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Relatos Ardientes

Que me olhassem assim foi o mais excitante que vivi

Aquilo começou como começam quase todas as coisas que depois você se lembra pelo resto da vida: com algumas taças, um quarto de hotel e três pares de olhos que passavam horas me dizendo o que a boca não ousava dizer. Éramos quatro naquele congresso da empresa no norte, levávamos dois dias de reuniões e apresentações intermináveis, e, quando terminou o último ato oficial da noite, ninguém estava com vontade de se trancar sozinho no quarto a encarar o teto.

Foi Marcos quem propôs: tinha uma suíte no andar de cima, cortesia do hotel por causa de uma reserva que tinha dado errado, e no frigobar havia duas garrafas de vinho branco fechadas. Andrés disse que sim antes de Marcos terminar de falar. Gabriel não disse nada, mas também não disse não: simplesmente pegou o casaco e foi em direção ao elevador.

Eu os segui. E, nos quatro andares da subida, olhando os números que se acendiam um a um sobre a porta, tive tempo de reconhecer o que vinha sentindo o dia todo. Que os três me agradavam de um jeito que não era profissional nem conveniente nem simples. Que eu tinha passado o congresso inteiro apertando as coxas sob a mesa toda vez que um deles se inclinava para me passar um papel. E que acho que eles sabiam.

***

A suíte era ampla, com uma sala separada do quarto e uma janela de frente para as luzes da cidade. Começamos a conversar sentados nos sofás, taça na mão, com aquela liberdade estranha que a conversa tem quando você está longe da sua cidade e as regras habituais ficam suspensas por algumas horas. Marcos fazia Andrés rir com alguma anedota do setor. Gabriel ouvia com os cotovelos nos joelhos e os olhos ora em Marcos, ora em mim.

Toda vez que ele me olhava, algo no meu peito — e mais embaixo, entre as pernas — respondia antes que eu pudesse interceptar.

Na segunda taça, o espaço entre os corpos já era notavelmente menor do que quando tínhamos entrado. Alguém tinha abaixado a música, ou talvez fosse só que o quarto tinha ficado silencioso de outro jeito. O vinho ajudava, mas não era só o vinho.

Foi a terceira taça e uma música lenta que saiu da caixinha de som portátil de Marcos que mudou tudo. Eu me pus de pé sem ter planejado isso por completo e comecei a me mover.

No começo foi algo quase inocente: só o corpo seguindo o ritmo, os quadris marcando o tempo. Mas os três se calaram ao mesmo tempo, e esse silêncio foi suficiente para que o inocente deixasse de ser. Passei a mover os quadris mais devagar, mais deliberadamente, deslizando as mãos pelas coxas, pelo ventre, pelo pescoço. Fechei os olhos por um segundo e senti o calor dos olhares deles sobre a minha pele como se fossem algo físico, algo que dava para localizar com precisão. Eu podia sentir os mamilos endurecendo sob a blusa e a boceta ficando úmida só de saber que estavam me devorando com os olhos.

Quando os abri, Marcos tinha a taça a meio caminho da boca, suspensa no ar. Andrés tinha se inclinado para a frente, com os cotovelos nos joelhos e a mandíbula levemente tensa. Já se marcava o volume na calça. Gabriel não tinha mudado de posição, mas havia algo em seus olhos diferente. Mais escuro. Mais intenso. Como se tivesse decidido alguma coisa sem dizer.

Continuei dançando. Cada movimento era mais lento que o anterior, mais calculado. Passei as mãos pelos quadris, pela cintura, pelo pescoço, e os deixei imaginar o resto. Eu não precisava lhes dizer nada. O silêncio deles era a resposta mais clara que podiam me dar.

***

Desabotoei a blusa bem devagar, botão por botão. Quando a tirei, joguei-a na direção de Marcos. Ele a pegou com uma das mãos e apertou por um instante, enterrando o nariz no tecido antes de largá-la no sofá. Andrés se mexeu no assento e levou a mão ao volume da calça sem disfarce, apertando por cima do tecido. Gabriel não se moveu.

O sutiã foi o próximo. Desabotoei de costas para eles primeiro, depois me virei e fiquei imóvel por alguns segundos sem soltá-lo, olhando os três. Em seguida o deixei cair no chão. Meus seios ficaram livres, com os mamilos tão duros que doíam, apontando para eles como se tivessem vida própria. A saia caiu sem drama, como se tivesse esperado a noite inteira por aquele momento. Por baixo eu não usava nada: a calcinha já estava tão encharcada no jantar que eu a tinha tirado no banheiro do meu quarto antes de subir. Quando fiquei só com os sapatos de salto preto, vi os três respirarem de um jeito diferente de dez minutos antes e percebi que os três estavam com os olhos presos entre minhas pernas, na buceta depilada que eu mostrava sem nenhuma vergonha.

—Meu Deus —murmurou Marcos, com a voz um tom mais baixa do que o normal—. Você está ensopada, Valeria. Dá para ver daqui.

Andrés soltou o ar que vinha prendendo havia um tempo, num suspiro longo e lento.

Gabriel não disse nada.

Fui andando para trás devagar, chamando-os com um gesto do dedo. Os três se levantaram quase ao mesmo tempo, como se alguém tivesse dado um sinal. Cruzei a porta que separava a sala do quarto e me recostei na cama, sobre o edredom branco, abrindo as pernas por completo, sem pudor, deixando que vissem até a última dobra.

Dessa posição, com a cabeça apoiada no travesseiro e os olhos voltados para os três que tinham ficado no batente, senti algo que nunca tinha sentido exatamente daquela forma: o peso de três pares de olhos sobre o meu corpo como algo quase tátil. Eles me percorriam sem pressa, sem vergonha, como se estivessem memorizando cada detalhe para depois.

—Valeria —disse Marcos, com aquela voz grave que usava nas reuniões quando queria convencer alguém—. Você está absolutamente perfeita assim. Você tem a buceta mais linda que eu já vi na minha puta vida.

Andrés balançou a cabeça devagar, como se não encontrasse palavras.

—Aperte os mamilos —disse por fim, com a voz rouca—. Forte. Quero ver o quanto você está molhada. E depois tira essa mão daí e abre a buceta para nós. Quero ver tudo.

Apertei os mamilos com as duas mãos, torcendo-os entre os dedos até a pele arder e um gemido agudo escapar de mim. Arqueei as costas sozinha, sem pensar, e um gemido mais longo me escapou antes que eu pudesse decidir se queria que eles ouvissem ou não. Já era tarde para isso. Depois levei uma mão ao ventre, bem devagar, e com dois dedos abri os lábios da boceta para eles, mostrando como o clitóris já estava inchado e brilhante, como um fio de umidade me escorria pelo períneo até a bunda.

—Porra —murmurou Andrés—. Porra, porra, porra.

Gabriel se sentou na poltrona que havia junto à janela, abriu as pernas e apoiou os cotovelos nas coxas. E continuou sem dizer nada. Só olhava, com uma intensidade que me queimava mais que as palavras dos outros dois.

***

Comecei a me percorrer com as mãos. O pescoço, os ombros, as costelas. O ventre. Desci devagar, sem pressa, deixando que olhassem. Levei o dedo médio à boca, chupei-o lentamente até encharcá-lo de saliva e depois o baixei até o clitóris e comecei a traçar círculos lentos ao redor, sem tocá-lo de verdade, brincando comigo mesma como eu sabia que eles gostariam de fazer. Eu tentava dividir minha atenção entre os três, porque os três estavam ali e os três mereciam, mas meus olhos voltavam sozinhos a Gabriel toda vez. Havia algo em seu silêncio que era mais barulhento que todos os comentários de Marcos e Andrés juntos.

—Assim —dizia Marcos da sua poltrona, já com a rola para fora, grossa e vermelha no punho, movendo a mão para cima e para baixo num ritmo lento—. Não para. Mete os dedos, quero ver como entra teu próprio dedo nessa boceta.

Obedeci. Enfiei o dedo médio até a junta e soltei um gemido que me surpreendeu pelo quanto soou fundo. Eu estava tão molhada que não encontrou resistência nenhuma. Juntei o indicador, curvei os dois para dentro procurando aquele ponto que eu conhecia bem e comecei a me foder com os dedos, com a palma batendo no clitóris a cada investida. Com a outra mão, apertava um seio, puxando o mamilo toda vez que arqueava as costas.

Mas eu ouvia Marcos como se ouve a chuva de dentro de um carro: como fundo, como textura. O que eu realmente sentia era o olhar de Gabriel pousado sobre mim como algo sólido. Ele não olhava para meus olhos nem para as mãos nem para nenhum ponto específico: olhava para mim inteira, com uma atenção total que fazia o resto do quarto desaparecer.

Por que o silêncio dele me excitava mais do que qualquer pau que pudessem me mostrar?

Os dedos se moviam sozinhos, cada vez mais rápido, com um barulho úmido que enchia o quarto e que eles ouviam com a mesma atenção com que escutariam um segredo. O calor era intenso, concentrado, e toda vez que arqueava as costas eu sentia o corpo pedindo mais pressão, mais velocidade, mais de tudo. Meus gemidos enchiam o quarto e eu já não tentava controlá-los porque seria inútil e porque, honestamente, eu já não me importava. Chupei os dedos da outra mão, tirei os de dentro e os levei também à boca, saboreando a mim mesma diante deles, olhando-os enquanto lambia meu próprio fluxo.

—Vai se foder —gemeu Andrés, que já estava se punhetando também, com a camisa aberta e a calça nos tornozelos—. Alguém grava ela. Alguém grava ela, porra.

Foi então que Gabriel baixou o zíper da calça. Fez isso devagar, sem tirar os olhos de mim, com uma calma que era quase desconcertante. O que vi fez minha respiração travar por um segundo inteiro: era grande, muito grosso, com as veias marcadas por todo o comprimento e a glande brilhante de líquido pré-seminal, e a mão dele o envolveu com uma naturalidade que achei incrivelmente excitante. Sem ostentação. Sem precisar que ninguém notasse, embora todos tenhamos notado. Ele começou a se masturbar com um ritmo pausado, firme, dando uma volta completa no prepúcio a cada subida.

Não deixei de olhá-lo.

Imaginei aquele pau entrando em mim. Imaginei como ele me abriria, como me faria sentir cada centímetro. Meus dedos se moveram mais rápido sozinhos, sem que eu tomasse nenhuma decisão consciente. Enfiei três. A tensão em todo o meu corpo subiu um degrau de uma vez. Arqueei mais as costas. Abri mais as pernas, tanto que meus músculos da coxa doeram. Com a outra mão fui ao clitóris e comecei a esfregá-lo em círculos rápidos, sentindo todo o calor do corpo se concentrar num único ponto que pulsava a cada movimento.

—Que linda —disse Andrés em voz baixa, quase para si mesmo, sem parar de se tocar—. Que linda você fica assim, com os dedos afundados até o fundo, toda para nós.

Marcos também se masturbava com mais ritmo agora, mordendo o lábio inferior, com os olhos cravados no vão entre minhas pernas. Andrés fazia o mesmo, inclinado para a frente, de olhos bem abertos, cuspindo na palma para deslizar melhor. O quarto estava cheio de um silêncio denso, povoado por respirações aceleradas, pelo som úmido de três paus sendo trabalhados pelos próprios donos, pela minha boceta borbulhando sob meus dedos, pelos gemidos que eu já não me dava ao trabalho de reprimir.

Mas eu só via Gabriel.

Ele acelerou o ritmo da própria mão exatamente quando eu acelerei o meu, como se houvesse um fio invisível entre nós dois que os outros não podiam ver. A mandíbula dele estava travada. Os olhos, fixos nos meus. Eu bombeava meus dedos no mesmo compasso com que ele bombeava o punho ao redor daquele pau enorme, e a cada investida escapava de mim um “sim, sim, sim” que era mais para ele do que para mim. E naquele momento soube, com uma certeza que não precisava ser analisada, que íamos chegar juntos sem nem sequer nos tocarmos.

Nunca tinha sentido uma conexão assim com ninguém. E era sem nos tocarmos.

A tensão chegou a um ponto em que já não era sustentável. Eu a senti se acumular, subir, concentrar-se, até que o corpo inteiro virou um ponto de pressão que precisava se resolver. O clitóris latejava sob meus dedos como se tivesse um pulso próprio, mais forte que o do coração.

***

Gritei alguma coisa que não foi exatamente uma palavra. O orgasmo veio longo e forte, em ondas que começavam no centro do corpo e se expandiam até os dedos dos pés. Gozei com os dedos dentro, sentindo as paredes da boceta se contraírem ao redor deles, sentindo um jato quente me molhar a mão e descer pelas nádegas até o edredom. Fiquei rígida, com as costas arqueadas e os dedos afundados, durante o que pareceu muito tempo antes de os músculos relaxarem sozinhos. Quando finalmente relaxaram, fiquei imóvel com os olhos fechados por um momento, apenas respirando, com a boceta pulsando e os dedos ainda dentro.

Quando abri os olhos, Gabriel também estava terminando. Vi o corpo dele se tensionar por um último instante e depois ceder, vi-o soltar o ar com os lábios entreabertos, vi os primeiros jatos grossos e brancos saírem do pau e caírem sobre o punho, sobre a calça, sobre o chão. E vi os olhos continuarem fixos em mim até naquele instante, sem piscar, enquanto ele gozava.

Marcos chegou segundos depois, com um som longo e os ombros jogados para trás, apontando o pau para o ventre para que a porra respingasse na camisa aberta e no peito. Andrés quase ao mesmo tempo, rosnando entre os dentes, com um gemido quebrado, disparando dois, três, quatro jatos que aterrissaram no tapete e na própria coxa. O cheiro de sêmen encheu o quarto, espesso e quente. Senti calor na pele, nas coxas, no ventre, e fiquei imóvel, deixando que tudo assentasse, deixando que o quarto voltasse a ser só um quarto.

O ar-condicionado continuava funcionando. Alguém soltou um suspiro longo de algum canto do quarto. A cidade seguia iluminada do outro lado da janela, completamente alheia ao que acabara de acontecer ali dentro.

Me sentei devagar. Recolhi a roupa espalhada pelo chão e me vesti sem pressa, com a calma de quem acaba de fazer exatamente o que queria fazer e não precisa justificar. Ainda sentia um fio da minha própria umidade escorrendo pela parte interna da coxa, e não me incomodei em limpar.

—Isso foi... —começou Marcos.

—Foi —disse eu antes que ele terminasse, porque não precisava dizer mais nada.

Andrés riu, baixo, aliviado. Marcos também. Gabriel continuava na poltrona, com o pau ainda para fora, brilhante e meio murcho, os olhos fechados, respirando devagar, como se precisasse de mais um momento para voltar por inteiro.

Ficamos mais um tempo na suíte. Falamos de coisas que já não me lembro, de anedotas, do que ainda tínhamos pendente no congresso no dia seguinte. A normalidade voltou de um jeito surpreendentemente rápido, como sempre acontece depois que algo importante acontece entre pessoas que amanhã terão de se ver numa sala de reuniões.

Quando nos despedimos no corredor, Gabriel foi o último a sair. Parou na porta por um instante e me olhou. Só isso: me olhou. Sem dizer nada, sem gesticular, com a mesma expressão contida e escura que tinha tido durante toda a noite.

Não precisava dizer nada. Eu já sabia.

Posso confessar uma coisa? Essa não foi a última vez que ele me olhou daquele jeito. Mas o que aconteceu depois entre nós dois — como ele me fodeu contra a parede do meu quarto naquela mesma madrugada sem dizer uma palavra, como me abriu com aquele pau enorme até me fazer gritar contra o ombro dele — já é outra história, e nessa história não havia mais ninguém olhando.

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