O que vi pela porta entreaberta do quarto da minha mãe
Ao meu primo vou chamar Damián, e durante anos ele foi o espelho no qual eu queria me refletir. Tinha vinte e nove anos, treinava boxe desde o colégio e vivia grudado na academia. Seu corpo era largo de ombros, seco de cintura, e por mais roupa folgada que vestisse sempre havia algo na sua presença que fazia cabeças se virarem na rua. Eu tinha vinte e quatro e ainda o seguia como se fosse o irmão mais velho que nunca tive.
Damián era filho do irmão do meu pai. Os dois tinham montado juntos uma pequena construtora, então passavam o dia inteiro fora, na obra, cobertos de poeira e discutindo orçamentos pelo telefone. Meu tio havia se separado da mãe de Damián quando ele era apenas um moleque, de modo que pai e filho tinham vivido sozinhos por muito tempo, apoiando-se um no outro.
Cresci admirando-o sem disfarce. Quando saíamos, as mulheres o procuravam com o olhar e ele respondia com um meio sorriso que parecia não lhe custar nada. Eu observava essa facilidade dele como quem estuda um idioma que jamais vai falar direito. Era puro charme, e eu ainda não tinha nem metade da segurança dele.
Em casa, minha mãe o adorava. Era uma mulher de quarenta e seis anos, magra, de quadris marcados e seios pequenos. Tinha se casado jovem com meu pai, seu único namorado desde o colégio, e sempre fora uma esposa de hábitos ordenados. Com Damián, porém, tinha uma fraqueza evidente: o convidava para almoçar, guardava o prato dele, levava-o com a gente quando viajávamos.
— Repara no seu primo — me dizia enquanto servia a mesa —. Educado, disciplinado, sem vícios. Assim você devia ser.
Eu concordava sem me incomodar. Para mim também ele era um modelo, e nunca, em todos aqueles anos, notei nada estranho entre eles. Nem um olhar a mais, nem um gesto fora de lugar. Éramos uma família. Ou era o que eu acreditava, até aquele fim de semana.
***
Meu pai e meu tio foram para outra cidade por um projeto que prometia tirá-los do aperto. Saíram na sexta ao amanhecer com o carro carregado de plantas e a promessa de voltar na segunda. A casa ficou em silêncio, grande demais para duas pessoas, e minha mãe, que odiava esse tipo de quietude, ligou para Damián.
— Vem dormir aqui esses dias — disse ela ao telefone —. Não faz sentido você ficar sozinho naquela casa vazia.
Ele chegou perto das sete, recém-saído da academia, com a bolsa no ombro e a camiseta ainda escura de suor nas costas. Tomou banho, desceu com o cabelo úmido e uma camiseta limpa, e se sentou para lanchar conosco como se fosse mais um dia qualquer. Minha mãe fez pipoca, ligamos a televisão e colocamos um daqueles filmes que ninguém assiste de verdade.
Por volta das onze o sono começou a me vencer, mas eu não queria ir para a cama. Não sei por quê, naquela noite eu me sentia como um moleque mandado dormir antes da parte boa.
— Sobe logo — me disse minha mãe, sem tirar os olhos da tela—. Amanhã você continua.
— Vai, vai dormir — acrescentou Damián, me dando um tapa no ombro —. Eu termino isso e também vou me deitar.
Subi de mau humor e me joguei na cama vestido. Mas o sono não vinha. Eu virava de um lado pro outro, olhava o teto, escutava o murmúrio distante da televisão que aos poucos foi se apagando. Depois de um bom tempo me levantei para buscar água, mais por inquietação do que por sede.
A sala estava às escuras. A televisão, desligada. Passei pela cozinha e também não havia ninguém. Uma sensação estranha foi subindo pela minha nuca, aquela intuição que a gente tem antes de entender o que está acontecendo. E então, ao me aproximar do fim do corredor, eu ouvi.
Uma voz repetia, abafada e ritmada:
Sim, sim, sim, sim.
***
A porta do quarto da minha mãe estava só encostada, uma fresta de luz amarela cortando a penumbra do corredor. Eu devia ter me virado. Eu sabia disso enquanto pensava. Mas meus pés não obedeceram, e minha mão empurrou a madeira alguns centímetros, o suficiente para olhar.
A cama ficava bem em frente à porta, então vi tudo de uma vez, sem tempo de me preparar. Damián estava em pé de lado, nu, desgrenhado, as costas brilhando de suor à luz do abajur. Tinha a pica dura enterrada até o fundo entre as nádegas da minha mãe, grossa, longa, brilhando com os fluidos que ela deixava nele a cada investida. E minha mãe, curvada sobre a beirada do colchão, com os pés no chão e os quadris erguidos, o tronco afundado nos lençóis, se deixava foder como uma cachorra.
Eu não via o rosto dela. Só o cabelo em desalinho caindo para a frente, se movendo a cada estocada. Ele a segurava pela cintura e metia a rola com um ritmo seco, duro, enquanto uma das mãos descia de vez em quando e lhe dava palmadas na bunda, deixando a marca vermelha e arrancando dela aquele sim, sim, sim que me tinha guiado até o corredor. Cada choque dos quadris de Damián contra o traseiro da minha mãe soava como um aplauso molhado, e ela arqueava as costas para pedir mais, oferecendo o cu aberto até o fundo.
— Toma, puta, toma — dizia ele baixinho, apertando os quadris dela —. É assim que você gosta, né? Que eu encha até o fundo.
— Sim, sim, me dá tudo, não para — respondia ela com a voz quebrada contra o colchão —. Me fode, amor, me fode forte.
Fiquei congelado, prendendo a respiração, com o coração batendo nas costelas como se quisesse me entregar. Era minha mãe. Era Damián, meu primo, o homem que eu queria ser. E o que eu sentia não era só escândalo: era algo mais turvo, uma mistura de horror e fascínio que eu não ousava nomear. Sem perceber, minha própria pica tinha ficado dura dentro da calça do pijama, e minha mão foi sozinha apertá-la por cima do tecido.
Num momento ele a segurou com firmeza e parou com a pica inteira enterrada nela. Tirou devagar, brilhando e pingando, e depois enfiou de novo de uma só vez, num empurrão que arrancou da minha mãe um gemido longo, gutural.
— Vira de frente — disse ele baixinho —. Quero ver sua cara enquanto gozo.
Minha mãe obedeceu na hora, subindo inteira para a cama e se deixando cair de costas, com os joelhos dobrados e as pernas escancaradas. Pela primeira vez vi o rosto dela: os olhos semicerrados, a boca mole e brilhante, a expressão de alguém que já tinha parado de fingir fazia tempo. E vi também o cu dela, depilado, inchado, com os lábios vermelhos e afastados, escorrendo entre as coxas. Uma mulher que eu nunca tinha visto, escondida dentro da mãe que me servia o café da manhã.
Damián se inclinou sobre ela e a beijou por longo tempo, devagar, segurando o rosto dela com as duas mãos como se tivessem todo o tempo do mundo. Depois foi descendo, pelo pescoço, pelo peito, enquanto ela lhe enterrava os dedos no cabelo e soltava um murmúrio grave que mal se ouvia do corredor. Ele prendeu um mamilo com os lábios, chupou devagar, e com a língua foi desenhando círculos até ela se retorcer e buscar a cabeça dele para empurrá-la mais para baixo.
— Desce, desgraçado, desce logo — arquejou ela.
Ele riu, rouco, e continuou descendo pelo ventre, deixando um rastro úmido até o umbigo. Abriu mais as pernas dela com as duas mãos e enfiou a boca no cu sem cerimônia. Vi quando ele pôs a língua inteira para fora e a passou de baixo para cima, lenta, longa, colhendo o suco. Minha mãe soltou um suspiro agudo que a fez erguer a bunda do colchão.
— Aí, assim — sussurrou ela —. Não se apressa. Chupa devagar, assim, assim.
Damián se acomodou de joelhos na beira da cama, passou as pernas dela por cima dos ombros e se dedicou a comer o cu dela com fome. Ele chupava os lábios, enfiava a língua, procurava o clitóris e o enrolava entre os lábios até fazê-la tremer. Cada vez que ela tentava fechar as pernas, ele as abria com um safanão e voltava a afundar o rosto. Minha mãe movia os quadris contra a boca dele, puxava o cabelo dele, apertava a cabeça como se tivesse medo de que ele fosse embora.
Eu continuava cravado na fresta, incapaz de avançar e, pior ainda, incapaz de recuar. Cada ranger do chão sob meus pés me parecia um trovão. Se qualquer um deles virasse a cabeça na direção da porta, eu seria descoberto. E ainda assim eu não me mexi. Tinha abaixado o elástico do pijama sem pensar, e estava me masturbando em silêncio, com a pica de fora e os olhos grudados na cena.
***
Ele se levantou, com a boca e o queixo brilhando com o cu da minha mãe, e a puxou suavemente pelos tornozelos até deixá-la outra vez na beira da cama, com as pernas erguidas e apoiadas nos ombros dele. Pegou a pica, grossa e pesada, e passou-a pelos lábios do cu de cima a baixo, molhando a ponta.
— Pede pra mim — disse ele.
— Me mete, por favor — gemeu ela, erguendo os quadris para buscá-lo —. Me mete tudo, não me faz esperar.
Damián a penetrou com um empurrão lento e profundo. Vi a pica inteira desaparecer dentro dela, até os ovos, e minha mãe jogar a cabeça para trás e abrir a boca em um gemido longo, sem voz. Ele beijou a parte interna das coxas dela, sem pressa, prolongando o momento, e começou a se mover.
O ritmo ficou profundo, pausado, quase cruel de tão medido. Ele tirava a pica quase inteira e a enterrava de novo com um golpe seco, e a cada investida o som molhado do cu da minha mãe se chafurdando ao redor da rola dele me entrava pelos ouvidos. Ela apertava os lençóis nos punhos e soltava um gemido cada vez que ele se afundava por completo. Eu só via de Damián o perfil do torso, tenso, marcado pelo esforço de horas de academia, movendo-se como uma máquina sem pressa, com a rola entrando e saindo brilhante entre as pernas da minha mãe.
— Mais devagar — pediu ela, com a voz quebrada —. Não deixa acabar. Se continuar assim você vai me fazer gozar já já.
Ele riu baixinho, uma risada rouca, e só lhe obedeceu por um instante antes de retomar. Agarrou os peitos pequenos dela com as duas mãos, apertou-os, beliscou os mamilos entre os dedos e voltou a acelerar. Houve um momento em que a empurrou com tanta força que ela soltou um grito seco e foi parar no meio da cama. Damián a seguiu sem se separar, subindo com ela e baixando suas pernas até se esticar sobre ela.
Se acomodou entre as coxas dela, apoiou os cotovelos dos lados da cabeça dela e começou a foder assim, corpo contra corpo, a pica entrando fundo e constante, enquanto mordia o pescoço dela e sussurrava obscenidades ao ouvido. Eu conseguia ouvir algumas palavras soltas — puta, minha, cunhada, cu gostoso — e minha mãe respondendo com arquejos entrecortados que sim, que era dele, que era a puta dele, que continuasse enfiando assim.
Do meu canto eu os via se mover em uníssono, duas sombras unidas sob o abajur. Às vezes ele se aproximava para beijá-la e ela cravava as unhas nas costas dele, deixando marcas vermelhas que desciam pelas escápulas; às vezes ele se endireitava, sentava sobre os calcanhares, a agarrava pelos quadris e a puxava para ser enfiada na pica por baixo, com um vai-e-vem longo e sujo. Ela então se acariciava nos seios e enfiava dois dedos na boca olhando para ele, e ele sorria como se conhecesse aquele olhar de cor. Havia uma confiança entre eles que me gelou mais do que o próprio sexo: aquilo não era a primeira vez. Aquilo vinha de longe.
— Sobe em cima — disse ele em certo momento, se jogando de costas e levando-a com ele sem tirá-la.
Minha mãe acabou sentada de cavalinho em cima de Damián, com a pica cravada dentro até o fundo, movendo-se para a frente e para trás, cavalgando-o devagar, deixando-se cair com todo o peso. Eu via as costas dela do corredor, a curva da bunda se chocando contra as coxas dele, o cabelo desgrenhado caindo até a cintura. Damián segurava os quadris dela e a empurrava de baixo, fodendo-a do chão com a pica inteira, enquanto ela se apoiava com as mãos no peito dele e gemia sem parar.
— Assim, meu amor, assim — dizia ele —. Me monta, goza em cima.
Ela levou uma mão ao cu e começou a tocar o clitóris enquanto continuava subindo e descendo sobre a rola. Eu apertava a pica no corredor, mordendo o lábio para não gemer, vendo minha mãe se masturbar em cima do meu primo com uma desfaçatez que eu jamais imaginaria nela.
O fim chegou como uma maré. Ele a deitou de novo, se colocou outra vez entre as pernas dela e acelerou. O ritmo ficou mais rápido, mais curto, a cama começou a bater na parede em golpes secos, e minha mãe começou a repetir uma ladainha entrecortada, sim, sim, continua, não para, me dá mais, goza dentro, enquanto o corpo inteiro dela se enrijecia como uma corda. Arqueou as costas, jogou a cabeça para trás contra o travesseiro e gozou com um gemido longo e agudo, tremendo da cabeça aos pés, apertando o cu ao redor da pica de Damián enquanto ele continuava a socá-la sem piedade.
— Vou gozar, vou gozar dentro — rosnou ele.
— Sim, dentro, me dá tudo — arquejou ela.
Vi ele tensionar o cu, afundar até o fundo e ficar ali, tremendo, descarregando tudo dentro da minha mãe com um gemido rouco. Eu os vi respirar juntos, colados, com a rola ainda enterrada, enquanto um filete branco começava a escorrer pela borda do cu dela.
Finalmente recuei um passo, com as pernas fracas e a mão manchada da minha própria porra, que havia explodido em silêncio contra a parede do corredor enquanto eu os via terminar. Eu sabia que precisava sumir antes que ele se levantasse. Afastei-me prendendo a respiração, sem me atrever a respirar até chegar à cozinha, e dali, apoiado na bancada fria, ainda ouvi o rumor abafado das vozes deles e uma risada baixa da minha mãe que eu nunca tinha ouvido antes.
***
Voltei para a minha cama e não preguei olho. Estava com os nervos à flor da pele e a cabeça girando. Uma parte de mim estava furiosa: minha mãe enganava meu pai dentro da própria casa, e ainda por cima com meu primo, com o homem que ela mesma me colocava como exemplo. A traição tinha algo de obsceno só de imaginá-la.
Mas havia outra parte, mais silenciosa e mais vergonhosa, que não parava de reproduzir a cena. Não o quê, mas o como: a luz amarela, a fresta, a sensação de olhar para algo proibido sem ser visto, a pica de Damián entrando e saindo do cu da minha mãe, ela pedindo mais, gozando em cima dele. Descobri naquela noite que o segredo me atraía tanto quanto me assustava, que espiar o que não me cabia me excitava de um jeito que eu não sabia como apagar. Eu me masturbei de novo na cama, sob os lençóis, lembrando cada detalhe, e gozei outra vez apertando o rosto contra o travesseiro para não fazer barulho.
Na manhã seguinte desci para tomar café da manhã e minha mãe me serviu o café como em qualquer outro dia, com o mesmo sorriso de sempre. Damián lia o celular à mesa, recém-banhado, cheirando a colônia. Ninguém suspeitava que eu sabia. E enquanto mexia o açúcar em silêncio, olhando para o pescoço dela onde eu agora sabia que ele tinha mordido, entendi que não ia dizer nada. Que, no fundo, eu não queria que aquilo terminasse.
O que eu não imaginava era até que ponto aquilo se tornaria um hábito meu: aprender os horários deles, calcular os descuidos, procurar a próxima fresta. A tarde em que os espiei de novo, desta vez no banheiro, com a porta entreaberta e o vapor embaçando o espelho, com minha mãe de joelhos chupando a pica de Damián sob o jato d'água, é outra história. Mas aquela primeira noite foi a que me ensinou quem eu era quando ninguém me olhava.


