o meu pau, noite após noite atrás daquela grade, foi ficando duro ao te ver se abaixar, sabendo que debaixo daquela camiseta velha os seus peitos balançavam livres.

Esta noite a porta não estava trancada. E eu entrei.

Devagar. Sem fazer barulho. Só o suficiente para passar.

***

Fico no limiar observando você.

Você está agachada diante do tambor da máquina de lavar, colocando as peças uma a uma. Tem um jeito de fazer isso que me parece quase hipnótico: pega uma peça, sacode de leve, põe para dentro. Pega outra. Sacode. Coloca. Como se o gesto repetido fosse uma forma de não pensar. Como se precisasse manter o corpo ocupado para a cabeça descansar.

Mas ela não descansa. Eu vejo na tensão dos seus ombros. Em como você cerra a mandíbula entre uma peça e outra. O short subiu, e de onde estou dá para ver a curva da sua bunda aparecendo por baixo do algodão fino.

Você está pensando. E sabe que está pensando. E é isso que mais pesa.

Fico talvez três minutos sem me mexer. A geladeira zune. A máquina começa a puxar água. O apartamento cheira a amaciante e ao jantar de algumas horas atrás. O mundo inteiro parece parado neste momento pequeno e improvável.

E então alguma coisa muda.

Não faço nada. Não faço nenhum barulho. Mas suas mãos param um instante sobre o tambor aberto, com uma camiseta meio enfiada dentro, e eu sei que você percebeu. Não sei como. Às vezes o corpo tem um jeito de sentir a presença de outro antes de haver qualquer sinal concreto. Uma mudança no ar. Uma densidade diferente no silêncio da cozinha.

Suas mãos ficam imóveis um segundo a mais do que o gesto deveria durar.

Depois continuam. Você enfia a camiseta. Pega outra meia.

Mas você já não é a mesma de um momento atrás.

***

Chego mais perto. Três passos. Quatro. O chão da cozinha não range — eu sei porque já conferi isso outras vezes, do lado de fora, imaginando exatamente isto.

Paro a menos de um metro de você.

Não te toco. Só estou ali.

E, no entanto, suas costas se enrijecem de um jeito completamente diferente do que estavam antes. Não é alarme. Não é medo. É outra coisa. É esse tipo de tensão que o corpo sente quando está muito atento a algo que ainda não quer nomear.

Você poderia se virar. Seria o lógico. Seria o que qualquer um faria ao notar uma presença atrás de si.

Mas você não se vira.

E esse detalhe — esse pequeno, enorme detalhe — é o que me diz tudo o que preciso saber.

Porque, se fosse medo, você já teria gritado. Se fosse indiferença, já teria se virado com uma pergunta prática nos lábios. Mas você não faz nenhuma das duas coisas. Fica onde está, ligeiramente inclinada sobre o tambor, com as mãos sobre uma peça que você já não está colocando.

Esperando.

Não sei se você sabe disso conscientemente. Não sei se admitiria se eu perguntasse. Mas o seu corpo já vinha dizendo isso há minutos com uma clareza que nenhuma palavra conseguiria igualar.

***

Chego um pouco mais perto. Quase consigo sentir o calor que sua pele solta. O perfume do sabonete misturado com outra coisa, algo seu, que só aparece a esta hora quando você já não precisa ser para ninguém.

Inclino a cabeça até o seu ouvido direito.

Ainda não falo. Só deixo que você sinta a proximidade. O hálito. A diferença entre o ar da cozinha e o ar que vem de mim, que estive lá fora, que cheira a noite e à terra úmida do pátio.

Sua respiração muda. Eu percebo porque estou muito perto e porque estou procurando isso. Fica mais lenta. Mais deliberada. Como quando o corpo decide conscientemente se acalmar porque sabe que, se não fizer isso, vai se denunciar por completo.

Você ergue levemente a cabeça. Não chega a se virar. É só um movimento de alguns graus, como se o corpo quisesse vir na minha direção, mas parasse bem a tempo.

Sorrio. Você não pode ver. Mas percebe assim mesmo. Às vezes o sorriso de alguém dá para sentir, mesmo de costas.

Abro a boca.

Levo meu tempo. Um segundo. Dois. O tipo de pausa que não é vazio, mas tensão acumulada, pressão guardada, logo antes de alguma coisa ceder.

E então, bem devagar, eu te digo:

—Eu sabia que você não ia se afastar.

***

Você não responde de imediato.

A máquina termina de encher o tambor e corta a água com um clique metálico. O barulho do motor começa, surdo e constante, e por um momento esse som preenche todo o espaço entre nós.

—Há quanto tempo você está aí? — você pergunta. E sua voz soa estranha. Não assustada. Só diferente. Como se você estivesse sem falar havia um bom tempo e as palavras precisassem de um instante para voltar a funcionar.

—O suficiente — eu digo.

Outro silêncio. Um silêncio que pesa de um jeito específico, não desconfortável, mas cheio.

—Meu marido está em cima — você diz.

Não é uma advertência. Eu sei porque não é assim que uma advertência soa. Parece mais algo que você precisa dizer em voz alta para ver se ainda importa. Para ouvir e medir quanto isso pesa agora.

—Eu sei — respondo —. E também sei que faz tempo que ele não te come.

Você engole em seco. Eu ouço.

Você se endireita bem devagar. Ainda sem se virar. As mãos abandonam o tambor da máquina e caem ao lado do corpo, abertas, sem nada para segurar. É um gesto pequeno, mas completo: o corpo largando a tarefa para ficar só presente.

—Por que você entrou? — você pergunta.

É uma boa pergunta. A pergunta honesta, a que vai direto ao centro de tudo, sem rodeios. Gosto disso em você: quando fala, fala de verdade. Não pergunta o que não quer saber.

—Porque a porta estava aberta — eu digo —. E porque há semanas eu vejo a luz da sua cozinha acesa quando tudo o resto dorme. E porque toda noite eu ia para a cama com o pau duro pensando em você.

Você solta o ar. Devagar. Daqueles suspiros que você vem guardando há tempo demais.

—E esta noite você decidiu entrar? — agora não é só uma constatação; tem um corte ali, e eu não sei bem se é raiva, curiosidade ou algo que ainda não tem nome.

—Esta noite, sim — confirmo.

***

Você se vira.

Devagar. Como se precisasse fazer isso assim para que nós dois tenhamos tempo de nos preparar para o que significa encarar isso.

Você me olha. Pela primeira vez desde que estou aqui, me olha de frente. E não há surpresa no seu rosto. Há outra coisa. Reconhecimento, talvez. Como se você já estivesse esperando algo, sem saber exatamente que forma aquilo teria nem quando chegaria. A camiseta escorregou um pouco mais, e pelo decote aparece o começo de um seio, o mamilo marcado, tenso contra o tecido.

—Você vem me olhando há semanas — você diz. E isso não é uma acusação.

—Sim.

—O que você viu?

Levo um momento. Não para pensar na resposta, mas para dizê-la direito.

—Alguém que faz tudo o que precisa ser feito e nunca descansa — eu digo —. Alguém que fica sozinha na cozinha à meia-noite porque é o único momento do dia em que ninguém lhe pede nada. Uma mulher com a buceta esquecida e uma vontade de ser comida que aparece até quando ela dobra roupa.

Algo cruza o seu rosto. Rápido. Como uma pequena fissura em alguma coisa que você vinha mantendo fechada com força há muito tempo.

—E isso te parece interessante? — sua voz tem um corte que eu não sei se é sarcasmo, incredulidade ou as duas coisas ao mesmo tempo.

—Me parece a coisa mais honesta que eu vi em muito tempo — eu digo —. E isso me deixa duro pra caralho.

***

Dou um passo em sua direção. Só um.

Você não recua. Também não avança. Fica exatamente onde está, com as costas apoiadas de leve na máquina de lavar que já vibra em plena função, e me olha com aquela expressão que não termina de ser uma coisa nem outra.

—Você devia ir embora — você diz.

—Deveria — eu concordo.

Mas nenhum dos dois faz nada. Ficamos quietos, medindo a distância que resta, que já não é tanta.

A máquina zune. Lá fora, na rua, passa um carro com o som baixo. Em cima, em algum lugar do apartamento, alguém se mexe entre sonhos e volta a ficar quieto.

—Você passou o dia inteiro fazendo o que tinha que fazer — eu digo. Já muito perto. A voz baixa, sem pressa —. Hoje à noite você não tem que fazer nada. Hoje à noite é a sua vez de abrir as pernas e deixar outro trabalhar.

Você fecha os olhos por um segundo. Só um.

Quando os abre de novo, alguma coisa mudou. Não no espaço entre nós, que continua o mesmo. Mas na forma como você me olha. Como se tivesse tomado uma decisão que ainda não vai pôr em palavras, mas que já é definitiva e irrevogável.

Levanto a mão e afasto com um dedo a mecha de cabelo colada ao seu pescoço. Só isso. O roçar mínimo. A ponta do meu dedo sobre a sua pele quente, levemente úmida pelo calor da cozinha.

Você não diz nada.

Mas sua respiração se abre, profunda e lenta, e isso me diz tudo o que ainda faltava saber.

Me inclino. Devagar. Com o mesmo tipo de lentidão com que entrei, porque o que não se precipita dura mais, pesa mais e é lembrado melhor. Minha boca roça o lado do seu pescoço, logo abaixo da orelha, onde a pele é mais fina e o pulso aparece. Você fica completamente quieta, mas não daquele jeito tenso de antes. Quietinha de outro jeito. Como quem para para não perder nada.

Suas mãos, que estavam há um tempo pendendo ao lado do corpo sem saber o que fazer, se movem enfim. Uma vai até meu antebraço. Não me empurra. Só me segura. O contato dos seus dedos sobre a minha pele é a primeira coisa que você diz sem palavras, e diz com muita clareza.

—Eu não sei o que estou fazendo — você sussurra.

—Sabe sim — eu respondo.

E, em algum lugar onde você não está mentindo para si mesma, tem de reconhecer que isso é verdade. Que você já sabe desde antes de eu abrir essa porta. Talvez desde muito antes.

***

Desço a mão pelo seu pescoço, pela clavícula, e enfio os dedos por baixo da gola caída da camiseta. Puxo para baixo num movimento lento até um dos seus seios sair inteiro. Está macio, pesado, morno, o mamilo escuro e já duro de tanto esperar. Agarrei-o com a mão inteira e aperto. Não de leve. Como um seio que passou meses sem que ninguém olhasse merece ser apertado.

Você geme. Um gemido curto, preso entre os dentes, como se ainda tivesse vergonha de fazer barulho na própria cozinha.

—Deixa sair — eu digo no seu ouvido —. Lá em cima ele não escuta nada.

Baixo a cabeça e meto o mamilo na boca. Chupo inteiro, forte, puxando com os lábios e raspando com os dentes. A mão que estava no meu antebraço sobe e se enfia na minha nuca, me empurrando contra seu seio. Você já não quer que eu pare. Já não disfarça mais nada.

Subo sua camiseta até o pescoço e chupo o outro seio do mesmo jeito, deixando os mamilos brilhando de saliva sob a luz do exaustor. Com a mão livre, aperto sua bunda por cima do algodão fino, amasso, separo as nádegas por cima do tecido. Depois enfio a mão por dentro do cós do short, com a palma para baixo, e desço direto entre as suas pernas.

Você está encharcada. Minha mão encontra uma umidade morna e espessa que já escorre pelo interior das suas coxas. Passo dois dedos pela fenda da sua buceta, de trás para frente, e quando chego ao clitóris seus joelhos tremem.

—Porra — você sussurra, com os olhos fechados e a cabeça jogada para trás contra a porta do armário.

—Olha como você está — eu digo, tirando os dedos brilhantes e mostrando para você na frente do rosto —. E ainda diz que não sabe o que está fazendo.

Levo os dedos à sua boca. Você não hesita. Abre os lábios e os chupa inteiros, lambendo a si mesma dos meus nós dos dedos com uma sem-vergonhice que até surpreende você.

Puxo seu short para baixo de uma vez. A calcinha de algodão branco vem enrolada junto e cai no chão com ele. Você fica com a camiseta levantada até as axilas, os seios para fora, e a buceta peluda e molhada brilhando sob a luz. Ajoelho-me diante de você ali mesmo, no chão da cozinha, entre montes de roupa suja.

—Abre — eu digo, separando uma de suas coxas com a mão.

Você apoia uma perna no meu ombro. Seguro sua bunda com as duas mãos, puxo você para perto do meu rosto e enterro a língua na sua buceta. Enfio inteira, tiro, lambo sua fenda de baixo para cima, paro no clitóris e chupo como se fosse um mamilo pequeno. Começo a te lamber e não paro. Você tem um gosto forte, denso, de mulher que passou o dia inteiro presa num corpo que ninguém tocou.

Você se contorce contra a minha boca. Uma mão vai para o seio e você mesma belisca o mamilo. A outra se enterra no meu cabelo. Você começa a se mexer, a foder meu rosto sem pudor, como se o ritmo fosse ditado por você e não por mim.

—Não para, não para — você ofega —. Aí, aí mesmo, não para.

Enfio dois dedos. Eles afundam até o fundo com um som úmido que se ouve por cima do zumbido da máquina de lavar. Curvo-os para cima, procurando o ponto que incha lá dentro, enquanto continuo chupando seu clitóris.

Você vai gozar. Eu percebo porque sua buceta aperta meus dedos em ondas curtas, porque suas pernas ficam rígidas, porque você respira de boca aberta, emitindo sons partidos que não controla.

—Vou gozar, vou gozar, meu Deus, vou gozar — você diz, e morde o nó do dedo da mão livre para não gritar.

Você goza na minha boca. Um jorro morno, uma contração atrás da outra, a buceta apertando meus dedos como um punho. Continuo te lambendo devagar, prolongando seu gozo até você empurrar minha cabeça para trás porque o clitóris ficou tão sensível que você não aguenta mais.

Levanto com o rosto molhado. Seguro sua mandíbula e te beijo. Um beijo sujo, com língua, para você provar a si mesma na minha boca.

—Ainda não — eu digo contra seus lábios —. Ainda não acabamos.

***

Viro você de novo. De frente para a máquina. Empurro suas costas com a mão aberta até você ficar inclinada para a frente, com os seios pendendo sobre o tambor que vibra, as mãos apoiadas na borda, a bunda para trás, oferecida.

Abro o zíper. Meu pau sai duro, inchado, com a cabeça já molhada de tantas noites te olhando. Apoio-o entre suas nádegas e passo devagar pela fenda da sua buceta, de trás para frente, encharcando-o no seu próprio mel.

—Me diz que sim — sussurro.

Você vira um pouco a cabeça. Os olhos semicerrados. A boca aberta.

—Me come — você diz —. Me come agora, por favor.

Eu entro com uma estocada só. Inteiro. Até o fundo, até meu quadril bater na sua bunda com um impacto seco.

Um gemido longo e rouco escapa de você, daqueles guardados por meses. Agarrei suas ancas com as duas mãos e começo a te comer. Forte. Sem delicadeza. Cada investida faz a máquina se mover um pouco e faz seus seios quicarem contra a borda metálica do tambor.

—Assim, assim — você ofega —. Forte, mais forte.

—É isso que você precisava, né? — eu digo, segurando seu cabelo preso e puxando para trás para arquear sua coluna —. Que alguém te comesse direito enquanto seu marido ronca em cima.

—Sim — você diz, e não liga de admitir —. Sim, sim, sim.

Solto seu cabelo, agarro seus dois peitos pendurados por trás e continuo te empurrando com o quadril. Sua buceta faz um barulho molhado em volta do meu pau, dá para ouvir claramente, obsceno, por cima do zumbido do motor. Mordo seu ombro por cima da camiseta caída.

Mudo você de posição. Viro você de novo, desta vez a levanto no colo e a sento sobre a máquina de lavar, que está centrifugando. Você sente a vibração do aparelho subindo pela bunda, pela buceta aberta, e seus olhos viram só com isso.

—Ai, meu Deus — você murmura.

Fico entre suas pernas abertas, seguro suas coxas e enfio meu pau de novo até o fundo. Agora vejo seu rosto. Agora você vê o meu. Eu te como olhando nos seus olhos enquanto a máquina vibra sob você e também te fode por dentro.

Você se agarra aos meus ombros, crava as unhas em mim, enrola as pernas na minha cintura. Chupo um seio, mordo o outro, lambo seu pescoço. Falo putarias no seu ouvido enquanto te arrebento.

—Olha como você engole meu pau, olha como sua língua sai, é isso que você é quando ninguém vê.

—Sou sua, sou sua esta noite — você ofega, sem controlar mais nada do que diz.

Você goza de novo. Dessa vez sem avisar. Seu corpo inteiro se sacode, seios inclusive, a buceta aperta meu pau em espasmos longos e eu aguento, segurando suas ancas para continuar metendo enquanto você goza.

E então é a minha vez. Tiro na hora certa. Seguro sua nuca, baixo seu rosto até a altura do meu pau e gozo sobre seus seios pendurados, sobre seu pescoço, um pouco sobre o seu queixo. Gozo grosso, longo, semanas te olhando da grade saindo em cima de você na sua própria cozinha.

Você fica sentada sobre a máquina que já começa a desacelerar. Encharcada. Marcada. Com o sêmen escorrendo pelo decote até o ventre. Respirando de boca aberta.

Você me olha. Eu te olho. Nenhum dos dois diz nada por um bom tempo.

Depois você estende a mão, pega uma camiseta limpa do cesto ao lado e se limpa devagar, sem tirar os olhos de mim, como quem se recompõe depois de ter sido outra pessoa por quinze minutos.

***

Mais tarde, quando a máquina de lavar tiver terminado o ciclo e a cozinha cheirar só à noite que entra pela janela entreaberta, haverá uma versão sua que não vai saber exatamente o que aconteceu aqui nem por que deixou acontecer.

E haverá outra versão — a que esteve nesta cozinha, com as mãos abertas ao lado do corpo e os olhos fechados por um segundo, a que acabou aberta de pernas sobre a máquina de lavar com o meu gozo escorrendo pelos seus seios — que sabe perfeitamente.

Que já sabia há meses.

Que só precisava, simplesmente, de alguém abrir a porta e ficar no limiar tempo suficiente para que o corpo tomasse a sua própria decisão.

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